segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Não se sente política no Chile

Depois de passar um período altamente efervescente politicamente em Buenos Aires, vim para Santiago achando que encontraria também no Chile esse sentimento que domina o povo argentino. Infelizmente, não foi assim.

Como o movimento estudantil está muito forte por aqui, cheguei até a procurar um protesto que eles fariam na Plaza de Armas, mas não encontrei. Fora isso, apenas vejo pelas ruas algumas inscrições políticas, a maioria com veias humorísticas (foto ao lado), mas não há discussão. Na Argentina, basta entrar num táxi para ter uma aula de política. Aqui, ninguém fala nada.

Não sinto no povo chileno esse desejo de participar, de mudar as coisas, de ser responsável por algum futuro melhor para o país. Na verdade, nesse ponto eles são similares aos brasileiros, que também não estão nem aí para o que se passa na política.

Sobre a solidariedade chilena

Se tem uma coisa que posso falar desses primeiros dois dias no Chile é do desejo fumegante desse povo para ajudar os outros. Os chilenos são solidários demais, estão sempre dispostos a indicar um caminho, dar uma informação e encerrar o diálogo com um sorriso no rosto.

Só deste domingo, posso citar três exemplos disso: o primeiro é que quase todos os carros que vejo circulando pela rua têm uma inscrição no painel traseiro em apoio ao Teleton. Sim, o mesmo Teleton que o SBT leva ao ar tem aqui. Aliás, nasceu aqui. Mas o fato é que percebe-se, caminhado pela rua, que trata-se de uma campanha que - diferentemente do Brasil - envolve as pessoas!

O segundo exemplo da solidariedade chilena aconteceu em Viña del Mar, depois que já havíamos nos perdido várias vezes, encontramos a praia e deixamos o carro estacionado em uma praça. Quando voltamos, a bateria estava morta. Um desespero inicial e, quando estávamos prontos para ligar para o seguro, surge um casal de uns 50 anos que responde ao nosso pedido e diz que pode fazer uma "ponte", ou chupeta, no carro. O processo todo levou alguns minutos e enquanto a bateria carregava, ficamos conversando com o casal. Eles contaram muitas coisas, entre elas que têm três filhos, que o marido já morou no Rio de Janeiro e que estão comemorando 37 anos de casados.

O terceiro exemplo foi em outra cidade. Saímos de Viña del Mar e fomos para Valparaíso procurar a casa do poeta Pablo Neruda que queríamos conhecer. Achar esse local foi uma missão difícil. Só conseguimos depois que, passando pelo menos local pela terceira vez, um outro casal de meia idade se dispôs a ajudar. O detalhe é que eles explicavam onde era e nós não entendíamos. Até que mandaram seguí-los e nos deixaram exatamente em frente à casa de Pablo Neruda. Muito simpáticos, dispostos e queridos e nós sem palavras para agradecer pela ajuda... Sensacional.

São três pequenos exemplos de quem ficou apenas dois dias por aqui, mas já fez coisas suficientes para sentir esse calor e recepitividade do povo do Chile. E, como disse o senhor que fez a chupeta na nossa bateria, "bienvenidos al Chile!".

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Chile: o movimento estudantil ganha força na América Latina

Estou a caminho de Santiago do Chile, o centro efervescente do movimento estudantil que aos poucos está se multiplicando pela América Latina. A mobilização que começou na Universidad del Chile para exigir do governo de Sebastián Piñera educação superior pública e de qualidade agora se espalha por outros países com motivos parecidos.

Nesta quinta-feira aconteceram mobilizações em várias cidades, entre elas Bogotá, na Colômbia, e Montevidéu, no Uruguai. Os estudantes colombianos foram para as ruas e conseguiram reunir 20 mil pessoas. Os uruguaios, bem menos que isso: cerca de 50.

Na Colômbia os estudantes já obtiveram uma vitória importante. Fizeram com que o presidente Juan Manuel Santos retirasse do legislativo um projeto de reforma na educação. Lá eles também exigem educação pública para todos. No Uruguai, os universitários saíram apenas para apoiar os companheiros dos outros países.

O interessante de ser analisado é que os dois países onde o movimento é mais forte são governados por partidos de direita. Juan Manuel Santos, na Colômbia, e Sebastián Piñera, no Chile, são os únicos presidentes latino-americanos com discurso afinado com os Estados Unidos, por exemplo.

Nos próximos dias, de Santiago, as impressões sobre o movimento estudantil, do qual pretendo participar.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lula tira a barba e raspa o cabelo, mas deixa bigode

Dona Marisa Letícia raspou o cabelo e fez a barba do ex-presidente Lula nesta quarta-feira. A foto foi divulgada pelo site icidadania.org, que caiu de tantos acessos.

Opinião pessoal: ficou bom.


Contra a “cultura do ódio”, Benetton faz opositores trocarem selinhos

A nova campanha da United Colors of Benetton contra a cultura do ódio foi lançada mundialmente nesta quarta-feira e causou polêmica de imediato. A campanha apresenta fotomontagens dos principais líderes mundiais opositores se beijando na boca.

Barack Obama e Hugo Chávez super apaixonados.


Sobrou até para o Papa Bento XVI, que aparece beijando Mohamed el-Tayeb, imã da mesquisa de Al-Azhar, no Cairo.


O palestino Mahmoud Abbas e o premiê de Israel Benjamin Netanyahu.


Kim Jong-il, da Coreia do Norte, e Lee Myung-bak, da Coreia do Sul.


Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, o único casal hétero da campanha.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

A volta de Chávez

No último final de semana, Hugo Chávez fez o primeiro discurso em praça pública depois do tratamento contra o câncer. O presidente venezuelano falou durante pouco mais de uma hora. O discurso completo:


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Argentina é melhor que o Brasil

Muito além da discussão "Maradona ou Pelé", a Argentina demonstra com fatos que está muito a frente do Brasil em vários aspectos. Primeiro, porque duvido que vá haver um nacionalista brasileiro que fique indignado com esse texto. Aqui impera a lei de que a grama do vizinho é mais verde, sempre. Se fosse publicado em qualquer blog argentino, por mais insignificante que fosse, um texto afirmando que o Brasil é melhor que a Argentina, milhares de pessoas ficariam indignadas e defenderiam a nação.

A Argentina pode até não ser mais bonita que o Brasil. O povo brasileiro pode ser mais caloroso, mais alegre e uma infinidade de coisas. Mas quando se discute os avanços em questões importantes, os hermanos nos ganham com facilidade. Neste momento, por exemplo, os lesgisladores argentinos discutem dois assuntos: a legalização do abordo e a igualdade de gênero. O primeiro, um tabu para o Brasil. Não sei se estarei vivo o dia que o abordo for discutido na Câmara ou no Senado brasileiros. O segundo, um projeto que beneficia travestis e trans com a possibilidade de mudar de nome e gênero perante a Lei.

Além desses dois assuntos importantíssimos em fase inicial de discussão, a Argentina tem feitos que comprovam essa maturidade que defendo: No ano passado o país aprovou o matrimônio igualitário, possibilitando a casais do mesmo sexo que se casem e tenham os mesmos direitos que os casais héteros; Cenário da ditadura mais agressiva da América, a Argentina anulou a lei que anistiava os criminosos dessa época e eles estão sendo condenados; O Governo de Cristina Kirchner enfrentou o Grupo Clarín e aprovou a chamada Lei de Meios, que trata sobre a democratização dos meios de comunicação; Os argentinos têm pessoas de quem sentir orgulho na política, como os ex-presidentes Néstor Kirchner e Juan Domingo Perón, idolatrados pelos peronistas; Para quem gosta de futebol, lá qualquer emissora de televisão pode transmitir as partida dos campeonatos nacionais sem pagar nada e, principalmente, sem privilégios.

Poderia fazer uma lista interminável de motivos para acredita que a Argentina é melhor que o Brasil, mas prefiro contrariar o meu próprio título e acreditar que eles estão apenas mais avançados e que, um dia, nós vamos chegar lá. É muito difícil acreditar de verdade nisso, mas foi acreditando que eles conseguiram. Um dia vamos deixar de ser os retardatários entre os países em desenvolvimento.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brasileiro assassinato por milicos argentinos receberá homenagem em BsAs

O pianista Francisco Tenório Júnior estava em Buenos Aires acompanhado por Vinícius de Moraes e Toquinho fazendo uma temporada de shows. No dia 18 de março de 1976, apenas 6 dias antes da mais ferrenha ditadura ser instaurada na Argentina, o músico saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi confundido com um guerrilheiro de esquerda e preso pelos milicos. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, um oficial da Marinha afirmou que, quando se deram conta do engano, já era tarde demais porque Francisco estava muito machucado e viu o rosto dos torturadores. Foi assassinato com 35 anos.

Essa história era completamente desconhecida para mim, como a maioria dos fatos que envolvem esse tipo de assunto no Brasil. Foi publicada pelo jornal citado acima talvez somente porque se refere à ditadura do país vizinho... Mas não vou entrar nesse mérito. Seguindo:

A novidade – o mesmo jornal informa – é que Francisco Tenório Júnior receberá uma homenagem dos legisladores da cidade de Buenos Aires. No próximo dia 16 de novembro, quarta-feira que vem, será inaugurada uma placa em frente ao hotel onde o músico estava hospedado.

A história também está sendo contata no cinema no documentário “El Embrujo de Shangai” que, segundo o jornal, está em fase de edição. A reportagem informa ainda que “a filha mais velha de Tenório, Elisa Cerqueira, conta que foram encontrados arquivos inéditos do músico, que serão editados junto com o filme.”

A família do brasileiro já foi indenizada pelo governo portenho, mas esta homenagem deve ser recebida como um pedido de desculpas. A Argentina tem vergonha do seu passado de repressão e está tentando de todas as formas reparar esses erros. Insisto que espero, do fundo do coração, que tudo o que está acontecendo no país vizinho no que diz respeito à ditadura seja tomado como exemplo pelas autoridades brasileiras. Um país que não passa o seu passado a limpo não pode almejar um futuro melhor.

A reportagem do jornal Folha de São Paulo que revelou essa história é da correspondente em Buenos Aires Sylvia Colombo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O assassinato de Alfonso Cano e a busca pela paz

Na última sexta-feira à noite o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Alfonso Cano, foi assassinado pelo Exército colombiano em uma operação que envolveu mais de mil soldados contra 14 membros das FARC. Cano era o líder intelectual da guerrilha. Fiquei sabendo da notícia pelo Twitter e fui logo assistir à TV colombiana para saber das repercussões. O que ouvi e vi foram discursos de luta pela paz e comemorações por parte dos aliados do presidente Juan Manuel Santos.

Acredito que uma morte nunca deve ser comemorada e não sei que paz é essa que o Governo está buscando através da guerra. Fiz uma rápida pesquisa na internet e encontrei o último vídeo divulgado por Alfonso Cano. Nele, o guerrilheiro faz um apelo ao presidente para iniciar um diálogo.

Alfonso Cano é acusado de muitos crimes, entre eles homicídios. Por isso é chamado de assassino pelos militares colombianos. No entanto, veja a contradição, segundo os discursos dos próprios comandantes das Forças Armadas da Colômbia, cano foi morto por heróis. Só faltou dizerem: “ele assassina, nós eliminamos o mal”.

Ainda na madrugada de sexta para sábado o presidente Juan Manuel Santos fez um pronunciamento sobre a morte do guerrilheiro e ameaçou os que continuam nas FARC: “Desmobilizem-se ou acabarão em uma cadeia ou em uma tumba!” A imprensa – brasileira e estrangeira – interpretou essa fala como um “convite” do presidente para que as FARC abandonem a luta armada. Para mim isso foi uma ameaça. E ameaça de morte!

Para encerrar este assunto – que tanto relutei em escrever por temer ser taxado de defensor de assassinos – acredito que quem mata um ser humano deve ser condenado por isso. Mas isso não significa que tenha que ser assassinato também. Isso seria voltar às nossas raízes mais primitivas. Temos justiça e ela pode até tardar para alguns, mas em casos de grande repercussão costuma ser rápida. Alfonso Cano, assim como Osama e Kadafi, não deveria ter sido assassinado. Os três deveriam ser julgados pelas leis dos seus respectivos países. Se nos seus países existisse pena de morte e, como no caso de Saddan, eles fossem condenados, azar o deles...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Candidatos opositores na Venezuela

Fiquei muito surpreso ao conhecer os rostos do candidatos da oposição na Venezuela. Esses quatro aí vão disputar eleições primárias em fevereiro do ano que vem e um deles será o representante da oposição para disputar a presidência com Hugo Chávez em 7 de outubro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Piñera: enterrado vivo

O empresário e economista Sebastián Piñera assumiu a presidência do Chile em março do ano passado com a responsabilidade de suceder uma presidenta que deixava o poder sem a possibilidade de tentar a reeleição apesar de uma popularidade tão alta quanto a de Lula no Brasil. Michelle Bachelet, depois de apenas um mandato, deu por encerrado o seu ciclo de contribuições para o país. Ela é considera uma socialista moderna, seja lá o que isso queira dizer...

O Chile mudou radicalmente de comando. De uma socialista, mesmo que "moderna", para um economista, capitalista e de direita. O peso nas costas de Sebastián Piñera era muito grande e qualquer pessoa, mesmo não sendo um analista político, poderia supor que o governo dele não conseguiria bases firmes para um eventual apoio à proposta de criação de reeleição. Hoje, no Chile, o presidente é eleito para 4 anos sem possibilidade de concorrer ao final do mandato.

Logo depois de assumir, Piñera foi "presenteado" com o caso dos 33 mineiros que ficaram soterrados em uma mina no deserto do Atacama. No começo, uma enxurrada de críticas pela falta de fiscalização do Governo nas minas e pelas péssimas condições de trabalho dos mineiros. Incrivelmente, o presidente conseguiu reverter a situação e armou um circo para o resgate dos trabalhadores. Assim, acreditava que estava conquistando maior popularidade e aumentando suas chances de concorrer à reeleição.

Mas no meio do caminho tinha um estudante... Ou melhor, milhares de estudantes! Eles resolveram iniciar uma série de mobilizações para exigir do governo uma educação superior pública. Aos poucos, outros movimentos sociais e partidos opositores foram se somando às mobilizações e a coisa tomou proporções gigantescas. O governo de Piñera combate os protestos com força bruta e mesmo assim eles não deixam de se manifestar.

Além de servir de exemplo para outros países que precisam de mobilizações semelhantes, esse movimento faz a popularidade do presidente despencar e diminui a possibilidade de uma eventual reeleição no futuro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Subsídios estão perto do fim na Argentina

O governo da Argentina anunciou hoje a criação de uma comissão que vai reavaliar os subsídios concedidos pela nação. Lá, o governo ajuda a população a pagar as contas de luz e gás, além de bancar boa parte da passagem de ônibus dentro das cidades. Em Buenos Aires, por exemplo, por cerca de 0,50 centavos de real você pode utilizar os coletivos.

A criação dessa comissão foi anunciada há pouco pelo ministro da economia, Amado Boudou (e vice-presidente eleito) e pelo ministro do planejamento, Julio de Vito. Ambos deixaram claro que essa é uma medida da presidenta Cristina Kirchner, que está em Cannes, na França, participando da cúpula do G-20. Durante o anúncio, foi informado que alguns subsídios já foram eliminados, como da telefonia móvel, dos bancos, dos seguros, dos jogos de azar, dos aeroportos e das atividades extrativas.

Os ministros também explicaram que as empresas fornecedoras de água, luz e gás também serão afetadas, mas a decisão de retirar ou apenas diminuir o subsídio será da comissão. No entanto, De Vito afirmou que isso não vai acarretar um aumento nas taxas pagas pelos cidadãos. Ele e Boudou afirmaram que essa comissão também será responsável por avaliar uma possível suspensão dos subsídios para o transporte coletivo de Buenos Aires e da região metropolitana. A princípio, a ideia é criar um sistema onde apenas as pessoas com menos recursos sejam beneficiadas.

Os subsídios foram medidas necessárias para recuperar a economia durante os duros anos pós crise de 2001.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula agradece apoio do povo

O Instituto Cidadania divulgou esta tarde um vídeo do presidente Lula no qual ele agradece todo o apoio recebido pelo povo brasileiro ao iniciar o tratamento contra o câncer. Completamente rouco, Lula aparenta otimismo e bom humor e até brinca que está com muita vontade de falar para "os companheiros". Veja:
Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O Fusca de José Mujica

O único bem que o presidente do Uruguai, José Mujica, tem em seu nome é um Fusca 87 azul. Nesse vídeo, de quando o político completou 1 ano no governo, o famoso fusca aparece. Quem der play ainda vai se surpreender com a simplicidade do presidente, vestido de bombacha, camisa entreaberta, boné e mateando. Veja:

Pesquisadores tentam encontrar o corpo de Cervantes

Um grupo de pesquisadores espanhóis acredita que está perto de encontrar os restos mortais do escritor Miguel de Cervantes. O corpo foi sepultado no convento das Triniatarias Descalzas da capital espanhola em 1916. No entanto, depois de várias reformas na igreja, os restos se perderam.

O historiador Fernando Prado, responsável pelo projeto de busca, acredita que o corpo de Cervantes será encontrado no ano que vem.