sexta-feira, 29 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Polêmico ministro da Defesa Henry Rangel figura na lista dos possíveis sucessores

Entre as declarações polêmicas, o militar chegou a dizer que as Forças Armadas não aceitarão um governo da oposição.
O atual comandante das Forças Armadas participou da tentativa de golpe comandada por Chávez em 92.
Henry de Jesús Rangel Silva nasceu em 1961 e apesar do nome quase norte-americano, é natural de Santiago, na Venezuela. É o atual ministro “do poder popular” para a Defesa e do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Bolivariana da Venezuela. Mas para chegar ao mais alto escalão militar do País, Henry Rangel precisou dar provas de sua lealdade a Hugo Chávez. Começou se rebelando contra o governo de Carlos Andrés Pérez e comandando o próprio batalhão na tentativa de golpe de Estado de 1992.

Quando Chávez chegou ao poder seis anos mais tarde, resolveu manter o militar por perto. Em 2005, Rangel foi nomeado diretor da Disip, o serviço de inteligência venezuelano. Em 2008, foi promovido a general da divisão e, um ano depois, aceitou o cargo de diretor da CANTV, a empresa pública de telecomunicações. Em 2010 foi nomeado comandante estratégico operacional das Forças Armadas.

Rangel Silva foi protagonista de inúmeras declarações polêmicas. A que mais repercutiu foi quando disse que as Forças Armadas da Venezuela estão “casadas” com o governo bolivariano de Hugo Chávez. Já deixou a oposição de cabelo em pé quando afirmou que “a hipótese de um governo opositor é difícil, seria vender o País”, e completou: “isso as pessoas não vão aceitar, as Forças Armadas não, o povo, menos...”

No entanto, essas declarações não são o episódio mais polêmico da vida pública de Henry Rangel. O nome dele foi vinculado a um escândalo que estourou na Argentina em 2007 quando foi encontrada uma maleta com 800 mil dólares não declarados e que, segundo um dos indiciados no caso, seria um “presente” de Chávez para ajudar na campanha de Cristina Kirchner. Então diretor da Disip, Rangel Silva foi acusado de enviar um militar a Miami para encontrar o homem que carregava a maleta de dinheiro e inventar uma boa desculpa.


Nem um ano passou e veio outro duro golpe contra a imagem do ministro. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos mandou congelar qualquer conta bancária em nome do militar venezuelano porque havia fortes indícios de que ele teria ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Rangel Silva negou e Hugo Chávez defendeu o seu companheiro: “isso é uma manobra dos Estados Unidos para invadir a Venezuela!”.


Recentemente, segundo a imprensa local, Henry Rangel participou de várias reuniões de emergência em Cuba enquanto Chávez tratava o câncer. Esses encontros supostamente serviram para traçar uma estratégia caso o presidente fosse obrigado a deixar o poder para cuidar da saúde. Homem de reconhecida benevolência, personalidade forte e fiel aos princípios bolivarianos, Rangel Silva se converteu em uma boa opção para substituir Chávez.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Fiel seguidor de Chávez, ex-militar Diosdado Cabello ignora acusações e mantém força no governo

Acusado de corrupção, o atual presidente da Assembleia esteve com Chávez desde a primeira tentativa de chegar ao poder.
Cabello tem no currículo a organização do resgate de Chávez em 92.
Diosdado Cabello é o atual presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, o que significa que, na falta do presidente e do vice Elías Jaua, ele assume o poder. Isso pode não significar muito em um país no qual a ordem natural das coisas nem sempre impera. Porém, além de ser o terceiro na “linha” de sucessão, Cabello é aliado e amigo de Chávez, o que faz toda a diferença.

Deputado pelo estado de Monagas e vice-presidente do Partido Socialista Unido pela Venezuela, Diosdado Cabello é um dos homens mais fortes da revolução bolivariana. É graduado em engenharia, mas sua formação é principalmente militar.

Desde janeiro de 2012 é legislador, mas antes disso ocupou diversos cargos no governo de Chávez. Foi secretário da presidência em 2001, vice-presidente da Venezuela na primeira metade de 2002, ministro do interior e justiça de 2002 a 2003 e ministro de infraestrutura em 2004. De 2004 a 2008 foi governador do estado de Miranda, um dos mais importantes da Venezuela e que até poucas semanas era governado por Henrique Capriles, o candidato único da oposição nas eleições de 7 de outubro. Em 2008, assumiu o cargo de ministro da informação.

Diosdado Cabello sempre apoiou Hugo Chávez. Quando o presidente iniciou a campanha em 98, lá estava Cabello. Antes disso, no fatídico 4 de fevereiro de 92, participou da tentativa de golpe de estado contra o mandatário Carlos Andrés Pérez, liderado por Chávez. Foi ele, então militar, que organizou a operação para tirar Chávez da prisão. Esta ação permitiu que sua relação com o presidente ficasse cada vez mais estreita, o que anos mais tarde o outorgaria um poder intermitente no chavismo.

Esse personagem é um dos fundadores do PSUV e, claro, militante do partido. O nome de Diosdado Cabello é o único que aparece ao lado do de Chávez no organograma disponível no site do partido.

É um feroz defensor das políticas do presidente, como a expropriação, o cerco aos meios de comunicação e a politização sindical. Especialistas asseguram que Hugo Chávez terá que ceder a Cabello parte das funções na campanha eleitoral desse ano. Seria ele quem buscaria os votos do povo, seduzindo as massas vermelhas.

Na última década, Cabello se posicionou como um líder indispensável do chavismo. Nem as várias denúncias de corrupção estremeceram sua relação com Hugo Chávez. Membros da oposição e até movimentos de esquerda o acusam de manter contas em paraísos fiscais e de ter o controle sobre grandes empresas. Ele nega todas as acusações.

Diosdado Cabello é o comprometido. Reafirmou várias vezes que seu objetivo como político é por em prática as propostas da revolução bolivariana do comandante. O fiel e contestado seguidor chavista conseguiu, apesar dos percalços, converter-se em figura central da situação e certamente será lembrado por Chávez para uma eventual sucessão. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Com destaque internacional, chanceler Nicolás Maduro é cotado para substituir Chávez

Ministro das relações exteriores da Venezuela e ex-sindicalista, Maduro representa o país internacionalmente há 6 anos.
Num governo de alta rotatividade, Nicolás Maduro é o ministro há mais tempo no cargo.

Nicolás Maduro Moros é, possivelmente, o político venezuelano mais conhecido fora do país depois do presidente Hugo Chávez. Desde agosto de 2006 ele é o ministro das relações exteriores e representa a Venezuela em cúpulas, reuniões e encontros com líderes de outros países. A participação de Maduro se intensificou nos últimos anos, já que devido à doença, Chávez teve que cancelar muitos compromissos.

Entre todos os ministros do governo bolivariano de Chávez, Maduro não é um político verde (sic). Ele é o ministro que ocupa o mesmo cargo há mais tempo num grupo que apresenta alta rotatividade. Além disso, também é o mais novo titular da pasta da história.

Nicolás Maduro chegou ao poder mesmo sem ter curso superior. Profissionalmente, foi condutor do metrô de Caracas e, depois, passou a dirigir o sindicato de transportadores que ele mesmo fundou.

Depois da tentativa frustrada de golpe de estado perpetrada por Chávez em fevereiro de 92, Maduro ficou entusiasmado com as ideias daquele revolucionário socialista que tentava chegar ao poder por vias tortas, com boas intenções. Foi assim que Maduro entrou na política. Uma de suas primeiras ações como militante foi brigar pela liberação do diretor da prisão de Jarí, uma grande jogada política que marcou o início de sua carreira política, segundo analistas.

Maduro foi militante da Liga Socialista, depois foi co-fundador do movimento V República. Em 2000 foi eleito deputado nacional e reeleito em 2005. Em 2006, quando deixou a Assembleia para ocupar o cargo de ministro das relações exteriores, conseguiu eleger sua mulher, Cilia Flores, presidente da casa em uma votação interna.

Pessoas mais próximas revelam que Maduro se sentiu um peixe na água quando assumiu a diplomacia do chavismo, apesar da escassa formação em relações internacionais. “Aprendemos a respeitar-nos, a continuar, para que muito breve sejamos uma região vista no mundo com mais respeito”, disse certa vez.

No entanto, Chávez já anunciou que para recuperar o governo de alguns estados que estão nas mãos da oposição, quer que Nicolás Maduro seja candidato a governador no em Carabobo. Muitos analistas asseguram que esse projeto não é do agrado do chanceler.

Por outro lado, especialistas dizem que Nicolas Maduro seria o candidato preferido das potências estrangeiras, como China e Rússia, nações que mantém negócios com a Venezuela, para se converter no sucessor de Chávez. Documentos divulgados pela Wikileaks asseguram que Maduro é mesmo o preferido desses dois países.

Como resultado de sua boa prática da demagogia, sua maneira de inflar o povo, sua simpatia e inteligência, Nicolas Maduro brilha na lista de possíveis sucessores de Hugo Chávez. Aos 50 anos, ele é o que se pode chamar de político puro, pois sua história mostra que começou a militar por vontade própria e apaixonado pelos ideais revolucionários de Hugo Chávez. Dessa forma, converte-se em mais um nome forte para substituir o presidente, caso isso seja necessário.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Sucessor natural, vice Elías Jaua é um dos homens de confiança de Hugo Chávez

Jovem de carreira política meteórica, o ex-professor universitário Elías Jaua já admite nas entrelinhas ser um dos nomes mais fortes para suceder Chávez.
Vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua: Hugo Chávez é o único candidato.
Aos 42 anos, o vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua é um dos principais personagens da chamada “revolução bolivariana” impulsionada por Hugo Chávez. Por isso, é um nome sempre lembrado para assumir o país numa eventual ausência do presidente.

Elías Jaua cursou sociologia e ciências sociais e foi professor universitário. Trocou a vida acadêmica pela política. No início dos anos 80, ainda jovem, Jaua iniciou a militância na União de Jovens Revolucionários e participou do grupo semi-clandestino Bandera Roja. Ele assegura que o Massacre de Centaura, no qual vários jovens perderam a vida, e o “Caracaço” de 27 de fevereiro de 1989, quando a população se revoltou contra as medidas propostas pelo FMI e adotadas pelo presidente Carlos Andrés Pérez que aumentaram preços e reduziram os gastos sociais, foram determinantes para que ele escolhesse o socialismo como ideologia política.

A história de Elías Jaua com Chávez começa em 1996. Nesse período ele se envolveu com o partido V República, que elegeu Hugo Chávez presidente dois anos depois. Com o companheiro na presidência, a carreira política de Jaua começou a deslanchar. Em 99 participou como constituinte na Comissão de Direitos Humanos. Essa atuação chamou a atenção do presidente e, no ano seguinte, foi nomeado ministro da secretaria da presidência, um dos cargos mais próximos de Chávez. Em 2003, trocou essa pasta pelo Ministério da Economia Popular. Desde 2008 é membro da direção nacional do PSUV e este ano assumiu o Ministério de Agricultura e Terras.

Nos últimos meses o rosto de Elías Jaua tem se tornado cada vez mais conhecido não só dentro da Venezuela, como no mundo todo. Geralmente, ele é o responsável por divulgar as informações sobre o estado de saúde de Hugo Chávez, tanto diante dos parlamentares na Assembleia como em rede nacional de rádio e televisão.

Jaua é um homem de confiança do presidente, talvez um aprendiz, e em diversas oportunidades assegurou que Hugo Chávez é o único candidato a presidência e que o socialismo do século XXI não morrerá. Traído pelas próprias palavras, com esse discurso ele mesmo reconhece que é um dos nomes mais fortes para uma possível sucessão dentro do chavismo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Presidente da Venezuela pode "imitar" Fidel e passar poder ao irmão

Atual governador de Barinas, Adán Chávez é um dos possíveis sucessores caso o líder venezuelano tenha que deixar o poder por problemas de saúde.
 Adán Chávez, um dos possíveis sucessores de Hugo Chávez.
O mistério sobre o real estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, abre espaço para uma série de especulações. Candidato a um terceiro mandato, o líder enfrenta a segunda etapa do tratamento contra um câncer em Havana e não divulga detalhes sobre sua saúde, o que gera especulações sobre a gravidade da doença. A possibilidade de Chávez renunciar à presidência para tratar da saúde aparece junto com uma lista de possíveis sucessores, apesar de não haver até agora nenhuma indicação por parte do governante de que vá deixar o cargo.

Entre os cinco nomes que aparecem com mais força como prováveis substitutos de Chávez está o do irmão do presidente. Adán Chávez tem 58 anos, é formado em física e foi professor universitário. Desde jovem, participou de movimentos sociais ao lado do irmão mais novo. Aos 16 anos, Adán se uniu ao Partido da Esquerda Revolucionária. No entanto, a carreira política do irmão do presidente só deslanchou quando Hugo Chávez chegou ao poder. Adán ajudou a fundar o Partido Socialista Unido pela Venezuela (PSUV), legenda que elegeu Chávez, e de 1999 até 2007 foi representante diplomático em Havana. No governo da Venezuela, ainda foi titular do Ministério da Educação por pouco mais de um ano. Em 2008 foi eleito governador do estado de Barinas, no oeste da Venezuela, berço da família Chávez.

Adán Chávez sempre foi muito discreto, evitava os flashes e era um homem de poucas palavras até que, com o irmão doente, chegou a aparecer na televisão anunciando os avanços na recuperação de Chávez.

Especialistas acreditam que se Hugo Chávez precisar abandonar o poder, Adán é um forte candidato para tomar as rédeas do país e aconteceria algo muito parecido com o que ocorreu em Cuba em 2006, quando Fidel Castro passou o poder ao irmão, Raúl. Teoricamente, há um impedimento legal para que isso ocorra na Venezuela: a constituição do país não permite que a presidência seja ocupada por alguém que tenha parentesco com o mandatário que está deixando o poder. Porém, quando Hugo Chávez assumiu, em 1999, a constituição também não permitia a reeleição e agora, 10 anos depois, ele está a caminho de seu terceiro mandato.

Para os analistas políticos venezuelanos, Adán Chávez carece de carisma e nem ele, nem nenhum dos possíveis sucessores de Chávez, tem a capacidade do atual presidente para se comunicar. Até por isso, especialistas põem em xeque a capacidade do irmão do mandatário para defender a revolução bolivariana. Talvez como uma resposta velada a críticas como essas, Adán tem feito declarações provocativas e polêmicas nos últimos anos. Recentemente ele defendeu a luta armada para sustentar as conquistas da revolução bolivariana na Venezuela. “Hoje não podemos esquecer, como autênticos revolucionários, outros métodos de luta”, disse ele. E explicou: “Seria imperdoável se limitar tão somente ao eleitoral e não ver os outros métodos, incluindo a luta armada para obter o poder.”

Com lealdade e sorte por nascer na família certa, Adán Chávéz já vê consolidado o caminho em direção ao Palácio de Miraflores numa eventual ausência do irmão.