quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Maduro comete nova gafe: 'os capitalistas especulam e roubam como a gente'



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Legalização da maconha no Uruguai será votada no Senado dia 10/12

O projeto do governo Mujica que legaliza o consumo e regula a produção de maconha deverá ser votado no plenário do Senado do Uruguai no dia 10 de dezembro. A informação partiu do senador Luis Gallo, integrante da Comissão de Saúde da casa, que aprovou a lei na última quarta-feira apenas com os votos dos governistas.

Salvo algum acidente de percurso, o projeto deve ser aprovado no Senado. A Frente Ampla, coligação de esquerda que reúne quase 30 partidos, tem 16 dos 30 senadores. Os outros 15 são colorados ou blancos. Para ser aprovado, o projeto precisa apenas de maioria simples.

Motivo de uma grande polêmica e assunto do momento no Uruguai, a proposta de Mujica de tomar para o Estado o controle da produção e da venda da maconha para quebrar o narcotráfico respingou do outro lado da fronteira. Defensores do atual e fracassado método de combate ao tráfico de drogas criticam a ideia uruguaia.

Entre os usuários, a avaliação é que a lei dificultará o acesso à maconha. Isso porque o projeto do governo impõe uma série de limitações para a compra da droga (de quantidade, inclusive) e estabelece um preço considerado alto pelos atuais consumidores do mercado ilegal: US$ 1 por cada grama.

Após a provável aprovação no Senado, o projeto segue para assinatura do presidente José Mujica. Só depois disso iniciam as articulações para a implantação do sistema de produção e credenciamento dos locais de venda da maconha. Segundo estimativas informais de integrantes da Frente Ampla, até o final de 2014 (ano eleitoral no Uruguai) o sistema deve estar organizado e em funcionamento.


domingo, 10 de novembro de 2013

“Gracias, Pepe... por existir”

Se você já esteve aqui, deve ter percebido que - assim como muita gente - sou um grande admirador do presidente uruguaio Pepe Mujica. Não é por acaso: esse tupamaro de 78 anos apresenta uma longa lista de motivos para ser admirado: começa em seu passado de luta pela liberdade, passa por sua vida simples e vai até as mudanças implantadas no Uruguai durante seu governo.

Os dois minutos que tive para conversar com Mujica, na terça-feira, 5 de novembro, não foram suficientes para dimensionar o tamanho da minha admiração pessoal. No entanto, esse breve momento ficará guardado na minha memória para sempre: a rápida conversa, o sorriso quando perguntei sobre Manuela (a cadela de três patas), o abraço, o cafuné e a piada com a minha baixa estatura marcaram a primeira oportunidade que tive de dizer “gracias” ao Mujica, “pero por existir”.

Fui ao Uruguai a trabalho, acompanhando o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em agenda oficial. Na terça-feira, o governador palestrou sobre os desafios da nova democracia na Fundação Líber Seregni, que fica ao lado da sede da Frente Ampla. Na plateia, sentados entre os demais, estavam Pepe e sua mulher, a senadora Lucía Topolansky.

No Uruguai, situações como essa são comuns. Você pode sair para caminhar pela Ciudad Vieja e encontrar o presidente sentado em um bar. Não são poucos os turistas brasileiros que se depararam com Mujica, Lucía e Manuela em algum café ou restaurante de Colônia do Secramento, por exemplo. Pepe sempre atende aos pedidos de foto e distribui sorrisos.

Pepe não parece acostumado a ser pop: quando os elogios começam, ele baixa a cabeça e sorri timidamente, como se duvidasse das palavras do interlocutor. Não é desconfiança, é algo entre timidez e humildade. O jeito simples de Mujica desarma qualquer formalidade e conquista qualquer coração, estrategicamente posicionado no lado esquerdo do peito.