quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O câncer de Cristina

Cristina Kirchner mandou avisar que está com câncer. O tumor foi descoberto durante exames de rotina na tireoide e a presidenta vai se submeter a uma cirurgia no dia 4 de janeiro. Apenas 17 dias após iniciar o segundo mandato, CFK recebeu o diagnóstico. Amado Boudou, o jovem vice, será o presidente da Argentina durante a licença médica de Cristina.

Com o diagnóstico, a líder argentina é o quinto caso de câncer entre presidentes ou ex-presidentes da América Latina: Dilma, Chávez, Lugo, Lula e, agora, Cristina. Sobre a doença de Cristina é preciso dizer que trata-se de um tipo de câncer comum em mulheres da idade dela e praticamente curável. Em menos de um mês ela estará pronta para outra. Como não sou médico, o que me toca aqui é comentar o efeito político desse diagnóstico.

É interessante observar o tratamento que o jornal opositor Clarín está dando para a notícia. A estratégia do grupo que odeia Cristina é minimizar a doença para que a presidenta não aumente ainda mais o apoio popular que tem. Por sua vez, CFK é uma política e os políticos vivem da imagem que têm perante seus eleitores. Uma doença, por mais terrível que possa ser, também é um fato positivo politicamente e, dessa forma, será usado por ela – e com todo o direito. Basta observar o caso do ex-vice-presidente brasileiro, José Alencar, um desconhecido que se transformou em amado pela população após lutar mais de dez anos contra um câncer.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Evo e o mar

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou esta semana que não pretende seguir dialogando com o Chile por mais 130 anos para ter uma saída para o mar. O presidente disse que pretende recorrer ao tribunal de La Haya para que se revise o tratado de limites de 1904.

Para ela, a perda do trecho que saída para o mar para o Chile foi injusta e imposta a baixo de pressões políticas. Na chamada Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1884, a Bolívia entregou ao Chile sua província litoral, com 400 quilômetros de costa e 120 quilômetros quadrados de território.

Isso me lembra aquela velha piada, ressuscitada e atualizada nesses tempos de protestos de estudantes no Chile. Diz que Sebástian Piñera encontrou Evo Morales e perguntou: “Evo, porque você tem Ministério da Marinha?”. Evo respondeu: “Pelo mesmo motivo que você tem Ministério da Educação...”

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cala-se a voz de Cesária Évora

Do A Nação:

Cesária Évora morreu esta manhã no Hospital Baptista de Sousa (HBS) em São Vicente, vítima de uma infecção respiratória. A notícia está apanhar toda a gente de surpresa no arquipélago. Aos 70 anos cala-se a voz da maior embaixadora da música de Cabo Verde no mundo.

A diva dos pés descalços como ficará conhecida para a história, tinha sido internada ontem, sexta-feira de manhã, no HBS com um edema pulmonar e insuficiência respiratória. Hoje, pouco passava das 12horas quando Cesária Évora morreu e a notícia já foi confirmada pela produtora da artista, a Harmonia, LDA.

Cesária Évora nasceu em Mindelo a 27 de Agosto de 1941 e ficou conhecida como a rainha da Morna. Seu pai Justino da Cruz tocava cavaquinho, violão e violino de quem herdou os genes da música.

Aos 16 anos começou a conviver de perto com os tradicionais estilos de música cabo-verdiana como a morna e a coladera e rapidamente a sua voz e interpretação conquistaram toda a gente que a escutava.

A sua carreira viria a revelar-se quando conheceu o empresário José da Silva que a levou para França e onde viria a impulsionar toda a sua carreira artística. Ao contrário do que é divulgado, ela canta descalça simplesmente por gostar, por se sentir segura descalça, e não em solidariedade aos «sem-tecto» e às mulheres e crianças pobres de seu país.

Com mais de 20 álbuns, para além de duetos e participações Cize conquistou inúmeros prémios e já foi condecorada em vários países do mundo por onde passou. Para a história imortal de Cabo Verde fica a eterna "Sodade". A mesma "Sodade" que a Diva , a incomparável e insubstituível Cesária Évora deixa para hoje e sempre ao país que a viu nascer.

sábado, 10 de dezembro de 2011

CFK jura a Néstor Kirchner na posse

A presidenta reeleita da Argentina tomou posse neste sábado em Buenos Aires. No tradicional juramento, Cristina Kirchner surpreendeu ao citar Néstor. Veja o vídeo:
Cristina Kirchner é uma patriota. Ela ama a Argentina e quer deixar isso claro. Desde que Kirchner morreu, ela se refere a "él" (sem citar o nome do marido) em todos os discursos. É bonito, aceitável, mas começa a se tornar um gesto cansativo. Incluir o nome de Néstor Kirchner junto com Deus e a Pátria foi um exagero.

Dilma assiste posse de Cristina Kirchner

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Líder estudantil Camila Vallejo perde reeleição na Fech

A mistura de discurso forte, coragem e beleza fez de Camila Vallejo, a então presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), uma estrela internacional. Desde que milhares de estudantes foram para as ruas exigindo mais investimentos em educação do presidente Sebastián Piñera, Camila passou a ser conhecida internacionalmente. Esteve no Brasil, inclusive, participando de um ato de estudantes em Brasília. Mas a fama não foi suficiente para ela garantir mais um mandato à frente da Fech.

Nesta quarta-feira se conheceu o resultado final das eleições na Federação e Camila foi derrotada pelo estudante Gabriel Boric. A diferença foi de apenas 89 votos.

Mas o que significa essa mudança? Significa que os estudantes, pelo menos a leve maioria, quer radicalizar os protestos. Gabriel Boric participa de movimentos sociais e já disse que rejeita a via parlamentar como espaço de resolução dos problemas dos estudantes.

“A atual institucionalidade no Chile não tem largura para conter as demandas do movimento estudantil e nossa proposta será de confluir com diversos atores sociais. Não estamos dispostos a seguir delegando nossa vocação transformadora aos políticos de ontem. Chegamos para ficar”, disse Boric.

O sistema da Fech prevê que o candidato que fique em segundo lugar na eleição assuma a vice-presidência. Camila Vallejo, então, foi rebaixada.

Por que os estudantes protestam? Para estudar na Universidade do Chile, que é pública, todos os estudantes precisam pagar um valor mensal de cerca de 500 dólares. Esse valor é quase o mesmo cobrado pelas universidade particulares. Aliás, universidades particulares não faltam no país. Em Santiago, onde estive recentemente, há uma em cada esquina. Está bom de motivos?

Gabriel Boric, o novo presidente da Fech, disse que admira Camila e elogiou sua entrega a todo custo. Ele também afirmou que quer liderar um movimento que não mude apenas a educação, mas que mude o Chile.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pinochet matou Neruda?

O Partido Comunista do Chile quer a exumação dos restos mortais do poeta Pablo Neruda, falecido em 1973, apenas 12 dias após o golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet. Neruda estava com a saúde debilitada em sua casa em Isla Negra quando soube da morte do presidente e amigo Salvador Allende. A partir daí, contam que a saúde do poeta, que sofria com um câncer de próstata, piorou. Foi internado às pressas em uma clínica de Santiago. Ao mesmo tempo em que lutava pela vida, militares invadiram sua casa em Ballevista. A residência foi parcialmente destruída e os livros pessoais do poeta foram inutilizados. Ou seja, Neruda estava na mira de Pinochet.

Agora, os comunistas querem esclarecimentos sobre a morte do poeta. Há suspeitas de envenenamento, fortalecidas por uma entrevista recente de um ex-funcionário de Neruda que afirmou que o poeta recebeu uma injeção que teria provocado um ataque cardíaco. Não é apenas teoria da conspiração, pois as coincidências são muito fortes nesse caso.

Este ano o Chile exumou o corpo do ex-presidente Salvador Allende para determinar a causa da morte, ocorrida no Palácio La Moneda durante o bombardeio dos militares. A conclusão foi que Allende cometeu suicídio.

Certamente o corpo de Pablo Neruda, que descansa em Isla Negra, será exumado. O Chile está revendo o passado e esclarecer a morte de um de seus principais personagens faz parte desse processo. Resta saber se Pinochet, além de ter fornecido provas suficientes de que não mereceria ter nascido, também é o assassino de Pablo Neruda.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cúpula dos presidentes que venceram o câncer

Fernando Lugo, Dilma, Hugo Chávez e, agora, Lula. Os quatro líderes latino-americanos têm mais em comum do que a ideologia política. Lugo, Dilma, Chávez e Lula foram diagnosticados com câncer.

Como são líderes políticos, querem usar os próprios exemplos de superação para motivar milhares de pessoas que passam por situação semelhante. Para isso, Lula propôs a realização de uma cúpula dos presidentes que superaram o câncer.

Hugo Chávez gostou da ideia e, esta semana, em encontro com Dilma em Caracas, disse que esse evento será promovido em breve e a presidenta brasileira será a mediadora.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Não se sente política no Chile

Depois de passar um período altamente efervescente politicamente em Buenos Aires, vim para Santiago achando que encontraria também no Chile esse sentimento que domina o povo argentino. Infelizmente, não foi assim.

Como o movimento estudantil está muito forte por aqui, cheguei até a procurar um protesto que eles fariam na Plaza de Armas, mas não encontrei. Fora isso, apenas vejo pelas ruas algumas inscrições políticas, a maioria com veias humorísticas (foto ao lado), mas não há discussão. Na Argentina, basta entrar num táxi para ter uma aula de política. Aqui, ninguém fala nada.

Não sinto no povo chileno esse desejo de participar, de mudar as coisas, de ser responsável por algum futuro melhor para o país. Na verdade, nesse ponto eles são similares aos brasileiros, que também não estão nem aí para o que se passa na política.

Sobre a solidariedade chilena

Se tem uma coisa que posso falar desses primeiros dois dias no Chile é do desejo fumegante desse povo para ajudar os outros. Os chilenos são solidários demais, estão sempre dispostos a indicar um caminho, dar uma informação e encerrar o diálogo com um sorriso no rosto.

Só deste domingo, posso citar três exemplos disso: o primeiro é que quase todos os carros que vejo circulando pela rua têm uma inscrição no painel traseiro em apoio ao Teleton. Sim, o mesmo Teleton que o SBT leva ao ar tem aqui. Aliás, nasceu aqui. Mas o fato é que percebe-se, caminhado pela rua, que trata-se de uma campanha que - diferentemente do Brasil - envolve as pessoas!

O segundo exemplo da solidariedade chilena aconteceu em Viña del Mar, depois que já havíamos nos perdido várias vezes, encontramos a praia e deixamos o carro estacionado em uma praça. Quando voltamos, a bateria estava morta. Um desespero inicial e, quando estávamos prontos para ligar para o seguro, surge um casal de uns 50 anos que responde ao nosso pedido e diz que pode fazer uma "ponte", ou chupeta, no carro. O processo todo levou alguns minutos e enquanto a bateria carregava, ficamos conversando com o casal. Eles contaram muitas coisas, entre elas que têm três filhos, que o marido já morou no Rio de Janeiro e que estão comemorando 37 anos de casados.

O terceiro exemplo foi em outra cidade. Saímos de Viña del Mar e fomos para Valparaíso procurar a casa do poeta Pablo Neruda que queríamos conhecer. Achar esse local foi uma missão difícil. Só conseguimos depois que, passando pelo menos local pela terceira vez, um outro casal de meia idade se dispôs a ajudar. O detalhe é que eles explicavam onde era e nós não entendíamos. Até que mandaram seguí-los e nos deixaram exatamente em frente à casa de Pablo Neruda. Muito simpáticos, dispostos e queridos e nós sem palavras para agradecer pela ajuda... Sensacional.

São três pequenos exemplos de quem ficou apenas dois dias por aqui, mas já fez coisas suficientes para sentir esse calor e recepitividade do povo do Chile. E, como disse o senhor que fez a chupeta na nossa bateria, "bienvenidos al Chile!".

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Chile: o movimento estudantil ganha força na América Latina

Estou a caminho de Santiago do Chile, o centro efervescente do movimento estudantil que aos poucos está se multiplicando pela América Latina. A mobilização que começou na Universidad del Chile para exigir do governo de Sebastián Piñera educação superior pública e de qualidade agora se espalha por outros países com motivos parecidos.

Nesta quinta-feira aconteceram mobilizações em várias cidades, entre elas Bogotá, na Colômbia, e Montevidéu, no Uruguai. Os estudantes colombianos foram para as ruas e conseguiram reunir 20 mil pessoas. Os uruguaios, bem menos que isso: cerca de 50.

Na Colômbia os estudantes já obtiveram uma vitória importante. Fizeram com que o presidente Juan Manuel Santos retirasse do legislativo um projeto de reforma na educação. Lá eles também exigem educação pública para todos. No Uruguai, os universitários saíram apenas para apoiar os companheiros dos outros países.

O interessante de ser analisado é que os dois países onde o movimento é mais forte são governados por partidos de direita. Juan Manuel Santos, na Colômbia, e Sebastián Piñera, no Chile, são os únicos presidentes latino-americanos com discurso afinado com os Estados Unidos, por exemplo.

Nos próximos dias, de Santiago, as impressões sobre o movimento estudantil, do qual pretendo participar.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lula tira a barba e raspa o cabelo, mas deixa bigode

Dona Marisa Letícia raspou o cabelo e fez a barba do ex-presidente Lula nesta quarta-feira. A foto foi divulgada pelo site icidadania.org, que caiu de tantos acessos.

Opinião pessoal: ficou bom.


Contra a “cultura do ódio”, Benetton faz opositores trocarem selinhos

A nova campanha da United Colors of Benetton contra a cultura do ódio foi lançada mundialmente nesta quarta-feira e causou polêmica de imediato. A campanha apresenta fotomontagens dos principais líderes mundiais opositores se beijando na boca.

Barack Obama e Hugo Chávez super apaixonados.


Sobrou até para o Papa Bento XVI, que aparece beijando Mohamed el-Tayeb, imã da mesquisa de Al-Azhar, no Cairo.


O palestino Mahmoud Abbas e o premiê de Israel Benjamin Netanyahu.


Kim Jong-il, da Coreia do Norte, e Lee Myung-bak, da Coreia do Sul.


Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, o único casal hétero da campanha.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

A volta de Chávez

No último final de semana, Hugo Chávez fez o primeiro discurso em praça pública depois do tratamento contra o câncer. O presidente venezuelano falou durante pouco mais de uma hora. O discurso completo:


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Argentina é melhor que o Brasil

Muito além da discussão "Maradona ou Pelé", a Argentina demonstra com fatos que está muito a frente do Brasil em vários aspectos. Primeiro, porque duvido que vá haver um nacionalista brasileiro que fique indignado com esse texto. Aqui impera a lei de que a grama do vizinho é mais verde, sempre. Se fosse publicado em qualquer blog argentino, por mais insignificante que fosse, um texto afirmando que o Brasil é melhor que a Argentina, milhares de pessoas ficariam indignadas e defenderiam a nação.

A Argentina pode até não ser mais bonita que o Brasil. O povo brasileiro pode ser mais caloroso, mais alegre e uma infinidade de coisas. Mas quando se discute os avanços em questões importantes, os hermanos nos ganham com facilidade. Neste momento, por exemplo, os lesgisladores argentinos discutem dois assuntos: a legalização do abordo e a igualdade de gênero. O primeiro, um tabu para o Brasil. Não sei se estarei vivo o dia que o abordo for discutido na Câmara ou no Senado brasileiros. O segundo, um projeto que beneficia travestis e trans com a possibilidade de mudar de nome e gênero perante a Lei.

Além desses dois assuntos importantíssimos em fase inicial de discussão, a Argentina tem feitos que comprovam essa maturidade que defendo: No ano passado o país aprovou o matrimônio igualitário, possibilitando a casais do mesmo sexo que se casem e tenham os mesmos direitos que os casais héteros; Cenário da ditadura mais agressiva da América, a Argentina anulou a lei que anistiava os criminosos dessa época e eles estão sendo condenados; O Governo de Cristina Kirchner enfrentou o Grupo Clarín e aprovou a chamada Lei de Meios, que trata sobre a democratização dos meios de comunicação; Os argentinos têm pessoas de quem sentir orgulho na política, como os ex-presidentes Néstor Kirchner e Juan Domingo Perón, idolatrados pelos peronistas; Para quem gosta de futebol, lá qualquer emissora de televisão pode transmitir as partida dos campeonatos nacionais sem pagar nada e, principalmente, sem privilégios.

Poderia fazer uma lista interminável de motivos para acredita que a Argentina é melhor que o Brasil, mas prefiro contrariar o meu próprio título e acreditar que eles estão apenas mais avançados e que, um dia, nós vamos chegar lá. É muito difícil acreditar de verdade nisso, mas foi acreditando que eles conseguiram. Um dia vamos deixar de ser os retardatários entre os países em desenvolvimento.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brasileiro assassinato por milicos argentinos receberá homenagem em BsAs

O pianista Francisco Tenório Júnior estava em Buenos Aires acompanhado por Vinícius de Moraes e Toquinho fazendo uma temporada de shows. No dia 18 de março de 1976, apenas 6 dias antes da mais ferrenha ditadura ser instaurada na Argentina, o músico saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi confundido com um guerrilheiro de esquerda e preso pelos milicos. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, um oficial da Marinha afirmou que, quando se deram conta do engano, já era tarde demais porque Francisco estava muito machucado e viu o rosto dos torturadores. Foi assassinato com 35 anos.

Essa história era completamente desconhecida para mim, como a maioria dos fatos que envolvem esse tipo de assunto no Brasil. Foi publicada pelo jornal citado acima talvez somente porque se refere à ditadura do país vizinho... Mas não vou entrar nesse mérito. Seguindo:

A novidade – o mesmo jornal informa – é que Francisco Tenório Júnior receberá uma homenagem dos legisladores da cidade de Buenos Aires. No próximo dia 16 de novembro, quarta-feira que vem, será inaugurada uma placa em frente ao hotel onde o músico estava hospedado.

A história também está sendo contata no cinema no documentário “El Embrujo de Shangai” que, segundo o jornal, está em fase de edição. A reportagem informa ainda que “a filha mais velha de Tenório, Elisa Cerqueira, conta que foram encontrados arquivos inéditos do músico, que serão editados junto com o filme.”

A família do brasileiro já foi indenizada pelo governo portenho, mas esta homenagem deve ser recebida como um pedido de desculpas. A Argentina tem vergonha do seu passado de repressão e está tentando de todas as formas reparar esses erros. Insisto que espero, do fundo do coração, que tudo o que está acontecendo no país vizinho no que diz respeito à ditadura seja tomado como exemplo pelas autoridades brasileiras. Um país que não passa o seu passado a limpo não pode almejar um futuro melhor.

A reportagem do jornal Folha de São Paulo que revelou essa história é da correspondente em Buenos Aires Sylvia Colombo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O assassinato de Alfonso Cano e a busca pela paz

Na última sexta-feira à noite o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Alfonso Cano, foi assassinado pelo Exército colombiano em uma operação que envolveu mais de mil soldados contra 14 membros das FARC. Cano era o líder intelectual da guerrilha. Fiquei sabendo da notícia pelo Twitter e fui logo assistir à TV colombiana para saber das repercussões. O que ouvi e vi foram discursos de luta pela paz e comemorações por parte dos aliados do presidente Juan Manuel Santos.

Acredito que uma morte nunca deve ser comemorada e não sei que paz é essa que o Governo está buscando através da guerra. Fiz uma rápida pesquisa na internet e encontrei o último vídeo divulgado por Alfonso Cano. Nele, o guerrilheiro faz um apelo ao presidente para iniciar um diálogo.

Alfonso Cano é acusado de muitos crimes, entre eles homicídios. Por isso é chamado de assassino pelos militares colombianos. No entanto, veja a contradição, segundo os discursos dos próprios comandantes das Forças Armadas da Colômbia, cano foi morto por heróis. Só faltou dizerem: “ele assassina, nós eliminamos o mal”.

Ainda na madrugada de sexta para sábado o presidente Juan Manuel Santos fez um pronunciamento sobre a morte do guerrilheiro e ameaçou os que continuam nas FARC: “Desmobilizem-se ou acabarão em uma cadeia ou em uma tumba!” A imprensa – brasileira e estrangeira – interpretou essa fala como um “convite” do presidente para que as FARC abandonem a luta armada. Para mim isso foi uma ameaça. E ameaça de morte!

Para encerrar este assunto – que tanto relutei em escrever por temer ser taxado de defensor de assassinos – acredito que quem mata um ser humano deve ser condenado por isso. Mas isso não significa que tenha que ser assassinato também. Isso seria voltar às nossas raízes mais primitivas. Temos justiça e ela pode até tardar para alguns, mas em casos de grande repercussão costuma ser rápida. Alfonso Cano, assim como Osama e Kadafi, não deveria ter sido assassinado. Os três deveriam ser julgados pelas leis dos seus respectivos países. Se nos seus países existisse pena de morte e, como no caso de Saddan, eles fossem condenados, azar o deles...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Candidatos opositores na Venezuela

Fiquei muito surpreso ao conhecer os rostos do candidatos da oposição na Venezuela. Esses quatro aí vão disputar eleições primárias em fevereiro do ano que vem e um deles será o representante da oposição para disputar a presidência com Hugo Chávez em 7 de outubro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Piñera: enterrado vivo

O empresário e economista Sebastián Piñera assumiu a presidência do Chile em março do ano passado com a responsabilidade de suceder uma presidenta que deixava o poder sem a possibilidade de tentar a reeleição apesar de uma popularidade tão alta quanto a de Lula no Brasil. Michelle Bachelet, depois de apenas um mandato, deu por encerrado o seu ciclo de contribuições para o país. Ela é considera uma socialista moderna, seja lá o que isso queira dizer...

O Chile mudou radicalmente de comando. De uma socialista, mesmo que "moderna", para um economista, capitalista e de direita. O peso nas costas de Sebastián Piñera era muito grande e qualquer pessoa, mesmo não sendo um analista político, poderia supor que o governo dele não conseguiria bases firmes para um eventual apoio à proposta de criação de reeleição. Hoje, no Chile, o presidente é eleito para 4 anos sem possibilidade de concorrer ao final do mandato.

Logo depois de assumir, Piñera foi "presenteado" com o caso dos 33 mineiros que ficaram soterrados em uma mina no deserto do Atacama. No começo, uma enxurrada de críticas pela falta de fiscalização do Governo nas minas e pelas péssimas condições de trabalho dos mineiros. Incrivelmente, o presidente conseguiu reverter a situação e armou um circo para o resgate dos trabalhadores. Assim, acreditava que estava conquistando maior popularidade e aumentando suas chances de concorrer à reeleição.

Mas no meio do caminho tinha um estudante... Ou melhor, milhares de estudantes! Eles resolveram iniciar uma série de mobilizações para exigir do governo uma educação superior pública. Aos poucos, outros movimentos sociais e partidos opositores foram se somando às mobilizações e a coisa tomou proporções gigantescas. O governo de Piñera combate os protestos com força bruta e mesmo assim eles não deixam de se manifestar.

Além de servir de exemplo para outros países que precisam de mobilizações semelhantes, esse movimento faz a popularidade do presidente despencar e diminui a possibilidade de uma eventual reeleição no futuro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Subsídios estão perto do fim na Argentina

O governo da Argentina anunciou hoje a criação de uma comissão que vai reavaliar os subsídios concedidos pela nação. Lá, o governo ajuda a população a pagar as contas de luz e gás, além de bancar boa parte da passagem de ônibus dentro das cidades. Em Buenos Aires, por exemplo, por cerca de 0,50 centavos de real você pode utilizar os coletivos.

A criação dessa comissão foi anunciada há pouco pelo ministro da economia, Amado Boudou (e vice-presidente eleito) e pelo ministro do planejamento, Julio de Vito. Ambos deixaram claro que essa é uma medida da presidenta Cristina Kirchner, que está em Cannes, na França, participando da cúpula do G-20. Durante o anúncio, foi informado que alguns subsídios já foram eliminados, como da telefonia móvel, dos bancos, dos seguros, dos jogos de azar, dos aeroportos e das atividades extrativas.

Os ministros também explicaram que as empresas fornecedoras de água, luz e gás também serão afetadas, mas a decisão de retirar ou apenas diminuir o subsídio será da comissão. No entanto, De Vito afirmou que isso não vai acarretar um aumento nas taxas pagas pelos cidadãos. Ele e Boudou afirmaram que essa comissão também será responsável por avaliar uma possível suspensão dos subsídios para o transporte coletivo de Buenos Aires e da região metropolitana. A princípio, a ideia é criar um sistema onde apenas as pessoas com menos recursos sejam beneficiadas.

Os subsídios foram medidas necessárias para recuperar a economia durante os duros anos pós crise de 2001.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula agradece apoio do povo

O Instituto Cidadania divulgou esta tarde um vídeo do presidente Lula no qual ele agradece todo o apoio recebido pelo povo brasileiro ao iniciar o tratamento contra o câncer. Completamente rouco, Lula aparenta otimismo e bom humor e até brinca que está com muita vontade de falar para "os companheiros". Veja:
Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O Fusca de José Mujica

O único bem que o presidente do Uruguai, José Mujica, tem em seu nome é um Fusca 87 azul. Nesse vídeo, de quando o político completou 1 ano no governo, o famoso fusca aparece. Quem der play ainda vai se surpreender com a simplicidade do presidente, vestido de bombacha, camisa entreaberta, boné e mateando. Veja:

Pesquisadores tentam encontrar o corpo de Cervantes

Um grupo de pesquisadores espanhóis acredita que está perto de encontrar os restos mortais do escritor Miguel de Cervantes. O corpo foi sepultado no convento das Triniatarias Descalzas da capital espanhola em 1916. No entanto, depois de várias reformas na igreja, os restos se perderam.

O historiador Fernando Prado, responsável pelo projeto de busca, acredita que o corpo de Cervantes será encontrado no ano que vem.

sábado, 29 de outubro de 2011

Câncer, o inimigo nº1 dos presidentes latinos

Com a confirmação de que o ex-presidente Lula está com câncer, ele se junta ao grupo dos líderes latinos que sofrem ou sofreram com a doença. Além do ex-vice-presidente brasileiro José Alencar, a atual presidenta Dilma Rousseff, mais os colegas da Venezuela, Hugo Chávez, e do Paraguai, Fernando Lugo, também tiveram a doença. Como todos sabem, desse grupo só José Alencar faleceu, e isso depois de muitos anos brigando.

Hugo Chávez está em plena recuperação e fez todo o tratamento em Cuba. Fernando Lugo também está bem e se tratou no Sírio Libanês em São Paulo. Dilma está completamente curada e, assim como Lula, também entregou sua saúda nas mãos da competente e cara equipe do hospital paulista.

Quando soube que Lula estava com câncer fiquei muito triste e surpreso. Felizmente, logo depois do anúncio, surgiram manifestações de apoio de todos os cantos do país e, principalmente, de todos os lados políticos brasileiros. Isso dá um certo consolo. Lula sempre teve uma boa saúde e tenho certeza que vai sair rindo dessa. Como eu tenho dito, não é Lula que está com câncer. É que até o câncer está com Lula. Força.

A Argentina é uma nação

Os dicionários de português definem a palavra "nação" como um "comunidade humana, fixada em sua maioria num mesmo território com língua, origem, história e cultura comuns". Mais que isso, chama-se de nação um país que está unido em um único sentimento. No Brasil, por exemplo, momentos verdadeiramente nacionalistas foram sentidos em determinados períodos da nossa história, como no movimento pelas diretas. Hoje, esse sentimento de nação praticamente só existe em época de Copa do Mundo.

A Argentina vive um momento diferente. Nesta última semana três acontecimentos políticos demonstraram esse atual poder de união dos nossos hermanos: a reeleição da presidenta Cristina Kirchner, o julgamento de militares torturadores e as lembranças pelo primeiro ano da morte do ex-presidente Néstor Kirchner.

Participei desses três eventos e pude sentir o quão envolvidos os argentinos estão. Quando Cristina venceu, no domingo passado, o movimento espontâneo de milhares de pessoas marchando rumo a Plaza de Mayo para comemorar era comovente. Durante o julgamento dos milicos torturadores, centenas de pessoas estavam em frente à Corte e agitavam bandeiras e gritavam palavras de ordem a cada sentença anunciada. No dia que se lembrou o primeiro ano sem Néstor, bandeiras do país tremulavam nas janelas dos apartamentos, famílias inteiras caminhavam pela Av. de Mayo cantando a marcha peronista e, também na praça, outros milhares assistiam discursos inflamados sobre o legado deixado pelo ex-presidente.

Pode-se dizer que um país é uma nação quando a sua população, com ou sem incentivos dos líderes políticos, se mobiliza para promover grandes atos onde o maior objetivo é demonstrar o que pensam e o que sentem. Isso acontece por aqui. Não é preciso combinar antes, nem fazer chamadas no rádio e na televisão... Os argentinos se mobilizam por conta própria.

Há 10 anos a Argentina passou por um momento muito difícil. O pais estava quebrado em 2001 e todos os cidadãos sentiam os efeitos da crise. Chegou Néstor Kirchner e aplicou mudanças drásticas que surtiram efeito na vida do cidadão comum. Esses sentiram-se mais confiantes e, vendo como as coisas estavam melhorando, recuperaram o orgulho de ser argentinos. É esse orgulho, próprio das nações, o responsável pelo enorme poder de mobilização dos hermanos.

Como brasileiro, confesso a minha inveja. A Argentina e o Brasil são países muito semelhantes, mas as duas populações parecem muito distintas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uruguai também busca punir torturadores

Esta semana a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou a proposta que declara os delitos cometidos durante a ditadura militar (1973-1985) como crimes contra os direitos humanos. Dessa forma, esses crimes não podem mais prescrever. Esse é o primeiro passo para uma futura anulação da chamada Ley de Caducidad, que anistiava os militares e policiais acusados de torturas.

Agora, a proposta segue para a sansão do presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro que foi preso pela ditadura. Ele ficou por longos 14 anos na prisão. Mujica é um senhor uruguaio simples. É agricultor e costuma doar mais da metade do salário como presidente para o seu partido e outro tanto para um fundo de moradia. O único bem registrado no nome dele é uma Fusca 87!

Anular a Ley de Caducidad é fundamental para que a justiça uruguaia possa julgar os milicos acusados de assassinatos e torturas. O problema é que essa lei foi uma espécie de moeda de troca para a redemocratização do país. Os partidos políticos se reúniram com os militares em 85 e a anistia foi a exigência para a abertura política.

O Uruguai já tentou, sem sucesso, anular a lei em dois plebiscitos. Agora, tenta uma manobra judicial para levar os milicos ao júri. O primeiro passo foi dado. Os crimes já são considerados de "lesa humanidad". Com isso, restabelece a chamada pretensão punitiva do Estado e a justiça pode levar adiante os casos de violações dos direitos humanos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

10 motivos para agradecer a Néstor Kirchner

Nesta quinta-feira uma mescla de dor e esperança toma conta dos argentinos. Enquanto lembram o primeiro ano da morte do ex-presidente Néstor Kirchner com lágrimas nos olhos, também esboçam um sorriso de satisfação ao recordar o legado que o político deixou.

As homenagens se multiplicam. Em Río Gallegos, a presidenta CFK inaugurou o mausoléu em homenagem a Kirchner. Aqui na capital federal, uma estátua do ex-presidente foi inaugurada na Praça do Congresso. Cada cidadão também busca homenagear do seu modo o "pinguim". Nas redes sociais, a hastag "#GraciasNestor" é o assunto mais comentado no Twitter. Caminhando pela rua não é difícil ver bandeiras argentinas nas janelas dos apartamentos. Kirchner é onipresente. Por todo o lado, vejo cartazes com o rosto do ex-presidente e a famosa foto do casal K abraçado, que lembra muito Perón e Eva.

Mas por que os argentinos idolatram Néstor Kirchner? Não é difícil de explicar. Segue uma lista de 10 motivos para agradecer ao pinguim:

1 - Direitos Humanos: unica e exclusivamente pela coragem de Néstor Kirchner os torturadores da ditadura argentina estão pagando pelos crimes que cometeram! Ao assumir a presidência em 2003, a primeira coisa que ele fez foi suspender o perdão dado aos militares por Menem. Assim, os milicos agora estão sendo julgados e condenados pela justiça comum.

2 - FMI: Em dezembro de 2005, Néstor Kirchner se livrou de uma pedra no sapato da economia argentina. Pagou de uma vez só a dívida com o Fundo Monetário Internacional e livrou o país dessas amarras.

3 - Reforma da Justiça: Também logo após assumir, Kirchner eliminou uma regra que dava ao presidente da Argentina o poder de nomear quem quisesse para a Corte Suprema. Desde então, os magistrados precisam passar pela aprovação popular e do Senado.

4 - ALCA: O ano era 2005 e o lugar era Mar del Plata. O convidado especial da cúpula das américas eram ninguém mais, ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos George W. Bush. Nessa época, Bush tentava de todas as formas criar a ALCA, Área de Livre Comércio das Américas, que favorecía o seu país, mas representava uma séria ameaça para a soberania dos países latino-americanos. Com Bush olhando, Kirchner simplesmente disse um sonoro e aplaudido NÃO.

5 - UNASUL: Foi o ex-presidente argentino o principal impulsor da criação da Unasul, organização que comandou em 2010.

6 - Paz: Foi Néstor quem evitou uma guerra entre a Venezuela e a Colômbia. Como secretário-geral da Unasul, chamou Hugo Chávez e Juan Manuel Santos num canto e fez os dois presidentes assinarem um acordo para evitar um conflito armado.

7 - Igualdade: Néstor foi um dos principais incentivadores da Lei de Matrimônio Igualitário, aprovada no ano passado. Essa lei permite o casamento entre casais gays e foi vista por todo o mundo como um dos mais sérios avanços da Argentina.

8 - Democratização da imprensa: Néstor e Cristina declararam guerra ao monopólio do Grupo Clarín e conseguiram aprovar a chamada Lei de Meios, que estabelece limites para os grandes grupos de comunicação e possibilita a existência de meios comunitários.

9 - Economia: NK defintiivamente arrumou a casa. Vocês lembram como estava a Argentina em 2001, né? Naquela época era impossível imaginar que hoje, 10 anos depois, o país estaria crescendo a quase 10% ao ano. Kirchner recuperou a economia do país, estatizou empresas e distribuiu renda.

10 - Esperança: a coragem de Néstor Kirchner para fazer grandes mudanças que país precisava depois do desastre de 2001 foi a grande responsável pela recuperação da esperança e do sentimento de união que existe hoje na Argentina. Nasceu o "kirchenerismo", que envolve muito mais o jovens na política e isso, no futuro, com certeza vai fazer uma enorme diferença.

Este pequeno post não pretende ser uma manual, muito menos uma cartilha e nem uma lista de argumentos para defender Néstor Kirchner. Não pretendo escrever aqui informações detalhadas, nem bancar um professor de kirchenerismo porque não estou apto para isso. Só quero deixar registrado muito mais o que sinto do que o que sei. Desconsiderem, por favor, alguma falta de informação, explicação ou dado preciso. Para isso vocês têm o Google.

Torturadores argentinos vão para o xilindró

Esta semana tem sido muito movimentada politicamente na Argentina. Depois do triunfo de Cristina Kirchner no domingo passado, o país assistou na quarta-feira a condenção de militares torturadores e, nesta quinta, lembra o primeiro ano sem o ex-presidente Néstor Kirchner.

Na quarta-feira, a justiça argentina anunciou as penas para 18 militares acusados de crimes contra os direitos humanos na última ditadura, que começou após a queda de Isabelita Perón. A argentina sofreu com três golpes de estado e, consequentemente, foi governada três vezes por juntas militares. No entanto, essa última é consderada a mais agressiva. Estimam cerca de 30 mil desaparecidos políticos (no Brasil não chegam a mil) e isso motivou o nascimento do movimento das mães e avós da Plaza de Mayo.

O Retiro estava lotado de gente esperando que a justiça fosse feita. E eles não saíram

de lá decepcionados. Dos 18 acusados, somente dois foram absolvidos. Quatro foram condenados a penas que vão de 18 a 25 anos de prisão e 12 deles vão cumprir a pena máxima estabelecidade pela justiça. Ao anunciar as condenações desses últimos, os juízes utilizaram o termo "prisão perpétua", que se propagou nos meio de comunicação. No entanto, não é bem assim. Na Argentina a condenação máxima é de 25 anos. Logo, essa pena perpétua consiste nesse tempo de detenção. A diferença é que eles só poderão pedir progressão da pena depois de cumprir, no mínimo, 20 anos.
Todos os milcios condenados faziam parte da ESMA, a Escola de Mecânica Armada, que foi o braço mais terrível da ditadura. Na sede da ESMA aconteceram a maior parte das torturas e assassinatos de militantes de esquerda. Por mais que o sentimento de justiça tenha tomado conta dos argentinos com a condenação desses 16, ainda faltam outros 70 para serem julgados.

Alguns dos militares condenados na quarta-feira participaram do assassinato do escritor Rodolfo Walsh. Por um acaso do destino, vi no cinema nesta mesma semana o filme de animação "Eva de la Argentina". A trama é narrada por este escritor, que conta a investigação feita para des
vendar os mistérios sobre o paradeiro do corpo de Eva Perón.

O milico mais famoso que foi condenado é conhecido como o
"anjo loiro" ou "anjo da morte". Trata-se de Alfredo Astiz (foto), um símbolo das barbaridades comentidas na Argentina durante a ditadura. Ele é responsável, por exemplo, pelo desaparecimento de duas freiras francesas que atuavam em entidades de defesa dos direitos humanos por aqui. Astiz foi espião, se infiltrou nessas organizações, torturou e matou. Quando a sentença dele foi anunciada, o milico ainda teve a capacidade de esboçar um sorriso de leve... Quem ri por último, ri vendo o sol nascer quadrado.

A condenação desses torturadores é uma grande vitória dos movimentos sociais, principalmente das Madres y Abuelas de la Plaza de Mayo. Estela de Carlotto, um das fundadoras da organização, estava sentada na primeira fila e assistiu todo o julgamento a poucos metros dos acusados.

Tudo isso só foi possível graças a um homem: Néstor Kirchner. A primeira coisa que Kirchner fez ao assumir em 2003 foi suspendeu os perdões que Menem havia dado aos torturadores. Com isso, foi possível que eles fossem julgados pela justiça comum.

É impossível ver a justiça sendo feita na Argentina e não lembrar do Brasil. Enquanto por aqui esses criminosos estão sendo punidos pelas barbaridades que cometeram, no nosso país tupiniquim eles estão livres e volta e meia aparecem em canais de TV dando entrevistas como "guardiões de grandes segredos". Hoje, felizmente, temos uma presidenta de coragem e que sentiu na pele os efeitos da ditadura. No entanto, pouco tem feito para passar a história do nosso país a limpo. Penso que se Dilma não tomar uma atitude mais audaciosa nesse sentido, podemos perder as esperanças de ver os milicos brasileiros pagando pelos crimes que cometeram.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Por que argentinos são fúnebres?

Não é preciso ser um especialista na história da Argentina para perceber que nesse país o corpo dos seus heróis é cultuado como um troféu. Esta semana, por exemplo, o corpo do ex-presidente Néstor Kirchner será transladado do jazigo onde está sepultado, em Río Galegos, para um mausoléu a cerca de 200 metros. A inauguração do manumento terá a presença da presidenta Cristina Kirchner e de outros chefes de estado.

Eva Perón, a chefa espiritual da Nação, também é um bom exemplo desse gosto por funerais. O velório da segunda esposa do General Perón durou vários dias e atraiu milhares de argentinos. Depois disso, Evita não descansou em paz. O corpo foi sequestrado pelos militares que, em conjunto com a Igreja Católica, sepultaram-no na Itália com um nome falso. Antes, porém, dizem que os restos de Eva passaram por vários locais, inclusive casas de aliados dos milicos. Só anos mais tarde os restos de Eva Perón voltaram para Buenos Aires e hoje estão no jazigo da Família Duarte, no Cemitério da Recoleta.

O corpo do general Juan Domingo Perón também foi motivo de conflitos. Depois de ser velado no Congresso Nacional, Perón foi sepultado na Quinta de Olivos. Neste local, a então presidente Isabelita Perón, terceira mulher do general, depositou os restos de Evita recém chegados da Europa. Quando Isabelita foi deposta pelos militares, o corpo de Evita foi entregue para a família e o de Perón, sepultado no Cemitério da Chacarita. No final da década de 80 Perón foi desenterrado e as mãos do cadáver foram cortadas. Ainda não se sabe ao certo o motivo dessa mutilação, mas existem três versões: a primeira, que uma vingança da maçonaria; a segunda, que suas digitais seriam usadas para abrir cofres na Suíça; e a terceira, que os militares fizeram isso em resposta a uma afirmação do ex-presidente de que cortaria as próprias mãos antes de pedir um empréstimo do FMI. Em 2006, o féretro maneta do general foi transladado mais uma vez, agora para a quinta de San Vicente, onde está até hoje.

O corpo de outro herói sulamericano, o General San Martín, também passou por uma verdadeira Via Crúsis. O homem apontado como responsável pelas independências de Argentina, Perú e Chile hoje descansa em uma nave lateral da Catedral de Buenos Aires mesmo tendo sido maçom, fato para mim inexplicável. Mas até chegar ali, foram longos anos. Primeiramente foi enterrado na França, onde morreu e onde vivia sua filha que queria o corpo do pai por perto. Em 1880 os restos de San Martín foram repatriados e depositados na Catedral. Sobre um maçom sepultado em uma igreja Católica, os historiadores divergem nas versões. O fato é que foi a prefeitura de Buenos Aires que negociou com a Igreja e a autorização foi dada, segundo o pesquisador Enrique Mayochi, porque seria uma honra guardar os restos do Libertador.

Uma visita ao Cemitério da Recoleta é parada obrigatória para quem está em Buenos Aires de passagem. Lá estão enterrados militares, pensadores e políticos argentinos. E é neste local que se pode ter uma ideia desse gosto fúnebre que aponto. É possível, por exemplo, ver os caxiões dentro de quase todos os mausoléus.

Não sei e não ouvi até agora uma explicação convicente sobre essa adoração dos argentinos pelos cadáveres de seus heróis. Considerem-se interrogados.

Respostas de Cristina e Dilma

Não gosto de fazer comparações, mas veja esses dois vídeos. O primeiro é a resposta da presidenta argentina Cristina Kirchner a um repórter do Clarín.


O segundo, a resposta de Dilma Rousseff ao senador Agripino Maia, do DEM.

Semelhanças?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cristina Kirchner ganha e faz história

Desde as primeiras horas da manhã deste domingo era previsível que o dia de hoje entraria para a história da Argentina. Nas ruas, as pessoas andavam com sorriso no rosto. Nos locais de votação, todos demonstravam prazer e satisfação de uma forma ou de outra.

Pela manhã acompanhei pela televisão os candidatos votando. Cristina, por exemplo, estava em Río Gallegos, no sul. Após ouvir as declarações da presidenta, acompanhei um amigo na votação. No caminho, ele parou em uma padaria para comprar medialunas (um pão doce que eles comem todos os dias no café da manhã) para levar para os mesários. Na escola onde ele vota, no bairro de Constitución, movimento tranquilo, sem filas.

Depois, acompanhei um pouco a massiva cobertura das televisões locais. Destaque para as redes sociais, amplamente exploradas por jornais, rádios e televisões e também pelos candidatos. O Twitter, sobretudo.

Caminhei pela Feria de San Telmo até a Plaza de Mayo. Quando cheguei, por volta de 18h, já havia muita gente e começava a se armar a festa. Dali, fui ao Hotel Intercontinental, onde Cristina chegaria logo depois. Em uma entrada secundária aguardei algumas horas enquanto conversava com algumas pessoas. "Ganhou Cristina, ganhamos todos", dizia um senhor.

Estela de Carlotto, uma senhora frágil, chegou e causou alvoroço entre as cerca de cem pessoas que estavam ali. Ela fundou o movimento conhecido mundialmente como Abuelas y Madres de la Plaza de Mayo. São mães e avós de desaparecidos políticos que exigem saber o paradeiro de seus parentes. O movimento apóia CFK abertamente.

Depois que Cristina passou, sorridente e abanando para todos, fui para o meu QG. No caminho ainda passei pelo comitê do marxista Jorge Altamira, penúltimo colocado, e de Alberto Wifi Rodríguez Saá. Ambos estavam quase vazios.

Os primeiros resultados oficiais só seriam divulgados a partir das 9h da noite, mesmo assim a vitória de Cristina já era anunciada por todas as emissoras de televisão e jornais. Os veículos se baseavam nas pesquisas de boca de urna divulgadas logo após o fechamento das mesas. Cristina estava reeleita "com mais de 55% dos votos". Nas ruas, gente com bandeiras, adesivos, camisetas e cartazes marchava a passos largos rumo à Plaza de Mayo.

Aos poucos (e antes da divulgação dos resultados oficiais) os candidatos a presidente começavam a admitir a derrota. A primeira foi a lanterninha Elisa Carrió: "Repetimos a pior eleição da nossa história junto com as primárias". A piada que ouvi na rua é de que ela "descarrió". Também pudera: nas últimas eleições ela foi a segunda colocada e, agora, foi vencida pelos votos em branco!

O ex-presidente Eduardo Duhalde foi o seguinte. Agradeceu, agradeceu e agradeceu. Também disse que estará presente nas próximas eleições. Sinceramente... Duhalde foi o grande perdedor desse pleito. Nas primárias teve 12% e agora ficou com pouco mais de 5%. Se eu fosse ele largava mão desse negócio de política...

Depois de Duhalde, Ricardo Alfonsín falou. Não só agradeceu, como parabenizou a presidenta reeleita e avisou: "Vamos brigar pelos interesses populares".

Jorge Altamira, que eu costumo chamar de "Rui Pimenta argentino", falou alguma coisa na sequência. Não sei o que ele disse, pois o som estava terrível e não consegui entender uma palavra.

Neste momento a Plaza de Mayo já estava tomada. Uma barreira foi colocada, o que impedia que a população se aproximasse da Casa Rosada. Mesmo assim, havia muita festa.

Passava um pouco das 21h, horário prometido, quando o ministro de Interior (justiça) passou a primeira parcial. Pouco mais de 15% das urnas estavam apuradas e Cristina Kirchner já tinha 53% dos votos. Mesmo assim, o ministro afirmou: "A presidenta Cristina Fernández de Kirchner foi reeleita."

Fui acompanhando aos poucos a apuração e vendo que em algumas províncias CFK beirava a unanimidade. Em Santiago del Estero, por exemplo, estava com 82% dos votos. Essa mulher é um fenômeno popular. Impressionante.

E o fenômeno subiu ao palco montado no Hotel Intercontinental por volta das 21h30. Ela tentava começar o discurso, mas era impedida pela plateia que cantava músicas como "Yo soy argentino! Soy soldado del pinguino!". Quando finalmente começou a falar, uma surpresa: Cristina Kirchner agradeceu a todos e, a primeira pessoa citada por ela foi a presidenta brasileira Dilma Rousseff: "A companheira Dilma me disse palavras muito doces..." contou CFK. Logos depois, citou todos os presidentes sulamericanos. Quando falou o nome do chileno Sebastián Piñera a plateia chiou. Ela riu e brincou: "Vocês são terríveis...".

Quando citou o prefeito eleito de Buenos Aires, Mauricio Macri, as vaias abafaram a voz da presidenta. Imediatamente, ela ficou séria e deu um puxão de orelhas no público: "Não façam isso! Vou me irritar!". A plateia, claro, obedeceu.

A partir de então, Cristina começou a citar o marido Néstor Kirchner. Se referiu a "Él" dezenas de vezes. "Sin Él, sin su valentía y coraje, hubiera sido imposible llegar hasta aquí."

"Fui a primeira mulher eleita presidenta a agora sou a primeira mulher reeleita presidenta. Não quero mais nada."

"Contem comigo para seguir aprofundando um projeto de país que ajude a melhorar a vida de 40 milhões de argentinos!"

"O importante é conquistar um lugar no coração do nosso povo."

"Quando tudo está perdido é o melhor momento para lutar!"

Após esse discurso, Cristina foi até a Plaza de Mayo, onde milhares de kirchneristas comemoravam a vitória. Depois de falar mais uma vez, a presidenda animou o palco dançando descontroladamente. Ela foi embora, mas a festa continou. Ou seja, nesta segunda-feira ninguém trabalha na Argentina...

domingo, 23 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Parcial da apuração

Com 46,88% das urnas apuradas:
CFK 53,20%
Binner 17,10%
Alfonsín 12,34%
Saá 7,54%
Duhalde 5,71%
Altamira 2,27%
Em branco 2,15%
Carrió 1,85%

ELEIÇÕES ARG: Cristina Kirchner é reeleita

ELEIÇÕES ARG: Primeiros números oficiais

Com 18,08% das urnas apuradas:
CFK 52,85%
Binner 17,24%
Alfonsín 13,07%
Saá 7,28%
Duhalde 5,71%
Altamira 2,16%
Carrió 1,71%

ELEIÇÕES ARG: Alfonsín e Duhalde já assumiram a derrota

Mesmo antes da divulgação de qualquer resultado oficial, dois candidatos a presidência da Argentina já assumiram a derrota e felicitaram a presidenta reeleita Cristina Kirchner. Ricardo Anfonsín disse que ainda tem esperanças de "ganhar" o segundo lugar. Eduardo Duhalde só agradeceu. Nenhum deles parece abatido com a derrota.

ELEIÇÕES ARG: Quem é Hermes Binner, o 2º colocado

Hermes Juan Binner deve ser o segundo colocado nas eleições deste domingo aqui na Argentina. Ele é o principal nome do Partido Socialista e foi o primeiro governador de uma província eleito por esse grupo político.

É natural de Santa Fé, estado que governa, e começou a vida política muito jovem nas agremiações socialistas. É médico cardiologista por formação e foi prefeito de Rosário e deputado por Santa Fé.

A consolidação de Binner como segundo colocado demonstra a força do chamado modelo sulamericano de inclusão e reforma. Se as pesquisas estiverem certas, ele e Cristina Kirchner devem somar mais de 70% dos votos.

ELEIÇÕES ARG: Onde Cristina não venceu as primárias

Nas eleições primárias realizadas em agosto na Argentina a presidenta Cristina kirchner venceu com mais de 50% dos votos. Só que em um lugar muito específico ela não obteve a maioria dos votos. Na Base Marambio, na Antártica Argentina, o candidato Eduardo Duhalde foi o primeiro com 49% dos votos.

Lá existem 6 mesas eleitorais que reúnem os votos de 156 pessoas. Nas primárias, os militares e pesquisadores que estão no continente gelado deixaram CFK em terceiro lugar, atrás de Duhalde e Saá.

ELEIÇÕES ARG: A melhor capa de jornal de hoje

Sem dúvida a melhor capa entre todos os jornais argentinos nesse domingo é do diário La Voz Del Interior, de Córdoba. A presidenta Cristina Kirchner virou a Branca de Neve e os opositores, os anões, numa referência a vantagem gigante da atual líder.

ELEIÇÕES ARG: Google cria logo para eleições na Argentina

Desde a manhã de hoje quem acessa a página do Google na Argentina (www.google.com.ar) pode ver a logomarca criada pela empresa especialmente para as eleições. Ao clicar, o internauta é direcionado para uma página que busca as últimas notícias sobre o pleito.

ELEIÇÕES ARG: De La Rúa vota e pede desculpas

O ex-presidente argentino Fernando De La Rúa votou esta manhã no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, e voltou a pedir desculpas pelos erros do seu governo. De La Rúa presidiu a Argentina de dezembro de 99 até dezembro de 2001, quando deixou o cargo e um pepino gigante para os sucessores.

"Faz quase 10 anos que renunciei e se incomodei alguém, se cometi algum erro, peço desculpas para todos" afirmou o ex-presidente em entrevista ao canal C5N.

ELEIÇÕES ARG: Boca de urna confirma vantagem de CFK

Uma pesquisa de boca de urna divulgada no início da tarde deste domingo aqui em Buenos Aires confirma a tendência de que a atual presidenta Cristina Fernández de Kirchner será eleita em primeiro turno. Ela aparece com 56% dos votos, contra 15% de Binner, 9% de Saá 8% de Alfonsín e 8% de Duhalde.

Já outra, que obtive com uma certa exclusividade com a promessa de não dizer de onde saiu (só que veio de Córdoba), dá Cristina com 53%, Binner com 13%, Altonsín com 11%, Duhalde com 9% e Saá com 7%.

Os argentinos estão indo às urnas desde às 8h da manhã deste domingo. A votação acontece até às 18h. Serão eleitos, além da presidenta, 130 deputados, 24 senadores, 9 governadores e prefeitos. Dos 40 milhões de habitantes da Argentina, cerca de 29 milhões estão aptos para votar. No exterior, cerca de 50 mil eleitores votam nas embaixadas e consulados.

sábado, 22 de outubro de 2011

Lula sobre Cristina Kirchner e Dilma Rousseff

Veja o que o ex-presidente Lula fala sobre as presidentas Cristina Kirchner e Dilma Rousseff na inauguração da embaixada da Argentina em Brasília, ocorrida este ano.

Mausoléu de Néstor Kirchner será inaugurado dia 27

Na próxima quinta-feira, dia 27, quando se completa um ano da morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, será inaugurado um mausoléu em homenagem ao político na cidade de Río Gallegos. Nesta sexta-feira a filha do casar Kirchner, Florencia, foi até o local para acompanhar o andamento das obras. Os operários trabalham na finalização da fachada.

Provando o péssimo gosto dos argentinos por atos fúnebres, na próxima quinta-feira o corpo de Néstor será transladado do local onde está desde a sua morte (a cerca de 200 metros dali) para o mausoléu. A presidenta Cristina Kirchner e a família estarão presentes e o jornal argentino La Nación afirma que "vários presidentes latino-americanos confirmaram presença no ato", apesar da cerimônia ser reservada. Então, se surgir uma viagem inesperada e misteriosa para Dilma na semana que vem já sabemos onde ela estará...

ELEIÇÕES ARG: Cristina está em Río Gallegos

A presidenta Cristina Kirchner descansa desde ontem em sua casa em Río Gallegos junto com a família. Ela não participou de nenhum ato público na localidade, apesar do candidato a prefeitura local da Frente para la Vitoria ter feito o encerramento de sua campanha a poucas quadras da casa de Cristina.

Na foto do diário La Nación, a casa da família Kirchner em Río Gallegos.

Fito Paez e o "asco de metade de Buenos Aires"

Logo depois da eleição de Mauricio Macri para o governo de Buenos Aires, o cantor e compositor Fito Páez publicou um artigo em um jornal local criticando os eleitores argentinos. Entre as afirmações polêmicas, o cantor diz que sente asco de metade de Buenos Aires.

Esta afirmação gerou uma ação na justiça portenha que, felizmente, foi arquivada nesta sexta-feira, véspera das eleições presidenciais. O fiscal penal da cidade disse que por mais que as afirmações do músico possam ser consideradas injuriantes, elas não são suficientemente discriminatórias para justificar uma ação penal.

Mauricio Macri venceu o candidato da Casa Rosada, Daniel Filmus, por 19 pontos de diferença, para o governo da cidade de Buenos Aires. Fito Páez, por sua vez, é um kirchnerista. Quem quiser pode ler o artico de Fito aqui e tirar suas próprias conclusões.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pronto para outra: Chávez se diz curado

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que está recuperado do câncer. Em um pronunciamento oficial, ele afirmou que os exames feitos na última semana em La Havana não detectaram a presença de células malígnas.

O governante de 57 anos também disse que, apesar disso, continuará monitorando a saúde a cada quatro meses. Segundo ele, nos próximos meses vai começar um novo ciclo de recuperação mais rápido, mas não deu mais detalhes sobre o que isso significa. "Aqui chegou o novo Chávez", afirmou o venezuelano.

Como é de seu feitio, aproveitou a cadeia nacional de rádio e televisão para alfinetar os opositores dizendo que é mais fácil um burro passar pelo buraco de uma agulha do que a oposição ganhar uma eleição. Reafirmou que vai concorrer a um terceiro mandato em outubro do ano que vem.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Kadafi: mais uma 'vítima' dos EUA

A revolução na Líbia chega em um dia histórico. A captura e morte do ditador Muammar Kadafi com certeza vai mudar os rumos da revolução no país árabe. A questão é saber para onde? Foi-se o ditador e agora, o que fica?

No Egito, Mubarak foi obrigado a renunciar e deu lugar a uma junta militar que demora em marcar eleições democráticas. Os egípcios trocaram uma ditadura por outra. A Líbia contou com o apoio da OTAN e dos Estados Unidos para fazer a revolução e isso não me cheira bem.

Kadafi se junta ao grupo de líderes árabes defuntos, ao lado de Saddan e Osama. Todos foram, direta ou indiretamente, mortos pelos Estados Unidos.

O futuro da Líbia é um grande ponto de interrogação. O governo transitório está instalado, mas ninguém garante que será tão transitório assim. A ilusão de que o povo derrubou Kadafi e que o povo vai governar impera no mundo todo. Resta saber se isso será bom. Lembrem-se: não há nada tão ruim que não possa piorar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Cristina Kirchner encerra campanha

Com um discurso no Teatro Coliseo, no centro de Buenos Aires, a presidenta encerrou nesta quarta-feira a campanha pela reeleição. Com uma plateia formada por governadores, prefeitos, deputados, senadores e, em especial, pelos dois filhos e pela mãe dela, Cristina subiu ao palco às 19h30.

Antes disso, porém, outras cenas me chamaram a atenção na Praça Liberdade: ao chegar, muito cedo, já havia muita gente. Ao contrário dos comícios brasileiros, os argentinos vendem bandeiras, bonés, bótons e outros artigos dos candidatos. Havia famílias inteiras, muitos jovens e também alguns idosos. Ao me deslocar até o local onde deveria retirar a credencial de imprensa me deparei com o primeiro contato com os jornalistas argentinos e o que posso dizer é que são tão carentes de boa educação quanto os cariocas. Empurram - mas empurram mesmo, forte -, gritam como loucos... Isso me deixou tão irritado que entrei no teatro, fiquei lá por menos de 20 minutos e decidir sair para ver o discurso de Cristina do lado de fora, no meio do povo. O povo é mais educado.

Antes do discurso, a organização passou todos os spots eleitorais da campanha. Também uma mensagem gravada por atletas argentinos que estão em Guadalajara representando o país nos Jogos Panamericanos que arrancou fortes aplausos do público.

Cristina começou a falar já muito emocionada. Com ela no palco estavam os protagonistas dos comerciais da campanha e que Cristina fez questão de dizer como conheceu um por um. São argentinos comuns, como a senhora que conquistou a casa própria ou a jovem cientista que estudava na Alemanha e queria voltar ao país.

Durante sua fala, a presidenta não citou nenhuma vez o nome do marido e ex-presidente Néstor Kirchner. No entanto, se referiu a "él" infinitas vezes, quando parecia muito emocionada (vale lembrar que na semana que vem a morte de Néstor completa 1 ano). Numa dessas referências, lembrou que foi "él" quem disse um sonoro não à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e questionou: "E se não fosse ele o presidente?".

CFK repassou alguns feitos dos últimos oito anos e deu especial destaque para a economia. "Pela primeira vez podemos pensar a médio e longo prazo", disse. Também criticou os sindicatos, com quem vem tendo pequenos atritos. "Peços aos homens e mulheres que são identificados com esse projeto que deixem de lado as questões menores. Peço que sejam inteligentes".

A presidenta também defendeu fortemente a soberania da América do Sul. "Vamos ser a região protagonista do século XXI", disse. Pouco depois, fez uma crítica indireta ao ex-presidente uruguaio Tabaré Vazquez que, recentemente, disse que temeu entrar em guerra com a Argentina: "Estamos sempre resolvendo nossos problemas sem recorrer a outras formas".

Neste momento eu estava cercado de senhoras de idade, homens engravatados, crianças fantasiadas de pinguins (Néstor era chamado de pinguim) e foi quando comecei a sentir um forte cheiro de maconha. Nada demais, somente para pontuar mais essa indício de liberdade...

Por fim, Cristina disse que não é imparcial e que sempre vai trabalhar por políticas de inclusão social e defender os mais necessitados. Foi quando arrancou mais aplausos do público. Emocionada e aos gritos, a presidenta encerrou o discurso ao som da música 'Dar es dar' do Fito Paez, algo que me surpreendeu.

Já vi vários discursos de Cristina na televisão ou na internet e preciso dizer que esse foi um dos mais fracos. Talvez por ter sido o primeiro que vi ao vivo e estava cheio de expectativas. O fato é que o discurso deixou a desejar para um encerramento de campanha.

Kirchnerismo para Armar

Ontem fui à apresentação de um livro chamado "Kirchnerismo para Armar". Trata-se de um copilado de 26 depoimentos de jovens argentinos sobre como o movimento iniciado por Néstor Kirchner mudou a história do país. Participaram do evento, entre outros, o sociólogo Artemiro Lópes, o jornalista Jorge Dorio e o integrante do programa Duro de Domar, Matías Castañeda. Na apresentação, realizada no Centro Cultural Caras y Caretas no boêmio bairro de San Temo, ouvi coisas muito interessantes. Entre elas, a opinião unânime de que nem Néstor tinha noção do movimento que iria criar ao conseguir colocar a Argentina nos eixos depois da grande crise de 2001.

Ouvindo aquelas pessoas falando sobre as mudanças feitas pelo governo de Néstor e de Cristina é fácil entender porque as pesquisas apontam uma vitória fácil da atual presidenta no próximo domingo. Vale aqui fazer uma observação: a vantagem é tão grande que até virou piada entre os peronistas. Um dos escritores disse: "Este livro fala das mudanças feitas nos últimos 8 anos e que, não sei, podem continuar acontecendo nos próximos 4 anos... não sei como estão as pesquisas. Parece que não estamos muito bem...". Todos riram.

O fato é que Néstor Kirchner iniciou uma nova era na política argentina. Mais do que arrumar a casa, ele conseguiu mobilizar os jovens. Hoje, são esses os principais protagonistas da política nesse país. É impressionante a mobilização, o orgulho com o qual agitam as bandeiras azuladas e a união em momentos decisivos. Trata-se de algo de dar inveja.

Em 2001 a Argentina estava quebrada, fodida e mal paga, como dizemos. Um dos textos do livro é de uma jovem que, na época, trabalhava como telemarketing de festas. Ela ligava para as casas das pessoas convidando para eventos festivos. A jovem conta que muitas vezes teve que ouvir discursos do outro lado da linha de gente indignada: "Você sabe o que está acontecendo no nosso país e está me convidando para festa? Não tenho o que comemorar!" Ou algo neste sentido (ainda não li o livro).

A Argentina mudou para melhor graças à coragem do casal Kirchner. Néstor e Cristina compraram brigas com setores importantes, como o ruralista e a Igreja Católica. A aprovação do matrimônio igualitário, que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo, só foi possível por essa coragem. O assunto ainda é um tabu em muitos países - inclusive no Brasil, onde não há um líder com tanta coragem para levar a proposta para frente.

Por tantos feitos representativos para o povo argentino, é possível - como disse um dos painelistas - sugerir um outro nome para o livro: Kirchenerismo para Amar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eva Perón: simplicidade até na morte

Hoje fui ao Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. Neste local estão sepultados ex-presidentes, militares, intelectuais, escritores... enfim, quase todas as pessoas que fizeram diferença na formação política e cultural da Argentina.

Sem dúvida o grande chamativo turístico do cemitério é o mausoléu da Família Duarte. Lá está sepultada María Eva Duarte de Perón.

Quando um turista desavisado toma conhecimento disso, imagina que se trata de um mausoléu gigante, imponente e fácil de ser localizado entre os túmulos. Engano. O mausoléu onde estão os restos mortais de Evita Perón é um dos mais simples do local e está em um ponto nada nobre. Para localizá-lo alguns turistas encontram dificuldades até com um mapa na mão.

Fiquei alguns minutos sentado em frente ao mausoléu enquanto observava americanos, ingleses, brasileiros, alemães encontrando o local. Em 30 minutos parado por ali, mais de 10 grupos desprovidos de guia me perguntaram se era aquele o túmulo de Eva Perón. Quando eu respondia afirmativamente, os comentários sempre eram sobre a simplicidade do jazigo.

ELEIÇÕES ARG: Cristina agradando gregos e troianos

Ontem, segunda-feira, foi o comemorado pelos peronistas o Dia de la Lealtad. A data lembra o dia 17 de outubro de 1945, quando trabalhadores e sindicalistas foram para as ruas de Buenos Aires exigir a libertação do coronel Juan Domingo Perón.

Às vésperas da eleição presidencial, o dia da lealdade foi marcado por comemorações discretas, ao contrário de anos anteriores. A presidenta Cristina Kirchner não quer, de maneira nenhuma, promover aglomerações nesta semana.

Em um dos eventos dos quais participou, Cristina discursou lembrando Perón e Eva. Em outro ponto, o atual líder da maior central sindical argentina também discursou e os jornais de hoje destacam as semelhanças entre as falas de ambos.

Também ontem, Cristina se reuniu com ruralistas. Ao término do encontro eles chegaram a dizer que conquistaram grandes avanços e, prova disso, é que o jornal direitoso Clarín de hoje destaca o fim do impasse entre o governo e os fazendeiros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por que os argentinos odeiam Isabelita Perón?

Desde que cheguei em Buenos Aires busco a resposta para essa pergunta. Isabelita Perón foi a terceira esposa do presidente Juan Domingo Perón. Antes dela, o político casou com uma professora - que morreu de câncer uterino - e com Eva Perón - que também morreu de câncer de útero e é amada e idolatrada pelos argentinos.

María Estela Martínez conheceu Perón no Panamá e casou com ele em 1960. Foi secretária pessoal do político e o acompanhou no exílio na Espanha, depois de ser deposto e preso pelos militares. De volta à Argentina, em 73, Perón foi candidato a presidência e venceu com mais de 60% dos votos tendo Isabelita como vice. Quando concorreu, Juan Domingo Perón já estava doente. Acabou morrendo no ano seguinte e coube a Isabelita o papel de comandar o país. O governo de Isabelita durou dois anos, dando lugar, em 76, a uma junta militar.

Até agora ouvi várias opiniões sobre o motivo pelo qual os argentinos odeiam a pessoa que foi a primeira mulher a presidir uma país sul-americano. Dizem os livros de história que havia um ministro chamado José López Rega que exercia muita influência sobre a presidenta e conseguia fazer predominar os interesses da direita peronista. Dizem que foi este homem que fundou, com dinheiro desviado do governo, um grupo conhecido como triple A. Tratava-se de uma espécie de grupo paramilitar que caçava comunistas. Foi responsável por perseguições, torturas e assassinatos. O governo Isabelita Perón, apesar de curto, foi um desastre também para a economia. Não vou entrar em detalhes porque não tenho conhecimento mais aprofundado sobre esta parte econômica.

Sabendo isso, até é possível entender o rancor dos argentinos. É preciso se imaginar na época: Juan Domingo Perón, o maior herói argentino, estava de volta ao país depois de uma das ditaduras mais violentas do continente. Ele representava a esperança de mudanças para o país. Tanto que obteve esmagadora maioria de votos nas eleições. Então, eleito, morre e a Argentina é entregue nas mãos de uma mulher inexperiente e até então quase desconhecida. Ela, despreparada, se deixa influenciar por outras pessoas. A frustração deve ter sido gigante. Nem mesmo o fato de ser esposa de Perón consegue apagar o mal que fez à nação argentina.

O que eu, particularmente, questiono é que Isabelita só existiu para a política por causa de Perón. Foi ele quem a transformou em vice-presidente e, possivelmente, sabia que estava doente e que ela poderia assumir o país caso ele morresse, como aconteceu. Então, na minha opinião, é um pouco de exagero crucificá-la só por ter sido incompetente e esquecer que foi o grande herói da nação, Juan Domingo Perón, o responsável pela existência para a vida política de Isabelita.

O fato é que os argentinos veem Isabelita como uma oportunista que casou com Perón já velho e quase morto para chegar ao poder. Para eles, o caudilho foi enganado pelo amor por uma mulher perversa. Pode ser... quem duvida?