sábado, 29 de janeiro de 2011

O flerte do Assange

Julian Assange, um australiano com cara de geek, se tornou – desde o final do ano passado – a celebridade política do momento. Tudo porque ele criou uma site chamado WikiLeaks, especializado em divulgar documentos, e-mails e demais papéis envolvendo a diplomacia mundial. Pra se ter uma ideia, entre as revelações do tal site está um pedido da Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton para que fosse investigada a saúde mental da presidenta argentina Cristina Kirchner. Ou seja, chamou uma líder de Estado de louca.

Por incomodar tanta gente poderosa, arrumaram uma acusação de um suposto “crime sexual” contra Julian Assange. Por isso, foi detido e, nesse momento, está em prisão domiciliar. De casa, Assange respondeu perguntas enviadas por internautas, jornalistas e blogueiros brasileiros. Entre as revelações feitas na entrevista – descontraída demais para um assunto tão sério – ele diz que aceitaria asilo político no “quente e belo” Brasil.

Ele também foi perguntado sobre o critério para escolher os veículos de comunicação que têm acesso aos documentos secretos. No Brasil, por exemplo, só os jornais O Globo e Folha de São Paulo conhecem a papelada. São eles que têm a função de ler tudo e filtrar o que acham ou não importante. Mas por que uma organização de esquerda escolheria dois jornais de direita para dar exclusividade? Assange respondeu: “No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes”.

No final da entrevista, Assange ainda “lulou” (lular: agir como o Lula) mais: disse que não está envolvido em uma produção de um filme sobre o WikiLeaks, mas revelou: "Se vendermos os direitos de produção, vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L. Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry.”

Uma entrevista que tinha tudo para ser esclarecedora e relevante se tornou algo bobo digno de revista de fofocas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A favorita

Este ano será a vez da Argentina ir às urnas. Lá, a atual presidenta, Cristina Fernández de Kirchner ainda não decidiu (ou não divulgou) se vai concorrer à reeleição no pleito marcado para outubro. Mesmo assim, pesquisas apontam a atual líder como favorita.


Pesquisa divulgada recentemente diz que em todo país, Cristina tem 43,3% das intenções de voto. Os outros possíveis candidatos aparecem bem atrás, com algo entre 7 e 11%, como o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, o deputado Ricardo Alfonsín (filho do ex-presidente Raúl Alfonsín) e até o vice-presidente, Julio Cobos (visto como expoente da oposição).


No entanto, a vantagem de Cristina se sustenta, segundo a pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública, em eleitores pobres e do interior do país. A mesma pesquisa aponta que entre os eleitores de Buenos Aires, Cristina tem 29% das intenções de voto.


No ano passado, a atual presidenta perdeu o marido, Néstor Kirchner, homem forte por trás do governo e principal impulsionador da carreira política da esposa. A pesquisa apontou também que Cristina está com popularidade de 60%. Com estes níveis de adesão popular, Cristina conquistaria a reeleição no primeiro turno no pleito marcado para 16 de outubro, quando também serão escolhidos o Parlamento e as legislaturas provinciais e municipais, entre outros cargos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Todo mundo sabia

Todos os anos algum morro, em algum lugar do estado do Rio de Janeiro, desaba e dezenas de pessoas morrem. Esse fato é corriqueiro todos os verões, tanto que quando começa a cair uma chuva muito forte, as redações já ficam em alerta. Porém, se um fato assim é previsível, onde estão os responsáveis por isso?

Na semana passada fui ao Palácio Guanabara, sede do Governo do Rio, onde vi uma presidenta recém eleita e um governador com altos índices de popularidade com aquela cara de criança que fez arte. Dilma Rousseff e Sérgio Cabral não falaram sobre responsabilidade ou culpa própria, mas nem precisava. Cabral, inclusive, chegou a aumentar o tom de voz para dizer que as autoridades precisam ser rígidas e dizer “não” às pessoas que pretendem construir casas em áreas de risco. Falar, ele falou, mas fazer...

A catástrofe das chuvas no Rio de Janeiro não é um alerta – pois este já foi dado há tempos. Mas não adianta gritar no ouvido do surdo. Enquanto não houver um governante corajoso a ponto de perder votos para salvar vidas, a situação continuará se repetindo.

É ruim para as pessoas, mas também para a imagem do Brasil no exterior. A tragédia fluminense tomou proporções semelhantes aos terremotos do Chile ou do Haiti. Tanto que vários líderes mundiais já se manifestaram sobre o ocorrido, desde Dalai Lama, líder budista, até Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Ainda mais que isso ocorre no Rio de Janeiro, cartão postal brasileiro e próxima sede de Copa e Olimpíadas.

É triste, mas tenho certeza que em 2012, nessa mesma época, estarei neste espaço falando sobre o mesmo assunto. Ou isso, ou Dilma vai ter que mostrar que é tão firme quanto dizem por aí. Oremos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mais um para a lista

O Chile, de Sabastián Piñera, é mais um país latino-americano a reconhecer a Palestina como nação livre. Segue decisões de outros, como Brasil e Argentina, por exemplo. No entanto, um ponto muito importante não é citado na decisão: as fronteiras. O ministro das Relações Exteriores chileno, Alfredo Moreno, não disse se o país reconhece ou não as fronteiras que o Estado tinha antes da Guerra dos Seis Dias, de 1967.


Nesta segunda-feira, depois de se reunir com a embaixadora da Palestina em Santiago do Chile, Moreno disse que ao reconhecer a existência do Estado Palestino ateve-se às resoluções das Nações Unidas sobre o conflito no Oriente Médio.


A embaixadora palestina, Maia Al Kaila, comentou a visita do presidente Sebastián Piñera à Faixa de Gaza, marcada para março deste ano. Ela disse que será um fato histórico e garantiu a segurança do líder chileno.


Por outro lado, Israel disse que o reconhecimento por países da América Latina de um Estado Palestino é um sinal de interferência de nações que nunca tomaram partido no conflito. O Estado judeu disputa a reivindicação pela Palestina de toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios tomados da Jordânia na guerra de 67. As negociações de paz entre os dois lados foram interrompidas várias vezes ao longo dos anos, sendo retomadas recentemente com os Estados Unidos como intermediário.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ausência argentina

Dilma Rousseff tomou posse no último dia primeiro e recebeu os cumprimentos de dezenas de chefes de Estado de todo o mundo. A maioria dos presidentes da América Latina esteve presente na cerimônia. José Mujica, Sebastián Piñera, Hugo Chávez (que abraçou Dilma logo após a nova presidenta receber os cumprimentos da norte-americana Hillary Clinton, numa inusitada coincidência), Fernando Lugo, entre outros.

No entanto, uma ausência foi muito sentida. Depois do Brasil ou, para alguns, junto com o Brasil, a Argentina é o principal país do continente latino. Além disso, foi o primeiro a ter uma mulher na presidência e, atualmente, continua sob o comando feminino de Cristina Kirchner. Apesar da posse de Dilma ser histórica para o Brasil e para o feminismo, se é que posso falar assim, a presidenta argentina apenas mandou representante para a cerimônia.

Porém, isso não indica algum tipo de afastamento entre os dois países, pois a primeira viagem internacional de Dilma Rousseff deve ser para o país vizinho. O chanceler argentino Héctor Timerman, que representou Cristina na posse, já iniciou conversas com o brasileiro Antonio Patriota para agendar a visita.

Brasil e Argentina são, sem dúvida, os líderes da América Latina e agora, ambos sob o comando feminino, não podem nem devem se afastar (e isso não deve acontecer). É bom lembrar que este ano Cristina poderá enfrentar as urnas (ela ainda não decidiu que vai concorrer à reeleição), enquanto Dilma terá que provar muita coisa no comando do Brasil.