sábado, 25 de junho de 2011

Cristina vai!


Um dos grandes mistérios que envolvia as eleições deste ano na Argentina não existe mais: Cristina Kirchner seria capaz de seguir com as próprias pernas em uma carreira política posta em xeque depois da morte do marido dela Néstor Kirchner, no ano passado? Sim. Na semana que passou, em rede nacional de rádio e televisão, CFK anunciou que não vai fugir da raia e vai concorrer à reeleição em outubro deste ano.

O pronunciamento em rede nacional foi convocado sob o pretexto de anunciar um programa sobre televisões. Cristina entrou no ar 20 minutos atrasada e, antes de dar boa noite, foi interrompida por aplausos de uma plateia que parecia já saber o que seria dito ali. CFK começou lembrando que a primeira transmissão de televisão na Argentina foi um discurso de Eva Peron, anunciou os planos do programa de "TV para todos" e, ao final, no maior estido "ah, lembrei", anunciou que vai seguir a vontade popular e concorrer.

Realmente, a vontade popular diz isso. Em todas as pesquisas feitas até agora, Cristina aparece como favorita. Ganha, principalmente, na Grande Buenos Aires.

Apesar da estranheza que causou o anúncio político em um rede nacional, geralmente usada para falar coisas do Governo (no Brasil, isso seria considerado inaceitável!), Cristina Kirchner mostrou força e serenidade. Provavelmente, se nada estranho acontecer durante a campanha, tem grandes chances de ser reeleita ainda em primeiro turno. Apesar da Argentina ser como o Rio Grande do Sul nesses casos, ou seja, sempre pode acontecer uma surpresa.

domingo, 19 de junho de 2011

O cavalo de Troia peruano


Na semana que passou os peruanos descobriram que o presidente em fim de mandato Alan Garcia estava preparando uma surpresa para eles. Menos de um mês antes de deixar o cargo, Garcia mandou construir uma estátua gigante semelhante ao Cristo Redentor para ficar de abraços abertos para o Pacífico. Só que o "agradinho" não agradou em nada.

O Cristo do presidente virou alvo de críticas e piadas. Os opositores alegam que Garcia tomou uma decisão autoritária ao mandar erguer o monumento sem consulta pública e, apesar de ter doado do próprio bolso parte dos recursos utilizados na construção (menos de 10%), a maior parte foi mesmo financiada com dinheiro público.

As piadas são motivadas pelo péssimo gosto estético de quem projetou a estátua (a empreiteira brasileira Odebrecht executou a obra). Diferente do Cristo Redentor, que tem os braços abertos em linha reta, o "Cristo do Pacífico" apareceu com os braços levemente levantados, como se estivesse pulando corda. Na verdade, trata-se de um gesto comum entre os fiéis, quando pedem bençãos aos céus. Além disso, diferente do monumento aqui do Rio de Janeiro, lá a estátua foi colocada na Baía de Lima, que tem uma paisagem não tão bonita.

Para muitos, mais do que "abençoar os peruanos", Alan García queria deixar uma marca do seu governo. Já que não conseguiu avançar em desenvolvimento, combate à fome, educação e outros temas, fez como os ditadores, que deixavam suas marcas através de grandes monumentos. Alguns deles são cultuados até hoje como "sensacionais", mas outros tiveram um destino menos nobre, como parece ser o do Cristo do Peru.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Humala e Lula

Ollanta Humala, após derrotar Keiko Fujimori no segundo turno das eleições no Peru e sagrar-se presidente daquele país, iniciou uma excursão pela América do Sul. Não por acaso, o Brasil foi o primeiro destino. Em Brasília, Humala visitou a presidenta Dilma, como de praxe. Quando um presidente visita outro país, é natural que se encontre com o líder maior da nação.

No entanto, Humala teve duas paradas no Brasil. Depois de trocar figurinhas com Dilma, pegou um avião para São Paulo. O motivo? Encontrar o ex-presidente Lula.

Nas eleições anteriores no Peru, Humala havia perdido para o atual presidente Alan García. Na ocasião, ele contou com o apoio voluntário de Hugo Chávez. Para esta campanha, no entanto, Humala dispensou a proximidade com o venezuelano e se aproximou do PT e de Lula, com quem pegou dicas. Dizem por aí, inclusive, que marqueteiros do PT estiveram em Lima para ajudar na preparação da campanha do nacionalista.

Depois de visitar Dilma e Lula, Humala seguiu para encontros com Fernando Lugo, Cristina Kirchner, Sebastián Piñera e José Mujica. Pelo menos parece ser um presidente próximo e disposto a conversar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O segundo turno no Peru

No próximo domingo será realizado o segundo turno das eleições presidenciais no Peru. Ollanta Humala, esquerdista e Keiko Fujimori, conservadora, são os candidatos. No primeiro turno, Humala venceu. Já para esta segunda etapa, a disputa está aberta.

Três pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram a filha do ex-ditador Alberto Fujimori aparece em vantagem. O instituto Datum aponta 46,6% para Keiko e 42,5% para Humala. Na semana passada o mesmo instituto apontava vitória da conservadora por 45% contra 40,8%. Já o levantamento da Companhia Peruana de Pesquisa mostrava Keiko com 51,4% e Humala com 48,6%.

Para se ter uma idéia desse processo no país andino, é bom lembrar um breve resumo dos dois candidatos. Ollanta Humala perdeu as eleições passadas, quando contou com o apoio externo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É um esquerdista reconhecido no país. Keiko é filha de Alberto Fujimori, ex-presidente (ou ditador) peruano que foi condenado a mais de 20 anos de prisão por violações dos direitos humanos.

Os peruanos têm na mesa duas cartas completamente antagônicas. A escolha deles pode ser feita por afinidade polícia, de ideais, de propostas econômicas e de história de vida de cada candidato.