quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Assange: nova geração de revolucionários


Julian Assange, o nerd que causou calafrios em meio mundo do poder ao revelar correspondências secretas entre governos, está na embaixada do Equador em Londres e não pode sair, sob o risco de ser preso e extraditado para a Suécia, onde ele é processado por um suposto crime sexual muito estranho. Após dois meses e meio, o governo de Rafael Correa decidiu conceder asilo político ao fundador do site WikiLeaks.

O problema agora é como tirar Assange da embaixada, onde está desde 31 de maio, sem que ele seja detido no caminho até o aeroporto. Nesta quinta-feira há grande tensão em Londres porque o governo britânico ameaça invadir a embaixada equatoriana para prender o australiano. Após o anúncio do asilo político, o Reino Unido se disse “decepcionado”.

O desenrolar da situação, que culminou com a concessão do asilo, tem nome: Baltasar Garzón. O juiz espanhol, famoso pela luta pelos direitos humanos e por ter mandado prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, foi contratado por Julian Assange para assessorá-lo nas negociações com o Equador. Mais uma vez, Garzón foi competente.

Depois de divulgar milhares de documentos embaraçosos – como o e-mail no qual Hilary Clinton diz suspeitar da sanidade mental de Cristina Kirchner -, o fundador do WikiLeaks quer evitar a extradição para a Suécia pois, uma vez no País europeu, pode ser preso e enviado aos Estados Unidos, onde responde por espionagem. Se isso acontece, seu mais provável endereço é a Prisão de Guantánamo.

Julian Assange é um novo tipo de revolucionário. É o Fidel Castro do século XXI. Só que, ao invés de armas, usa a internet.