quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2012, um ano que Cristina Kirchner quer esquecer


Com a saúde fraca, imbróglios judiciais contra o poderoso grupo Clarín, aprovação pessoal caindo e enfrentando protestos de setores radicais da esquerda e da tradicional oposição de direita, Cristina Kirchner encerra um ano que, sem dúvida, quer esquecer. O inferno astral da presidenta parece não ter fim e, quando os problemas já eram muitos, surgiram os inexplicáveis saques que mataram quatro pessoas.

Sobre os saques, o que me chamou atenção foram as justificativas das pessoas entrevistadas pela imprensa local: “estamos cagados de fome”, diziam, enquanto saíam das lojas saqueadas com televisões de plasma embaixo do braço. Os prefeitos das quatro cidades onde esses distúrbios ocorreram na semana passada atribuíram os ataques a grupos organizados e com motivos políticos.

Nos últimos dias, Cristina também resolveu mexer com um setor tradicionalmente complicado: o ruralista. Ela expropriou a sede da Associação Rural, no bairro de Palermo, alegando que o terreno foi vendido pelo governo ao grupo de fazendeiros a preço de banana. Provavelmente, preço parecido com o que ela pagou pelas terras que tem em El Calafate. Em resposta, os ruralistas – que já pararam o país há alguns anos contra uma tentativa do governo de aumentar impostos – promoveram uma nova paralisação, dessa vez, de 24 horas. Esse caso está só começando.

A Lei da Mídia, aprovada há 3 anos, ainda não foi aplicada. O grupo Clarín, o principal alvo dessa legislação, conseguiu uma medida cautelar para que não se aplique os artigos que obrigariam o conglomerado a se desfazer de várias emissoras de rádio e televisão. O governo reverteu a decisão em primeira instância, o Clarín conseguiu a medida novamente e, agora, a Corte Suprema é quem vai julgar.

O governo ainda enfrenta protestos de todos os lados contra a situação econômica do país. Os preços sobem rapidamente e a população está insatisfeita. Ninguém acredita nos números da inflação fornecidos pelo governo. Dois panelaços reuniram a tradicional oposição. Outro grande protesto lotou a praça de Maio convocado por duas centrais sindicais que romperam com o governo após discordâncias sobre aumentos salariais.

Em novembro, Cristina deixou de participar de duas cúpulas internacionais por recomendação médica. Recentemente, teve que reduzir uma viagem que fará pela Ásia em janeiro pelo mesmo motivo. Em 2012, a presidenta ficou de repouso várias vezes após quedas repentinas de pressão. No início do ano, foi operada de um câncer na garganta que depois não era mais câncer. A saúde de Cristina está dando sinais do nível de estresse do cargo.

Por causa de tudo isso, a popularidade da presidenta também está caindo. Reeleita no ano passado com 64% dos votos, Cristina é aprovada, atualmente, por menos de 40% dos argentinos em várias pesquisas diferentes. Esse menu de problemas indica que o ano que vem será muito complicado para os kirchneristas, ainda mais com as eleições legislativas previstas para outubro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Montagem de Chávez em caixão circula no Twitter

A imagem real e a montagem, no canto superior.
A falta de notícias sobre o real estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, abriu brecha para desocupados de plantão. Nesta terça-feira, uma montagem feita sobre uma imagem do seriado Lost circulou no Twitter mostrando o presidente em um caixão.

Enquanto isso, o governo da Venezuela divulgou um curto boletim informando a evolução da saúde de Chávez: na segunda-feira, ele teve uma infecção respiratória que foi “rapidamente controlada” pelos médicos. Seu estado segue estável e a recomendação é de repouso total.

A presidente brasileira Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula conversaram, nesta terça, com o vice venezuelano Nicolás Maduro. Foram informados que o presidente está se recuperando aos poucos. Dilma aproveitou para parabenizar Maduro pela vitória nas eleições estaduais: o PSUV, partido de Chávez, ganhou 20 dos 23 estados.


Jornalista venezuelano diz que Chávéz esteve em coma


O jornalista venezuelano de oposição Nelson Bocaranda afirmou em seu blog que o estado de saúde do presidente Hugo Chávez se complicou após a cirurgia para retira de novos tumores. Segundo ele, o mandatário teve “entradas e saídas de coma, problemas respiratórios e dores permanentes no local afetado pela doença”.

A informação de Bocaranda é de que, diferente do que afirmou o genro e ministro Jorge Arreaza (ver postagem abaixo) no último comunicado sobre a saúde do presidente, divulgado no sábado, Chávez só tem contato visual com seus filhos e não está em condições de falar, embora não esteja entubado. De acordo com Bocaranda, são falsas as afirmações Arreaza de que falou com Chávez e de que Fidel Castro tem visitado o hospital todos os dias. “As visitas estão proibidas na Unidade de Cuidados Intensivos do CIMEQ. Só seus familiares mais próximos entram no quarto, mas não para falar, e sim para ver Chávez e para que ele os veja”, escreveu.

O jornalista diz que Chávez está muito debilitado e critica as “mentiras” do genro-ministro. No entanto, ressalta: “Se Arreaza teve suas mentiras piadosas para os seguidores do processo, em meio à eleição, a exagerada mentira da ex-candidata ao governo de Amazonas, Nicia Maldonado, ganho o prêmio. Ela afirmou ontem que havia visto uma foto do presidente parado e se recuperando”. Da mesma forma, o vice-presidente Nicolás Maduro disse que havia entrado em comunicação direta com Chávez, o que, se as informações de Bocaranda conferem, também é mentira.

Não sei quais são as fontes do jornalista Nelson Bocaranda, mas não é preciso ser psicólogo, nem analista político, nem especialista em nada para perceber que os informes sobre a saúde de Chávez são carregados de inverdades ditas para acalmar a população. Veja as postagens anteriores desse blog mesmo.

Paraguai: companheiros de partido chamam Franco de golpista em primárias


No último domingo os partidos paraguaios realizaram eleições internas para definir as listas de candidatos ao legislativo e ao executivo. A curiosidade da vez ficou por conta de um protesto de filiados ao Partido Liberal, do atual presidente Federico Franco. Uma corrente insatisfeita com a repentina mudança de lada da sigla, que permitiu o golpe que derrubou Fernando Lugo no meio do ano, convidaram os filiados a protestar contra a jogada política. Dos mais de 400 mil votos registrados, pelo menos 60 mil foram nulos ou brancos. Muitas cédulas traziam a inscrição “golpista”, em referência ao hoje líder máximo do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), Federico Franco.

Em julho, o Senado do Paraguai derrubou Fernando Lugo com o apoio do partido de Franco. Até dois dias antes da cotação, o PLRA era da base aliada – tanto que Franco era o vice-presidente. Numa joga política sem precedentes, passou para a oposição e, com os seus votos, ajudou a formar maioria para aprovar o impeachment de Lugo. Para lembrar: o argumento base para a cassação do mandato do presidente eleito era, em outras palavras, incompetência.

Nas urnas, os filiados insatisfeitos mostraram sua revolta. “Golpista” e “não ao golpe”, escreveram nas cédulas nas quais deveria optar pelos nomes do partido para as eleições de 21 de abril próximo. Isso mostra que uma boa parte do PLRA não concordava com a manobra executada com base em sabe-se lá quais interesses.

O fato é que Federico Franco foi usado e talvez nem ele saiba. Como estava na chapa de Lugo, não pode concorrer à presidência. Cumpre um mandato tampão até abril para tentar dar lugar ao senador Efraín Alegre, escolhido como candidato à presidência, tendo Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista (PDP), como vice.

Recomendo: Paraguai estuda renegociar energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu

domingo, 16 de dezembro de 2012

Em carta, Fidel diz que médicos “lutam com otimismo” por Chávez

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, leu ontem uma carta enviada por Fidel Castro por ocasião do aniversário de 8 anos da ALBA. Reproduzo na íntegra, em tradução literal:

De: Fidel Castro
Para: Nicolás Maduro

“Caro Nicolas Maduro, por ocasião de celebrar os aniversários que vocês celebram, desejo expressar o seguinte: a ausência do presidente eleito por mais de 8 milhões de venezuelanos comove a todos nós.

Conheci Hugo Chávez há exatamente 18 anos, quando alguém o convidou para visitar Cuba e ele aceitou o convite. Ele me disse que teve a ideia de solicitar um encontro comigo, estava longe de imaginar que aqueles militares chamados de golpistas pelas agências de notícias, que tão bem por anos plantaram suas ideias, era um seleto grupo de revolucionários bolivarianos.

Esperei Chávez no aeroporto, o conduzi até o local de sua estadia e conversei com ele por horas, trocando ideias. No dia seguinte, na Aula Magna da Universidade de Havana, cada expressou suas ideias.

Nossas concepções diferem em aspectos que são alheios aos nossos conceitos e princípios políticos e, sobre as quais, nem falamos. A nossa cooperação médica começou na Venezuela após a tragédia de Vargas, em que milhares de pessoas morreram como resultado da negligência e imprevisibilidade de onde as pessoas mais pobres viviam naquele estado.

Venezuela, por sua vez, tem sido especialmente solidária com os povos do Caribe, América Central e América do Sul, desenvolveu fortes laços com a Bolívia, Equador, Brasil, Uruguai, Argentina e outros. Tem cultivado relações com a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras repúblicas da ex-URSS. Não esquece da Palestina ou da Líbia. Presta atenção às suas relações econômicas e políticas com a China, é em solidária com os povos da África. Pratica uma política de paz com todos os países.

O nome de Hugo Chávez é admirado e respeitado no mundo todo, e até mesmo muitos dos adversários desejam-lhe uma rápida recuperação. Os médicos lutam com otimismo por este objetivo. Como se sabe, todos os cubanos são revolucionários bolivarianos.

Viva Hugo Chávez. Até a vitória, sempre!"

sábado, 15 de dezembro de 2012

Por telefone, ministro dá boletim confuso sobre saúde de Chávez

O vice, Nicolás Maduro, durante o ato na praça Bolívar neste sábado
Durante um ato na noite deste sábado na praça Simón Bolívar, em Caracas, o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, conversou ao vivo, por telefone, com o ministro de Tecnologia Jorge Arreaza, que está em Havana. Arreaza foi o encarregado do dia de passar o informe sobre a saúde do presidente Hugo Chávez. Praticamente repetiu o boletim de ontem e disse que “o presidente vem em processo de estabilização progressiva”. Se os termos utilizados foram os corretos, a saúde de Chávez piorou, pois, na quinta-feira, o quadro havia passado de “estável” para “favorável”.

Arreaza afirmou que Fidel Castro visita a família todos os dias para "se informar pessoalmente sobre a saúde de Chávez. "Seus filhos e filhas estão com ele a todo o momento", disse. O ministro, que falou de improviso, disse que o comandante já está em “condições intelectuais” de expressar esta mensagem tranquilizadora ao povo venezuelano.

“O pós-operatório tem sido contínuo e progressivo. Nos últimos dias temos sido testemunhas de avanços favoráveis sobre a saúde do comandante Hugo Chávez. Reconhecemos que vivemos momentos de tensão e ele disse que pouco a pouco está saindo disso”, afirmou. Segundo Arreaza, Chávez pediu “pessoalmente” – ele fez questão de frisar isso - que fizesse um chamado para que os eleitores participem das eleições para as províncias, que serão realizadas neste domingo.

Lá pelas tantas, Arreaza cometeu um pequeno deslize: "Em um primeiro momento ele expressou... ou, me expressou, nesse caso, seu amor profundo pelo povo da Venezuela."

Tudo está muito esquisito na Venezuela. Algo está acontecendo e, sinceramente, estão subestimando nossa inteligência.

Veja o vídeo e tire as suas próprias conclusões:

Chávez morreu e anúncio será segunda-feira, diz padre opositor


Como era de se esperar, rumores sobre a possível morte do presidente da Venezuela tomaram conta do Twitter, a rede social mais ágil e menos confiável de todas. Só que, desta vez, a versão que vem de uma fonte também nada confiável faz um pouco de sentido: o padre Jose Palmar, ferrenho opositor de Hugo Chávez, disse que o presidente morreu esta semana, mas o anúncio oficial será somente na próxima segunda-feira, dia 17 de dezembro, mesma data da morte do mártir Simón Bolívar, em 1830.

Avaliando friamente tudo o que Chávez fez em vida, não é difícil crer que uma “coincidência” dessas conste no seu testamento. Tudo o que ele faz é carregado de simbolismo e, para virar um novo mártir do socialismo moderno, não me surpreenderia que tivesse marcado o dia para morrer. O pronunciamento da semana passada, quando anunciou a volta do câncer, foi praticamente um testamento em vídeo e ao vivo para milhões de pessoas. Chávez disse como gostaria que as coisas ficassem caso ele morresse.

O padre Jose Palmar não é fonte confiável, isso é fato. Também não se referiu taxativamente à morte do presidente da Venezuela. Ele escreveu em sua conta no Twitter, em tradução literal: “me comunicam que em Havana aconteceu o inevitável, será até segunda 17 a notícia oficial. Maduro deve anunciar a verdade”. O padre é conhecido e, na rede social, tem mais de 80 mil seguidores. Na sequência, passou a postar mensagens falando sobre “noite negra” (noche oscura).

Não há como saber, antes do anúncio oficial, se a versão do padre é verdade ou não. Só podemos esperar até segunda-feira. De Havana as notícias custam a sair. Em um caso como esse, então...

Se, por acaso, Chávez realmente já está morto, é possível que nem os familiares dele saibam. O fato é que, para provar que são apenas boatos, a única forma é Chávez falar, por telefone, com o seu povo através da televisão. Isso foi feito das outras vezes que esteve internato e, segundo os boletins divulgados pelo Governo da Venezuela, ele está se recuperando e já conversou com familiares. Ou seja, teria condições de se pronunciar por telefone.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mujica diz que visitará Chavéz em Cuba


O presidente do Uruguai, José Mujica, que nesta quinta-feira, apesar de ser ateu declarado, participou de uma missa pela saúde de Hugo Chávez, disse que pretende visitar o colega venezuelano assim que possível.

Em declarações à revista Busqueda, Mujica disse que vai falar com os médicos e com pessoas próximas à Chávez para saber quando será possível se encontrar com o colega.

“Na vida, temos que ser agradecidos. Chávez não ajudou a mim nem à Frente Ampla, mas sim ao país”, disse. “Tenho e temos a obrigação de não esquecer disso”, afirmou.

Cristina: governo vai criar operadora de celular estatal


Em discurso na noite de quinta-feira na grande Buenos Aires, a presidente Cristina Kirchner anunciou que o governo vai entrar no ramo da telefonia celular com a criação de uma empresa estatal. Segundo indicou a presidente, a nova empresa vai operar com o sistema que pertencia à antiga Movicom.

Segundo Cristina, a operadora se chamará Libre.ar e vai administrar 25% das frequências 3G de celulares do país e competir com as empresas Claro, Movistar, Personal e Nextel.

“Somos o país com a maior quantidade de celulares por habitante na América Latina”, disse Cristina. Ela não deu mais detalhes sobre a nova operadora e nem fixou prazo para que a empresa comece a operar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A paulada de Cristina no Clarín


Em meio à confusão que virou a aplicação ou não da chamada Lei da Mídia, na Argentina, a presidenta Cristina Kirchner participou, na noite de domingo, da festa popular para comemorar o Dia da Democracia (em 10 de dezembro de 83 acabava a última ditadura) e dos Direitos Humanos. Na Praça de Maio, milhares se reuniram para cantar ao som de Fito Páez, Charlie García e outros e, no fim, ouvir o discurso da mandatária. Aliás, Cristina não falava na lendária praça desde que ganhou a reeleição, em outubro do ano passado.

Antes do discurso, um vídeo de mais de 20 minutos preparado pela Presidência da República contando a “história democrática da Argentina” foi exibido. Nele, a história recente do país foi passada a limpo na versão governista. Néstor Kirchner salvou o país, tirou a Argentina do buraco e Cristina continuou o projeto.

Cristina dedicou boa parte do discurso para lembrar que Néstor “reformou” a Corte Suprema da Argentina usando um método democrático, segundo ela. A mesma Corte iria decidir, no dia seguinte, se suspendia o recurso que o grupo Clarín conseguiu para adiar a aplicação da Lei da Mídia. Se a lei fosse aplicada, o conglomerado teria que fechar várias de suas emissoras de rádio e TV. Nas entrelinhas, a presidenta cobrou dos magistrados do STF argentino um pouquinho de gratidão. Não adiantou. Nesta segunda-feira, a Corte manteve o recurso dado ao Clarín por um juiz de primeira instância.

A presidenta também aproveitou a sua 23ª cadeia nacional de rádio e televisão no ano para atacar ferozmente o Clarín. “Houve um tempo que diziam que bastavam quatro capas de um determinado jornal e caía um governo”, disse. Ela também fez referências claras ao apoio do Clarín ao golpe militar pós-morte de Perón. Disse, em alto e bom som, que o grupo Clarín se beneficiou com os governos miliares que sucederam Isabelita Perón (a segunda mulher do general que fundou o peronismo e que, após a morte dele, abriu as portas para os milicos).

O que era para ser uma festa para exaltar a democracia virou um grande ato de apoio ao governo atual. Não seria errado, se não fosse transmitido em cadeia nacional. Cristina exagera, sem dúvidas. Está cada vez mais próxima do jeitinho Chávez de governar.

Como disse um amigo no dia do discurso, não parece buena onda qualquer grupo político apoderar-se da democracia como bandeira partidária. 


domingo, 9 de dezembro de 2012

Hugo Chávez anuncia volta do câncer e admite que pode não assumir terceiro mandato


Era pouco antes das 22h em Caracas quando o presidente Hugo Chávez finalmente reapareceu. Em rede nacional de televisão, o líder da revolução bolivariana estava assustado. A notícia que estava por vir não era nada boa. Após mais de 20 dias em Havana, ele reaparecia para, enfim, das explicações sobre o sumiço. O ainda mal explicado câncer que, no final do primeiro semestre deste ano colocou em xeque a sua candidatura nas eleições presidenciais, voltou e, a julgar pelo tom forte de seu pronunciamento, com força total.

Ele mesmo colocou em dúvida várias vezes se terá condições de assumir, no próximo dia 6 de janeiro, o terceiro mandato para o qual foi eleito. Só isso já é um indicador de que a situação é realmente grave. Antes, durante o primeiro tratamento, Chávez nunca admitiu sequer a possibilidade de ser vencido pela doença. Agora, no entanto, não só externou a dúvida, como fez um chamado ao povo venezuelano para que eleja o vice, Nicolás Maduro, caso ele não possa seguir na presidência.

A preocupação se justifica: se ele não tiver condições de tomar posse, a Constituição manda que novas eleições presidenciais sejam convocadas. Em outubro, ele venceu Henrique Capriles por uma diferença pequena. Em um eventual novo pleito, que chance terá o seu sucessor que nunca teve espaço para demonstrar liderança frente um mandatário onipresente?

O fato é que a urgência é grande. Chávez passou mais de 20 dias em Havana e a única explicação dada pelo governo é que ele estava se submetendo a exames. No mesmo dia que retornou ao seu país, anuncia que precisa sair em disparada no dia seguinte. Neste domingo, Chávez volta a Havana para, segundo ele, se submeter à outra operação para retirada de novos tumores. Em que parte do corpo? Não se sabe. Ele não disse, mas a urgência leva a crer que a situação é bem mais grave.

Opositores já dizem que a cirurgia não está confirmada e que os médicos cubanos ainda irão avaliar se é plausível realizá-la. Quem já teve a infelicidade de acompanhar um tratamento contra qualquer câncer de algum amigo ou familiar sabe que, quando essa dúvida existe, o caso pode ser irreversível.

Em se tratando de Hugo Chávez, sabemos que muita coisa foi omitida. Ele nunca tratou abertamente o assunto, nunca explicou exatamente que tipo de câncer enfrenta e sempre fez discursos vagos buscando tranquilizar seus eleitores. Era véspera de eleições e o então candidato precisava estar forte. Agora é diferente. A doença ameaça seriamente o seu terceiro mandato.

Outra possibilidade que temos que avaliar é de Chávez estar usando o tratamento para gerar comoção. É possível, mas pouco provável. Ele está colocando em risco a sua continuidade no governo, algo que, para muitos, era uma ideia fixa de um “ditador” que pretendia se perpetrar no poder para sempre. Por que motivo ele desistiria se a situação não fosse grave?

Na prática, o que o comandante fez na noite deste sábado foi pedir afastamento da presidência e, imediatamente, nomear o sucessor. Algo que ele vinha adiando há muito tempo. Para se licenciar, Chávez precisa da autorização do legislativo. A urgência é tanta que os deputados farão uma sessão extraordinária neste domingo para aprovar a viagem do presidente.

Em certo momento do pronunciamento – que durou pouco mais de meia hora – Chávez parecia emocionado. Seus ministros, por outro lado, não esconderam as expressões de surpresa, pavor, dúvida, emoção, tristeza... Ao lado, o vice-presidente Nicolás Maduro ouvia as palavras do presidente e concordava com a cabeça. Chávez, explicitamente, pediu votos para Maduro. Disse que ele é a garantia de continuidade da revolução bolivariana.

Apesar da situação de emergência, as ordens foram claras: respeitar a Constituição e a democracia. Ouvir o presidente chamado de “ditador” admitir a possibilidade de que novas eleições sejam convocadas é um tapa na cara dos que usam esse argumento. Resta esperar para ver se a democracia será, de fato, respeitada.

Nicolás Maduro, o novo presidente interino – por assim dizer – da Venezuela, já era um dos nomes mais citados quando se falava na necessidade de um sucessor. Ele é o vice, sucessor natural. Este é o primeiro indicativo de respeito à democracia e à ordem correta das coisas. Durante as eleições, opositores chegaram a dizer que Chávez cogitava passar o poder para o próprio irmão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Peru e Chile se enfrentam por fronteira marítima

Esta semana, um assunto dominou os jornais do Chile e do Peru: o início do julgamento pelo Tribunal Internacional de Haia sobre a fronteira marítima entre os dois países. Para entender o enfrentamento, este gráfico que reproduzo abaixo é um dos mais explicativos.
Atualmente, a fronteira marítima entre o Chile e o Peru segue o paralelo 18º21’03”, mas o Peru quer que siga a linha da fronteira terrestre para ganhar cerca de 38 mil km². A questão remonta à guerra do Pacífico de 1879-83, quando o Chile anexou a saída para o mar da Bolívia e uma parte territorial do Peru.

A alegação do Peru, se aceita, pode levar o Chile a perder cerca de 40 mil m² de território terrestre além de uma área marítima de 38 mil km². O governo do Chile, entretanto, diz que os tratados firmados nos anos de 1950 definem o paralelo Milestone número 1 como referência.  Para o Chile, a fronteira marítima foi marcada por atos de 1968 e 1969.

Esta semana, os defensores dos dois países apresentaram seus argumentos em Haia. A decisão pode levar até quatro meses para sair.

Lei da Mídia: dos 3 ministros que analisam recurso do governo contra o Clarín, 2 foram indicados por Néstor Kirchner

Três ministros da Suprema Corte argentina começaram a analisar nesta sexta-feira a representação do governo de Cristina Kirchner contra o recurso que a Câmara Civil e Comercial concedeu ao Grupo Clarín, que adia a aplicação do artigo 161 da Lei da Mídia – sancionada há três anos – por tempo indeterminado.

Esse artigo limita o número de empresas que um mesmo conglomerado de comunicação pode possuir e, com isso, obrigaria o maior grupo midiático argentino a se desfazer de canais de televisão e outros meios.

O governo ingressou na Suprema Corte de Justiça contra o recurso favorável ao Clarín nesta sexta e o tema está sendo analisado por três ministros. Ricardo Lorenzetti, Elena Highton de Nolasco e Enrique Petracchi.

Lorenzetti e Elena foram indicados e nomeados para os cargos pelo ex-presidente Néstor Kirchner em 2004, numa manobra política que trocou a maioria dos integrantes do STF argentino e permitiu que a Justiça começasse a investigar e punir os crimes cometidos durante a ditadura. 

Petracchi, no entanto, está na Corte desde 1983 e foi nomeado pelo ex-presidente Raúl Alfonsín, morto em 2009 e pai do deputado Ricardo Alfonsín, terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Chávez sumiu: há 15 dias, presidente da Venezuela não é visto


O presidente da Venezuela está "desaparecido". Desde o dia 15 de novembro, Hugo Chávez não é visto e o governo não dá nenhuma explicação sobre o chá de sumiço do mandatário. Só o que se sabe é que, na última quarta-feira, ele viajou a Cuba para um “tratamento especial de oxigenação hiperbárica”, de acordo com a BBC.

Sempre presente no Twitter, as últimas postagens do presidente venezuelano são do dia 1º de novembro.

Foi em Havana que Chávez tratou o câncer até hoje não explicado. Ao contrário do que acontecia toda a vez que o comandante precisava ir até a ilha comunista para mais uma etapa do tratamento, a viagem da última quarta-feira não foi sequer noticiada pela mídia oficial.

A ausência, obviamente, vem levantando suspeitas sobre o real estado de saúde de Chávez. Henrique Capriles, que perdeu as eleições presidenciais deste ano para o comandante, cobrou, como líder da oposição, informações sobre a saúde do presidente: “porque o povo tem direito de conhecer como anda a saúde do presidente", disse.

No entanto, partiu do embaixador brasileiro em Caracas a informação que pode desmentir os vários boatos sobre a situação do presidente. José Antonio Marcondes disse à Reuters que está confirmada a participação de Chávez na Cúpula do Mercosul, que será realizada na próxima sexta-feira em Brasília.