domingo, 19 de setembro de 2010

87 dias de atraso

O petróleo, apesar de aparentemente arcaico, ainda é o combustível mais valioso e valorizado do mundo. Países iniciam guerras visando o controle de locais de extração. Até que provem o contrário, foi assim que iniciou a investida norte-americana no Oriente Médio. No Brasil, Lula colhe os frutos da divulgação da descoberta do pré-sal. Estados se engalfinham pelo dividendo do buraco de dinheiro líquido.

Estamos em uma Era de tecnologia evoluída, invenções para tudo, computadores etc. Mas em alguns pontos, o mundo continua tão arcaico quanto uma máquina de escrever. É o caso do maior vazamento de petróleo ocorrido este ano no Golfo do México. Agora, 87 dias depois, a empresa British Petroleum informa, orgulhosa, que conseguiu tapar o vazamento com cimento.

O resultado final: quase três meses de petróleo sendo despejado no mar. Foram 4 milhões de barris. E o prejuízo disso para o meio ambiente? Não se sabe ao certo, pois as informações são desencontradas propositalmente para proteger a economia.

Fato é que a solução demorou demais. Para quê serve toda a tecnologia, todas as invenções e inovações se, numa situação de emergência, as empresas agem como senhoras idosas mexendo num computador? Ridiculamente lerdas e ineficientes.

Vamos rezar para que a tecnologia de quem controla as usinas nucleares de geração de energia seja mais evoluída. Certamente não sobreviveríamos a 87 dias de “vazamento”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fidel: maduro aos 84

Desde a volta triunfal de Fidel Castro aos noticiários, estão se sucedendo notícias de que o líder cubano reconhece ou admite algum erro. Há algumas semanas, o jornal mexicano La Jornada reproduziu uma entrevista onde o guerrilheiro afirma que foi “uma grande injustiça” ter perseguido os homossexuais em Cuba, na década de 60. Esta semana, a revista norte-americana Atlantic Monthly afirma que o ex-guerrilheiro disse que o modelo econômico do país não funciona mais. “O modelo cubano não funciona nem mais pra nós”, teria dito Fidel.

Fidel Castro, chamado por uns de ditador, sempre foi um sonhador. Sonhava com o socialismo, com o mundo justo e usou a força para aplicar essas ideias no país caribenho. Passou praticamente a vida toda tentando provar que estava certo e que, sim, era possível ter um país onde todos os cidadãos fossem iguais, com um Estado pleno coordenando toda a vida das pessoas. Não conheço Cuba, mas pelo que se sabe, a missão falhou.

O país enfrentou duras quedas de braço com outras nações que não concordavam com o regime socialista e, por ser pequeno, pobre e fraco, perdeu. A grande aliada, melhor amiga e companheira para todas as horas (União Soviética) quebrou. Cuba ficou sozinha, isolada. Como sabemos, uma andorinha só...

Depois de todos esses anos, Fidel Castro (que eu admiro), mais uma vez mostra-se lúcido e coerente. Percebeu que falhou nos dois exemplos citados acima e – se os jornais estão certos – assumiu os erros. Não só isso, como mostra-se capaz de tentar impedir a grande burrada que Estados Unidos e Irã estão prestes a fazer. E ele não toma partido, puxa as orelhas de ambos.

Será que o comandante chegou à maturidade depois dois 80 anos? O que aconteceu no período em que ficou afastado da política para dar tenta lucidez ao comandante? Isso, talvez nem o tempo possa dizer. Só sei que, maduro, descrente ou realista, Fidel merece, no mínimo, respeito.