sábado, 29 de outubro de 2011

Câncer, o inimigo nº1 dos presidentes latinos

Com a confirmação de que o ex-presidente Lula está com câncer, ele se junta ao grupo dos líderes latinos que sofrem ou sofreram com a doença. Além do ex-vice-presidente brasileiro José Alencar, a atual presidenta Dilma Rousseff, mais os colegas da Venezuela, Hugo Chávez, e do Paraguai, Fernando Lugo, também tiveram a doença. Como todos sabem, desse grupo só José Alencar faleceu, e isso depois de muitos anos brigando.

Hugo Chávez está em plena recuperação e fez todo o tratamento em Cuba. Fernando Lugo também está bem e se tratou no Sírio Libanês em São Paulo. Dilma está completamente curada e, assim como Lula, também entregou sua saúda nas mãos da competente e cara equipe do hospital paulista.

Quando soube que Lula estava com câncer fiquei muito triste e surpreso. Felizmente, logo depois do anúncio, surgiram manifestações de apoio de todos os cantos do país e, principalmente, de todos os lados políticos brasileiros. Isso dá um certo consolo. Lula sempre teve uma boa saúde e tenho certeza que vai sair rindo dessa. Como eu tenho dito, não é Lula que está com câncer. É que até o câncer está com Lula. Força.

A Argentina é uma nação

Os dicionários de português definem a palavra "nação" como um "comunidade humana, fixada em sua maioria num mesmo território com língua, origem, história e cultura comuns". Mais que isso, chama-se de nação um país que está unido em um único sentimento. No Brasil, por exemplo, momentos verdadeiramente nacionalistas foram sentidos em determinados períodos da nossa história, como no movimento pelas diretas. Hoje, esse sentimento de nação praticamente só existe em época de Copa do Mundo.

A Argentina vive um momento diferente. Nesta última semana três acontecimentos políticos demonstraram esse atual poder de união dos nossos hermanos: a reeleição da presidenta Cristina Kirchner, o julgamento de militares torturadores e as lembranças pelo primeiro ano da morte do ex-presidente Néstor Kirchner.

Participei desses três eventos e pude sentir o quão envolvidos os argentinos estão. Quando Cristina venceu, no domingo passado, o movimento espontâneo de milhares de pessoas marchando rumo a Plaza de Mayo para comemorar era comovente. Durante o julgamento dos milicos torturadores, centenas de pessoas estavam em frente à Corte e agitavam bandeiras e gritavam palavras de ordem a cada sentença anunciada. No dia que se lembrou o primeiro ano sem Néstor, bandeiras do país tremulavam nas janelas dos apartamentos, famílias inteiras caminhavam pela Av. de Mayo cantando a marcha peronista e, também na praça, outros milhares assistiam discursos inflamados sobre o legado deixado pelo ex-presidente.

Pode-se dizer que um país é uma nação quando a sua população, com ou sem incentivos dos líderes políticos, se mobiliza para promover grandes atos onde o maior objetivo é demonstrar o que pensam e o que sentem. Isso acontece por aqui. Não é preciso combinar antes, nem fazer chamadas no rádio e na televisão... Os argentinos se mobilizam por conta própria.

Há 10 anos a Argentina passou por um momento muito difícil. O pais estava quebrado em 2001 e todos os cidadãos sentiam os efeitos da crise. Chegou Néstor Kirchner e aplicou mudanças drásticas que surtiram efeito na vida do cidadão comum. Esses sentiram-se mais confiantes e, vendo como as coisas estavam melhorando, recuperaram o orgulho de ser argentinos. É esse orgulho, próprio das nações, o responsável pelo enorme poder de mobilização dos hermanos.

Como brasileiro, confesso a minha inveja. A Argentina e o Brasil são países muito semelhantes, mas as duas populações parecem muito distintas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uruguai também busca punir torturadores

Esta semana a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou a proposta que declara os delitos cometidos durante a ditadura militar (1973-1985) como crimes contra os direitos humanos. Dessa forma, esses crimes não podem mais prescrever. Esse é o primeiro passo para uma futura anulação da chamada Ley de Caducidad, que anistiava os militares e policiais acusados de torturas.

Agora, a proposta segue para a sansão do presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro que foi preso pela ditadura. Ele ficou por longos 14 anos na prisão. Mujica é um senhor uruguaio simples. É agricultor e costuma doar mais da metade do salário como presidente para o seu partido e outro tanto para um fundo de moradia. O único bem registrado no nome dele é uma Fusca 87!

Anular a Ley de Caducidad é fundamental para que a justiça uruguaia possa julgar os milicos acusados de assassinatos e torturas. O problema é que essa lei foi uma espécie de moeda de troca para a redemocratização do país. Os partidos políticos se reúniram com os militares em 85 e a anistia foi a exigência para a abertura política.

O Uruguai já tentou, sem sucesso, anular a lei em dois plebiscitos. Agora, tenta uma manobra judicial para levar os milicos ao júri. O primeiro passo foi dado. Os crimes já são considerados de "lesa humanidad". Com isso, restabelece a chamada pretensão punitiva do Estado e a justiça pode levar adiante os casos de violações dos direitos humanos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

10 motivos para agradecer a Néstor Kirchner

Nesta quinta-feira uma mescla de dor e esperança toma conta dos argentinos. Enquanto lembram o primeiro ano da morte do ex-presidente Néstor Kirchner com lágrimas nos olhos, também esboçam um sorriso de satisfação ao recordar o legado que o político deixou.

As homenagens se multiplicam. Em Río Gallegos, a presidenta CFK inaugurou o mausoléu em homenagem a Kirchner. Aqui na capital federal, uma estátua do ex-presidente foi inaugurada na Praça do Congresso. Cada cidadão também busca homenagear do seu modo o "pinguim". Nas redes sociais, a hastag "#GraciasNestor" é o assunto mais comentado no Twitter. Caminhando pela rua não é difícil ver bandeiras argentinas nas janelas dos apartamentos. Kirchner é onipresente. Por todo o lado, vejo cartazes com o rosto do ex-presidente e a famosa foto do casal K abraçado, que lembra muito Perón e Eva.

Mas por que os argentinos idolatram Néstor Kirchner? Não é difícil de explicar. Segue uma lista de 10 motivos para agradecer ao pinguim:

1 - Direitos Humanos: unica e exclusivamente pela coragem de Néstor Kirchner os torturadores da ditadura argentina estão pagando pelos crimes que cometeram! Ao assumir a presidência em 2003, a primeira coisa que ele fez foi suspender o perdão dado aos militares por Menem. Assim, os milicos agora estão sendo julgados e condenados pela justiça comum.

2 - FMI: Em dezembro de 2005, Néstor Kirchner se livrou de uma pedra no sapato da economia argentina. Pagou de uma vez só a dívida com o Fundo Monetário Internacional e livrou o país dessas amarras.

3 - Reforma da Justiça: Também logo após assumir, Kirchner eliminou uma regra que dava ao presidente da Argentina o poder de nomear quem quisesse para a Corte Suprema. Desde então, os magistrados precisam passar pela aprovação popular e do Senado.

4 - ALCA: O ano era 2005 e o lugar era Mar del Plata. O convidado especial da cúpula das américas eram ninguém mais, ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos George W. Bush. Nessa época, Bush tentava de todas as formas criar a ALCA, Área de Livre Comércio das Américas, que favorecía o seu país, mas representava uma séria ameaça para a soberania dos países latino-americanos. Com Bush olhando, Kirchner simplesmente disse um sonoro e aplaudido NÃO.

5 - UNASUL: Foi o ex-presidente argentino o principal impulsor da criação da Unasul, organização que comandou em 2010.

6 - Paz: Foi Néstor quem evitou uma guerra entre a Venezuela e a Colômbia. Como secretário-geral da Unasul, chamou Hugo Chávez e Juan Manuel Santos num canto e fez os dois presidentes assinarem um acordo para evitar um conflito armado.

7 - Igualdade: Néstor foi um dos principais incentivadores da Lei de Matrimônio Igualitário, aprovada no ano passado. Essa lei permite o casamento entre casais gays e foi vista por todo o mundo como um dos mais sérios avanços da Argentina.

8 - Democratização da imprensa: Néstor e Cristina declararam guerra ao monopólio do Grupo Clarín e conseguiram aprovar a chamada Lei de Meios, que estabelece limites para os grandes grupos de comunicação e possibilita a existência de meios comunitários.

9 - Economia: NK defintiivamente arrumou a casa. Vocês lembram como estava a Argentina em 2001, né? Naquela época era impossível imaginar que hoje, 10 anos depois, o país estaria crescendo a quase 10% ao ano. Kirchner recuperou a economia do país, estatizou empresas e distribuiu renda.

10 - Esperança: a coragem de Néstor Kirchner para fazer grandes mudanças que país precisava depois do desastre de 2001 foi a grande responsável pela recuperação da esperança e do sentimento de união que existe hoje na Argentina. Nasceu o "kirchenerismo", que envolve muito mais o jovens na política e isso, no futuro, com certeza vai fazer uma enorme diferença.

Este pequeno post não pretende ser uma manual, muito menos uma cartilha e nem uma lista de argumentos para defender Néstor Kirchner. Não pretendo escrever aqui informações detalhadas, nem bancar um professor de kirchenerismo porque não estou apto para isso. Só quero deixar registrado muito mais o que sinto do que o que sei. Desconsiderem, por favor, alguma falta de informação, explicação ou dado preciso. Para isso vocês têm o Google.

Torturadores argentinos vão para o xilindró

Esta semana tem sido muito movimentada politicamente na Argentina. Depois do triunfo de Cristina Kirchner no domingo passado, o país assistou na quarta-feira a condenção de militares torturadores e, nesta quinta, lembra o primeiro ano sem o ex-presidente Néstor Kirchner.

Na quarta-feira, a justiça argentina anunciou as penas para 18 militares acusados de crimes contra os direitos humanos na última ditadura, que começou após a queda de Isabelita Perón. A argentina sofreu com três golpes de estado e, consequentemente, foi governada três vezes por juntas militares. No entanto, essa última é consderada a mais agressiva. Estimam cerca de 30 mil desaparecidos políticos (no Brasil não chegam a mil) e isso motivou o nascimento do movimento das mães e avós da Plaza de Mayo.

O Retiro estava lotado de gente esperando que a justiça fosse feita. E eles não saíram

de lá decepcionados. Dos 18 acusados, somente dois foram absolvidos. Quatro foram condenados a penas que vão de 18 a 25 anos de prisão e 12 deles vão cumprir a pena máxima estabelecidade pela justiça. Ao anunciar as condenações desses últimos, os juízes utilizaram o termo "prisão perpétua", que se propagou nos meio de comunicação. No entanto, não é bem assim. Na Argentina a condenação máxima é de 25 anos. Logo, essa pena perpétua consiste nesse tempo de detenção. A diferença é que eles só poderão pedir progressão da pena depois de cumprir, no mínimo, 20 anos.
Todos os milcios condenados faziam parte da ESMA, a Escola de Mecânica Armada, que foi o braço mais terrível da ditadura. Na sede da ESMA aconteceram a maior parte das torturas e assassinatos de militantes de esquerda. Por mais que o sentimento de justiça tenha tomado conta dos argentinos com a condenação desses 16, ainda faltam outros 70 para serem julgados.

Alguns dos militares condenados na quarta-feira participaram do assassinato do escritor Rodolfo Walsh. Por um acaso do destino, vi no cinema nesta mesma semana o filme de animação "Eva de la Argentina". A trama é narrada por este escritor, que conta a investigação feita para des
vendar os mistérios sobre o paradeiro do corpo de Eva Perón.

O milico mais famoso que foi condenado é conhecido como o
"anjo loiro" ou "anjo da morte". Trata-se de Alfredo Astiz (foto), um símbolo das barbaridades comentidas na Argentina durante a ditadura. Ele é responsável, por exemplo, pelo desaparecimento de duas freiras francesas que atuavam em entidades de defesa dos direitos humanos por aqui. Astiz foi espião, se infiltrou nessas organizações, torturou e matou. Quando a sentença dele foi anunciada, o milico ainda teve a capacidade de esboçar um sorriso de leve... Quem ri por último, ri vendo o sol nascer quadrado.

A condenação desses torturadores é uma grande vitória dos movimentos sociais, principalmente das Madres y Abuelas de la Plaza de Mayo. Estela de Carlotto, um das fundadoras da organização, estava sentada na primeira fila e assistiu todo o julgamento a poucos metros dos acusados.

Tudo isso só foi possível graças a um homem: Néstor Kirchner. A primeira coisa que Kirchner fez ao assumir em 2003 foi suspendeu os perdões que Menem havia dado aos torturadores. Com isso, foi possível que eles fossem julgados pela justiça comum.

É impossível ver a justiça sendo feita na Argentina e não lembrar do Brasil. Enquanto por aqui esses criminosos estão sendo punidos pelas barbaridades que cometeram, no nosso país tupiniquim eles estão livres e volta e meia aparecem em canais de TV dando entrevistas como "guardiões de grandes segredos". Hoje, felizmente, temos uma presidenta de coragem e que sentiu na pele os efeitos da ditadura. No entanto, pouco tem feito para passar a história do nosso país a limpo. Penso que se Dilma não tomar uma atitude mais audaciosa nesse sentido, podemos perder as esperanças de ver os milicos brasileiros pagando pelos crimes que cometeram.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Por que argentinos são fúnebres?

Não é preciso ser um especialista na história da Argentina para perceber que nesse país o corpo dos seus heróis é cultuado como um troféu. Esta semana, por exemplo, o corpo do ex-presidente Néstor Kirchner será transladado do jazigo onde está sepultado, em Río Galegos, para um mausoléu a cerca de 200 metros. A inauguração do manumento terá a presença da presidenta Cristina Kirchner e de outros chefes de estado.

Eva Perón, a chefa espiritual da Nação, também é um bom exemplo desse gosto por funerais. O velório da segunda esposa do General Perón durou vários dias e atraiu milhares de argentinos. Depois disso, Evita não descansou em paz. O corpo foi sequestrado pelos militares que, em conjunto com a Igreja Católica, sepultaram-no na Itália com um nome falso. Antes, porém, dizem que os restos de Eva passaram por vários locais, inclusive casas de aliados dos milicos. Só anos mais tarde os restos de Eva Perón voltaram para Buenos Aires e hoje estão no jazigo da Família Duarte, no Cemitério da Recoleta.

O corpo do general Juan Domingo Perón também foi motivo de conflitos. Depois de ser velado no Congresso Nacional, Perón foi sepultado na Quinta de Olivos. Neste local, a então presidente Isabelita Perón, terceira mulher do general, depositou os restos de Evita recém chegados da Europa. Quando Isabelita foi deposta pelos militares, o corpo de Evita foi entregue para a família e o de Perón, sepultado no Cemitério da Chacarita. No final da década de 80 Perón foi desenterrado e as mãos do cadáver foram cortadas. Ainda não se sabe ao certo o motivo dessa mutilação, mas existem três versões: a primeira, que uma vingança da maçonaria; a segunda, que suas digitais seriam usadas para abrir cofres na Suíça; e a terceira, que os militares fizeram isso em resposta a uma afirmação do ex-presidente de que cortaria as próprias mãos antes de pedir um empréstimo do FMI. Em 2006, o féretro maneta do general foi transladado mais uma vez, agora para a quinta de San Vicente, onde está até hoje.

O corpo de outro herói sulamericano, o General San Martín, também passou por uma verdadeira Via Crúsis. O homem apontado como responsável pelas independências de Argentina, Perú e Chile hoje descansa em uma nave lateral da Catedral de Buenos Aires mesmo tendo sido maçom, fato para mim inexplicável. Mas até chegar ali, foram longos anos. Primeiramente foi enterrado na França, onde morreu e onde vivia sua filha que queria o corpo do pai por perto. Em 1880 os restos de San Martín foram repatriados e depositados na Catedral. Sobre um maçom sepultado em uma igreja Católica, os historiadores divergem nas versões. O fato é que foi a prefeitura de Buenos Aires que negociou com a Igreja e a autorização foi dada, segundo o pesquisador Enrique Mayochi, porque seria uma honra guardar os restos do Libertador.

Uma visita ao Cemitério da Recoleta é parada obrigatória para quem está em Buenos Aires de passagem. Lá estão enterrados militares, pensadores e políticos argentinos. E é neste local que se pode ter uma ideia desse gosto fúnebre que aponto. É possível, por exemplo, ver os caxiões dentro de quase todos os mausoléus.

Não sei e não ouvi até agora uma explicação convicente sobre essa adoração dos argentinos pelos cadáveres de seus heróis. Considerem-se interrogados.

Respostas de Cristina e Dilma

Não gosto de fazer comparações, mas veja esses dois vídeos. O primeiro é a resposta da presidenta argentina Cristina Kirchner a um repórter do Clarín.


O segundo, a resposta de Dilma Rousseff ao senador Agripino Maia, do DEM.

Semelhanças?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cristina Kirchner ganha e faz história

Desde as primeiras horas da manhã deste domingo era previsível que o dia de hoje entraria para a história da Argentina. Nas ruas, as pessoas andavam com sorriso no rosto. Nos locais de votação, todos demonstravam prazer e satisfação de uma forma ou de outra.

Pela manhã acompanhei pela televisão os candidatos votando. Cristina, por exemplo, estava em Río Gallegos, no sul. Após ouvir as declarações da presidenta, acompanhei um amigo na votação. No caminho, ele parou em uma padaria para comprar medialunas (um pão doce que eles comem todos os dias no café da manhã) para levar para os mesários. Na escola onde ele vota, no bairro de Constitución, movimento tranquilo, sem filas.

Depois, acompanhei um pouco a massiva cobertura das televisões locais. Destaque para as redes sociais, amplamente exploradas por jornais, rádios e televisões e também pelos candidatos. O Twitter, sobretudo.

Caminhei pela Feria de San Telmo até a Plaza de Mayo. Quando cheguei, por volta de 18h, já havia muita gente e começava a se armar a festa. Dali, fui ao Hotel Intercontinental, onde Cristina chegaria logo depois. Em uma entrada secundária aguardei algumas horas enquanto conversava com algumas pessoas. "Ganhou Cristina, ganhamos todos", dizia um senhor.

Estela de Carlotto, uma senhora frágil, chegou e causou alvoroço entre as cerca de cem pessoas que estavam ali. Ela fundou o movimento conhecido mundialmente como Abuelas y Madres de la Plaza de Mayo. São mães e avós de desaparecidos políticos que exigem saber o paradeiro de seus parentes. O movimento apóia CFK abertamente.

Depois que Cristina passou, sorridente e abanando para todos, fui para o meu QG. No caminho ainda passei pelo comitê do marxista Jorge Altamira, penúltimo colocado, e de Alberto Wifi Rodríguez Saá. Ambos estavam quase vazios.

Os primeiros resultados oficiais só seriam divulgados a partir das 9h da noite, mesmo assim a vitória de Cristina já era anunciada por todas as emissoras de televisão e jornais. Os veículos se baseavam nas pesquisas de boca de urna divulgadas logo após o fechamento das mesas. Cristina estava reeleita "com mais de 55% dos votos". Nas ruas, gente com bandeiras, adesivos, camisetas e cartazes marchava a passos largos rumo à Plaza de Mayo.

Aos poucos (e antes da divulgação dos resultados oficiais) os candidatos a presidente começavam a admitir a derrota. A primeira foi a lanterninha Elisa Carrió: "Repetimos a pior eleição da nossa história junto com as primárias". A piada que ouvi na rua é de que ela "descarrió". Também pudera: nas últimas eleições ela foi a segunda colocada e, agora, foi vencida pelos votos em branco!

O ex-presidente Eduardo Duhalde foi o seguinte. Agradeceu, agradeceu e agradeceu. Também disse que estará presente nas próximas eleições. Sinceramente... Duhalde foi o grande perdedor desse pleito. Nas primárias teve 12% e agora ficou com pouco mais de 5%. Se eu fosse ele largava mão desse negócio de política...

Depois de Duhalde, Ricardo Alfonsín falou. Não só agradeceu, como parabenizou a presidenta reeleita e avisou: "Vamos brigar pelos interesses populares".

Jorge Altamira, que eu costumo chamar de "Rui Pimenta argentino", falou alguma coisa na sequência. Não sei o que ele disse, pois o som estava terrível e não consegui entender uma palavra.

Neste momento a Plaza de Mayo já estava tomada. Uma barreira foi colocada, o que impedia que a população se aproximasse da Casa Rosada. Mesmo assim, havia muita festa.

Passava um pouco das 21h, horário prometido, quando o ministro de Interior (justiça) passou a primeira parcial. Pouco mais de 15% das urnas estavam apuradas e Cristina Kirchner já tinha 53% dos votos. Mesmo assim, o ministro afirmou: "A presidenta Cristina Fernández de Kirchner foi reeleita."

Fui acompanhando aos poucos a apuração e vendo que em algumas províncias CFK beirava a unanimidade. Em Santiago del Estero, por exemplo, estava com 82% dos votos. Essa mulher é um fenômeno popular. Impressionante.

E o fenômeno subiu ao palco montado no Hotel Intercontinental por volta das 21h30. Ela tentava começar o discurso, mas era impedida pela plateia que cantava músicas como "Yo soy argentino! Soy soldado del pinguino!". Quando finalmente começou a falar, uma surpresa: Cristina Kirchner agradeceu a todos e, a primeira pessoa citada por ela foi a presidenta brasileira Dilma Rousseff: "A companheira Dilma me disse palavras muito doces..." contou CFK. Logos depois, citou todos os presidentes sulamericanos. Quando falou o nome do chileno Sebastián Piñera a plateia chiou. Ela riu e brincou: "Vocês são terríveis...".

Quando citou o prefeito eleito de Buenos Aires, Mauricio Macri, as vaias abafaram a voz da presidenta. Imediatamente, ela ficou séria e deu um puxão de orelhas no público: "Não façam isso! Vou me irritar!". A plateia, claro, obedeceu.

A partir de então, Cristina começou a citar o marido Néstor Kirchner. Se referiu a "Él" dezenas de vezes. "Sin Él, sin su valentía y coraje, hubiera sido imposible llegar hasta aquí."

"Fui a primeira mulher eleita presidenta a agora sou a primeira mulher reeleita presidenta. Não quero mais nada."

"Contem comigo para seguir aprofundando um projeto de país que ajude a melhorar a vida de 40 milhões de argentinos!"

"O importante é conquistar um lugar no coração do nosso povo."

"Quando tudo está perdido é o melhor momento para lutar!"

Após esse discurso, Cristina foi até a Plaza de Mayo, onde milhares de kirchneristas comemoravam a vitória. Depois de falar mais uma vez, a presidenda animou o palco dançando descontroladamente. Ela foi embora, mas a festa continou. Ou seja, nesta segunda-feira ninguém trabalha na Argentina...

domingo, 23 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Parcial da apuração

Com 46,88% das urnas apuradas:
CFK 53,20%
Binner 17,10%
Alfonsín 12,34%
Saá 7,54%
Duhalde 5,71%
Altamira 2,27%
Em branco 2,15%
Carrió 1,85%

ELEIÇÕES ARG: Cristina Kirchner é reeleita

ELEIÇÕES ARG: Primeiros números oficiais

Com 18,08% das urnas apuradas:
CFK 52,85%
Binner 17,24%
Alfonsín 13,07%
Saá 7,28%
Duhalde 5,71%
Altamira 2,16%
Carrió 1,71%

ELEIÇÕES ARG: Alfonsín e Duhalde já assumiram a derrota

Mesmo antes da divulgação de qualquer resultado oficial, dois candidatos a presidência da Argentina já assumiram a derrota e felicitaram a presidenta reeleita Cristina Kirchner. Ricardo Anfonsín disse que ainda tem esperanças de "ganhar" o segundo lugar. Eduardo Duhalde só agradeceu. Nenhum deles parece abatido com a derrota.

ELEIÇÕES ARG: Quem é Hermes Binner, o 2º colocado

Hermes Juan Binner deve ser o segundo colocado nas eleições deste domingo aqui na Argentina. Ele é o principal nome do Partido Socialista e foi o primeiro governador de uma província eleito por esse grupo político.

É natural de Santa Fé, estado que governa, e começou a vida política muito jovem nas agremiações socialistas. É médico cardiologista por formação e foi prefeito de Rosário e deputado por Santa Fé.

A consolidação de Binner como segundo colocado demonstra a força do chamado modelo sulamericano de inclusão e reforma. Se as pesquisas estiverem certas, ele e Cristina Kirchner devem somar mais de 70% dos votos.

ELEIÇÕES ARG: Onde Cristina não venceu as primárias

Nas eleições primárias realizadas em agosto na Argentina a presidenta Cristina kirchner venceu com mais de 50% dos votos. Só que em um lugar muito específico ela não obteve a maioria dos votos. Na Base Marambio, na Antártica Argentina, o candidato Eduardo Duhalde foi o primeiro com 49% dos votos.

Lá existem 6 mesas eleitorais que reúnem os votos de 156 pessoas. Nas primárias, os militares e pesquisadores que estão no continente gelado deixaram CFK em terceiro lugar, atrás de Duhalde e Saá.

ELEIÇÕES ARG: A melhor capa de jornal de hoje

Sem dúvida a melhor capa entre todos os jornais argentinos nesse domingo é do diário La Voz Del Interior, de Córdoba. A presidenta Cristina Kirchner virou a Branca de Neve e os opositores, os anões, numa referência a vantagem gigante da atual líder.

ELEIÇÕES ARG: Google cria logo para eleições na Argentina

Desde a manhã de hoje quem acessa a página do Google na Argentina (www.google.com.ar) pode ver a logomarca criada pela empresa especialmente para as eleições. Ao clicar, o internauta é direcionado para uma página que busca as últimas notícias sobre o pleito.

ELEIÇÕES ARG: De La Rúa vota e pede desculpas

O ex-presidente argentino Fernando De La Rúa votou esta manhã no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, e voltou a pedir desculpas pelos erros do seu governo. De La Rúa presidiu a Argentina de dezembro de 99 até dezembro de 2001, quando deixou o cargo e um pepino gigante para os sucessores.

"Faz quase 10 anos que renunciei e se incomodei alguém, se cometi algum erro, peço desculpas para todos" afirmou o ex-presidente em entrevista ao canal C5N.

ELEIÇÕES ARG: Boca de urna confirma vantagem de CFK

Uma pesquisa de boca de urna divulgada no início da tarde deste domingo aqui em Buenos Aires confirma a tendência de que a atual presidenta Cristina Fernández de Kirchner será eleita em primeiro turno. Ela aparece com 56% dos votos, contra 15% de Binner, 9% de Saá 8% de Alfonsín e 8% de Duhalde.

Já outra, que obtive com uma certa exclusividade com a promessa de não dizer de onde saiu (só que veio de Córdoba), dá Cristina com 53%, Binner com 13%, Altonsín com 11%, Duhalde com 9% e Saá com 7%.

Os argentinos estão indo às urnas desde às 8h da manhã deste domingo. A votação acontece até às 18h. Serão eleitos, além da presidenta, 130 deputados, 24 senadores, 9 governadores e prefeitos. Dos 40 milhões de habitantes da Argentina, cerca de 29 milhões estão aptos para votar. No exterior, cerca de 50 mil eleitores votam nas embaixadas e consulados.

sábado, 22 de outubro de 2011

Lula sobre Cristina Kirchner e Dilma Rousseff

Veja o que o ex-presidente Lula fala sobre as presidentas Cristina Kirchner e Dilma Rousseff na inauguração da embaixada da Argentina em Brasília, ocorrida este ano.

Mausoléu de Néstor Kirchner será inaugurado dia 27

Na próxima quinta-feira, dia 27, quando se completa um ano da morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, será inaugurado um mausoléu em homenagem ao político na cidade de Río Gallegos. Nesta sexta-feira a filha do casar Kirchner, Florencia, foi até o local para acompanhar o andamento das obras. Os operários trabalham na finalização da fachada.

Provando o péssimo gosto dos argentinos por atos fúnebres, na próxima quinta-feira o corpo de Néstor será transladado do local onde está desde a sua morte (a cerca de 200 metros dali) para o mausoléu. A presidenta Cristina Kirchner e a família estarão presentes e o jornal argentino La Nación afirma que "vários presidentes latino-americanos confirmaram presença no ato", apesar da cerimônia ser reservada. Então, se surgir uma viagem inesperada e misteriosa para Dilma na semana que vem já sabemos onde ela estará...

ELEIÇÕES ARG: Cristina está em Río Gallegos

A presidenta Cristina Kirchner descansa desde ontem em sua casa em Río Gallegos junto com a família. Ela não participou de nenhum ato público na localidade, apesar do candidato a prefeitura local da Frente para la Vitoria ter feito o encerramento de sua campanha a poucas quadras da casa de Cristina.

Na foto do diário La Nación, a casa da família Kirchner em Río Gallegos.

Fito Paez e o "asco de metade de Buenos Aires"

Logo depois da eleição de Mauricio Macri para o governo de Buenos Aires, o cantor e compositor Fito Páez publicou um artigo em um jornal local criticando os eleitores argentinos. Entre as afirmações polêmicas, o cantor diz que sente asco de metade de Buenos Aires.

Esta afirmação gerou uma ação na justiça portenha que, felizmente, foi arquivada nesta sexta-feira, véspera das eleições presidenciais. O fiscal penal da cidade disse que por mais que as afirmações do músico possam ser consideradas injuriantes, elas não são suficientemente discriminatórias para justificar uma ação penal.

Mauricio Macri venceu o candidato da Casa Rosada, Daniel Filmus, por 19 pontos de diferença, para o governo da cidade de Buenos Aires. Fito Páez, por sua vez, é um kirchnerista. Quem quiser pode ler o artico de Fito aqui e tirar suas próprias conclusões.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pronto para outra: Chávez se diz curado

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que está recuperado do câncer. Em um pronunciamento oficial, ele afirmou que os exames feitos na última semana em La Havana não detectaram a presença de células malígnas.

O governante de 57 anos também disse que, apesar disso, continuará monitorando a saúde a cada quatro meses. Segundo ele, nos próximos meses vai começar um novo ciclo de recuperação mais rápido, mas não deu mais detalhes sobre o que isso significa. "Aqui chegou o novo Chávez", afirmou o venezuelano.

Como é de seu feitio, aproveitou a cadeia nacional de rádio e televisão para alfinetar os opositores dizendo que é mais fácil um burro passar pelo buraco de uma agulha do que a oposição ganhar uma eleição. Reafirmou que vai concorrer a um terceiro mandato em outubro do ano que vem.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Kadafi: mais uma 'vítima' dos EUA

A revolução na Líbia chega em um dia histórico. A captura e morte do ditador Muammar Kadafi com certeza vai mudar os rumos da revolução no país árabe. A questão é saber para onde? Foi-se o ditador e agora, o que fica?

No Egito, Mubarak foi obrigado a renunciar e deu lugar a uma junta militar que demora em marcar eleições democráticas. Os egípcios trocaram uma ditadura por outra. A Líbia contou com o apoio da OTAN e dos Estados Unidos para fazer a revolução e isso não me cheira bem.

Kadafi se junta ao grupo de líderes árabes defuntos, ao lado de Saddan e Osama. Todos foram, direta ou indiretamente, mortos pelos Estados Unidos.

O futuro da Líbia é um grande ponto de interrogação. O governo transitório está instalado, mas ninguém garante que será tão transitório assim. A ilusão de que o povo derrubou Kadafi e que o povo vai governar impera no mundo todo. Resta saber se isso será bom. Lembrem-se: não há nada tão ruim que não possa piorar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Cristina Kirchner encerra campanha

Com um discurso no Teatro Coliseo, no centro de Buenos Aires, a presidenta encerrou nesta quarta-feira a campanha pela reeleição. Com uma plateia formada por governadores, prefeitos, deputados, senadores e, em especial, pelos dois filhos e pela mãe dela, Cristina subiu ao palco às 19h30.

Antes disso, porém, outras cenas me chamaram a atenção na Praça Liberdade: ao chegar, muito cedo, já havia muita gente. Ao contrário dos comícios brasileiros, os argentinos vendem bandeiras, bonés, bótons e outros artigos dos candidatos. Havia famílias inteiras, muitos jovens e também alguns idosos. Ao me deslocar até o local onde deveria retirar a credencial de imprensa me deparei com o primeiro contato com os jornalistas argentinos e o que posso dizer é que são tão carentes de boa educação quanto os cariocas. Empurram - mas empurram mesmo, forte -, gritam como loucos... Isso me deixou tão irritado que entrei no teatro, fiquei lá por menos de 20 minutos e decidir sair para ver o discurso de Cristina do lado de fora, no meio do povo. O povo é mais educado.

Antes do discurso, a organização passou todos os spots eleitorais da campanha. Também uma mensagem gravada por atletas argentinos que estão em Guadalajara representando o país nos Jogos Panamericanos que arrancou fortes aplausos do público.

Cristina começou a falar já muito emocionada. Com ela no palco estavam os protagonistas dos comerciais da campanha e que Cristina fez questão de dizer como conheceu um por um. São argentinos comuns, como a senhora que conquistou a casa própria ou a jovem cientista que estudava na Alemanha e queria voltar ao país.

Durante sua fala, a presidenta não citou nenhuma vez o nome do marido e ex-presidente Néstor Kirchner. No entanto, se referiu a "él" infinitas vezes, quando parecia muito emocionada (vale lembrar que na semana que vem a morte de Néstor completa 1 ano). Numa dessas referências, lembrou que foi "él" quem disse um sonoro não à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e questionou: "E se não fosse ele o presidente?".

CFK repassou alguns feitos dos últimos oito anos e deu especial destaque para a economia. "Pela primeira vez podemos pensar a médio e longo prazo", disse. Também criticou os sindicatos, com quem vem tendo pequenos atritos. "Peços aos homens e mulheres que são identificados com esse projeto que deixem de lado as questões menores. Peço que sejam inteligentes".

A presidenta também defendeu fortemente a soberania da América do Sul. "Vamos ser a região protagonista do século XXI", disse. Pouco depois, fez uma crítica indireta ao ex-presidente uruguaio Tabaré Vazquez que, recentemente, disse que temeu entrar em guerra com a Argentina: "Estamos sempre resolvendo nossos problemas sem recorrer a outras formas".

Neste momento eu estava cercado de senhoras de idade, homens engravatados, crianças fantasiadas de pinguins (Néstor era chamado de pinguim) e foi quando comecei a sentir um forte cheiro de maconha. Nada demais, somente para pontuar mais essa indício de liberdade...

Por fim, Cristina disse que não é imparcial e que sempre vai trabalhar por políticas de inclusão social e defender os mais necessitados. Foi quando arrancou mais aplausos do público. Emocionada e aos gritos, a presidenta encerrou o discurso ao som da música 'Dar es dar' do Fito Paez, algo que me surpreendeu.

Já vi vários discursos de Cristina na televisão ou na internet e preciso dizer que esse foi um dos mais fracos. Talvez por ter sido o primeiro que vi ao vivo e estava cheio de expectativas. O fato é que o discurso deixou a desejar para um encerramento de campanha.

Kirchnerismo para Armar

Ontem fui à apresentação de um livro chamado "Kirchnerismo para Armar". Trata-se de um copilado de 26 depoimentos de jovens argentinos sobre como o movimento iniciado por Néstor Kirchner mudou a história do país. Participaram do evento, entre outros, o sociólogo Artemiro Lópes, o jornalista Jorge Dorio e o integrante do programa Duro de Domar, Matías Castañeda. Na apresentação, realizada no Centro Cultural Caras y Caretas no boêmio bairro de San Temo, ouvi coisas muito interessantes. Entre elas, a opinião unânime de que nem Néstor tinha noção do movimento que iria criar ao conseguir colocar a Argentina nos eixos depois da grande crise de 2001.

Ouvindo aquelas pessoas falando sobre as mudanças feitas pelo governo de Néstor e de Cristina é fácil entender porque as pesquisas apontam uma vitória fácil da atual presidenta no próximo domingo. Vale aqui fazer uma observação: a vantagem é tão grande que até virou piada entre os peronistas. Um dos escritores disse: "Este livro fala das mudanças feitas nos últimos 8 anos e que, não sei, podem continuar acontecendo nos próximos 4 anos... não sei como estão as pesquisas. Parece que não estamos muito bem...". Todos riram.

O fato é que Néstor Kirchner iniciou uma nova era na política argentina. Mais do que arrumar a casa, ele conseguiu mobilizar os jovens. Hoje, são esses os principais protagonistas da política nesse país. É impressionante a mobilização, o orgulho com o qual agitam as bandeiras azuladas e a união em momentos decisivos. Trata-se de algo de dar inveja.

Em 2001 a Argentina estava quebrada, fodida e mal paga, como dizemos. Um dos textos do livro é de uma jovem que, na época, trabalhava como telemarketing de festas. Ela ligava para as casas das pessoas convidando para eventos festivos. A jovem conta que muitas vezes teve que ouvir discursos do outro lado da linha de gente indignada: "Você sabe o que está acontecendo no nosso país e está me convidando para festa? Não tenho o que comemorar!" Ou algo neste sentido (ainda não li o livro).

A Argentina mudou para melhor graças à coragem do casal Kirchner. Néstor e Cristina compraram brigas com setores importantes, como o ruralista e a Igreja Católica. A aprovação do matrimônio igualitário, que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo, só foi possível por essa coragem. O assunto ainda é um tabu em muitos países - inclusive no Brasil, onde não há um líder com tanta coragem para levar a proposta para frente.

Por tantos feitos representativos para o povo argentino, é possível - como disse um dos painelistas - sugerir um outro nome para o livro: Kirchenerismo para Amar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eva Perón: simplicidade até na morte

Hoje fui ao Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. Neste local estão sepultados ex-presidentes, militares, intelectuais, escritores... enfim, quase todas as pessoas que fizeram diferença na formação política e cultural da Argentina.

Sem dúvida o grande chamativo turístico do cemitério é o mausoléu da Família Duarte. Lá está sepultada María Eva Duarte de Perón.

Quando um turista desavisado toma conhecimento disso, imagina que se trata de um mausoléu gigante, imponente e fácil de ser localizado entre os túmulos. Engano. O mausoléu onde estão os restos mortais de Evita Perón é um dos mais simples do local e está em um ponto nada nobre. Para localizá-lo alguns turistas encontram dificuldades até com um mapa na mão.

Fiquei alguns minutos sentado em frente ao mausoléu enquanto observava americanos, ingleses, brasileiros, alemães encontrando o local. Em 30 minutos parado por ali, mais de 10 grupos desprovidos de guia me perguntaram se era aquele o túmulo de Eva Perón. Quando eu respondia afirmativamente, os comentários sempre eram sobre a simplicidade do jazigo.

ELEIÇÕES ARG: Cristina agradando gregos e troianos

Ontem, segunda-feira, foi o comemorado pelos peronistas o Dia de la Lealtad. A data lembra o dia 17 de outubro de 1945, quando trabalhadores e sindicalistas foram para as ruas de Buenos Aires exigir a libertação do coronel Juan Domingo Perón.

Às vésperas da eleição presidencial, o dia da lealdade foi marcado por comemorações discretas, ao contrário de anos anteriores. A presidenta Cristina Kirchner não quer, de maneira nenhuma, promover aglomerações nesta semana.

Em um dos eventos dos quais participou, Cristina discursou lembrando Perón e Eva. Em outro ponto, o atual líder da maior central sindical argentina também discursou e os jornais de hoje destacam as semelhanças entre as falas de ambos.

Também ontem, Cristina se reuniu com ruralistas. Ao término do encontro eles chegaram a dizer que conquistaram grandes avanços e, prova disso, é que o jornal direitoso Clarín de hoje destaca o fim do impasse entre o governo e os fazendeiros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por que os argentinos odeiam Isabelita Perón?

Desde que cheguei em Buenos Aires busco a resposta para essa pergunta. Isabelita Perón foi a terceira esposa do presidente Juan Domingo Perón. Antes dela, o político casou com uma professora - que morreu de câncer uterino - e com Eva Perón - que também morreu de câncer de útero e é amada e idolatrada pelos argentinos.

María Estela Martínez conheceu Perón no Panamá e casou com ele em 1960. Foi secretária pessoal do político e o acompanhou no exílio na Espanha, depois de ser deposto e preso pelos militares. De volta à Argentina, em 73, Perón foi candidato a presidência e venceu com mais de 60% dos votos tendo Isabelita como vice. Quando concorreu, Juan Domingo Perón já estava doente. Acabou morrendo no ano seguinte e coube a Isabelita o papel de comandar o país. O governo de Isabelita durou dois anos, dando lugar, em 76, a uma junta militar.

Até agora ouvi várias opiniões sobre o motivo pelo qual os argentinos odeiam a pessoa que foi a primeira mulher a presidir uma país sul-americano. Dizem os livros de história que havia um ministro chamado José López Rega que exercia muita influência sobre a presidenta e conseguia fazer predominar os interesses da direita peronista. Dizem que foi este homem que fundou, com dinheiro desviado do governo, um grupo conhecido como triple A. Tratava-se de uma espécie de grupo paramilitar que caçava comunistas. Foi responsável por perseguições, torturas e assassinatos. O governo Isabelita Perón, apesar de curto, foi um desastre também para a economia. Não vou entrar em detalhes porque não tenho conhecimento mais aprofundado sobre esta parte econômica.

Sabendo isso, até é possível entender o rancor dos argentinos. É preciso se imaginar na época: Juan Domingo Perón, o maior herói argentino, estava de volta ao país depois de uma das ditaduras mais violentas do continente. Ele representava a esperança de mudanças para o país. Tanto que obteve esmagadora maioria de votos nas eleições. Então, eleito, morre e a Argentina é entregue nas mãos de uma mulher inexperiente e até então quase desconhecida. Ela, despreparada, se deixa influenciar por outras pessoas. A frustração deve ter sido gigante. Nem mesmo o fato de ser esposa de Perón consegue apagar o mal que fez à nação argentina.

O que eu, particularmente, questiono é que Isabelita só existiu para a política por causa de Perón. Foi ele quem a transformou em vice-presidente e, possivelmente, sabia que estava doente e que ela poderia assumir o país caso ele morresse, como aconteceu. Então, na minha opinião, é um pouco de exagero crucificá-la só por ter sido incompetente e esquecer que foi o grande herói da nação, Juan Domingo Perón, o responsável pela existência para a vida política de Isabelita.

O fato é que os argentinos veem Isabelita como uma oportunista que casou com Perón já velho e quase morto para chegar ao poder. Para eles, o caudilho foi enganado pelo amor por uma mulher perversa. Pode ser... quem duvida?

domingo, 16 de outubro de 2011

Cinzas do vulcão Puyehue cobrem o céu de Buenos Aires e cancelam voos

Todos os voos do Aeroparque e alguns de Ezeiza foram cancelados neste domingo devido às cinzas do vulcão chileno Puyehue. Desde o meio dia o céu de Buenos Aires está coberto por uma nuvem que esconde o sol e é possível ver o acúmulo de cinzas em vários locais.

A situação é preocupante segundo o secretário de transportes argentino, Juan Pablo Schiavi. Em entrevista à televisão C5N ele disse que isso não é algo que se pode prever. "Precisamos que a nuvem de cinzas passe", disse.

Voos para São Paulo e para o Rio de Janeiro foram cancelados nos dois aeroportos. Segundo o jornal argentino Clarín, em Santiago e em Montevidéu também há voos cancelados.

As cinzas do vulcão Puyehue, que este ano já causaram um verdadeiro caos aéreo na Argentina, também afetam o trânsito. As autoridades argentinas estão recomendando, por exemplo, que os motoristas trafeguem a 25km/h na Autopista Buenos Aires-Cañuelas e em outras ruas.

ELEIÇÕES ARG: Casa Rosada

Há uma semana das eleições, na manhã deste domingo, estive no centro do poder argentino: a Casa Rosada. Todos os finais de semana o palácio do governo é aberto à visitação pública guiada. Do lado de fora a "casa salmão", eu diria, está repleta de turistas tirando as mesmas fotos. Ao entrar, a primeira galeria possui fotos de "grandes líderes latinos". Neste local é possível ver grandes quadros de Eva Perón, Simón Bolívar, Che Guevara, José Artigas e - acreditem - Getúlio Vargas.

Ao iniciar o passeio, o guia Santiago mostra aos turistas os vários salões dentro da Casa Rosada. O primeiro é o Salão Azul, onde o líder da nação costuma receber políticos internacionais. Neste local há quadros de pintores argentinos. Depois, uma sala dedicada à obra Martín Fierro, do poeta José Hernández. Este personagem é a síntese do gaúcho.

O próximo salão foi uma invenção da presidenta Cristina Kirchner para homenagear as mulheres que fizeram história. Grandes fotos de Eva Perón, Mercedes Sosa e outras mulheres menos conhecidas no resto do mundo. No entanto, foi aqui que senti uma ausência: Isabelita Perón não está nesta sala. Santiago, o guia, me explicou que as personagens da sala foram escolhidas pela própria presidenta e Isabelita não é, necessariamente, alguém muito querida na Argentina. Tanto que vive num auto-exílio na Espanha há décadas. É incrível como a primeira mulher a ocupar a presidência de um país na América do Sul não está nesta sala dedicada justamente às mulheres que fizeram história... Pois é, argentino quando pega raiva de alguém vai até a morte. E Isabelita segue viva.

Seguindo o passeio, o lugar mais aguardado, pelo menos por mim: o gabinete da presidenta CFK (foto ao lado). Foi deste lugar que Cristina fez, entre outros, o emocionado depoimento à nação logo após a morte do marido Néstor Kirchner. Me chamou a atenção a existência de uma lareira no local... A presidenta pode até passar apertos, mas frio não passará nunca.

O salão dos espelhos, local que antigamente era usado para empossar os presidentes eleitos, é o canto mais bonito da Casa Rosada. No alto, um lustre de mais de uma tonelada. Na janela ao lado, uma vista linda do centro de Buenos Aires. Pinturas gigantes nas paredes e no teto.

Por fim, a sacada da Casa Rosada, um lugar emblemático. Foi deste balcão que o presidente Juan Domingo Perón fez seu último discurso à população antes de morrer. Também foi dali que o Papa João Paulo II falou aos argentinos e que Diego Maradona comemorou o título mundial de 86 (se não me engano).

Ao contrário do que muitos pensam, a Casa Rosada não é mais a residência oficial do chefe de estado. Só Roque Sáenz Peña morou ali quando foi presidente entre os anos de 1910 e 1914. Depois, a residência dos presidentes foi transferida para Olivos.

Ah, quase esqueci: o clima das eleições. Foi de propósito, pois esse quase não existe. Não sei se por causa do dia das mães, comemorado neste domingo na Argentina, ou da vitória certa de Cristina, me parece que - tirando alguns cartazes espalhados pela rua - a Argentina nem dá mostras de que está às vésperas de uma eleição geral.

ELEIÇÕES ARG: Primeiras impressões em Buenos Aires

Cheguei em Buenos Aires no início da noite deste sábado e, por aqui, ao contrário do que eu pensava, parece que o clima de eleição não contagia a todos. No caminho do aeroporto de Ezeiza até o hotel onde estou tive tempo de conversar com o taxista sobre política. Ele não parecia muito empolgado e resumiu toda a conversa dizendo que Cristina vai ganhar com facilidade. No entanto, fez uma observação interessante: ponderou que quando a Argentina passava por uma crise terrível em 2001 nenhum desses candidatos a presidência se propôs a assumir o país e que hoje o eleitor não lembra disso.

Pelas ruas do boêmio bairro de San Telmo, onde fui beber uma Quilmes acompanhado de um novo amigo alemão que não fala espanhol, é possível ver alguns cartazes com o rosto de Cristina. E só. Nada de grandes mobilizações, nem bandeiras, nem nada.

Na televisão e nas rádios, no entanto, a presença de Cristina é marcante. Em todos os intervalos comerciais ela aparece e tem, de longe, os melhores spots eleitorais.

Hoje, domingo, é o Dia das Mães na Argentina. A data, obviamente, parece ser mais lembrada do que as eleições que se aproximam.

Amanhã, mais impressões.

sábado, 15 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: CFK quer sossego na reta final da campanha

Líder nas pesquisas, só um desastre pode tirar a vitória já no primeiro turno da atual presidenta da Argentina Cristina Fernández de Kirchner. É justamente por medo disso que, mesmo antes dos problemas de saúde e do falecimento do marido de Alicia Kirchner (cunhada de Cristina), a presidenta se recolheu e evita promover grandes atos na reta final da campanha.

O jornal La Nación noticia, por exemplo, que Cristina ordenou ao governador de Buenos Aires, Daniel Scoli, que cancelasse um ato de campanha previsto para este sábado. A regra é clara para os kirchenistas: evitar grandes aglomerações de público na última semana da campanha eleitoral.

Cristina Kirchner navega numa lagoa, sem enfrentar quase nenhum problema, rumo ao segundo mandato como presidenta. E ela quer evitar que tempestades programadas possam atrapalhar os seus planos de vitória já no próximo dia 23.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Alfonsín é o primeiro a admitir a derrota

Ricardo Alfonsín, candidato pela Unión Cívica Radical a presidente da Argentina, deu duas declarações curiosas nesta sexta-feira. Primeiro, admitiu que Cristina Kirchner vai ganhar. Em um spot eleitoral o candidato fala diretamente para a atual presidenta e diz que não crê na gestão dela. Veja o vídeo:



A outra declaração foi dada em entrevista ao jornal Clarín que acompanhou o candidato num dia inteiro em campanha. Ela vale aqui apenas pela curiosidade. Disse ele: “Em campaña estás mal dormido, mal comido y otras cosas más.”. Eu ri, desculpe.

ELEIÇÕES ARG: Duhalde contra o casamento gay

A Argentina é um dos países da América do Sul mais avançado quando o assunto são os direitos dos homossexuais. Por lá, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado em 2010 pelo Congresso. Só que nem todos parecem estar alinhados com a defesa de direitos iguais para todos os grupos.


Nesta sexta-feira, 9 dias antes das eleições presidenciais, o candidato da Frente Popular, Eduardo Duhalde, se declarou contra o casamento gay. "Las personas homosexuales tienen derecho a constituir uniones civiles, pero matrimonio no", disse. Não satisfeito, ainda condenou também o aborto, que classificou como “assassinato”.


O candidato, que tem no currículo a vice-presidência na gestão de Carlos Menem e 1 ano ocupando o cargo de presidente, tenta desesperadamente conquistar os votos dos eleitores mais conservadores. Isso é justificável, pois nas eleições prévias ele foi o segundo colocado e na última pesquisa aparecia em quinto lugar. Duhalde está indo ladeira a baixo e está desesperado.


Como ele sabe que atacar a atual presidente Cristina Kirchner, que goza de alta popularidade, não é uma atitude lá muito inteligente, escolheu o candidato a vice-presidente, Amado Boudou, como alvo. Ele diz que o atual ministro da economia é “um DJ” que toca a música e não percebe que “la noche” está chegando.


Na Universidad Austral, falando para alunos afirmou que não é nem de direita, nem de esquerda. Também assinou um acordo, chamado “Protocolo por la Vida”, elaborado pela Associação Cristã de Igrejas Evangélicas da Argentina.

ELEIÇÕES ARG: Quem são os candidatos a presidência da Argentina?

Saiba quem são os candidatos nas eleições presidenciais do próximo domingo, dia 23 de outubro, na Argentina:

Cristina Kirchner: atual presidenta, foi eleita em 2007 depois de 4 anos de mandato do marido, Néstor Kirchner, que morreu no ano passado. Até agora, é favorita e aparece em todas as pesquisas com mais de 50 por cento das intenções de voto.

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Ricardo Alfonsín: advogado, professor e atualmente deputado, Alfonsín é o candidato pela Unión Cívica Radical. Ele é filho do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, que morreu em 2009. Nas primárias (etapa da eleição que elimina os candidatos que não atingem 1,5% dos votos), ficou em segundo lugar, com 12%. Nas últimas pesquisas caiu para a terceira posição com cerca de 10%.

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Eduardo Duhalde: ele já teve o gostinho de presidir o país de janeiro de 2002 a maio de 2003. Duhalde é um típico político que o passado condena, pois foi vice-presidente na chapa do famoso Carlos Menem (o Maluf argentino). Assumiu a presidência no período mais crítico da Argentina e nada conseguiu fazer. Nas primárias ficou com 12% dos votos e nas pesquisas caiu para a quinta posição (em algumas) com 7%.

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Hermes Juan Binner: atual governador de Santa Fé, pelo Partido Socialista, é o candidato que mais cresceu desde as primárias. Ficou em quarto lugar, com 10% dos votos e, agora, nas pesquisas, aparece em segundo com cerca de 14%, ainda longe de ameaçar Cristina.

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Alberto Rodríguez Saá: com 8% nas primárias, segue com a mesma porcentagem nas últimas pesquisas. É advogado e atual governador de San Luis desde 2003. É de uma família tradicional dessa província, os Rodríguez Saá e tem na árvore genealógica o revolucionário Juan Saá.

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Elisa 'Lilita' Carrió: deputada, Lilita é obstinada em ser presidente da Argentina. Fundou um partido, o Coalición Cívica e já foi candidata em outras duas ocasiões. Em 2003 perdeu para Kirchner e teve cerca de 14% dos votos. Em 2007 perdeu para Cristina e teve impressionantes 23% dos votos. Para azar dela, na última pesquisa aparece só com 2% e, apesar de mulher e de persistente, não deve ameaçar ninguém.

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Jorge Altamira: 2,4% dos argentinos votaram no comunista Altamira para presidente da Argentina. Esse é outro persistente e, para facilitar, podemos compará-lo com o Rui Pimenta, do PCO, que sempre é candidato nas eleições presidenciais do Brasil. É o principal nome do Partido Obrero, dos trabalhadores. Preparado, fala português, francês, inglês, italiano e, claro, espanhol. Na última pesquisa apareceu com 1,8%.

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Nas primárias, três candidatos não chegaram a 1,5% dos votos e, por isso, foram eliminados: Alcira Argumedo, Sergio Pastore e José Bonacci.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: A baixa pressão de Cristina

A partir deste final de semana estarei na Argentina para, entre outras coisas, acompanhar as eleições que devem consagrar o sucesso das gestões K. Cristina Kirchner, atual presidenta, tem 55% das intenções de votos e deve ganhar já no primeiro turno. Os outros 45% se dividem em pequenas parcelas entre os outros candidatos. Nenhum deles oferece risco para a candidata K no primeiro turno.

Só que Cristina corre o risco de não poder comemorar esta vitória como gostaria. Primeiro, porque ela segue de luto já que Néstor Kirchner morreu há pouco tempo. Segundo, os constantes problemas de saúde da presidenta podem obrigá-la a ficar em repouso por mais tempo do que gostaria. Só este ano, Cristina recebeu atendimento médico três vezes por conta da pressão baixa.

Para CFK (Cristina Fernández de Kirchner), a pressão é baixa também no sentido figurado. O governo atual segue os passos do anterior, de Néstor, e tenta colocar o país nos trilhos depois dos governos desastrosos da era pós-Menem no início desse século. Como a Argentina estava quebrada, nem os opositores se sentem tão à vontade assim para cobrar do atual governo um desenvolvimento como o que aconteceu com o Brasil nos últimos 10 anos.

A Argentina já foi o grande país da América do Sul. Perdeu o posto para o Brasil e os primeiros a admitirem isso são os próprios argentinos. Conversando com alguns, a opinião é unânime: “temos que seguir os passos do Brasil!”.