quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uruguai votará lei do casamento gay em dezembro

Uma comissão legislativa do Uruguai aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei sobre o chamado matrimônio igualitário. A legislação autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A comissão informou que o projeto será votado no dia 11 de dezembro na Câmara dos Deputados.

A lei já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça com os votos dos governistas e de dois deputados da oposição. Julio Bango, do Frente Amplio, afirmou que o projeto será votado no Senado em 2013, após o recesso.

O texto diz, em seu primeiro artigo, que determina que o casamento poderá ser realizado entre duas pessoas, independente de sua identidade de gênero ou orientação sexual, nos mesmos termos que estabelece o Código Civil atualmente para uniões heterossexuais.

Em 2009, o Uruguai aprovou a Lei de Identidade de Gênero. Essa legislação diz que “todas as pessoas têm direito ao livre desenvolvimento de sua personalidade conforme a própria identidade de gênero, independente de qual seja seu sexo biológico”. Na prática, autoriza transexuais, por exemplo, a mudar nome e sexo nos documentos civis. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Golborne, 'herói' dos mineiros do Atacama, quer disputar a presidência do Chile com Bachelet

Nas pesquisas, Golborne tem 9% das intenções de voto
Faltando pouco menos de um ano para as eleições presidenciais no Chile, os dois principais candidatos foram definidos naturalmente. A ex-presidenta Michelle Bachelet, que passou o bastão para Sebastián Piñera com mais de 80% de aprovação, deverá enfrentar o ministro que ficou famoso pelo resgate dos 33 mineiros que estavam soterrados na mina San José, no Atacama, em agosto de 2010. O atual ministro de Obras Laurence Golborne era, na época, titular da pasta de Mineração e coordenou a operação que salvou os trabalhadores. Ninguém lembrou que, como ministro da Mineração, ele deveria zelar por mais segurança e fiscalizar a exploração para evitar acidentes como aquele.

Homem de negócios, com passagens nos mais altos cargos de diversas empresas – incluindo petrolíferas -, Golborne saiu do ostracismo para a fama em poucas semanas. Até o resgate dos mineiros, ele era o ministro mais desconhecido do governo. Com o sucesso da operação, se converteu no mais popular: a popularidade de Golborne superou, inclusive, a do presidente, alcançando 91% de aprovação.

Os dois grandes grupos políticos do Chile – a esquerdista Aliança de Partidos pela Democracia e a Coalizão Pela Mudança, que elegeu Piñera como o primeiro presidente de direita depois da ditadura militar – anunciaram que devem realizar prévias para escolher os candidatos. No entanto, não há dúvidas de que Bachelet será a representante da Aliança (Concertación). Até a oposição já crítica o anúncio de realização de primárias dizendo que a votação será óbvia.

Por outro lado, como Sebastián Piñera não pode concorrer à reeleição, o nome de Golborne é o mais visível dentro do governo. O único possível opositor é o ex-ministro da Defesa Andrés Allamand, que representa a direita da direta da Coalizão. Com a grande mobilização jovem no Chile e a dura tarefa de enfrentar a primeira presidenta eleita da América Latina, é bem provável que Piñera e seus aliados prefiram apostar em um nome renovado com o de Golborne. Em seu perfil verificado no Twitter, ele já se apresenta como "candidato presidencial". 

Pesquisa

A última pesquisa, realizada no início de outubro, mostra como o resultado da eleição é previsível. O Centro de Estudios de la Realidad Contemporánea (CERC) perguntou ao chilenos quem eles acreditam que será o próximo presidente. Bachelet foi citada por 40% dos entrevistados. Apenas 9% lembraram do “herói dos mineiros” Laurence Golborne e 4% disseram acreditar que Andrés Allamand será o próximo presidente.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 38% dos entrevistados disseram que gostariam que Bachelet fosse a próxima presidenta e 55% consideram “bom” que a diretora da ONU Mulheres volte ao palácio La Moneda. Quando perguntados sobre “qual o político de maior futuro” no atual cenário, 55% citaram o nome da ex-presidenta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Clarín processa jornalistas por “incitação à violência”

Enquanto busca uma via legal para não ter que fechar boa parte de suas empresas em cumprimento à “Ley de Medios”, o Grupo Clarín também resolveu reagir aos ataques de opositores de seu monopólio. O conglomerado está processando jornalistas, políticos e diretores de outros veículos sob a alegação de “incitação à violência”.

A ação penal representada pelo grupo é contra o diretor e fundador do jornal Tiempo Argentino, Roberto Caballero; a jornalista da TV Pública e do jornal Página 12, Sandra Russo (também autora de uma das biografias de Cristina Kirchner, chamada “La Presidenta”); o relator do Fútbol para Todos (programa federal que liberou as transmissões dos jogos de futebol para todos os canais), Javier Vicente; o ministro da Justiça, Julio Alak; o secretário da Presidência, Carlos Zannini; e o titular da AFSCA (organismo criado pela lei dos meios para fiscalizar seu cumprimento), Martín Sabbatella.

Nas 35 páginas do processo, o Clarín afirma que os acusados incitam a violência coletiva contra a empresa e contra seus diretores. Os advogados do grupo alegam que os processados devem ser enquadrados no artigo 149 do Código Penal, que fala sobre a coação agravada: “Será punido com prisão ou reclusão de dois a quatro anos aquele que fizer uso de ameaças com o objetivo de obrigar outra pessoa a fazer, não fazer ou tolerar algo contra sua vontade.”

O processo nasceu, principalmente, após os comentários dos jornalistas e dos membros do governo sobre o recente panelaço contra o governo de Cristina Kirchner. Enquanto as empresas do Grupo Clarín cobriram o protesto em tempo real e dando destaque em sua programação, os governistas usaram a internet e seus veículos para criticar o protesto.

Casais de turistas homossexuais casarão na Argentina na próxima quinta

Será a quarta edição do casamento coletivo de turistas gays em Buenos Aires. Mais de 50 casais homossexuais vão participar de uma cerimônia conjunta no Cartório Central, na próxima quinta-feira pela manhã. São brasileiros, uruguaios, peruanos e pessoas de diversas nacionalidades que não têm direito de casar legalmente em seus países com pessoas do mesmo sexo.

Graças à lei do casamento igualitário, aprovada ainda no primeiro mandato de Cristina Kirchner, essas pessoas poderão dizer que, de fato, são um casal reconhecido por uma Constituição – embora não seja a de seus respectivos países.

A Argentina é um dos únicos países – se não o único – que permitem o casamento de turistas gays. Com isso, Buenos Aires se torna um dos principais destinos do turismo homossexual. A cerimônia será organizada pela agência Easy Wedding, a primeira especializada nesse tipo de serviço no país.

“Nadie me había sacado nada y yo no le había sacado nada a nadie". Foi o que disse Cristina Kirchner no dia 21 de julho de 2010, quando assinou a lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Iberia cancela rota Madri-Montevidéu

Depois de ser obrigado a fechar a sua companhia de aviação aérea estatal, a Pluna, por problemas com a Justiça do Brasil, o Uruguai passou a ser bem menos acessível de vários pontos. De Porto Alegre, por exemplo, a única opção nacional é a Gol, que coincidentemente apresentou elevação absurda nos preços. Agora, a companhia espanhola Iberia anuncia que, a partir de abril do ano que vem, não terá mais o voo direto entre Madri e Montevidéu.

A rota será cancelada dentro de um grande plano de ajustes da empresa. A Iberia enfrenta problemas financeiros e anunciou que deixará de voar para vários destinos fora da Europa ou diminuirá a frequência das rotas.

O governo do Uruguai disse que vai tentar reverter a decisão usando o argumento de que a ocupação dos voos entre a capital espanhola e a capital uruguaia chega a 86%.

Além do voo de Montevidéu, a Iberia também cancelará suas operações em Cuba, deixando de fazer a conexão com La Habana, e na República Dominicana, onde considerou que a rota não é rentável.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Chile: Piñera pede socorro a Bachelet para aprovar orçamento

Não é só no Brasil que a aprovação do orçamento geral para 2013 está emperrada. No Chile, a situação é parecida. Tanto que, nesta quinta-feira, o governo fez um apelo aos deputados e senadores para que marquem sessões no próximo final de semana para discutir o tema.

Sebastián Piñera enfrenta dificuldades nas negociações com a oposição para aprovar o orçamento do ano que vem. O projeto já foi rejeitado quatro vezes pelos deputados. 

“Vamos insistir no chamado para que a Concertación (grupo de partidos da oposição, que tem maioria no legislativo) aprove esses recursos que não são para o nosso governo, são para os mais de 16 milhões de chilenos que precisam melhorar sua qualidade de vida”, disse nesta quinta a ministra da Secretaria-Geral do Governo, Cecilia Pérez.

Ela também revelou que o presidente Piñera pediu aos ministros da Educação, Saúde, Trabalho e Habitação que avaliem medidas de contingência para serem colocadas em prática caso o orçamento não seja aprovado. “O Chile não pode não ter uma orçamento e os chilenos não podem seguir esperando”, disse a porta-voz do governo.

Socorro, Bachelet!
A ministra do Trabalho do Chile, Evelyn Matthei, pediu o apoio da ex-presidenta Michelle Bachelet para sensibilizar a oposição. Como líder do bloco de partidos opositores e candidata a presidência em novembro do próximo ano, Bachelet teria condições de fazer o projeto andar. Ela não respondeu.

Uma das principais reclamações da oposição é sobre o montante de recursos destinados a publicidade, considerado alto. O governo quer garantir a boa imagem no ano eleitoral e, assim, impulsionar a candidatura da situação. Pela lei chilena, o atual presidente não pode concorrer à reeleição e não há um nome forte para substituir Piñera.

Com Bachelet navegando em índices de popularidade altíssimos (ela deixou o governo com mais de 80% de aprovação), o governo teme que a ex-presidenta nocauteie a situação nas urnas. Para os analistas políticos, não há resgate de mineiros nem comerciais de televisão que possam reverter o futuro negativo para a direita. A eleição de Bachelet é dada como certa praticamente desde que ela deixou o palácio La Moneda.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

América em obras: Unasul vai investir US$ 116 bilhões em infraestrutura


A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) prevê investir cerca de US$ 116 bilhões em 531 obras de infraestrutura na região até 2022. A informação é do secretário-geral do organismo, Alí Rodríguez Araque. 

Segundo ele, os projetos fazem parte do Plano de Ação Estratégico da Unasul e envolvem, principalmente, o setor de transportes e telecomunicações.

Entre as obras, há a previsão de construção de 5 linhas de trem que unirão Colômbia, Venezuela, Brasil, Guiana e Suriname. De acordo com Araque, também existem outras iniciativas para unir Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador com linhas férreas.

No Twitter, Cristina Kirchner defende modelo econômico de seu governo

A presidenta da Argentina defendeu, nesta terça-feira, o modelo econômico de sua gestão. Em uma série de tweets, Cristina Kirchner disse que a forma como o governo conduz a economia é a mais adequada para os interesses da Argentina.



“Se estou errada, o povo, com seu voto, vai dizer, evidentemente, que outro modelo, que outro projeto quer seguir”, escreveu. Ao lembrar as conquistas econômicas de seu governo, Cristina disse que nos últimos dez anos o crescimento da construção é uma das chaves desse projeto político. Segundo ela, entre 2003 e 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 98% e a construção, 211%.

“Na década de 90, a redução da mão-de-obra foi de mais de 50% em matéria de construção”, disse Cristina. “O modelo do dólar barato dos anos 90, ao contrário do que se acredita, foi absolutamente negativo para o setor da construção”, defendeu.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Colômbia não aceita cessar-fogo das Farc

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, disse nesta segunda-feira que o governo continuará com as operações militares no país, mesmo após o cessar-fogo anunciado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Para o ministro, é um dever constitucional do Estado “perseguir todos aqueles criminosos que cometeram crimes ao longo de tantos anos”.

Pinzón justificou a decisão dizendo que as Farc violaram “todos os tipos de códigos e normas e que atentaram contra a vida e contra a honra dos colombianos”. Na semana passada, o ministro afastou a possibilidade de uma trégua por parte das Forças Armadas do país porque, segundo ele, a iniciativa das Farc “não tem coerência”.

Iván Márquez, chefe da equipe de negociação das Farc, anunciou o cessar-fogo unilateral até o dia 20 de janeiro do ano que vem. Segundo o representante da guerrilha, essa atitude “é mais uma prova da nossa vontade de gerar um ambiente propício para o avanço das conversações”. 

Se eleição fosse hoje, Cristina teria 53% dos votos na Argentina

Enquanto a oposição se mobiliza para tentar barrar os supostos planos de Cristina Kirchner de concorrer a um terceiro mandato na Argentina, os apoiadores da presidenta divulgaram nesta segunda-feira uma pesquisa que revela que 54% dos entrevistados votariam na atual mandatária se a eleição fosse hoje.

A pesquisa ouviu 1200 pessoas maiores de 18 anos (jovens menores de idade são os principais militantes da presidenta) na Grande Buenos Aires e nas cidades Córdoba, Tucumán, Santa Fe, Santa e Mendonza.

Citando os nomes dos possíveis presidenciáveis, a pesquisa perguntou: “se a eleição fosse hoje, em qual desses candidatos você votaria?” Cristina Kirchner foi citada por 53% dos entrevistados, enquanto 11% afirmaram que votariam em Hermes Binner e 10%, no prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri.

De acordo com os dados, 55% dos entrevistados se disseram a favor da continuidade do modelo econômico do atual governo, 98% afirmaram que não participaram do panelaço do último dia 8, 60% avaliam como positiva a imagem do governo e 53% disseram que a sua situação socioeconômica atual é positiva.

Os dados devem ser avaliados com parcimônia por se tratar de uma pesquisa feita por apoiadores da presidenta, mas revelam que a intenção dos kirchneristas é mesmo que Cristina concorra à ‘re-reeleição’. Do contrário, o nome dela nem estaria entre os possíveis presidenciáveis.

domingo, 18 de novembro de 2012

Eduardo Galeano: El derecho de soñar



Vaya uno a saber cómo será el mundo más allá del año 2000. Tenemos una única certeza: si todavía estamos ahí, para entonces ya seremos gente del siglo pasado y, peor todavía, seremos gente del pasado milenio.

Sin embargo, aunque no podemos adivinar el mundo que será,

bien podemos imaginar el que queremos que sea. El derecho de soñar no figura entre los treinta derechos humanos que las Naciones Unidas proclamaron a fines de 1948. Pero si no fuera por él, y por las aguas que da de beber, los demás derechos se morirían de sed.

Deliremos, pues, por un ratito. El mundo, que está patas arriba, se pondrá sobre sus pies:

En las calles, los automóviles serán pisados por los perros.

El aire estará limpio de los venenos de las máquinas, y no tendrá más contaminación que la que emana de los miedos humanos y de las humanas pasiones.

La gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el super-mercado, ni será mirada por el televisor.


El televisor dejará de ser
el miembro más importante de la familia,
y será tratado como la plancha o el lavarropas.

La gente trabajará para vivir,
en lugar de vivir para trabajar.

En ningún país irán presos
los muchachos que se nieguen
a hacer el servicio militar,
sino los que quieran hacerlo.

Los economistas no llamarán
nivel de vida al nivel de consumo,
ni llamarán calidad de vida
a la cantidad de cosas.

Los cocineros no creerán
que a las langostas les encanta
que las hiervan vivas.

Los historiadores no creerán
que a los países les encanta
ser invadidos.

Los políticos no creerán que
a los pobres les encanta
comer promesas.

El mundo ya no estará en
guerra contra los pobres,
sino contra la pobreza, y la
industria militar no tendrá más
remedio que declararse
en quiebra por siempre jamás.

Nadie morirá de hambre, porque nadie
morirá de indigestión.

Los niños de la calle no serán
tratados como si fueran basura,
porque no habrá niños de la calle.

Los niños ricos no serán tratados
como si fueran dinero,
porque no habrá niños ricos.

La educación no será el privilegio
de quienes puedan pagarla.

La policía no será la maldición
de quienes no puedan comprarla.

La justicia y la libertad, hermanas
siamesas condenadas a vivir
separadas, volverán a juntarse, bien
pegaditas, espalda contra espalda.

Una mujer, negra, será
presidente de Brasil y otra mujer,
negra, será presidente de los
Estados Unidos de América.
Una mujer india gobernará
Guatemala y otra, Perú.

En Argentina, las locas
de Plaza de Mayo serán
un ejemplo de salud mental,
porque ellas se negaron a olvidar
en los tiempos de la amnesia
obligatoria.

La Santa Madre Iglesia corregirá
algunas erratas de las piedras
de Moisés. El sexto mandamiento
ordenará: "Festejarás el cuerpo".
El noveno, que desconfía
del deseo, lo declarará sagrado.

La Iglesia también dictará
un undécimo mandamiento,
que se le había olvidado al Señor:
"Amarás a la naturaleza,
de la que formas parte".

Todos los penitentes serán
celebrantes, y no habrá noche
que no sea vivida como si fuera
la última, ni día que no sea vivido
como si fuera el primero.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uruguai: projeto que legaliza a maconha é apresentado oficialmente


A bancada de deputados do Frente Amplio, partido do presidente Pepe Mujica, apresentou nesta terça-feira o projeto que legaliza a venda da maconha e cria o Instituto Nacional da Cannabis (Inca). O documento tem mais de 30 artigos.

A ideia é que o governo, por meio do Inca, conceda licenças para que os cidadãos possam produzir a própria maconha. Além disso, o Estado também venderá quatro tipos diferentes de cannabis.

A maconha será plantada em prédios militares ou em terrenos particulares que comprovem toda a segurança necessária para evitar roubos e assegurar a qualidade da droga.

Pepe: “O que me assusta é o narcotráfico, não a droga”
O presidente Pepe Mujica deu entrevista para a BBC nesta terça-feira. “O que me assusta é o narcotráfico, não a droga”, disse. Além de revelar que nunca provou maconha, Pepe cravou que combater o tráfico de drogas pela via repressiva “é uma guerra perdida”. Mujica disse que o que acontece no México (onde o narcotráfico produz números assustadores de violência” tocou a sua alma.

Segundo ele, a ideia do projeto é afastar a população dos traficantes. “Além disso, me envenena, porque cada vez tenho que gastar mais dinheiro com polícia, com presídios e nas consequências. E não tenho dinheiro para atender aos doentes”, comentou.

Em protesto contra operadoras, argentinos convocam apagão de celulares


Um grupo de usuários de telefonia móvel na Argentina está usando o Facebook e o Twitter para convocar um apagão geral dos aparelhos nesta quarta-feira, entre 16h e 17h (15h e 16h de Brasília). O objetivo do movimento é protestar contra o “permanente mal serviço” prestado pela Claro, MoviStar e Personal.

No Twitter, a campanha é impulsionada pela tag #14N. Não se sabe quem teve a ideia, mas o apagão já recebeu apoio de associações de consumidores da Argentina.

As reclamações vão desde o recente aumento de preços dos serviços até as frequentes quedas nas ligações. Os usuários também reclamam de mensagens que não chegam, da velocidade da internet, do custo por mensagem e da cobrança por minuto, ao invés de fracionada a cada 10 segundos, como gostariam.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Jornalista da C5N leva soco ao vivo durante o #8N


Um repórter da TV argentina C5N, especializada em notícias, falava ao vivo sobre a hostilidade que a equipe do canal estava sendo vítima por parte de um grupo de manifestantes quando levou um soco. O jornalista estava na Plaza de Mayo, próximo ao Cabildo, e relatava os problemas quando...



O agressor foi preso pela Polícia Federal.

ATUALIZAÇÃO 19h10: A jornalista brasileira Luciana Taddeo (@lutaddeo) informa que o homem já foi liberado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CFK fala sobre o #8N no Facebook: “momento de liberdade de expressão”


No final da manhã desta quinta-feira, a presidenta argentina Cristina Kirchner postou em sua conta no Facebook um breve comentário sobre o movimento #8N, convocado pela oposição para hoje, às 20h. Segue a tradução literal:

“Estamos vivendo um momento de liberdade de expressão nunca antes visto na Argentina, estamos vivendo uma democracia total, onde cada um pode viver, pode dizer o que pensa, estamos vivendo um momento de ampliação dos direitos cada vez mais, então, eu, a única coisa que peço a cada um dos argentinos, e fundamentalmente a suas classes dirigentes, que cada um realmente diga o que pensa e o que quer para o país, com sinceridade, que ninguém vai se ofender, que ninguém vai se incomodar. Bom, se há um setor que reclama determinadas coisas ele precisa se colocar à frente e dizer claramente. Agora – por favor, que ninguém pretenda que eu seja contraditória com minhas próprias políticas que defendo desde que tenho 16 anos, no país e nas políticas que acredito e no país no qual acredito.”

#8N: oposição marca data e hora para protestar contra Cristina


A oposição argentina promove um grande "panelaço virtual" contra o governo da presidenta Cristina Kirchner. O movimento, chamado #8N, convoca a população a "dar um basta" geral: da insegurança à corrupção. Às 20h desta quinta-feira deve acontecer uma manifestação na Praça de Maio e os discursos antikirchneristas vão ocupar ainda mais as redes sociais. Também estão marcados protestos nas embaixadas argentinas pelo mundo, incluindo a do Rio de Janeiro, na Praia de Botafogo.

Por trás da benevolência, o objetivo é aquecer o cenário para as eleições legislativas do ano que vem. A oposição aproveita o momento ruim do governo K para tentar impulsionar os seus candidatos ao legislativo e, com isso, barrar os planos de setores oficialistas de reformar a Constituição para permitir que Cristina concorra em 2015.

O problema é que, a julgar pelos movimentos prévios, a oposição argentina comete o mesmo erro que a direita brasileira cometeu recentemente: tenta obrigar a opinião pública a protestar contra alguma coisa. No final das contas, sabemos como esses movimentos nada espontâneos terminam. Lembram da manifestação "dos 20" em Brasília?

Curiosamente, na véspera do #8N Buenos Aires sofreu um apagão. Além da luz, faltou água, metrô, coleta de lixo... Enquanto o bonaerense sofria, o prefeito da capital e um dos principais opositores de Cristina Kirchner, Mauricio Macri, curtia um show da banda Kiss.

Cristina não falou um "ai" sobre o movimento, mas certamente está lamentando por não poder responder certas provocações. A deputada Laura Alonso, por exemplo, usou o Twitter para sugerir que a presidenta (que tem feito um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão por semana, mais ou menos) usasse a rede nacional para promover o #8N.  "Por qué no hace un par de cadenitas", escreveu a deputada macrista.

Para os kirchneristas, a Argentina não vive um bom momento político. Cristina registra baixa popularidade e a economia dá sinais negativos. Os preços começam a subir e a presidenta fica cada vez mais agressiva. "Este governo está comentendo muitos erros", comentou um militante peronista da La Campora. A oposição sabe disso e aproveita o momento.

"Amanhã eles vão juntar gente e vão dizer que havia 20 vezes mais", disse um sindicalista. Já para Macri, "o #8N nos representa como argentinos e como homens livres que queremos viver melhor, com respeito, com tolerância e usando a energia para construir e não para agredir".

Os líderes do #8N acertaram o momento, mas erraram o discurso. Não se pode protestar "contra tudo". Esse foi o mesmo erro da oposição brasileira. As grandes manifestações nasceram de uma única causa, e essa, ao que tudo indica, vai morrer com todas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Argentina: oposição se mobiliza para evitar terceiro mandato de Cristina


Um documento assinado por 107 deputados argentinos rechaça a possibilidade de uma reforma constitucional que permita a presidente Cristina Kirchner concorrer a um terceiro mandato. O curioso é que a medida da oposição acontece antes mesmo de o oficialismo se manifestar sobre o assunto. Isso não significa que não há movimentações internas nesse sentido.

Assim como no Brasil, a Constituição da Argentina só permite ao chefe de Estado cumprir dois mandatos consecutivos. Cristina sucedeu Néstor Kirchner (2003-2007) e foi reeleita com 54% dos votos em outubro do ano passado. Mesmo com a popularidade em queda livre, alguns setores do oficialismo querem que CFK concorra novamente em 2015.

Deputados de quase todos os blocos antikirchneristas assinaram o documento. Eles representam mais de um terço dos 257 legisladores da Câmara Baixa. O número é suficiente para frear um eventual projeto de reforma da Constituição.

No Senado, um documento similar foi apresentado na semana passada. Dos 72 senadores, 28 se posicionaram contra uma re-reeleição.

“Não há nenhuma possibilidade neste Congresso de haver uma reforma constitucional”, disse a deputada Laura Alonso, uma das impulsoras do projeto. Ao finalizar a coletiva de imprensa na qual apresentaram o documento, os legisladores exibiram camisetas com a inscrição “no a la reforma”.

Eleições EUA: dois estados liberam maconha


Colorado e Washington são os primeiros estados dos Estados Unidos a descriminalizar o consumo recreativo da maconha. A medida foi aprovada através dos referendos realizados em paralelo às eleições em que Barack Obama se reelegeu.

A proposta adotada no Colorado e em Washington, que contraria as leis federais que consideram a maconha como uma droga ilegal, acabou sendo rejeitada pelos eleitores de Oregon.

O consumo de maconha com fins medicinais foi rejeitado em Arkansas, mas autorizado em Massachusetts.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uruguai vai punir quem divulgar ‘vídeos íntimos’

Após discutir aborto, ditadura e maconha, o Uruguai largou na frente em mais uma questão polêmica: um projeto do deputado Carlos Gamou, da base do governo de Pepe Mujica, quer punição para quem publicar na internet vídeos ou fotos íntimas de outras pessoas. A proposta – que gosto de chamar Lei Cicarelli - já encontrou respaldo do ministro interino da Justiça, Jorge Vázquez.

No projeto, o deputado propõe penas de seis meses a dois anos de prisão para quem divulgar, sem autorização, gravações e imagens “com conteúdo íntimo”. Jorge Vázquez manifestou apoio à ideia de Gamou em uma coletiva de imprensa na tarde de hoje: “Não se pode causar dano a outras pessoas violando sua intimidade”, disse.

Em ano eleitoral, Argentina prepara debate sobre maconha


Muito se comenta nos bastidores da política argentina que a decisão do Uruguai de enfrentar um debate aberto sobre a maconha respingou do outro lado do Prata. Nenhum argentino admitiria isso, pela histórica rivalidade com os uruguaios, mas a proposta de Mujica ecoou em Buenos Aires.

É gritante a necessidade de uma nova causa que possa mobilizar a militância kirchnerista no ano que vem, quando a Argentina terá eleições legislativas. Somando essa situação com a baixa popularidade da presidenta Cristina Kirchner e a economia dando 'tiltes', a conclusão é que o marqueteiro da Casa Rosada terá muito trabalho. O objetivo deve ser mudar o foco da discussão para uma grande questão polêmica que mobilize a sociedade.

É a hora e a vez da Argentina discutir a maconha, mesmo que motivada por questões políticas. E já há ações nesse sentido: no Senado foram apresentados oito projetos sobre o tema. Muitos não passaram em determinadas comissões ou eram simplistas demais. Em março passado, o senador Aníbal Fernández (falaremos mais sobre ele) protocolou um projeto abrangente, liberando o cultivo e o uso de certas substâncias - incluindo a maconha.

Aníbal Fernández é um dos senadores mais kirchneristas mais atuantes do momento. Embora na internet há pouca referência, ele foi amigo pessoal do ex-presidente Néstor Kirchner no começo da carreira política. Em 2003, quando o marido de Cristina se tornou presidente, Aníbal foi designado Ministro da Justiça. No Senado, já apresentou dezenas de projetos de lei. Foi dele, por exemplo, o projeto aprovado recentemente que autoriza o voto a partir dos 16 anos. Agora, para 2013, é o seu projeto sobre a maconha que sairá das gavetas da comissão na qual está e ganhará destaque internacional.

Para conseguir maioria legislativa e continuar navegando em águas tranquilas até o final do seu mandato, Cristina Kirchner precisa de uma causa como o matrimônio igualitário, aprovado meses antes de sua campanha para a reeleição. Também depende do resultado dessa eleição a possibilidade da presidenta apresentar algum projeto visando um terceiro mandato. Caso Cristina esteja pensando nisso, deve se empenhar muito na campanha do ano que vem. Sem maioria legislativa legislativa, ela nem apresentaria um projeto desses.

Pela ligação que tem com Cristina e com o falecido Kirchner, o projeto de Aníbal Fernández deve ser o escolhido para ser "tocado". A expectativa é a votação em plenário ocorra até março de 2013. Além da proximidade do autor com o oficialismo, o projeto é, de fato, o mais abrangente apresentado até agora. Ele despenaliza o cultivo e a posse de várias substâncias, incluindo a maconha, além de descriminalizar o uso.

Na verdade, o projeto não faz nada além do que a Suprema Corte do país já fez: em decisão há algum tempo, os magistrados já despenalizaram o uso, cultivo e posse de maconha. No entanto, isso precisa ser lei para poder avançar de alguma forma.

Do Brasil, nos resta apenas assistir aos vizinhos avançando em questões importantes como igualdade, ditadura, liberdade, saúde pública... Apenas assistir.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Romney usa Chávez contra Obama

Confuso, mas é isso mesmo. O candidato republicano Mitt Romney lançou esta semana um vídeo voltado para a comunidade latina. Imagens do presidente da Venezuela, Hugo Chávez e de Mariela Castro (filha de Raúl Castro) declarando apoio a Barack Obama ganham tom negativo.

Ao final da mensagem, numa tentativa de espanhol, o candidato republicado encerra: .“Sou Mitt Romney e aprovo essa mensagem”.

Veja o vídeo:

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Você não viu, mas o Sandy também arrasou Cuba e Haiti

AP

A grande mídia brasileira, mais uma vez, demonstrou seu colonialismo e embarcou no 'datenismo' das redes norte-americanas na cobertura da passagem do furacão Sandy pelos Estados Unidos. No últimos dias, além de gerar piadas nas redes sociais, o furacão estampou as capas dos nossos jornalões e dominou as imagens dos nossos telejornais.

Após a tempestade, aparecem os números: em território americano, o Sandy matou 50 pessoas e deixou 6 milhões sem luz (bem menos que os nossos apagões). Assustador, mas nem tanto para um país rico acostumado a enfrentar furacões.

No último sábado o mesmo furacão passou com força total por dois lugares bem menos protegidos: Cuba e Haiti, onde pelo menos 67 pessoas morreram. Só em Santiago de Cuba, quase 50 mil casas foram destruídas. Os estragos são tão grandes que nem foram avaliados. O Sandy foi considerado "um dos mais devastadores a passar pelo país nos últimos anos".

No Haiti foi pior: com o agravante das inundações, mais de 50 pessoas morreram. O governo foi obrigado destinar US$ 6 milhões para cobrir os custos dos prejuízos causados pela passagem do furacão. Sabe-se lá quantas não tem onde morar nesse exato momento.

O governo brasileiro emitiu nota e se solidarizou com os Estados Unidos todo pimpão. Enquanto isso, a Venezuela enviava 611 toneladas de suprimentos para Cuba e para o Haiti.