sábado, 26 de fevereiro de 2011

O efeito dominó nos ditadores

Ben Ali governou a Tunísia por quase 24 anos. O povo o expulsou em janeiro. Hosni Mubarak foi ditador do Egito por quase 30 anos. Igualmente, o povo precisou só de dezoito dias para manda-lo pendurar as chuteiras. Agora quem está à beira do abismo é o ditador da Líbia, Muammar Kadafi (ou Gaddafi). Uma revolução está, aos poucos, tomando conta do país e enfraquecendo o poder do tirano. A diferença é que este, reconhecido como um dos ditadores mais cruéis da região, sofre de problemas mentais, segundo fontes seguras, e tem jurado morrer lutando.

Só que a revolta do chamado “mundo árabe” não para por aí. Na Argélia, Bouteflika vê ameaçado seu regime que iniciou em 99, por eleições. No Marrocos, a população também está insatisfeita com o reinado de Mohammed IV e, na Jordânia, o rei Abdullah também é alvo dos protestos. Massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970. Situação parecida no Bahrein, onde a população também contesta o governo do rei Al Khalifa, sem esquecer do Irã, protagonista contemporâneo das tensões entre o Islã e o Ocidente.

Há coisas em comum em todas essas revoltas: o povo mostra-se insatisfeito com a situação político-econômica e quer democracia. Aos poucos a manifestações vão tomando formas próprias em cada país, devido à suas diferenças políticas, culturais e sociais.

Alguns comparam 2011 com 1968, o chamado “ano louco” da história, quando inúmeras manifestações, principalmente estudantis, sacudiram o mundo (recomendo a leitura de “1968: o ano que não terminou”, do jornalista Zuenir Ventura). Onde toda essa atual revolta vai parar é impossível prever, mas é plausível afirmar que está mudando a história. E, se mudar, que mude para melhor.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lula, o amigo de todos

O site WikiLeaks, especializado em divulgar documentos secretos que constrangem líderes políticos em todo o mundo, soltou mais uma bomba. Desta vez o alvo é a “amizade” entre o ex-presidente Lula e o atual presidente da Venezuela, Hugo Chávez.


Segundo o site, houve um encontro entre Lula e o então presidente recém eleito do Peru, Alan García. De acordo com o relato de um funcionário da diplomacia peruana, Lula disse no encontro que a vitória de García foi “um revés necessário para o presidente Chávez”.


Nas eleições de 2006, Alan García derrotou Ollanta Humala, candidato do Partido Nacionalista e aliado de Hugo Chávez. Este ano, Humala é novamente candidato, mas está em quarto lugar nas pesquisas e distanciou-se de Chávez, tentando agora aproximação com o PT brasileiro.


As brigas entre García e Chávez foram tão fortes que o presidente da Venezuela, que não tem trava na língua, chegou chamar o colega peruano de “ladrão e corrupto”. Chávez e Lula mantiveram relação amistosa durante anos, chegando a fazer com que alguns setores políticos temessem que o petista quisesse virar uma espécie de Chávez brasileiro. No tal documento divulgado pelo WikiLeaks, o funcionário peruano diz que Lula afirmou que ele e García são “velhos amigos” e que compartilham “a mesma visão sobre a política de integração econômica”.


Este fato, se verdade for, só demonstra mais uma vez a capacidade diplomática do nosso ex-presidente. Ele que preferiu se afastar das ideologias esquerdistas ao extremo em prol de uma boa relação com o mundo todo, indo desde George Bush a Mahmoud Ahmadinejad.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obama vem aí

O presidente norte-americano, Barack Obama, confirmou que virá ao Brasil em março deste ano. Entre os compromissos, visitará Brasília num dia e o Rio de Janeiro, no outro. Aqui, no Rio, especula-se que o presidente fará um grande discurso para toda a América Latina ouvir.

Os organizadores da visita de Obama estariam buscando um local adequado, com estrutura e capacidade para receber milhares de pessoas. O Sambódromo é uma das opções, já que o Maracanã está fechado e dificilmente os norte-americanos se arriscariam a montar uma superestrutura segura na praia de Copacabana, semelhante ao que foi feito para o show de Roberto Carlos. O fato é que a equipe de Obama quer um local “emblemático” para o Brasil.

O que Obama vai falar é uma incógnita, mas é possível supor que a política latina seja a pauta do discurso. O jornal Folha de São Paulo diz que o tema será “a importância de Brasil e EUA atuarem juntos no cenário global”.

Esse tipo de intervenção é particular de Barack Obama, como já fez em Berlim e no Cairo. No Egito, em 2009, ele anunciou o recomeço das relações dos Estados Unidos com o mundo islâmico e na Alemanha, em 2008, falou para 200 mil pessoas. Além do discurso, no Rio Obama vai visitar uma favela pacificada.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lula no FSM

O ex-presidente Lula está no primeiro compromisso internacional depois de deixar o Palácio do Planalto. Ele é uma das grandes estrelas do Fórum Social Mundial, que este ano acontece em Dacar, no Senegal.

Ao chegar, Lula se reuniu com a líder socialista francesa Martiny Aubry e defendeu que o mundo precisa de um novo modelo de desenvolvimento e de regulação financeira.

Com aquele jeito Lula de ser que só ele tem, ainda brincou dizendo que a vida de ex-presidente é melhor que a de presidente e pregou uma mulher na presidência da França, assim como Dilma no Brasil. O fato é que o brasileiro está sendo recebido e tratado com status de grande líder da esquerda mundial, uma espécie de guru para países que ainda engatinham no processo de combate a miséria e distribuição de renda.

O Fórum Social Mundial, que este ano completou 10 anos e nasceu em Porto Alegre, é uma reunião anual antiglobalização. A edição de 2011 coincide com os protestos populares no mundo árabe. O FSM começou domingo com uma passeata de milhares de pessoas e, entre elas, estava o presidente da Bolívia, Evo Morales.