quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2012, um ano que Cristina Kirchner quer esquecer


Com a saúde fraca, imbróglios judiciais contra o poderoso grupo Clarín, aprovação pessoal caindo e enfrentando protestos de setores radicais da esquerda e da tradicional oposição de direita, Cristina Kirchner encerra um ano que, sem dúvida, quer esquecer. O inferno astral da presidenta parece não ter fim e, quando os problemas já eram muitos, surgiram os inexplicáveis saques que mataram quatro pessoas.

Sobre os saques, o que me chamou atenção foram as justificativas das pessoas entrevistadas pela imprensa local: “estamos cagados de fome”, diziam, enquanto saíam das lojas saqueadas com televisões de plasma embaixo do braço. Os prefeitos das quatro cidades onde esses distúrbios ocorreram na semana passada atribuíram os ataques a grupos organizados e com motivos políticos.

Nos últimos dias, Cristina também resolveu mexer com um setor tradicionalmente complicado: o ruralista. Ela expropriou a sede da Associação Rural, no bairro de Palermo, alegando que o terreno foi vendido pelo governo ao grupo de fazendeiros a preço de banana. Provavelmente, preço parecido com o que ela pagou pelas terras que tem em El Calafate. Em resposta, os ruralistas – que já pararam o país há alguns anos contra uma tentativa do governo de aumentar impostos – promoveram uma nova paralisação, dessa vez, de 24 horas. Esse caso está só começando.

A Lei da Mídia, aprovada há 3 anos, ainda não foi aplicada. O grupo Clarín, o principal alvo dessa legislação, conseguiu uma medida cautelar para que não se aplique os artigos que obrigariam o conglomerado a se desfazer de várias emissoras de rádio e televisão. O governo reverteu a decisão em primeira instância, o Clarín conseguiu a medida novamente e, agora, a Corte Suprema é quem vai julgar.

O governo ainda enfrenta protestos de todos os lados contra a situação econômica do país. Os preços sobem rapidamente e a população está insatisfeita. Ninguém acredita nos números da inflação fornecidos pelo governo. Dois panelaços reuniram a tradicional oposição. Outro grande protesto lotou a praça de Maio convocado por duas centrais sindicais que romperam com o governo após discordâncias sobre aumentos salariais.

Em novembro, Cristina deixou de participar de duas cúpulas internacionais por recomendação médica. Recentemente, teve que reduzir uma viagem que fará pela Ásia em janeiro pelo mesmo motivo. Em 2012, a presidenta ficou de repouso várias vezes após quedas repentinas de pressão. No início do ano, foi operada de um câncer na garganta que depois não era mais câncer. A saúde de Cristina está dando sinais do nível de estresse do cargo.

Por causa de tudo isso, a popularidade da presidenta também está caindo. Reeleita no ano passado com 64% dos votos, Cristina é aprovada, atualmente, por menos de 40% dos argentinos em várias pesquisas diferentes. Esse menu de problemas indica que o ano que vem será muito complicado para os kirchneristas, ainda mais com as eleições legislativas previstas para outubro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Montagem de Chávez em caixão circula no Twitter

A imagem real e a montagem, no canto superior.
A falta de notícias sobre o real estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, abriu brecha para desocupados de plantão. Nesta terça-feira, uma montagem feita sobre uma imagem do seriado Lost circulou no Twitter mostrando o presidente em um caixão.

Enquanto isso, o governo da Venezuela divulgou um curto boletim informando a evolução da saúde de Chávez: na segunda-feira, ele teve uma infecção respiratória que foi “rapidamente controlada” pelos médicos. Seu estado segue estável e a recomendação é de repouso total.

A presidente brasileira Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula conversaram, nesta terça, com o vice venezuelano Nicolás Maduro. Foram informados que o presidente está se recuperando aos poucos. Dilma aproveitou para parabenizar Maduro pela vitória nas eleições estaduais: o PSUV, partido de Chávez, ganhou 20 dos 23 estados.


Jornalista venezuelano diz que Chávéz esteve em coma


O jornalista venezuelano de oposição Nelson Bocaranda afirmou em seu blog que o estado de saúde do presidente Hugo Chávez se complicou após a cirurgia para retira de novos tumores. Segundo ele, o mandatário teve “entradas e saídas de coma, problemas respiratórios e dores permanentes no local afetado pela doença”.

A informação de Bocaranda é de que, diferente do que afirmou o genro e ministro Jorge Arreaza (ver postagem abaixo) no último comunicado sobre a saúde do presidente, divulgado no sábado, Chávez só tem contato visual com seus filhos e não está em condições de falar, embora não esteja entubado. De acordo com Bocaranda, são falsas as afirmações Arreaza de que falou com Chávez e de que Fidel Castro tem visitado o hospital todos os dias. “As visitas estão proibidas na Unidade de Cuidados Intensivos do CIMEQ. Só seus familiares mais próximos entram no quarto, mas não para falar, e sim para ver Chávez e para que ele os veja”, escreveu.

O jornalista diz que Chávez está muito debilitado e critica as “mentiras” do genro-ministro. No entanto, ressalta: “Se Arreaza teve suas mentiras piadosas para os seguidores do processo, em meio à eleição, a exagerada mentira da ex-candidata ao governo de Amazonas, Nicia Maldonado, ganho o prêmio. Ela afirmou ontem que havia visto uma foto do presidente parado e se recuperando”. Da mesma forma, o vice-presidente Nicolás Maduro disse que havia entrado em comunicação direta com Chávez, o que, se as informações de Bocaranda conferem, também é mentira.

Não sei quais são as fontes do jornalista Nelson Bocaranda, mas não é preciso ser psicólogo, nem analista político, nem especialista em nada para perceber que os informes sobre a saúde de Chávez são carregados de inverdades ditas para acalmar a população. Veja as postagens anteriores desse blog mesmo.

Paraguai: companheiros de partido chamam Franco de golpista em primárias


No último domingo os partidos paraguaios realizaram eleições internas para definir as listas de candidatos ao legislativo e ao executivo. A curiosidade da vez ficou por conta de um protesto de filiados ao Partido Liberal, do atual presidente Federico Franco. Uma corrente insatisfeita com a repentina mudança de lada da sigla, que permitiu o golpe que derrubou Fernando Lugo no meio do ano, convidaram os filiados a protestar contra a jogada política. Dos mais de 400 mil votos registrados, pelo menos 60 mil foram nulos ou brancos. Muitas cédulas traziam a inscrição “golpista”, em referência ao hoje líder máximo do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), Federico Franco.

Em julho, o Senado do Paraguai derrubou Fernando Lugo com o apoio do partido de Franco. Até dois dias antes da cotação, o PLRA era da base aliada – tanto que Franco era o vice-presidente. Numa joga política sem precedentes, passou para a oposição e, com os seus votos, ajudou a formar maioria para aprovar o impeachment de Lugo. Para lembrar: o argumento base para a cassação do mandato do presidente eleito era, em outras palavras, incompetência.

Nas urnas, os filiados insatisfeitos mostraram sua revolta. “Golpista” e “não ao golpe”, escreveram nas cédulas nas quais deveria optar pelos nomes do partido para as eleições de 21 de abril próximo. Isso mostra que uma boa parte do PLRA não concordava com a manobra executada com base em sabe-se lá quais interesses.

O fato é que Federico Franco foi usado e talvez nem ele saiba. Como estava na chapa de Lugo, não pode concorrer à presidência. Cumpre um mandato tampão até abril para tentar dar lugar ao senador Efraín Alegre, escolhido como candidato à presidência, tendo Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista (PDP), como vice.

Recomendo: Paraguai estuda renegociar energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu

domingo, 16 de dezembro de 2012

Em carta, Fidel diz que médicos “lutam com otimismo” por Chávez

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, leu ontem uma carta enviada por Fidel Castro por ocasião do aniversário de 8 anos da ALBA. Reproduzo na íntegra, em tradução literal:

De: Fidel Castro
Para: Nicolás Maduro

“Caro Nicolas Maduro, por ocasião de celebrar os aniversários que vocês celebram, desejo expressar o seguinte: a ausência do presidente eleito por mais de 8 milhões de venezuelanos comove a todos nós.

Conheci Hugo Chávez há exatamente 18 anos, quando alguém o convidou para visitar Cuba e ele aceitou o convite. Ele me disse que teve a ideia de solicitar um encontro comigo, estava longe de imaginar que aqueles militares chamados de golpistas pelas agências de notícias, que tão bem por anos plantaram suas ideias, era um seleto grupo de revolucionários bolivarianos.

Esperei Chávez no aeroporto, o conduzi até o local de sua estadia e conversei com ele por horas, trocando ideias. No dia seguinte, na Aula Magna da Universidade de Havana, cada expressou suas ideias.

Nossas concepções diferem em aspectos que são alheios aos nossos conceitos e princípios políticos e, sobre as quais, nem falamos. A nossa cooperação médica começou na Venezuela após a tragédia de Vargas, em que milhares de pessoas morreram como resultado da negligência e imprevisibilidade de onde as pessoas mais pobres viviam naquele estado.

Venezuela, por sua vez, tem sido especialmente solidária com os povos do Caribe, América Central e América do Sul, desenvolveu fortes laços com a Bolívia, Equador, Brasil, Uruguai, Argentina e outros. Tem cultivado relações com a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras repúblicas da ex-URSS. Não esquece da Palestina ou da Líbia. Presta atenção às suas relações econômicas e políticas com a China, é em solidária com os povos da África. Pratica uma política de paz com todos os países.

O nome de Hugo Chávez é admirado e respeitado no mundo todo, e até mesmo muitos dos adversários desejam-lhe uma rápida recuperação. Os médicos lutam com otimismo por este objetivo. Como se sabe, todos os cubanos são revolucionários bolivarianos.

Viva Hugo Chávez. Até a vitória, sempre!"

sábado, 15 de dezembro de 2012

Por telefone, ministro dá boletim confuso sobre saúde de Chávez

O vice, Nicolás Maduro, durante o ato na praça Bolívar neste sábado
Durante um ato na noite deste sábado na praça Simón Bolívar, em Caracas, o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, conversou ao vivo, por telefone, com o ministro de Tecnologia Jorge Arreaza, que está em Havana. Arreaza foi o encarregado do dia de passar o informe sobre a saúde do presidente Hugo Chávez. Praticamente repetiu o boletim de ontem e disse que “o presidente vem em processo de estabilização progressiva”. Se os termos utilizados foram os corretos, a saúde de Chávez piorou, pois, na quinta-feira, o quadro havia passado de “estável” para “favorável”.

Arreaza afirmou que Fidel Castro visita a família todos os dias para "se informar pessoalmente sobre a saúde de Chávez. "Seus filhos e filhas estão com ele a todo o momento", disse. O ministro, que falou de improviso, disse que o comandante já está em “condições intelectuais” de expressar esta mensagem tranquilizadora ao povo venezuelano.

“O pós-operatório tem sido contínuo e progressivo. Nos últimos dias temos sido testemunhas de avanços favoráveis sobre a saúde do comandante Hugo Chávez. Reconhecemos que vivemos momentos de tensão e ele disse que pouco a pouco está saindo disso”, afirmou. Segundo Arreaza, Chávez pediu “pessoalmente” – ele fez questão de frisar isso - que fizesse um chamado para que os eleitores participem das eleições para as províncias, que serão realizadas neste domingo.

Lá pelas tantas, Arreaza cometeu um pequeno deslize: "Em um primeiro momento ele expressou... ou, me expressou, nesse caso, seu amor profundo pelo povo da Venezuela."

Tudo está muito esquisito na Venezuela. Algo está acontecendo e, sinceramente, estão subestimando nossa inteligência.

Veja o vídeo e tire as suas próprias conclusões:

Chávez morreu e anúncio será segunda-feira, diz padre opositor


Como era de se esperar, rumores sobre a possível morte do presidente da Venezuela tomaram conta do Twitter, a rede social mais ágil e menos confiável de todas. Só que, desta vez, a versão que vem de uma fonte também nada confiável faz um pouco de sentido: o padre Jose Palmar, ferrenho opositor de Hugo Chávez, disse que o presidente morreu esta semana, mas o anúncio oficial será somente na próxima segunda-feira, dia 17 de dezembro, mesma data da morte do mártir Simón Bolívar, em 1830.

Avaliando friamente tudo o que Chávez fez em vida, não é difícil crer que uma “coincidência” dessas conste no seu testamento. Tudo o que ele faz é carregado de simbolismo e, para virar um novo mártir do socialismo moderno, não me surpreenderia que tivesse marcado o dia para morrer. O pronunciamento da semana passada, quando anunciou a volta do câncer, foi praticamente um testamento em vídeo e ao vivo para milhões de pessoas. Chávez disse como gostaria que as coisas ficassem caso ele morresse.

O padre Jose Palmar não é fonte confiável, isso é fato. Também não se referiu taxativamente à morte do presidente da Venezuela. Ele escreveu em sua conta no Twitter, em tradução literal: “me comunicam que em Havana aconteceu o inevitável, será até segunda 17 a notícia oficial. Maduro deve anunciar a verdade”. O padre é conhecido e, na rede social, tem mais de 80 mil seguidores. Na sequência, passou a postar mensagens falando sobre “noite negra” (noche oscura).

Não há como saber, antes do anúncio oficial, se a versão do padre é verdade ou não. Só podemos esperar até segunda-feira. De Havana as notícias custam a sair. Em um caso como esse, então...

Se, por acaso, Chávez realmente já está morto, é possível que nem os familiares dele saibam. O fato é que, para provar que são apenas boatos, a única forma é Chávez falar, por telefone, com o seu povo através da televisão. Isso foi feito das outras vezes que esteve internato e, segundo os boletins divulgados pelo Governo da Venezuela, ele está se recuperando e já conversou com familiares. Ou seja, teria condições de se pronunciar por telefone.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mujica diz que visitará Chavéz em Cuba


O presidente do Uruguai, José Mujica, que nesta quinta-feira, apesar de ser ateu declarado, participou de uma missa pela saúde de Hugo Chávez, disse que pretende visitar o colega venezuelano assim que possível.

Em declarações à revista Busqueda, Mujica disse que vai falar com os médicos e com pessoas próximas à Chávez para saber quando será possível se encontrar com o colega.

“Na vida, temos que ser agradecidos. Chávez não ajudou a mim nem à Frente Ampla, mas sim ao país”, disse. “Tenho e temos a obrigação de não esquecer disso”, afirmou.

Cristina: governo vai criar operadora de celular estatal


Em discurso na noite de quinta-feira na grande Buenos Aires, a presidente Cristina Kirchner anunciou que o governo vai entrar no ramo da telefonia celular com a criação de uma empresa estatal. Segundo indicou a presidente, a nova empresa vai operar com o sistema que pertencia à antiga Movicom.

Segundo Cristina, a operadora se chamará Libre.ar e vai administrar 25% das frequências 3G de celulares do país e competir com as empresas Claro, Movistar, Personal e Nextel.

“Somos o país com a maior quantidade de celulares por habitante na América Latina”, disse Cristina. Ela não deu mais detalhes sobre a nova operadora e nem fixou prazo para que a empresa comece a operar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A paulada de Cristina no Clarín


Em meio à confusão que virou a aplicação ou não da chamada Lei da Mídia, na Argentina, a presidenta Cristina Kirchner participou, na noite de domingo, da festa popular para comemorar o Dia da Democracia (em 10 de dezembro de 83 acabava a última ditadura) e dos Direitos Humanos. Na Praça de Maio, milhares se reuniram para cantar ao som de Fito Páez, Charlie García e outros e, no fim, ouvir o discurso da mandatária. Aliás, Cristina não falava na lendária praça desde que ganhou a reeleição, em outubro do ano passado.

Antes do discurso, um vídeo de mais de 20 minutos preparado pela Presidência da República contando a “história democrática da Argentina” foi exibido. Nele, a história recente do país foi passada a limpo na versão governista. Néstor Kirchner salvou o país, tirou a Argentina do buraco e Cristina continuou o projeto.

Cristina dedicou boa parte do discurso para lembrar que Néstor “reformou” a Corte Suprema da Argentina usando um método democrático, segundo ela. A mesma Corte iria decidir, no dia seguinte, se suspendia o recurso que o grupo Clarín conseguiu para adiar a aplicação da Lei da Mídia. Se a lei fosse aplicada, o conglomerado teria que fechar várias de suas emissoras de rádio e TV. Nas entrelinhas, a presidenta cobrou dos magistrados do STF argentino um pouquinho de gratidão. Não adiantou. Nesta segunda-feira, a Corte manteve o recurso dado ao Clarín por um juiz de primeira instância.

A presidenta também aproveitou a sua 23ª cadeia nacional de rádio e televisão no ano para atacar ferozmente o Clarín. “Houve um tempo que diziam que bastavam quatro capas de um determinado jornal e caía um governo”, disse. Ela também fez referências claras ao apoio do Clarín ao golpe militar pós-morte de Perón. Disse, em alto e bom som, que o grupo Clarín se beneficiou com os governos miliares que sucederam Isabelita Perón (a segunda mulher do general que fundou o peronismo e que, após a morte dele, abriu as portas para os milicos).

O que era para ser uma festa para exaltar a democracia virou um grande ato de apoio ao governo atual. Não seria errado, se não fosse transmitido em cadeia nacional. Cristina exagera, sem dúvidas. Está cada vez mais próxima do jeitinho Chávez de governar.

Como disse um amigo no dia do discurso, não parece buena onda qualquer grupo político apoderar-se da democracia como bandeira partidária. 


domingo, 9 de dezembro de 2012

Hugo Chávez anuncia volta do câncer e admite que pode não assumir terceiro mandato


Era pouco antes das 22h em Caracas quando o presidente Hugo Chávez finalmente reapareceu. Em rede nacional de televisão, o líder da revolução bolivariana estava assustado. A notícia que estava por vir não era nada boa. Após mais de 20 dias em Havana, ele reaparecia para, enfim, das explicações sobre o sumiço. O ainda mal explicado câncer que, no final do primeiro semestre deste ano colocou em xeque a sua candidatura nas eleições presidenciais, voltou e, a julgar pelo tom forte de seu pronunciamento, com força total.

Ele mesmo colocou em dúvida várias vezes se terá condições de assumir, no próximo dia 6 de janeiro, o terceiro mandato para o qual foi eleito. Só isso já é um indicador de que a situação é realmente grave. Antes, durante o primeiro tratamento, Chávez nunca admitiu sequer a possibilidade de ser vencido pela doença. Agora, no entanto, não só externou a dúvida, como fez um chamado ao povo venezuelano para que eleja o vice, Nicolás Maduro, caso ele não possa seguir na presidência.

A preocupação se justifica: se ele não tiver condições de tomar posse, a Constituição manda que novas eleições presidenciais sejam convocadas. Em outubro, ele venceu Henrique Capriles por uma diferença pequena. Em um eventual novo pleito, que chance terá o seu sucessor que nunca teve espaço para demonstrar liderança frente um mandatário onipresente?

O fato é que a urgência é grande. Chávez passou mais de 20 dias em Havana e a única explicação dada pelo governo é que ele estava se submetendo a exames. No mesmo dia que retornou ao seu país, anuncia que precisa sair em disparada no dia seguinte. Neste domingo, Chávez volta a Havana para, segundo ele, se submeter à outra operação para retirada de novos tumores. Em que parte do corpo? Não se sabe. Ele não disse, mas a urgência leva a crer que a situação é bem mais grave.

Opositores já dizem que a cirurgia não está confirmada e que os médicos cubanos ainda irão avaliar se é plausível realizá-la. Quem já teve a infelicidade de acompanhar um tratamento contra qualquer câncer de algum amigo ou familiar sabe que, quando essa dúvida existe, o caso pode ser irreversível.

Em se tratando de Hugo Chávez, sabemos que muita coisa foi omitida. Ele nunca tratou abertamente o assunto, nunca explicou exatamente que tipo de câncer enfrenta e sempre fez discursos vagos buscando tranquilizar seus eleitores. Era véspera de eleições e o então candidato precisava estar forte. Agora é diferente. A doença ameaça seriamente o seu terceiro mandato.

Outra possibilidade que temos que avaliar é de Chávez estar usando o tratamento para gerar comoção. É possível, mas pouco provável. Ele está colocando em risco a sua continuidade no governo, algo que, para muitos, era uma ideia fixa de um “ditador” que pretendia se perpetrar no poder para sempre. Por que motivo ele desistiria se a situação não fosse grave?

Na prática, o que o comandante fez na noite deste sábado foi pedir afastamento da presidência e, imediatamente, nomear o sucessor. Algo que ele vinha adiando há muito tempo. Para se licenciar, Chávez precisa da autorização do legislativo. A urgência é tanta que os deputados farão uma sessão extraordinária neste domingo para aprovar a viagem do presidente.

Em certo momento do pronunciamento – que durou pouco mais de meia hora – Chávez parecia emocionado. Seus ministros, por outro lado, não esconderam as expressões de surpresa, pavor, dúvida, emoção, tristeza... Ao lado, o vice-presidente Nicolás Maduro ouvia as palavras do presidente e concordava com a cabeça. Chávez, explicitamente, pediu votos para Maduro. Disse que ele é a garantia de continuidade da revolução bolivariana.

Apesar da situação de emergência, as ordens foram claras: respeitar a Constituição e a democracia. Ouvir o presidente chamado de “ditador” admitir a possibilidade de que novas eleições sejam convocadas é um tapa na cara dos que usam esse argumento. Resta esperar para ver se a democracia será, de fato, respeitada.

Nicolás Maduro, o novo presidente interino – por assim dizer – da Venezuela, já era um dos nomes mais citados quando se falava na necessidade de um sucessor. Ele é o vice, sucessor natural. Este é o primeiro indicativo de respeito à democracia e à ordem correta das coisas. Durante as eleições, opositores chegaram a dizer que Chávez cogitava passar o poder para o próprio irmão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Peru e Chile se enfrentam por fronteira marítima

Esta semana, um assunto dominou os jornais do Chile e do Peru: o início do julgamento pelo Tribunal Internacional de Haia sobre a fronteira marítima entre os dois países. Para entender o enfrentamento, este gráfico que reproduzo abaixo é um dos mais explicativos.
Atualmente, a fronteira marítima entre o Chile e o Peru segue o paralelo 18º21’03”, mas o Peru quer que siga a linha da fronteira terrestre para ganhar cerca de 38 mil km². A questão remonta à guerra do Pacífico de 1879-83, quando o Chile anexou a saída para o mar da Bolívia e uma parte territorial do Peru.

A alegação do Peru, se aceita, pode levar o Chile a perder cerca de 40 mil m² de território terrestre além de uma área marítima de 38 mil km². O governo do Chile, entretanto, diz que os tratados firmados nos anos de 1950 definem o paralelo Milestone número 1 como referência.  Para o Chile, a fronteira marítima foi marcada por atos de 1968 e 1969.

Esta semana, os defensores dos dois países apresentaram seus argumentos em Haia. A decisão pode levar até quatro meses para sair.

Lei da Mídia: dos 3 ministros que analisam recurso do governo contra o Clarín, 2 foram indicados por Néstor Kirchner

Três ministros da Suprema Corte argentina começaram a analisar nesta sexta-feira a representação do governo de Cristina Kirchner contra o recurso que a Câmara Civil e Comercial concedeu ao Grupo Clarín, que adia a aplicação do artigo 161 da Lei da Mídia – sancionada há três anos – por tempo indeterminado.

Esse artigo limita o número de empresas que um mesmo conglomerado de comunicação pode possuir e, com isso, obrigaria o maior grupo midiático argentino a se desfazer de canais de televisão e outros meios.

O governo ingressou na Suprema Corte de Justiça contra o recurso favorável ao Clarín nesta sexta e o tema está sendo analisado por três ministros. Ricardo Lorenzetti, Elena Highton de Nolasco e Enrique Petracchi.

Lorenzetti e Elena foram indicados e nomeados para os cargos pelo ex-presidente Néstor Kirchner em 2004, numa manobra política que trocou a maioria dos integrantes do STF argentino e permitiu que a Justiça começasse a investigar e punir os crimes cometidos durante a ditadura. 

Petracchi, no entanto, está na Corte desde 1983 e foi nomeado pelo ex-presidente Raúl Alfonsín, morto em 2009 e pai do deputado Ricardo Alfonsín, terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Chávez sumiu: há 15 dias, presidente da Venezuela não é visto


O presidente da Venezuela está "desaparecido". Desde o dia 15 de novembro, Hugo Chávez não é visto e o governo não dá nenhuma explicação sobre o chá de sumiço do mandatário. Só o que se sabe é que, na última quarta-feira, ele viajou a Cuba para um “tratamento especial de oxigenação hiperbárica”, de acordo com a BBC.

Sempre presente no Twitter, as últimas postagens do presidente venezuelano são do dia 1º de novembro.

Foi em Havana que Chávez tratou o câncer até hoje não explicado. Ao contrário do que acontecia toda a vez que o comandante precisava ir até a ilha comunista para mais uma etapa do tratamento, a viagem da última quarta-feira não foi sequer noticiada pela mídia oficial.

A ausência, obviamente, vem levantando suspeitas sobre o real estado de saúde de Chávez. Henrique Capriles, que perdeu as eleições presidenciais deste ano para o comandante, cobrou, como líder da oposição, informações sobre a saúde do presidente: “porque o povo tem direito de conhecer como anda a saúde do presidente", disse.

No entanto, partiu do embaixador brasileiro em Caracas a informação que pode desmentir os vários boatos sobre a situação do presidente. José Antonio Marcondes disse à Reuters que está confirmada a participação de Chávez na Cúpula do Mercosul, que será realizada na próxima sexta-feira em Brasília.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uruguai votará lei do casamento gay em dezembro

Uma comissão legislativa do Uruguai aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei sobre o chamado matrimônio igualitário. A legislação autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A comissão informou que o projeto será votado no dia 11 de dezembro na Câmara dos Deputados.

A lei já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça com os votos dos governistas e de dois deputados da oposição. Julio Bango, do Frente Amplio, afirmou que o projeto será votado no Senado em 2013, após o recesso.

O texto diz, em seu primeiro artigo, que determina que o casamento poderá ser realizado entre duas pessoas, independente de sua identidade de gênero ou orientação sexual, nos mesmos termos que estabelece o Código Civil atualmente para uniões heterossexuais.

Em 2009, o Uruguai aprovou a Lei de Identidade de Gênero. Essa legislação diz que “todas as pessoas têm direito ao livre desenvolvimento de sua personalidade conforme a própria identidade de gênero, independente de qual seja seu sexo biológico”. Na prática, autoriza transexuais, por exemplo, a mudar nome e sexo nos documentos civis. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Golborne, 'herói' dos mineiros do Atacama, quer disputar a presidência do Chile com Bachelet

Nas pesquisas, Golborne tem 9% das intenções de voto
Faltando pouco menos de um ano para as eleições presidenciais no Chile, os dois principais candidatos foram definidos naturalmente. A ex-presidenta Michelle Bachelet, que passou o bastão para Sebastián Piñera com mais de 80% de aprovação, deverá enfrentar o ministro que ficou famoso pelo resgate dos 33 mineiros que estavam soterrados na mina San José, no Atacama, em agosto de 2010. O atual ministro de Obras Laurence Golborne era, na época, titular da pasta de Mineração e coordenou a operação que salvou os trabalhadores. Ninguém lembrou que, como ministro da Mineração, ele deveria zelar por mais segurança e fiscalizar a exploração para evitar acidentes como aquele.

Homem de negócios, com passagens nos mais altos cargos de diversas empresas – incluindo petrolíferas -, Golborne saiu do ostracismo para a fama em poucas semanas. Até o resgate dos mineiros, ele era o ministro mais desconhecido do governo. Com o sucesso da operação, se converteu no mais popular: a popularidade de Golborne superou, inclusive, a do presidente, alcançando 91% de aprovação.

Os dois grandes grupos políticos do Chile – a esquerdista Aliança de Partidos pela Democracia e a Coalizão Pela Mudança, que elegeu Piñera como o primeiro presidente de direita depois da ditadura militar – anunciaram que devem realizar prévias para escolher os candidatos. No entanto, não há dúvidas de que Bachelet será a representante da Aliança (Concertación). Até a oposição já crítica o anúncio de realização de primárias dizendo que a votação será óbvia.

Por outro lado, como Sebastián Piñera não pode concorrer à reeleição, o nome de Golborne é o mais visível dentro do governo. O único possível opositor é o ex-ministro da Defesa Andrés Allamand, que representa a direita da direta da Coalizão. Com a grande mobilização jovem no Chile e a dura tarefa de enfrentar a primeira presidenta eleita da América Latina, é bem provável que Piñera e seus aliados prefiram apostar em um nome renovado com o de Golborne. Em seu perfil verificado no Twitter, ele já se apresenta como "candidato presidencial". 

Pesquisa

A última pesquisa, realizada no início de outubro, mostra como o resultado da eleição é previsível. O Centro de Estudios de la Realidad Contemporánea (CERC) perguntou ao chilenos quem eles acreditam que será o próximo presidente. Bachelet foi citada por 40% dos entrevistados. Apenas 9% lembraram do “herói dos mineiros” Laurence Golborne e 4% disseram acreditar que Andrés Allamand será o próximo presidente.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 38% dos entrevistados disseram que gostariam que Bachelet fosse a próxima presidenta e 55% consideram “bom” que a diretora da ONU Mulheres volte ao palácio La Moneda. Quando perguntados sobre “qual o político de maior futuro” no atual cenário, 55% citaram o nome da ex-presidenta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Clarín processa jornalistas por “incitação à violência”

Enquanto busca uma via legal para não ter que fechar boa parte de suas empresas em cumprimento à “Ley de Medios”, o Grupo Clarín também resolveu reagir aos ataques de opositores de seu monopólio. O conglomerado está processando jornalistas, políticos e diretores de outros veículos sob a alegação de “incitação à violência”.

A ação penal representada pelo grupo é contra o diretor e fundador do jornal Tiempo Argentino, Roberto Caballero; a jornalista da TV Pública e do jornal Página 12, Sandra Russo (também autora de uma das biografias de Cristina Kirchner, chamada “La Presidenta”); o relator do Fútbol para Todos (programa federal que liberou as transmissões dos jogos de futebol para todos os canais), Javier Vicente; o ministro da Justiça, Julio Alak; o secretário da Presidência, Carlos Zannini; e o titular da AFSCA (organismo criado pela lei dos meios para fiscalizar seu cumprimento), Martín Sabbatella.

Nas 35 páginas do processo, o Clarín afirma que os acusados incitam a violência coletiva contra a empresa e contra seus diretores. Os advogados do grupo alegam que os processados devem ser enquadrados no artigo 149 do Código Penal, que fala sobre a coação agravada: “Será punido com prisão ou reclusão de dois a quatro anos aquele que fizer uso de ameaças com o objetivo de obrigar outra pessoa a fazer, não fazer ou tolerar algo contra sua vontade.”

O processo nasceu, principalmente, após os comentários dos jornalistas e dos membros do governo sobre o recente panelaço contra o governo de Cristina Kirchner. Enquanto as empresas do Grupo Clarín cobriram o protesto em tempo real e dando destaque em sua programação, os governistas usaram a internet e seus veículos para criticar o protesto.

Casais de turistas homossexuais casarão na Argentina na próxima quinta

Será a quarta edição do casamento coletivo de turistas gays em Buenos Aires. Mais de 50 casais homossexuais vão participar de uma cerimônia conjunta no Cartório Central, na próxima quinta-feira pela manhã. São brasileiros, uruguaios, peruanos e pessoas de diversas nacionalidades que não têm direito de casar legalmente em seus países com pessoas do mesmo sexo.

Graças à lei do casamento igualitário, aprovada ainda no primeiro mandato de Cristina Kirchner, essas pessoas poderão dizer que, de fato, são um casal reconhecido por uma Constituição – embora não seja a de seus respectivos países.

A Argentina é um dos únicos países – se não o único – que permitem o casamento de turistas gays. Com isso, Buenos Aires se torna um dos principais destinos do turismo homossexual. A cerimônia será organizada pela agência Easy Wedding, a primeira especializada nesse tipo de serviço no país.

“Nadie me había sacado nada y yo no le había sacado nada a nadie". Foi o que disse Cristina Kirchner no dia 21 de julho de 2010, quando assinou a lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Iberia cancela rota Madri-Montevidéu

Depois de ser obrigado a fechar a sua companhia de aviação aérea estatal, a Pluna, por problemas com a Justiça do Brasil, o Uruguai passou a ser bem menos acessível de vários pontos. De Porto Alegre, por exemplo, a única opção nacional é a Gol, que coincidentemente apresentou elevação absurda nos preços. Agora, a companhia espanhola Iberia anuncia que, a partir de abril do ano que vem, não terá mais o voo direto entre Madri e Montevidéu.

A rota será cancelada dentro de um grande plano de ajustes da empresa. A Iberia enfrenta problemas financeiros e anunciou que deixará de voar para vários destinos fora da Europa ou diminuirá a frequência das rotas.

O governo do Uruguai disse que vai tentar reverter a decisão usando o argumento de que a ocupação dos voos entre a capital espanhola e a capital uruguaia chega a 86%.

Além do voo de Montevidéu, a Iberia também cancelará suas operações em Cuba, deixando de fazer a conexão com La Habana, e na República Dominicana, onde considerou que a rota não é rentável.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Chile: Piñera pede socorro a Bachelet para aprovar orçamento

Não é só no Brasil que a aprovação do orçamento geral para 2013 está emperrada. No Chile, a situação é parecida. Tanto que, nesta quinta-feira, o governo fez um apelo aos deputados e senadores para que marquem sessões no próximo final de semana para discutir o tema.

Sebastián Piñera enfrenta dificuldades nas negociações com a oposição para aprovar o orçamento do ano que vem. O projeto já foi rejeitado quatro vezes pelos deputados. 

“Vamos insistir no chamado para que a Concertación (grupo de partidos da oposição, que tem maioria no legislativo) aprove esses recursos que não são para o nosso governo, são para os mais de 16 milhões de chilenos que precisam melhorar sua qualidade de vida”, disse nesta quinta a ministra da Secretaria-Geral do Governo, Cecilia Pérez.

Ela também revelou que o presidente Piñera pediu aos ministros da Educação, Saúde, Trabalho e Habitação que avaliem medidas de contingência para serem colocadas em prática caso o orçamento não seja aprovado. “O Chile não pode não ter uma orçamento e os chilenos não podem seguir esperando”, disse a porta-voz do governo.

Socorro, Bachelet!
A ministra do Trabalho do Chile, Evelyn Matthei, pediu o apoio da ex-presidenta Michelle Bachelet para sensibilizar a oposição. Como líder do bloco de partidos opositores e candidata a presidência em novembro do próximo ano, Bachelet teria condições de fazer o projeto andar. Ela não respondeu.

Uma das principais reclamações da oposição é sobre o montante de recursos destinados a publicidade, considerado alto. O governo quer garantir a boa imagem no ano eleitoral e, assim, impulsionar a candidatura da situação. Pela lei chilena, o atual presidente não pode concorrer à reeleição e não há um nome forte para substituir Piñera.

Com Bachelet navegando em índices de popularidade altíssimos (ela deixou o governo com mais de 80% de aprovação), o governo teme que a ex-presidenta nocauteie a situação nas urnas. Para os analistas políticos, não há resgate de mineiros nem comerciais de televisão que possam reverter o futuro negativo para a direita. A eleição de Bachelet é dada como certa praticamente desde que ela deixou o palácio La Moneda.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

América em obras: Unasul vai investir US$ 116 bilhões em infraestrutura


A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) prevê investir cerca de US$ 116 bilhões em 531 obras de infraestrutura na região até 2022. A informação é do secretário-geral do organismo, Alí Rodríguez Araque. 

Segundo ele, os projetos fazem parte do Plano de Ação Estratégico da Unasul e envolvem, principalmente, o setor de transportes e telecomunicações.

Entre as obras, há a previsão de construção de 5 linhas de trem que unirão Colômbia, Venezuela, Brasil, Guiana e Suriname. De acordo com Araque, também existem outras iniciativas para unir Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador com linhas férreas.

No Twitter, Cristina Kirchner defende modelo econômico de seu governo

A presidenta da Argentina defendeu, nesta terça-feira, o modelo econômico de sua gestão. Em uma série de tweets, Cristina Kirchner disse que a forma como o governo conduz a economia é a mais adequada para os interesses da Argentina.



“Se estou errada, o povo, com seu voto, vai dizer, evidentemente, que outro modelo, que outro projeto quer seguir”, escreveu. Ao lembrar as conquistas econômicas de seu governo, Cristina disse que nos últimos dez anos o crescimento da construção é uma das chaves desse projeto político. Segundo ela, entre 2003 e 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 98% e a construção, 211%.

“Na década de 90, a redução da mão-de-obra foi de mais de 50% em matéria de construção”, disse Cristina. “O modelo do dólar barato dos anos 90, ao contrário do que se acredita, foi absolutamente negativo para o setor da construção”, defendeu.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Colômbia não aceita cessar-fogo das Farc

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, disse nesta segunda-feira que o governo continuará com as operações militares no país, mesmo após o cessar-fogo anunciado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Para o ministro, é um dever constitucional do Estado “perseguir todos aqueles criminosos que cometeram crimes ao longo de tantos anos”.

Pinzón justificou a decisão dizendo que as Farc violaram “todos os tipos de códigos e normas e que atentaram contra a vida e contra a honra dos colombianos”. Na semana passada, o ministro afastou a possibilidade de uma trégua por parte das Forças Armadas do país porque, segundo ele, a iniciativa das Farc “não tem coerência”.

Iván Márquez, chefe da equipe de negociação das Farc, anunciou o cessar-fogo unilateral até o dia 20 de janeiro do ano que vem. Segundo o representante da guerrilha, essa atitude “é mais uma prova da nossa vontade de gerar um ambiente propício para o avanço das conversações”. 

Se eleição fosse hoje, Cristina teria 53% dos votos na Argentina

Enquanto a oposição se mobiliza para tentar barrar os supostos planos de Cristina Kirchner de concorrer a um terceiro mandato na Argentina, os apoiadores da presidenta divulgaram nesta segunda-feira uma pesquisa que revela que 54% dos entrevistados votariam na atual mandatária se a eleição fosse hoje.

A pesquisa ouviu 1200 pessoas maiores de 18 anos (jovens menores de idade são os principais militantes da presidenta) na Grande Buenos Aires e nas cidades Córdoba, Tucumán, Santa Fe, Santa e Mendonza.

Citando os nomes dos possíveis presidenciáveis, a pesquisa perguntou: “se a eleição fosse hoje, em qual desses candidatos você votaria?” Cristina Kirchner foi citada por 53% dos entrevistados, enquanto 11% afirmaram que votariam em Hermes Binner e 10%, no prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri.

De acordo com os dados, 55% dos entrevistados se disseram a favor da continuidade do modelo econômico do atual governo, 98% afirmaram que não participaram do panelaço do último dia 8, 60% avaliam como positiva a imagem do governo e 53% disseram que a sua situação socioeconômica atual é positiva.

Os dados devem ser avaliados com parcimônia por se tratar de uma pesquisa feita por apoiadores da presidenta, mas revelam que a intenção dos kirchneristas é mesmo que Cristina concorra à ‘re-reeleição’. Do contrário, o nome dela nem estaria entre os possíveis presidenciáveis.

domingo, 18 de novembro de 2012

Eduardo Galeano: El derecho de soñar



Vaya uno a saber cómo será el mundo más allá del año 2000. Tenemos una única certeza: si todavía estamos ahí, para entonces ya seremos gente del siglo pasado y, peor todavía, seremos gente del pasado milenio.

Sin embargo, aunque no podemos adivinar el mundo que será,

bien podemos imaginar el que queremos que sea. El derecho de soñar no figura entre los treinta derechos humanos que las Naciones Unidas proclamaron a fines de 1948. Pero si no fuera por él, y por las aguas que da de beber, los demás derechos se morirían de sed.

Deliremos, pues, por un ratito. El mundo, que está patas arriba, se pondrá sobre sus pies:

En las calles, los automóviles serán pisados por los perros.

El aire estará limpio de los venenos de las máquinas, y no tendrá más contaminación que la que emana de los miedos humanos y de las humanas pasiones.

La gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el super-mercado, ni será mirada por el televisor.


El televisor dejará de ser
el miembro más importante de la familia,
y será tratado como la plancha o el lavarropas.

La gente trabajará para vivir,
en lugar de vivir para trabajar.

En ningún país irán presos
los muchachos que se nieguen
a hacer el servicio militar,
sino los que quieran hacerlo.

Los economistas no llamarán
nivel de vida al nivel de consumo,
ni llamarán calidad de vida
a la cantidad de cosas.

Los cocineros no creerán
que a las langostas les encanta
que las hiervan vivas.

Los historiadores no creerán
que a los países les encanta
ser invadidos.

Los políticos no creerán que
a los pobres les encanta
comer promesas.

El mundo ya no estará en
guerra contra los pobres,
sino contra la pobreza, y la
industria militar no tendrá más
remedio que declararse
en quiebra por siempre jamás.

Nadie morirá de hambre, porque nadie
morirá de indigestión.

Los niños de la calle no serán
tratados como si fueran basura,
porque no habrá niños de la calle.

Los niños ricos no serán tratados
como si fueran dinero,
porque no habrá niños ricos.

La educación no será el privilegio
de quienes puedan pagarla.

La policía no será la maldición
de quienes no puedan comprarla.

La justicia y la libertad, hermanas
siamesas condenadas a vivir
separadas, volverán a juntarse, bien
pegaditas, espalda contra espalda.

Una mujer, negra, será
presidente de Brasil y otra mujer,
negra, será presidente de los
Estados Unidos de América.
Una mujer india gobernará
Guatemala y otra, Perú.

En Argentina, las locas
de Plaza de Mayo serán
un ejemplo de salud mental,
porque ellas se negaron a olvidar
en los tiempos de la amnesia
obligatoria.

La Santa Madre Iglesia corregirá
algunas erratas de las piedras
de Moisés. El sexto mandamiento
ordenará: "Festejarás el cuerpo".
El noveno, que desconfía
del deseo, lo declarará sagrado.

La Iglesia también dictará
un undécimo mandamiento,
que se le había olvidado al Señor:
"Amarás a la naturaleza,
de la que formas parte".

Todos los penitentes serán
celebrantes, y no habrá noche
que no sea vivida como si fuera
la última, ni día que no sea vivido
como si fuera el primero.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uruguai: projeto que legaliza a maconha é apresentado oficialmente


A bancada de deputados do Frente Amplio, partido do presidente Pepe Mujica, apresentou nesta terça-feira o projeto que legaliza a venda da maconha e cria o Instituto Nacional da Cannabis (Inca). O documento tem mais de 30 artigos.

A ideia é que o governo, por meio do Inca, conceda licenças para que os cidadãos possam produzir a própria maconha. Além disso, o Estado também venderá quatro tipos diferentes de cannabis.

A maconha será plantada em prédios militares ou em terrenos particulares que comprovem toda a segurança necessária para evitar roubos e assegurar a qualidade da droga.

Pepe: “O que me assusta é o narcotráfico, não a droga”
O presidente Pepe Mujica deu entrevista para a BBC nesta terça-feira. “O que me assusta é o narcotráfico, não a droga”, disse. Além de revelar que nunca provou maconha, Pepe cravou que combater o tráfico de drogas pela via repressiva “é uma guerra perdida”. Mujica disse que o que acontece no México (onde o narcotráfico produz números assustadores de violência” tocou a sua alma.

Segundo ele, a ideia do projeto é afastar a população dos traficantes. “Além disso, me envenena, porque cada vez tenho que gastar mais dinheiro com polícia, com presídios e nas consequências. E não tenho dinheiro para atender aos doentes”, comentou.

Em protesto contra operadoras, argentinos convocam apagão de celulares


Um grupo de usuários de telefonia móvel na Argentina está usando o Facebook e o Twitter para convocar um apagão geral dos aparelhos nesta quarta-feira, entre 16h e 17h (15h e 16h de Brasília). O objetivo do movimento é protestar contra o “permanente mal serviço” prestado pela Claro, MoviStar e Personal.

No Twitter, a campanha é impulsionada pela tag #14N. Não se sabe quem teve a ideia, mas o apagão já recebeu apoio de associações de consumidores da Argentina.

As reclamações vão desde o recente aumento de preços dos serviços até as frequentes quedas nas ligações. Os usuários também reclamam de mensagens que não chegam, da velocidade da internet, do custo por mensagem e da cobrança por minuto, ao invés de fracionada a cada 10 segundos, como gostariam.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Jornalista da C5N leva soco ao vivo durante o #8N


Um repórter da TV argentina C5N, especializada em notícias, falava ao vivo sobre a hostilidade que a equipe do canal estava sendo vítima por parte de um grupo de manifestantes quando levou um soco. O jornalista estava na Plaza de Mayo, próximo ao Cabildo, e relatava os problemas quando...



O agressor foi preso pela Polícia Federal.

ATUALIZAÇÃO 19h10: A jornalista brasileira Luciana Taddeo (@lutaddeo) informa que o homem já foi liberado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CFK fala sobre o #8N no Facebook: “momento de liberdade de expressão”


No final da manhã desta quinta-feira, a presidenta argentina Cristina Kirchner postou em sua conta no Facebook um breve comentário sobre o movimento #8N, convocado pela oposição para hoje, às 20h. Segue a tradução literal:

“Estamos vivendo um momento de liberdade de expressão nunca antes visto na Argentina, estamos vivendo uma democracia total, onde cada um pode viver, pode dizer o que pensa, estamos vivendo um momento de ampliação dos direitos cada vez mais, então, eu, a única coisa que peço a cada um dos argentinos, e fundamentalmente a suas classes dirigentes, que cada um realmente diga o que pensa e o que quer para o país, com sinceridade, que ninguém vai se ofender, que ninguém vai se incomodar. Bom, se há um setor que reclama determinadas coisas ele precisa se colocar à frente e dizer claramente. Agora – por favor, que ninguém pretenda que eu seja contraditória com minhas próprias políticas que defendo desde que tenho 16 anos, no país e nas políticas que acredito e no país no qual acredito.”

#8N: oposição marca data e hora para protestar contra Cristina


A oposição argentina promove um grande "panelaço virtual" contra o governo da presidenta Cristina Kirchner. O movimento, chamado #8N, convoca a população a "dar um basta" geral: da insegurança à corrupção. Às 20h desta quinta-feira deve acontecer uma manifestação na Praça de Maio e os discursos antikirchneristas vão ocupar ainda mais as redes sociais. Também estão marcados protestos nas embaixadas argentinas pelo mundo, incluindo a do Rio de Janeiro, na Praia de Botafogo.

Por trás da benevolência, o objetivo é aquecer o cenário para as eleições legislativas do ano que vem. A oposição aproveita o momento ruim do governo K para tentar impulsionar os seus candidatos ao legislativo e, com isso, barrar os planos de setores oficialistas de reformar a Constituição para permitir que Cristina concorra em 2015.

O problema é que, a julgar pelos movimentos prévios, a oposição argentina comete o mesmo erro que a direita brasileira cometeu recentemente: tenta obrigar a opinião pública a protestar contra alguma coisa. No final das contas, sabemos como esses movimentos nada espontâneos terminam. Lembram da manifestação "dos 20" em Brasília?

Curiosamente, na véspera do #8N Buenos Aires sofreu um apagão. Além da luz, faltou água, metrô, coleta de lixo... Enquanto o bonaerense sofria, o prefeito da capital e um dos principais opositores de Cristina Kirchner, Mauricio Macri, curtia um show da banda Kiss.

Cristina não falou um "ai" sobre o movimento, mas certamente está lamentando por não poder responder certas provocações. A deputada Laura Alonso, por exemplo, usou o Twitter para sugerir que a presidenta (que tem feito um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão por semana, mais ou menos) usasse a rede nacional para promover o #8N.  "Por qué no hace un par de cadenitas", escreveu a deputada macrista.

Para os kirchneristas, a Argentina não vive um bom momento político. Cristina registra baixa popularidade e a economia dá sinais negativos. Os preços começam a subir e a presidenta fica cada vez mais agressiva. "Este governo está comentendo muitos erros", comentou um militante peronista da La Campora. A oposição sabe disso e aproveita o momento.

"Amanhã eles vão juntar gente e vão dizer que havia 20 vezes mais", disse um sindicalista. Já para Macri, "o #8N nos representa como argentinos e como homens livres que queremos viver melhor, com respeito, com tolerância e usando a energia para construir e não para agredir".

Os líderes do #8N acertaram o momento, mas erraram o discurso. Não se pode protestar "contra tudo". Esse foi o mesmo erro da oposição brasileira. As grandes manifestações nasceram de uma única causa, e essa, ao que tudo indica, vai morrer com todas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Argentina: oposição se mobiliza para evitar terceiro mandato de Cristina


Um documento assinado por 107 deputados argentinos rechaça a possibilidade de uma reforma constitucional que permita a presidente Cristina Kirchner concorrer a um terceiro mandato. O curioso é que a medida da oposição acontece antes mesmo de o oficialismo se manifestar sobre o assunto. Isso não significa que não há movimentações internas nesse sentido.

Assim como no Brasil, a Constituição da Argentina só permite ao chefe de Estado cumprir dois mandatos consecutivos. Cristina sucedeu Néstor Kirchner (2003-2007) e foi reeleita com 54% dos votos em outubro do ano passado. Mesmo com a popularidade em queda livre, alguns setores do oficialismo querem que CFK concorra novamente em 2015.

Deputados de quase todos os blocos antikirchneristas assinaram o documento. Eles representam mais de um terço dos 257 legisladores da Câmara Baixa. O número é suficiente para frear um eventual projeto de reforma da Constituição.

No Senado, um documento similar foi apresentado na semana passada. Dos 72 senadores, 28 se posicionaram contra uma re-reeleição.

“Não há nenhuma possibilidade neste Congresso de haver uma reforma constitucional”, disse a deputada Laura Alonso, uma das impulsoras do projeto. Ao finalizar a coletiva de imprensa na qual apresentaram o documento, os legisladores exibiram camisetas com a inscrição “no a la reforma”.

Eleições EUA: dois estados liberam maconha


Colorado e Washington são os primeiros estados dos Estados Unidos a descriminalizar o consumo recreativo da maconha. A medida foi aprovada através dos referendos realizados em paralelo às eleições em que Barack Obama se reelegeu.

A proposta adotada no Colorado e em Washington, que contraria as leis federais que consideram a maconha como uma droga ilegal, acabou sendo rejeitada pelos eleitores de Oregon.

O consumo de maconha com fins medicinais foi rejeitado em Arkansas, mas autorizado em Massachusetts.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uruguai vai punir quem divulgar ‘vídeos íntimos’

Após discutir aborto, ditadura e maconha, o Uruguai largou na frente em mais uma questão polêmica: um projeto do deputado Carlos Gamou, da base do governo de Pepe Mujica, quer punição para quem publicar na internet vídeos ou fotos íntimas de outras pessoas. A proposta – que gosto de chamar Lei Cicarelli - já encontrou respaldo do ministro interino da Justiça, Jorge Vázquez.

No projeto, o deputado propõe penas de seis meses a dois anos de prisão para quem divulgar, sem autorização, gravações e imagens “com conteúdo íntimo”. Jorge Vázquez manifestou apoio à ideia de Gamou em uma coletiva de imprensa na tarde de hoje: “Não se pode causar dano a outras pessoas violando sua intimidade”, disse.

Em ano eleitoral, Argentina prepara debate sobre maconha


Muito se comenta nos bastidores da política argentina que a decisão do Uruguai de enfrentar um debate aberto sobre a maconha respingou do outro lado do Prata. Nenhum argentino admitiria isso, pela histórica rivalidade com os uruguaios, mas a proposta de Mujica ecoou em Buenos Aires.

É gritante a necessidade de uma nova causa que possa mobilizar a militância kirchnerista no ano que vem, quando a Argentina terá eleições legislativas. Somando essa situação com a baixa popularidade da presidenta Cristina Kirchner e a economia dando 'tiltes', a conclusão é que o marqueteiro da Casa Rosada terá muito trabalho. O objetivo deve ser mudar o foco da discussão para uma grande questão polêmica que mobilize a sociedade.

É a hora e a vez da Argentina discutir a maconha, mesmo que motivada por questões políticas. E já há ações nesse sentido: no Senado foram apresentados oito projetos sobre o tema. Muitos não passaram em determinadas comissões ou eram simplistas demais. Em março passado, o senador Aníbal Fernández (falaremos mais sobre ele) protocolou um projeto abrangente, liberando o cultivo e o uso de certas substâncias - incluindo a maconha.

Aníbal Fernández é um dos senadores mais kirchneristas mais atuantes do momento. Embora na internet há pouca referência, ele foi amigo pessoal do ex-presidente Néstor Kirchner no começo da carreira política. Em 2003, quando o marido de Cristina se tornou presidente, Aníbal foi designado Ministro da Justiça. No Senado, já apresentou dezenas de projetos de lei. Foi dele, por exemplo, o projeto aprovado recentemente que autoriza o voto a partir dos 16 anos. Agora, para 2013, é o seu projeto sobre a maconha que sairá das gavetas da comissão na qual está e ganhará destaque internacional.

Para conseguir maioria legislativa e continuar navegando em águas tranquilas até o final do seu mandato, Cristina Kirchner precisa de uma causa como o matrimônio igualitário, aprovado meses antes de sua campanha para a reeleição. Também depende do resultado dessa eleição a possibilidade da presidenta apresentar algum projeto visando um terceiro mandato. Caso Cristina esteja pensando nisso, deve se empenhar muito na campanha do ano que vem. Sem maioria legislativa legislativa, ela nem apresentaria um projeto desses.

Pela ligação que tem com Cristina e com o falecido Kirchner, o projeto de Aníbal Fernández deve ser o escolhido para ser "tocado". A expectativa é a votação em plenário ocorra até março de 2013. Além da proximidade do autor com o oficialismo, o projeto é, de fato, o mais abrangente apresentado até agora. Ele despenaliza o cultivo e a posse de várias substâncias, incluindo a maconha, além de descriminalizar o uso.

Na verdade, o projeto não faz nada além do que a Suprema Corte do país já fez: em decisão há algum tempo, os magistrados já despenalizaram o uso, cultivo e posse de maconha. No entanto, isso precisa ser lei para poder avançar de alguma forma.

Do Brasil, nos resta apenas assistir aos vizinhos avançando em questões importantes como igualdade, ditadura, liberdade, saúde pública... Apenas assistir.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Romney usa Chávez contra Obama

Confuso, mas é isso mesmo. O candidato republicano Mitt Romney lançou esta semana um vídeo voltado para a comunidade latina. Imagens do presidente da Venezuela, Hugo Chávez e de Mariela Castro (filha de Raúl Castro) declarando apoio a Barack Obama ganham tom negativo.

Ao final da mensagem, numa tentativa de espanhol, o candidato republicado encerra: .“Sou Mitt Romney e aprovo essa mensagem”.

Veja o vídeo:

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Você não viu, mas o Sandy também arrasou Cuba e Haiti

AP

A grande mídia brasileira, mais uma vez, demonstrou seu colonialismo e embarcou no 'datenismo' das redes norte-americanas na cobertura da passagem do furacão Sandy pelos Estados Unidos. No últimos dias, além de gerar piadas nas redes sociais, o furacão estampou as capas dos nossos jornalões e dominou as imagens dos nossos telejornais.

Após a tempestade, aparecem os números: em território americano, o Sandy matou 50 pessoas e deixou 6 milhões sem luz (bem menos que os nossos apagões). Assustador, mas nem tanto para um país rico acostumado a enfrentar furacões.

No último sábado o mesmo furacão passou com força total por dois lugares bem menos protegidos: Cuba e Haiti, onde pelo menos 67 pessoas morreram. Só em Santiago de Cuba, quase 50 mil casas foram destruídas. Os estragos são tão grandes que nem foram avaliados. O Sandy foi considerado "um dos mais devastadores a passar pelo país nos últimos anos".

No Haiti foi pior: com o agravante das inundações, mais de 50 pessoas morreram. O governo foi obrigado destinar US$ 6 milhões para cobrir os custos dos prejuízos causados pela passagem do furacão. Sabe-se lá quantas não tem onde morar nesse exato momento.

O governo brasileiro emitiu nota e se solidarizou com os Estados Unidos todo pimpão. Enquanto isso, a Venezuela enviava 611 toneladas de suprimentos para Cuba e para o Haiti.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

México e Colômbia exibem documentário sobre García Márquez

O documentário "Hoje começam os próximos 100 anos", dirigido pelo jornalista mexicano Gabriel Santander em homenagem ao escritor Gabriel García Márquez, será exibido, simultaneamente, no México e na Colômbia na noite desta segunda-feira. A projeção da obra integra as atividades de comemoração aos 50 anos do escritor colombiano no México.

De acordo com Santander, o filme tem como objetivo mostrar a união entre García Márquez e o México, seu país de adoção e onde escreveu o famoso livro "Cem anos de solidão".
O diretor do documentário, que conta com depoimentos de colegas e amigos mexicanos de "Gabo", entre os quais o crítico Emmanuel Carballo e os escritores Gonzalo Celorio e Héctor Abad, disse também que o filme surgiu "de uma inquietação mais jornalística do que literária".

Ansa. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Depois de perder para Chávez, Capriles disputa 2ª eleição em 3 meses

Foto: Governo de Miranda

Governador da província de Miranda, Henrique Capriles Radonski fez a melhor campanha de oposição contra Hugo Chávez desde que o líder da revolução bolivariana assumiu o poder. Unindo partidos de oposição, Capriles chegou a assustar o atual presidente, mas não conseguiu derrotá-lo nas urnas.

Após a campanha, Capriles reassumiu o cargo de governador e agora trabalha pela reeleição. As eleições regionais na Venezuela serão realizadas no dia 16 de dezembro deste ano. Estão em disputa os cargos de governador e legisladores dos parlamentos para o período 2012-2016. 

Preocupado com turismo, Uruguai “abre” o céu


O ministro dos Transportes do Uruguai, Enrique Pintado, disse a Junta Nacional de Aviação Civil resolveu impulsionar a política de livre trânsito no céu do país por tempo indeterminado. O objetivo é assegurar a conectividade aérea do país na alta temporada de turismo.

“Vamos promover (essa medida) com países com os quais temos acordos de livre tráfego no céu e vamos ampliar os acordos que temos com países como o Brasil”, afirmou. Ele disse que, em breve, será realizada uma reunião para aumentar o acordo com o governo brasileiro.

Pintado disse que quer promover o maior número possível de acordos bilaterais de livre tráfego. Sem uma companhia aérea desde a falência da Pluna, o Uruguai está preocupado em atender os turistas que procuram o país na primavera-verão.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As cidades mais infiéis da Argentina

Foto: La Nación
O site Ashley Madison, especializado em atender homens e mulheres que querem trair seus cônjuges, divulgou um ranking das cidades mais infiéis da Argentina. Segundo os dados, Mar del Plata é a cidade onde mais se trai em todo o país. A segunda colocada é Rosario, seguida por Salta e Bariloche. Buenos Aires é a quinta colocada.

São 16 milhões de pessoas em 24 países cadastradas no site. Só na Argentina, são mais de 100 mil candidatos a infiéis. De acordo com outro ranking, os países com mais membros são Austrália, Estados Unidos, Brasil e Espanha.

Há alguns meses, o mesmo site causou polêmica ao instalar um outdoor no zoológico de Buenos Aires com a imagem da ex-primeira dama Eva Perón e a frase “sem infidelidade você nunca teria conhecido a grande Evita”. Abaixo, estava a sugestão: “A vida é curta, tenha uma aventura”.

Eva Perón nasceu produto de um caso extraconjugal de seu pai. Ele teve 14 filhos com sua esposa e outros cinco, entre eles Evita, com a amante.

"Néstor Kirchner, o filme" estreia dia 17/11


“Néstor Kirchner, o filme” chegará aos cinemas argentinos no mês que vem. E a pré-estreia não poderia ser em um dia mais emblemático: o filme será exibido pela primeira vez no dia 17 de novembro, data que se celebra a Militância Peronista (neste dia, em 1972, Juan Domingo Perón voltou ao país depois de 18 anos no exílio).

Dirigido por Paula de Luque, o filme começou a ser rodado em maio deste ano com recursos colhidos entre a população. Junto com a estreia nos cinemas, será realizada uma grande festa no estádio Luna Park.

Comercialmente, “Néstor Kirchner, o filme” começará a ser exibido no dia 22 de novembro em 120 salas de todo o país.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Chávez libera livro sobre sua vida para download

No site do Ministério da Comunicação do governo da Venezuela, o presidente reeleito Hugo Chávez disponibilizou para download o livro "Cuentos del Arañero", que narra, através de contos, a sua história de vida. A obra, em primeira pessoa, começa nas raízes do presidente em Sabaneta de Barinas.

O texto de divulgação do livro informa que "são muitas as paixões que afloram no discurso de quem marcou a história recente da Venezuela: a família, 'el béisbol', as Forças Armadas, o culto aos próceres, aos heróis  o amor infinito a Venezuela e, sobretudo, as amplas massas excluídas."

Para baixar o livro em pdf, clique aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Os presidentes cantores

A informalidade é uma das principais marcas dos atuais presidentes latinos. Eis algumas demonstrações de afinação, ritmo e conhecimento musical dos líderes.

Começamos com Dilma, dando show de ritmo:

Chávez canta. E isso não é novidade:

Rafael Correa também mostra seus dons vocais: