terça-feira, 22 de março de 2011

Hugo Chávez, amigo dos marcianos

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, foi o assunto do dia no Twitter. Tudo porque o político fez uma inusitada declaração neste 22 de março, Dia Mundial da Água.

Tentando alertar o mundo para a escassez de recursos naturais e, principalmente, para os culpados por isso, Chávez disse que a vida pode ter sido extinta em Marte por culpa do capitalismo.

Segundo a agência de notícias Reuters, a frase do presidente venezuelano foi: "Eu sempre digo, e ouço, que não seria estranho se tivesse existido uma civilização em Marte, mas talvez o capitalismo tenha chegado lá, o imperialismo chegou e acabou com o planeta".

Por essa suposição, foi chamado de louco e até teve a saúde mental questionada. Para mim, houve um erro de interpretação geral. As pessoas lerem a frase do presidente literalmente, esquecendo de buscar nas entrelinhas o alerta que ele quis fazer.

Pode até ser que Chávez acredite que existiu vida em Marte e que ela foi extinta pelos próprios marcianos. E daí? Ninguém pode provar que não foi assim.

Vejo nas palavras do impagável Hugo Chávez um alerta sério - talvez exagerado - com objetivo de chamar a atenção para um problema real.

segunda-feira, 21 de março de 2011

As tumultuadas eleições na Argentina

No último domingo a província argentina de Chubut, no sul do país, deveria ter eleito o próximo governador. A eleição de fato aconteceu, mas o resultado final ainda é uma incógnita.

Foi a segunda eleição regional deste ano na Argentina. No domingo anterior os habitantes de Catamarca, no nordeste, elegeram a senadora Lucia Corpacci. A candidata foi apoiada pela atual presidenta Cristina Fernández de Kirchner.

Já em Chubut, o candidato apoiado por CFK não venceu por uma margem de cerca de 1500 votos. Carlos Eliceche, o “candidato K”, como estão chamando os jornais argentinos, perdeu para Martín Buzzi, este apoiado pelo pré-candidato a presidência Mario Das Neves, atual governador de Chubut.

Ocorre que a contagem dos votos não terminou. Os resultados de algumas poucas mesas ainda não foram apurados. Além disso, a recontagem oficial para posterior anúncio do vencedor começa esta semana. O candidato derrotado ainda denunciou fraudes na eleição e disse que vai esperar o resultado oficial para decidir se pede a impugnação do resultado na Justiça. Os argentinos agem com a política assim como com o futebol: apaixonados. E quem tem paixão, não gosta de perder.

Trabalhando com a hipótese apontada pela primeira apuração, das 23 províncias que realizam eleições este ano, CFK ganhou uma e perdeu a outra. Importante lembrar que o possível vencedor em Chubut também é do Partido Justicialista, só que de corrente oposta à Cristina. Bom lembrar, também, que a presidenta ainda não revelou se vai concorrer à reeleição.

As eleições na Argentina começaram no início de março e podem ir até novembro, se houver segundo turno no pleito presidencial. Pelo menos até o dia 23 de outubro, data marcada para a escolha do próximo presidente, é certo que cada província vai eleger seus governadores (ou tentar, pelo menos) uma de cada vez. Um processo demorado e desgastante para os eleitores argentinos, mas, com certeza, muito emocionante!

domingo, 20 de março de 2011

Brasil tiete

No último final de semana o Brasil inteiro passou por dias de tiete. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos esteve em Brasília e aqui no Rio. Na capital federal, conversou com Dilma, reuniu-se com empresários e tomou a decisão que marcou a viagem: autorizou a participação dos Estados Unidos no ataque dos aliados à Líbia.

Depois, aqui no Rio, Obama fez visitas culturais e se trancafiou no Theatro Municipal para, segundo ele, “falar ao povo brasileiro”. O problema é que “o povo” presente no Theatro se resumia à meia dúzia de atores globais, jornalistas, autoridades políticas.

O que chamou mais a minha atenção nesses dois dias em que Obama esteve por aqui foi descobrir que o fã clube brasileiro dele é grande. Políticos, incluindo petistas, famosos e até o cidadão mais comum, mostravam contentamento pela presença de Obama. Por quê? Não sei. Nem os políticos, nem as celebridades e muito menos o povo tinham razão para tanta felicidade. Obama veio ao Brasil fazer negócios, como ele mesmo revelou em mensagem que deixou gravada aos norte-americanos.

Além dos negócios, Obama veio atrapalhar a vida dos brasileiros. Brasília, no dia em que ele esteve por lá, estava impossível: ruas fechadas, segurança absurdamente reforçada. Aqui no Rio, a mesma coisa. O Cristo Redentor foi fechado um dia antes para recebê-lo. O entorno do hotel onde ele ficou hospedado parecia cenário de guerra. O espeço aéreo foi fechado.

Obama se revelou uma visita muito inconveniente e que nada de bom trouxe para o Brasil, a não ser um falso prestígio. Tudo o que ele falou de bom sobre o nosso país em seu discurso foi repetido no Chile, pra onde foi logo depois, segundo pode-se verificar acessando os sites dos jornais de lá. Panis et circenses!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Esse mundo não deu certo

Esta semana, aproveitando o furor gerado pelo terremoto, tsunami e catástrofe nuclear que está acontecendo do outro lado do mundo, gostaria de dividir com vocês uma preocupação que me aflige. Quero falar sobre a nossa reação ao saber de catástrofes similares a essas. Incrivelmente, nós estamos nos acostumando a esse tipo de acontecimentos e olhando-os com normalidade, o que não pode acontecer!

Há alguns anos uma sucessão de tragédias tem ocorrido e nós ficamos sabendo de tudo graças aos meios de comunicação. Inexplicavelmente, muitos ainda têm estômago para olhar com desprezo, até certa arrogância, e poucos param para pensar no que realmente isso significa.

O mundo, minha gente, está revoltado. A natureza está respondendo às atitudes de quem dela faz um péssimo uso. No Haiti, o terremoto praticamente destruiu um país de construções pobres e mal pensadas. No Chile, além do tremor, o tsunami invadiu a terra ocupada desordeiramente pelos habitantes. No Rio de Janeiro, as encostas povoadas vieram abaixo em resposta ao desmate da floresta original e com a ajudinha do descaso das autoridades. Em São Lourenço do Sul a enxurrada levou tudo o que havia pela frente. Na Austrália, é o fogo que destrói florestas e casas. O mundo está bravo.

Desastres como esses, respostas naturais ao incompetente administrador que é o homem, não vão parar de acontecer. O que nós podemos fazer é tentar diminuir os impactos que esses fatos vão causar. E isso é uma missão muito difícil. Envolve mais do que mudanças estruturais, envolve mudanças internas em cada cidadão. E eu não gostaria de ser pessimista, apesar de perceber à minha volta que isso é praticamente impossível. Nessas horas todos os que somos capazes de enxergar o que está acontecendo temos uma visão um pouco niilista dos fatos. Esse mundo não deu certo. É preciso recomeçar. Já.


quarta-feira, 9 de março de 2011

Mulheres na ONU

O dia 8 de março é uma das poucas datas comemoradas pelo mesmo motivo no mundo inteiro: é quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher e, de fato, esta celebração acontece. Uma das mulheres mais reconhecidas internacionalmente e que foi a primeira a ser eleita para o cargo de presidenta de um país latino-americano, Michelle Bachelet concedeu entrevista ao diário espanhol El País como diretora estreante da recém criada agência das Nações Unidas (ONU) para as Mulheres.


A ex-presidenta do Chile, de 59 anos, se disse persistente e otimista no novo cargo. Perguntada se poderá denunciar os países que desrespeitem os direitos das mulheres, Bachelet reiterou o argumento da persistência. Disse que “pouco a pouco”, pois em alguns momentos se avançará de forma rápida, mas, em outros, de forma mais lenta. Ela sabe que luta contra culturas difíceis.


Vale lembrar que Bachelet é mãe solteira, descrente e, como primeira presidenta chilena, rompeu barreiras sociais e religiosas. Ela vê nos conflitos no mundo árabe uma “tremenda oportunidade para a causa das mulheres”. Reforça que é preciso ação e recomenda não deixar passar a oportunidade. “O momento é agora”, disse Bachelet, enquanto emendou: “Não estamos dispostas a voltar para a cozinha”.


Neste ano, completou-se 100 anos da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Michelle Bachelet não teme sucumbir à burocracia da ONU. Mas ela sabe das dificuldades que terá a frente do novo órgão, que dispõe de 500 milhões de dólares de recursos – o que é considerado pouco – e precisa da ajuda dos países que movem as agências internacionais. No dia em que se lembram delas, se é que é preciso um dia para isso, é bom saber que alguém está disposta a perseguir momentos onde as diferenças de gênero não sejam tão distantes como atualmente.