segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O prefeito e as esmolas

Entre sorrisos e abraços, o prefeito de La Paz, na Bolívia, Luis Revilla, saiu às ruas para pedir dinheiro. O objetivo dele era reunir os US$ 14.200 relativos à fiança que deve pagar devido à uma denúncia feita pelo Governo de Evo Morales. Ele disse que não tinha a quantidade de dinheiro cobrada pela Justiça e por isso recorreu às contribuições.

Revilla, que integra o esquerdista Movimento Sem Medo (MSM), ex-aliado de Morales, percorreu a pé o centro de La Paz para agradecer a ajuda das pessoas que depositavam moedas em latas.

"Estão apoiando não só o prefeito, mas a cidade. É um apoio para que a cidade não pare, para que continue se transformando, e para que não caia nas mãos daqueles que a destruíram antes de nosso Governo municipal", declarou o prefeito. A Controladoria Geral denunciou Revilla por dano econômico ao Estado por meio da suposta cobrança irregular de diárias de viagem. Ele negou a acusação e disse que é uma tentativa de Morales de retomar a Prefeitura de Laz Paz, que perdeu nas urnas em abril passado.

O prefeito ainda contou com a ajuda de partidários nas cidades de Tarija, Santa Cruz, Cochabamba e Sucre, a capital do país. O resultado da ação foi a arrecadação do equivalente a quase 17 mil dólares, 3 mil a mais do que ele precisava. Revilla pagou a fiança e disse que vai doar o dinheiro para alguma instituição. Diante dessa inusitada ação política, ainda é possível chamar Lula de populista?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um cargo para Lula

Depois de oito anos de avanços e combate a miséria, segundo os partidários e de retrocessos e corrupção, segundo a oposição, o primeiro operário eleito presidente do Brasil deixará o cargo pra a primeira mulher a ocupar o mesmo cargo. O que todo o mundo se pergunta – porque Lula é uma figura mundial – é o que o presidente fará após deixar Brasília.

Corre a notícia, há tempos, de que o sonho do Luiz Inácio é ser Secretário Geral da ONU, o segundo maior cargo político do mundo, depois da presidência norte-americana. Lula não fala inglês, nem espanhol e, segundo maldosos, nem português direito. No entanto, esbanja simpatia e tem abertura para negociar com qualquer governante. É um político nato e, talvez, um dos melhores para o cargo, que requisita o que ele tem de sobra: jogo de cintura.

No entanto, o sonho parece distante. Sendo assim, os presidentes sul-americanos concordam que Lula é o mais indicado para assumir a secretaria geral da Unasul, a União das Nações Sul-Americanas. Em reunião informal no final de semana passada, durante a Cúpula Ibero-Americana, que ocorreu em Mar Del Plata na Argentina, fontes informaram que Lula fez pouco caso do convite.

Dessa forma, o presidente que, contrariando os temores de 2002, melhorou a imagem do Brasil no exterior pode acabar ficando sem nenhum dos dois cargos. A ONU é um sonho distante, grande demais para Lula e a Unasul, pouco para o talento e as pretensões do ex-operário.

sábado, 27 de novembro de 2010

Violência no Rio e o que respinga lá fora

Impossível não falar, esta semana, sobre tudo o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro. Durante toda a semana as pessoas viveram em estado de alerta, olhando para os lados e desconfiando de qualquer barulho que ouviam. O tráfico declarou guerra e, ao que parece, perdeu. Tudo isso gerou imagens impressionantes, aproveitadas com muita força por toda a imprensa e fez com que respingasse lá fora.

A poucos anos de sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo, o Brasil não precisava desse marketing negativo. O jornal El País, principal em língua espanhola, disse que os traficantes desafiaram o Rio de Janeiro. O Clarín, da Argentina, chamou o enfrentamento de “guerra”. Grandes redes de televisão também noticiaram os fatos.

Tudo isso, claro, é negativo para a imagem do Brasil e, principalmente, do Rio de Janeiro, que é o principal destino turístico do país. No entanto, é preciso esclarecer para quem não mora aqui, que esta cidade se divide em duas: a Zona Sul, dos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon entre outros, e a Zona Norte, onde se concentra a população mais pobre, o maior número de favelas (exceção da Rocinha) que o Governo do Estado ainda não conseguiu dominar com as chamadas UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora). Na Zona Norte, foi o caos: o som de tiros era comum, ônibus e trens pararam de circular, polícia e exército nas ruas e tudo mais. Porém, na Zona Sul, a região turística, praticamente nada aconteceu: alguns carros foram incendiados, mas todos casos bem isolados. O problema é que quando a notícia de uma guerra urbana vai para o exterior, não é feita esse divisão.

Trabalho em uma agência internacional de notícias e pude ver, por dentro, como isso é disseminado lá fora. O Rio é, para quem não mora aqui, tudo uma coisa só. Não há a zona segura e a zona violenta. Há apenas o Rio, que, para eles, é todo violento.

Essa não é a primeira vez - e, creio nem será a última – que o Rio de Janeiro vira notícia por causa da criminalidade. Ainda acredito que isso não trará consequências graves para o grande calendário que está previsto nos próximos anos. Se a guerra parar, aos poucos tudo isso vai sendo esquecido pela imprensa internacional.

sábado, 13 de novembro de 2010

Lugo, o reprodutor

Hoje abatido por um câncer, antes por acusações de estupro presumido. Na vida pessoal, o rumor gerado pela troca do hábito pela política. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, é um homem controverso, mas que mantém boa popularidade.

Lugo foi bispo, mas abandonou a Igreja. Depois de se tornar presidente, apareceram mulheres afirmando terem filhos dele. O político não negou ser pai e, com isso, manteve a boa imagem perante as partes mais pobres do país.

Ouvi de um professor paraguaio que mora no Rio de Janeiro uma história que parece absurda, mas tem sentido: A Guerra do Paraguai acabou com mais da metade da população do país. Alguns dizem que 90% dos jovens em idade reprodutiva foram mortos, o que causaria uma redução gigante na taxa de natalidade do país.

A Guerra acabou em 1870 e, a partir de então, se criou no país uma cultura de povoação. Ao final do conflito, os meninos já sabiam que, no futuro, teriam que ter muitos filhos para não deixar que a população acabasse. Segundo o professor, essa cultura continua até hoje, tanto que a taxa de natalidade é de 3,8 filhos por mulher, a segunda maior da América. É comum, em comunidades isoladas, homens terem mais de uma esposa e muitos filhos e netos.

Os dados somados à aceitação dos atos do presidente comprovam que os paraguaios são adeptos do ditado de que o “rasgado não deve falar do descosturado”.

Os números a seguir são do jornal El País e foram publicados em 2009: Cerca de 80% das mulheres do país foram vítimas de abuso sexual, segundo a Comissão de Direitos Humanos; Sete de cada 10 filhos são registrados só pela mãe; Oito dos 45 presidentes paraguaios foram filhos de mães solteiras, e pelo menos 17 tiveram filhos ilegítimos.

Essa cultura da procriação, segundo essa teoria, seria a responsável por absolver Lugo de ter se reproduzido, mesmo estando em celibato.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Evo desfalca o time

O presidente da Bolívia, Evo Morales, passou por uma cirurgia no joelho devido a uma tendinite. O político é apaixonado por futebol e costumava praticar o esporte uma vez por semana, em partidas amistosas. A previsão dos médicos é que ele possa voltar aos campos em três meses.

Dias atrás, enquanto ainda estava internado em uma clínica em Cochabamba, Evo recebeu a visita da ministra espanhola de Assuntos Exteriores, Trinidad Jiménez. Ao lado da bela política, parece que ficou bobo e, entre sorrisos, fez piadas de mau gosto. Disse que vai voltar a jogar, mas dessa vez sem joelhadas.

Ele se referia à agressão contra um adversário durante um jogo amistoso no mês passado. O presidente sofreu falta cometida por Daniel Cartagena, zagueiro da equipe da prefeitura de La Paz (que pertence ao partido de oposição) e revidou com uma joelhada nos testículos do adversário.

Na ocasião, Morales deu a entender que Daniel o provocou querendo ser agredido. Por causa da falta, o presidente chegou a ficar alguns dias de repouso. No entanto, a operação no joelho nada tem a ver com a falta sofrida, segundo boletim do Governo.

Morales, de 51 anos, é mais um dos tantos apaixonados por futebol que estourou o joelho. Porém, carente de espírito esportivo e sangue de barata, esse tempo lesionado só poderá trazer benefícios ao atleta de fim de semana mais famoso da Bolívia.

domingo, 7 de novembro de 2010

Marina é pop

Na semana que passou, a Federação dos Partidos Verdes das Américas (FPVA) se reuniu em Bogotá, na Colômbia, para discutir o crescimento das siglas em todos os países do continente. Marina Silva foi o assunto mais comentado. Com os 20 milhões de votos que fez no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, Marina se tornou a candidata “verde” mais votada da história.

A brasileira superou o correligionário Antanas Mockus, que obteve 28% dos votos no segundo turno das eleições da Colômbia e perdeu para o atual presidente, Juan Manuel Santos. Porém, esse desempenho transformou o PV colombiano na segunda sigla mais importante do país, um feito que o partido brasileiro está longe de alcançar.

A FPVA reúne agora 12 países, com o ingresso da Colômbia. No evento em Bogotá, o copresidente da entidade, o brasileiro Marco Antonio Mróz, ainda lembrou que o movimento dos “verdes” cresce em outras partes do mundo, como na Austrália, que é o berço da sigla. Hoje, os partidos verdes estão presentes em 120 países.

Marina Silva já era reconhecida internacionalmente antes das eleições, devido ao trabalho à frente do Ministério do Meio Ambiente do Governo Lula e à ligação com Chico Mendes. Depois do grande desempenho nas urnas, Marina se fortalece internacionalmente e pode almejar saltos maiores.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“Prefiro morrer a perder a vida”

Rafael Correa, o presidente do Equador, é um dos nossos. No último sábado o político disse que o seriado “El Chavo del 8”, ou para nós, simplesmente “Chaves”, é o melhor programa de televisão. “...buenísimo, todos los personajes, los libretos, todo es magnífico ahí, los artistas", disse.

Correa disse isso enquanto divulgava o boletim semanal de trabalho. Convenhamos que se “Chaves” passa no Equador com a mesma frequência que o SBT passa no Brasil, o presidente anda trabalhando bastante.

Ele disse que teve orgulho em conhecer o ator Carlos Villagrán, o Quico (ou Kiko). Além disso, o vice-presidente equatoriano, Lenin Moreno, que lidera uma campanha pelo bom humor no país, afirmou que convidou Villagrán para ser um embaixador da alegria.

Rafael Correa nasceu no ano de 1963 e o seriado “El Chavo del 8” estreou originalmente em 1971, quando o político tinha 8 anos. Logo, o presidente deve ter sido uma das tantas crianças que cresceram acompanhando a turma da vila.

Em uma gravação disponível no YouTube, de quando Correa foi alvo de um atentado, o presidente disse a frase “prefiro morrer a perder a vida”, a mesma usada pelo personagem Chaves.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mulheres no poder

A partir de janeiro do ano que vem, a brasileira Dilma Rousseff será a 12ª mulher a ocupar um cargo de poder na América. Ela se junta ao grupo que tem crescido de forma considerável nos últimos anos, mas ainda é pequeno, se comparado ao número de homens governantes.

Com a primeira presidente eleita do Brasil, serão cinco mulheres ocupando cargos de poder no continente. Na lista, está Cristina Kirchner, na Argentina, que agora enfrentará o desafio de governar sem o apoio do marido, Nestor Kirchner, que morreu semana passada. Aliás, a Argentina é o único país da América que teve mais de uma mulher no poder, pois em 74 Isabelita Perón governou o país depois da morte do marido, Juan Domingo Perón.

Atualmente, além de Cristina, estão no poder Laura Chinchila, da Costa Rica, a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar e a secretária de Estados dos EUA, Hillary Clinton.

Dilma enfrentará o desafio de se consolidar como uma boa governante e quebrar barreiras de gênero, como fizeram a ex-primeira ministra inglesa, Margaret Thatcher e a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que deixou este ano o cargo com 84% de popularidade e foi escolhida como a melhor governante da história do país.

No mundo todo são cerca de 20 as mulheres que têm posições de primeiro nível, como a chanceler alemã, Angela Merkel. Um grupo restrito que tende a crescer, à medida que velhos preconceitos vão caindo e dando lugar à tão sonhada igualdade entre os gêneros.

domingo, 31 de outubro de 2010

O sorriso de Piñera

Além de economista, político e empresário, o presidente do Chile, Sebastián Piñera tem se mostrado um ótimo marqueteiro. Desde que equipes de resgate descobriram que os 33 mineiros que ficaram mais de dois meses presos em uma mina no norte do país estavam vivos, o presidente soube tirar proveito da situação. Mesmo após o resgate, o sempre sorridente líder direitista continua colhendo os frutos da fama mundial e possíveis dividendos políticos a níveis internacionais.

O desabamento na mina San José, que deixou os trabalhadores presos, aconteceu por imprudência. O local estava irregular, não obedecia à boa parte das regras de segurança para empresas mineradoras e o Governo nada fez. Mesmo assim, o presidente conseguiu reverter a situação e, ao invés de ser considerado culpado pelo acidente, saiu como o grande herói da situação.

Agora, passadas semanas do show que foi o resgate, Piñera continua distribuindo pedrinhas da mina San José como lembranças da eficiência chilena. Recentemente, em homenagem prestada aos trabalhadores, além de uma medalha, presenteou cada um com uma pequena réplica da cápsula usada no resgate.

Vale lembrar que Sebastián Piñera não é qualquer um e tem conhecimento de como reverter situações. Empresário, é dono do canal de televisão Chilevisión, sócio da empresa aérea Lan e da sociedade chamada Blanco Y Negro, que controla o Colo-Colo, um dos principais times de futebol do país. Ou seja, o sorridente político, além de ser um dos homens mais ricos do Chile, tem estrada nos negócios.

Resta saber se esse fato importante, midiaticamente falando, será lembrado quando o presidente tentar a reeleição, já que ele assumiu o Governo em março deste ano e tem mandato até o longínquo março de 2014.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Professores inesquecíveis

Desculpem aqueles que foram meus “mestres” reais, mas neste dia do professor quero homenagear aqueles que estão mais presentes na minha memória.

Professor Raimundo, Professor Girafales, Professora Helena (Carrossel) e Professora Carolina (Chiquititas)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tergiversando o trololó

Acabei de ver pedaços do debate entre Dilma e Serra. Apesar do bom formato adotado pela Band, dando mais tempo para que os candidatos pudessem expor suas ideias, o que vi foi um desperdício total de tempo.

Nos últimos debates, como o da Globo, Serra e Dilma estavam fugindo um do outro. Não queriam o confronto direito. Isso é fato. Os dois estão bem pontuados e um confronto mais duro pode fazer com que o eleitor perceba que eles não são candidatos perfeitos.

Um pergunta, outro não responde. O outro pergunta, o um não responde. Assim foi o debate desse domingo. Todas as questões sérias levantadas por um deles foram ignoradas pelo outro, que falava coisas ainda mais sérias que, logo depois, seriam ignoradas de novo. Ou seja, eles não querem debater.

Desligo a TV sem saber quais são as reais propostas dos dois candidatos para o país. A revista Veja foi “quase feliz” na capa da semana passada, quando estampou uma folha em branco anunciando que se tratavam das propostas dos candidatos. Serra, Dilma e Marina, realmente, não propõem nada! Digo que a Veja foi “quase feliz” porque fez questão de ignorar o Plínio. Apesar dos pesares, ele foi o único que apresentou propostas concretas: 7% do PIB para a educação, 10% para a saúde, limite de propriedade etc. Você pode não concordar, mas o fato é que ele apresentou ideias.

Vai ser duro de engolir mais trocentos “debates” como esse. Mais duro ainda será engolir um deles como nosso presidente...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tweets da Eleição

gente chata puteando os institutos de pesquisa. todos acertaram pra presidente. nenhum garantia primeiro turno.

parabéns gremistas. votaram no danrlei e elegeram o sérgio moraes, deputado que se lixa para a opinião pública!

o melhor da eleição: netinho não foi eleito! viva!

2002, Enéas mais votado: morreu; 2006, Clodovil mais votado: morreu tb; 2010, Tiririca mais votado...

a votação da marina prova que o twitter tem força

atenção jornalistas de todo o brasil: o feriadão de 2 de novembro morreu!

pessoal do pt pode guardar as bombas e os confetes. até que é bom, pra dilmão descer do salto.

povo do rs, o que será do @rigotto? um cara que queria ser presidente não se elege nem senador!

muito feliz com a eleição de @anaamelialemos para o Senado!

muito feliz com a eleição do competente @tarsogenro ao governo do meu RS!


domingo, 19 de setembro de 2010

87 dias de atraso

O petróleo, apesar de aparentemente arcaico, ainda é o combustível mais valioso e valorizado do mundo. Países iniciam guerras visando o controle de locais de extração. Até que provem o contrário, foi assim que iniciou a investida norte-americana no Oriente Médio. No Brasil, Lula colhe os frutos da divulgação da descoberta do pré-sal. Estados se engalfinham pelo dividendo do buraco de dinheiro líquido.

Estamos em uma Era de tecnologia evoluída, invenções para tudo, computadores etc. Mas em alguns pontos, o mundo continua tão arcaico quanto uma máquina de escrever. É o caso do maior vazamento de petróleo ocorrido este ano no Golfo do México. Agora, 87 dias depois, a empresa British Petroleum informa, orgulhosa, que conseguiu tapar o vazamento com cimento.

O resultado final: quase três meses de petróleo sendo despejado no mar. Foram 4 milhões de barris. E o prejuízo disso para o meio ambiente? Não se sabe ao certo, pois as informações são desencontradas propositalmente para proteger a economia.

Fato é que a solução demorou demais. Para quê serve toda a tecnologia, todas as invenções e inovações se, numa situação de emergência, as empresas agem como senhoras idosas mexendo num computador? Ridiculamente lerdas e ineficientes.

Vamos rezar para que a tecnologia de quem controla as usinas nucleares de geração de energia seja mais evoluída. Certamente não sobreviveríamos a 87 dias de “vazamento”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fidel: maduro aos 84

Desde a volta triunfal de Fidel Castro aos noticiários, estão se sucedendo notícias de que o líder cubano reconhece ou admite algum erro. Há algumas semanas, o jornal mexicano La Jornada reproduziu uma entrevista onde o guerrilheiro afirma que foi “uma grande injustiça” ter perseguido os homossexuais em Cuba, na década de 60. Esta semana, a revista norte-americana Atlantic Monthly afirma que o ex-guerrilheiro disse que o modelo econômico do país não funciona mais. “O modelo cubano não funciona nem mais pra nós”, teria dito Fidel.

Fidel Castro, chamado por uns de ditador, sempre foi um sonhador. Sonhava com o socialismo, com o mundo justo e usou a força para aplicar essas ideias no país caribenho. Passou praticamente a vida toda tentando provar que estava certo e que, sim, era possível ter um país onde todos os cidadãos fossem iguais, com um Estado pleno coordenando toda a vida das pessoas. Não conheço Cuba, mas pelo que se sabe, a missão falhou.

O país enfrentou duras quedas de braço com outras nações que não concordavam com o regime socialista e, por ser pequeno, pobre e fraco, perdeu. A grande aliada, melhor amiga e companheira para todas as horas (União Soviética) quebrou. Cuba ficou sozinha, isolada. Como sabemos, uma andorinha só...

Depois de todos esses anos, Fidel Castro (que eu admiro), mais uma vez mostra-se lúcido e coerente. Percebeu que falhou nos dois exemplos citados acima e – se os jornais estão certos – assumiu os erros. Não só isso, como mostra-se capaz de tentar impedir a grande burrada que Estados Unidos e Irã estão prestes a fazer. E ele não toma partido, puxa as orelhas de ambos.

Será que o comandante chegou à maturidade depois dois 80 anos? O que aconteceu no período em que ficou afastado da política para dar tenta lucidez ao comandante? Isso, talvez nem o tempo possa dizer. Só sei que, maduro, descrente ou realista, Fidel merece, no mínimo, respeito.

sábado, 14 de agosto de 2010

Rio: três cidades numa só

Cheguei ao Rio de Janeiro há uma semana. Vim “de mala e cuia”, como diria o gaúcho, por razões profissionais. Sem mais motivos a declarar. De qualquer modo, é impossível vir para cá sem as duas cidades presentes no nosso imaginário: a violenta e a turística.

Da cidade violenta, por enquanto, só ouço rumores. Todos os dias alguém, por algum motivo mórbido desconhecido, conta histórias de assaltos curiosos. Vai desde o ladrão que não quis roubar o celular ultrapassado da mocinha universitária até a jovem que xingou o assaltante porque ele reclamou do pouco dinheiro que ela tinha. “Eu sou estagiária, eu pago pra trabalhar, você tá pensando o que?” gritou a vítima.

Da cidade turística, vejo o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor à distância. Lá estão os dois, imponentes, compondo uma paisagem bonita, é verdade, mas pouco acessível. Para desfrutar de qualquer uma dessas duas atrações é necessário ter R$ 40 sobrando. Na primeira semana morando aqui, percebi que essas e outras vantagens são para as pessoas que vem para passear. Gente como eu, que cumpre expediente diário, não consegue tempo para fazer esses passeios e, quando consegue, prefere fazer outras coisas.

Por essa vocação turística, o Rio de Janeiro é caro. Isso sim, turistas e moradores sentem diariamente. Até agora, considero que só sofri um assalto. Foi quando comprei um cafezinho sem perguntar o preço antes.

Percebi, então, que existem três cidades diferentes em uma só: para quem nunca veio aqui, existe o Rio de Janeiro violento e a “cidade maravilhosa”. Para quem vive, tem a cidade funcional, com trânsito complicado, custo de vida caro e poucas horas de lazer. Mesmo assim, se juntar as três, creio que vale a pena.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Meu cachorro me sorriu latindo

Eu voltei. Não sei dizer se agora é pra ficar. Depois de um bom tempo amargando tentativas frustradas de fazer um bom blog, retorno ao princípio: um endereço normal, com textos normais, de gente normal.

Nesse espaço espero voltar a fazer o que fazia antes, durante o meu amadurecimento pessoal e profissional lá no Alegrete e, posteriormente, durante a faculdade de jornalismo em Bagé.

Volto a publicar textos com opiniões sem saber se alguém vai ler, comentar, elogiar ou criticar. Volto a publicar apenas pelo prazer de um hobby. Escrever é bom e é isso que vou praticar aqui.

Coincidência ou não, voltei bem na época em que começa a campanha eleitoral deste ano. Não, não, não, caro amigo. Ainda não sou candidato a nada. Aliás, nem escolhi os meus candidatos ainda (isso é assunto para outro momento).

Espero que aqueles que liam antes, voltem aqui. Que novos venham, leiam, prestigiem! O endereço é o velho e o autor, também. Vamos lá, dissertar sobre assuntos os quais eu (des)conheço totalmente. Ou não.