segunda-feira, 30 de abril de 2012

Chávez muda legislação trabalhista

Texto diminui jornada de trabalho, aumenta licença maternidade, veta a demissão dos pais por dois anos após o nascimento do filho e proíbe a terceirização de serviços.
O presidente da Venezuela assinou hoje a nova Lei Orgânica do Trabalho. Em um ato público, líderes sindicais discursaram defendendo Hugo Chávez. A oposição venezuelana acusou o presidente de criar esta lei sem consultar os trabalhadores.

Entre as principais mudanças estão: o aumento da licença maternidade para 20 semanas; a proibição de demissão do pai; e a validade dessas alterações também para aqueles que adotam um filho. O texto também proíbe que pais e mães sejam despedidos no período de dois anos posteriores ao nascimento do filho.

Além disso, foi recriada a indenização dupla em casos de demissões sem justa causa. A nova legislação também proíbe a terceirização de serviços dentro de empresas.

A nova jornada de trabalho ainda não foi anunciada por Hugo Chávez, mas a expectativa é que seja reduzida de 44 para 40 horas semanais.

O Governo da Venezuela disse que a nova Lei Orgânica do Trabalho foi elaborada por uma comissão presidencial depois de receber quase 20 mil propostas, a maioria elaborada pelos trabalhadores.

Na Venezuela 12.390.268 pessoas estão empregadas, sendo 58,7% em empregos formais e 41,3 por cento na informalidade.

Jornalista francês pode ser “refém voluntário” das Farc

Neste final de semana o governo da Colômbia divulgou que o jornalista francês Roméo Langlois foi sequestrado pelas Farc. Ele acompanhava uma operação militar de combate ao narcotráfico na zona rural de Caquetá.

Segundo as informações oficiais, o exército destruiu um laboratório de refino de cocaína e, logo depois, tentou ingressar em outra área para repetir a operação, quando o ataque dos guerrilheiros teria ocorrido. Quatro militares morreram e seis pessoas ficaram feridas.

O ministro da defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, disse que, de acordo com os relatos dos militares que participaram da operação, o jornalista francês foi ferido no braço. Ao perceber que estava no meio do confronto, Roméo Langlois tirou o capacete e o colete dos militares, manifestou que era civil e caminhou em direção a área urbana, de onde disparavam os membros das Farc. O ministro disse que essa é toda a informação que tem a respeito do profissional francês.

O jornalista estava na Colômbia para gravar material para um suposto documentário sobre o tráfico de drogas. 

domingo, 29 de abril de 2012

Exército colombiano reduz de 15 para 4 número de soldados mortos em “aparente” confronto com as Farc


Ontem eram 15, hoje são 4. O Exército colombiano corrigiu os números de mortos e feridos em um "aparente" confronto com membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ontem.

Agora, segundo a coronel Sandra García, porta-voz das Forças Armadas, 4 soldados morreram e outras 6 pessoas estão desaparecidas. Entre elas, um jornalista francês.

"As vítimas estavam desenvolvendo uma operação contra os laboratórios do narcotráfico e aparentemente as Farc atacaram depois que eles destruíram mais de 400 kg de cocaína”, disse a coronel.

Emboscada das Farc mata 15 militares na Colômbia, diz governo


De acordo com informações divulgadas pela imprensa colombiana na noite deste sábado, pelo menos 15 militares morreram em um ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no interior de Caquetá.

Os militares faziam parte de uma brigada de combate ao tráfico de drogas com sede na base de Larandia. Segundo o exército colombiano, “um grande número de rebeldes” promoveu o ataque.

Este ano o governo do presidente Juan Manuel Santos somou várias vitórias no enfrentamento contra as Farc. Líderes da guerrilha foram mortos e, recentemente, integrantes do movimento rebelde libertaram os últimos militares que mantinham como reféns e anunciaram o fim das ações armadas.

É impossível saber se o ataque deste sábado foi mesmo promovido pelas Farc.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Jogo dos erros com a logo da campanha de Obama

Só eu que percebi isso?

Jorge Drexler estreia como ator

O cantor uruguaio Jorge Drexler estreia no cinema como ator no longa do diretor argentino Diego Burman chamado “La suerte en tus manos”. No filme ele interpreta Uriel, um personagem que o próprio cantor definiu como "verborrágico, jogador, mentiroso compulsivo e alérgico a compromissos".

Veja o trailer de “La suerte en tus manos”:
Drexler já é íntimo do cinema. Ele é o autor da música “Al otro lado del río”, trilha sonora do filme “Diários de Motocicleta”.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Jornalista apanha de vereador argentino

Depois de Mubarak e da Junta Militar, 13 disputarão a presidência do Egito

Treze candidatos poderão concorrer ao pleito presidencial egípcio, entre os quais o ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, o dirigente da Irmandade Muçulmana Mohammed Mursi e o ex-primeiro-ministro Ahmad Shafiq.

As eleições presidenciais no Egito ocorrerão nas datas previstas - primeiro turno nos dias 23 e 24 de maio, e se for necessário segundo turno, nos dias 16 e 17 de junho. A campanha terá início em 30 de abril.

Além de Moussa, Shafiq e Mursi, foram confirmadas as candidaturas do islamita moderado Abdul Moneim Abul Futuh, do líder do partido Al Karama (Dignidade), o nacionalista Hamden Sabahi; do pensador muçulmano Mohammad Salim al Awa; do socialista Abul Ezz al Hariri e do esquerdista Mohammed Abdel Fatah.

Figuram na lista o ex-diretor da Inteligência Ahmed Hossam khairallah, o ex-oficial de Polícia Mahmoud Hossam, o ex-diplomático e islamita Abdullah al Ashaal, o advogado trabalhista independente Khaled Ali e o juiz Hisham al-Bastawisi, apoiado pelo partido de esquerda Al Tagamo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Chávez joga bocha em Cuba


Fotos divulgadas no Twitter do ministro das comunicações da Venezuela, Andrés Izarra, mostram o presidente Hugo Chávez jogando bocha acompanhado pelo irmão Adán. As imagens foram divulgadas um dia depois de o presidente venezuelano falar por telefone com a televisão estatal do país para provar que está vivo.






Transparência: como Chávez e Lula lidam com o câncer


Hugo Chávez e Lula têm muitas coisas em comum. Ambos ocuparam a presidência de um país importante, vêm do mesmo berço político, defendem pontos de vista parecidos, são chamados de “populistas” pelos opositores e brigam contra um câncer. Porém, as semelhanças param por aí. Na doença é que as diferenças entre Chávez e Lula se acentuam.

Num sábado de novembro do ano passado, quando consultou um médico e descobriu que estava com câncer, Lula imediatamente comunicou o país. A nota da equipe médica detalhava o câncer na laringe do ex-presidente, provavelmente fruto dos tempos de fumante.

Meses antes, em junho, Chávez usou a televisão para comunicar que foi diagnosticado com câncer durante exames realizados em Cuba. Antes disso, ele havia dito que a cirurgia a qual foi submetido em Havana teria sido para retirar um abscesso pélvico. O tempo passou e, entre uma viagem e outra do líder venezuelano a Cuba, surgiam novos rumores sobre a saúde dele.

Desde junho de 2011, nenhum dos intermináveis discursos de Hugo Chávez foi capaz de esclarecer que câncer é esse e qual a situação do tratamento. Mesmo quando o tumor reapareceu, já este ano, o presidente venezuelano só disse isso. As mensagens de Chávez só continham informações pouco precisas, como “estou no caminho da recuperação”, “enfrento uma luta pela vida” ou “este é um processo médico lento e delicado”.

Ficaram claras as diferenças entre as maneiras como os dois presidentes lidaram com as informações que só eles poderiam passar. Enquanto Lula abriu o jogo e recebeu apoio de quase todo o Brasil, Chávez esconde até hoje os detalhes sobre o seu caso para não parecer debilitado para enfrentar as eleições presidenciais de outubro.

Os críticos poderão dizer que Lula usou a doença como forma de promoção, tentando comover o povo e, com isso, conquistar dividendos políticos. Sendo assim, porque Chávez não fez o mesmo?

É difícil saber quem está certo e quem está errado, pois se trata de uma questão que, antes de ser política, é pessoal. 

O rei, o elefante e o “¿por qué no te callas?”

Guardião de uma coroa, líder político e institucional, personagem fofinho e idoso de um país de iguais características, nomeado dias após a morte de Francisco Franco, reorganizador da Espanha, rei, caçador de elefantes e, agora, acuado como uma criança que fez bagunça.

Você deve lembrar do famoso “¿por qué no te callas?” dito pelo rei da Espanha, Juan Carlos I, ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante uma cúpula ibero-americana no Chile.


Diferente desse firme Rei que mandou um presidente eleito pelo povo calar a boca, um novo Juan Carlos I apareceu na mídia esta semana. Com voz baixa, desprovido do olhar ameaçador lançado anos antes para Chávez e, tal qual uma criança, pede perdão: 


“Sinto muito. Me equivoquei. Não voltará a acontecer.”

Com um pouco de Lula e Collor, Henrique Capriles quer ser presidente da Venezuela

Candidato único da oposição implantou projetos sociais inspirados no Governo Lula, evita críticas mais duras a Chávez e deve ter dificuldades para legitimar o discurso em favor dos mais pobres.
Jovem, prodígio, determinado, simpático e poderoso. Esses adjetivos podem resumir as principais características do candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, e devem ser os principais argumentos da campanha para convencer o eleitor venezuelano que o governo Chávez é coisa do passado.


Apesar da união da oposição, que realizou eleições prévias para a escolha de um único candidato, as pesquisas apontam que, ao menos por enquanto, a missão do jovem governador de Miranda é muito difícil. No último levantamento ele aparece 30 pontos atrás de Hugo Chávez. O atual presidente tem 56% das intenções de voto contra 26% de Capriles.

O jovem caraqueño parece estar acostumado a enfrentar desafios como esse, apesar da recente carreira política. Em 1999, mesmo ano em que Chávez ascendeu à presidência, o jovem Henrique Capriles, então com 25 anos, não só foi eleito deputado, como assumiu a presidência da Câmara. No ano seguinte, ganhou a eleição para prefeito da cidade de Baruta, na província de Miranda, que é governada por ele desde 2008.


Diferente de outros líderes políticos que militaram, pegaram em armas ou mesmo dirigiram grêmios estudantis, Capriles se formou em direito e exerceu a profissão até entrar na política. A biografia do candidato no site oficial da coligação de 7 partidos denominada “Hay un camino” não cita experiências anteriores ao cargo de deputado.

Henrique Capriles fundou o Primero Justicia há 12 anos e continua sendo o principal líder desse partido que é definido como “centro humanista”. Se atualmente ele é o grande nome da oposição venezuelana, há 13 anos era apenas um advogado rico determinado a conquistar o poder.

Entre Lula e Collor
Como governador da província de Miranda, Capriles criou programas sociais para beneficiar famílias de baixa renda. Batizar o projeto contra a fome de “Plan Hambre Cero” (Plano Fome Zero) e o projeto voltado para moradia de “Mi Vivienda” (Minha Casa) não foi uma ideia inédita, mas as ações beneficiaram cerca de 120 mil moradores do principal estado venezuelano. Os planos sociais que Capriles apresentará durante a campanha são muito semelhantes aos implantados no Brasil pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, de quem o venezuelano já confessou que é admirador.

Convencer o eleitor de que Capriles tem legitimidade para fazer esse discurso em favor dos mais pobres será um dos maiores desafios da campanha na opinião do jornalista e doutor em ciência política Maurício Santoro. “Ele lembra, até de maneira perturbadora, o Collor no Brasil”, assinala. Para Santoro, a imagem jovial do “caçador de marajás venezuelano” não é o ponto que mais se assemelha ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. “A principal dificuldade de Capriles será conciliar o discurso social com a sua própria história de vida. Ele é um milionário que nunca teve dificuldades na vida, ao contrário de outros líderes”, lembra Santoro.

Filho de judeus que fugiram da perseguição nazista, Henrique Capriles Radonski tem uma família poderosa. A Cadena Capriles é um dos maiores grupos de comunicação do país. Entre suas empresas estão revistas, portais de notícias, jornais esportivos e o jornal de maior circulação da Venezuela. Todo esse poder midiático é comandado por Miguel Ángel Capriles López, primo do candidato a presidência.

Quando os rostos de Hugo Chávez, agora ainda maltratado por um câncer, e do jovem Henrique Capriles forem colocados lado a lado em cartazes nas ruas ou mesmo na televisão, somente a discrepância entre as duas figuras já renderá assunto para dúzias de conversas de bar. Chávez, apesar dos 58 anos, é presidente há mais de dez e o cansaço que a função exige não perdoa. Capriles, por sua vez, é um jovem sorridente que costuma circular com roupas informais, usa boné e provoca suspiros. Ele entrará para o time dos quarentões no dia 11 de julho durante a campanha eleitoral, coincidentemente, só 17 dias antes do aniversário de Hugo Chávez.

Para Maurício Santoro, que também é professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, a principal vantagem de Capriles é não estar ligado a nenhum dos dois grupos políticos que comandavam a Venezuela antes das crises econômica e política do final dos anos 80.


Oficialmente a campanha eleitoral ainda não começou, mas as prévias da oposição e os discursos cada vez mais agressivos de Chávez tornaram o assunto latente. Tanto, que Henrique Capriles já é alvo de críticas pesadas divulgadas até pela televisão pública do país. Alguns desses ataques, mesmo que de maneira discreta, desandam para o lado do preconceito. Por ser de origem judia, Capriles já foi acusado de querer implantar a política de Israel para a Venezuela e até dúvidas sobre a sua sexualidade foram usadas como munição do canhão chavista.