segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Depois de Cristina: quem será o próximo presidente da Argentina?

Scioli, Macri e Massa
O próximo ano será intenso politicamente na vizinha Argentina. Todas as atenções, desde agora, estão voltadas para outubro, quando os argentinos vão escolher o próximo presidente e renovar parte da Câmara e do Senado.

Ao contrário do alertado nos últimos anos pela oposição, a atual presidenta Cristina Kirchner não concorrerá a um terceiro mandato. Para isso, ela precisaria propor uma mudança na legislação eleitoral. Apesar de ter maioria legislativa para tal, a presidenta optou por ‘não concorrer a nada’, segundo declarou.

O cenário eleitoral já está praticamente definido: serão três os principais candidatos com chances de vencer a eleição presidencial. Na situação, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, é o mais cotado. Ele deve ser o candidato de Cristina e já ensaia o discurso vinculado com o da presidenta.

A oposição aposta no prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri. O empresário ex-presidente do Boca Juniors está no segundo mandato como prefeito, sendo que venceu a eleição de 2011 com 64% dos votos no segundo turno.

Sergio Massa corre por fora. Após romper com o kirchnerismo, o deputado fundou o partido Frente Renovador e começou a alicerçar as bases de sua candidatura presidencial em 2015. Começará o ano como o “mais garantido” no pleito, já que as candidaturas de Scioli e Macri dependem de uma série de fatores.

Pesquisas
No meio de 2014, as pesquisas incendiaram ainda mais o debate pré-eleitoral na Argentina ao apontar os três praticamente empatados. Na época, o instituto Managment & Fit apontava Massa 25%, Scioli 25% e Macri 20%. Outra pesquisa, do instituto Aurelio, deu Scioli 25%, Massa 21% e Macri 19%; Já a empresa Isonomía apontou Scioli 27%, Massa 23% e Macri 23%.

Os três discursos são previsíveis. Scioli vai colar sua imagem nas conquistas sociais do governo de Cristina Kirchner, Macri vai propor uma ruptura e centrar as críticas nos problemas da economia e Massa deve aparecer como aquele que pretende fazer tudo o que o kischnerismo deixou para depois. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O licor e o presidente tcheco

A linguagem de boteco do presidente Milos Zeman durante seu programa na emissora pública Radiozurnal está causando furor na República Tcheca. Famoso por protagonizar aparições públicas embaraçosas (veja o vídeo), o presidente tcheco é fã confesso do licor Becherovka.

Em uma overdose de sinceridade, Zeman criticou o próprio governo pela nova lei de administração pública, afirmando: “o governo fodeu a democracia”.

Comentado sobre presos políticos na Rússia, o presidente disse que Mijail Jodorkovski é um “aproveitador” e emendou: “lamento que o regime de Putin não prendeu mais oligarcas”.

O presidente tcheco ainda traduziu a primeira palavra do nome da banda russa Pussy Riot, usou a palavra diversas vezes na sua forma mais vulgar e chamou as três integrantes do grupo, que foram presas na Rússia, de “putas”.

A imprensa tcheca disse que o presidente perdeu o controle, enquanto alguns comentaristas arriscam dizer que ele estava bêbado. Não entendo nada que ele fala (só "pussy") e mesmo assim já é engraçado. Ouça o áudio aqui e veja o vídeo abaixo, de outro fogo.

Qual será o próximo primeiro passo do Uruguai?

EFE
Dizer que existe um Uruguai pré e outro pós-Mujica seria exagero, mas separar as últimas décadas da história uruguaia nos períodos pré-esquerda e pós-esquerda é perfeitamente aceitável para entender porque até hoje a coalizão Frente Ampla segue vencendo eleições. Formado por quase 30 partidos de esquerda, o blocão terminou com décadas de um bipartidarismo casual entre blancos e colorados com a vitória de Tabaré Vázquez em 2004.

Naquela feita, o candidato freteamplista venceu já no primeiro turno, com 50,4% dos votos. Depois, veio José Mujica, eleito em 2009 em segundo turno, que aprofundou as reformas cujas bases foram assentadas no primeiro governo Tabaré. Atualmente, o ex-presidente concorre para suceder Mujica e deve vencer o segundo turno no final de novembro, já que fez 47% no primeiro turno, mais que Partido Nacional e Partido Colorado juntos.

Com a terceira vitória da Frente Ampla a caminho, a pergunta que fica é como uma coalizão tão heterogênea conseguiu permanecer unida e manter a confiança de metade do eleitorado? Uma das respostas possíveis indica a consolidação da Frente Ampla como opção para o eleitorado construída a partir da ousadia de promover reformas importantes que afetam diretamente a vida das pessoas.

Muito além da figura pop na internet, José Mujica é o rosto memorizado pelos uruguaios como o presidente que teve coragem de enfrentar temas tabus. Aborto, maconha e casamento gay não são assuntos corriqueiros apenas na sua timeline do Twitter, são pauta do almoço de domingo e da conversa do bar. Todos os uruguaios têm opinião formada sobre esses três temas e, a partir de coincidências de opinião, elegem seus representantes.

Na eleição deste ano, a Frente Ampla manteve maioria no Congresso e na Câmara. Se eleger Tabaré novamente no dia 30 de novembro, voará em céu limpo – pelo menos em casa – pelos próximos anos. A Frente Ampla terá mais um período para concretizar seu processo de mudança história, começando pelas principais demandas caseiras: diminuir a pobreza, melhorar a educação e diminuir as já baixas taxas de violência.

A segurança pública deverá ser tema central do próximo período no Uruguai, país no qual o número de suicídios é o dobro do número de homicídios. Apesar das taxas de criminalidade muito baixas em comparação com os países vizinhos (era 7/100 mil habitantes em 2011), a população uruguaia apontou, durante o processo eleitoral, que a segurança pública precisa melhorar. Tabaré traçou um plano específico para a área e apresentou durante a campanha.

Das três principais mudanças – do ponto de vista internacional – implantadas pela Frente Ampla, duas já deram resultados positivos. Com a legalização do aborto, há cerca de dois anos, muitas mulheres procuraram os serviços de saúde pública e, até agora, nenhuma morte foi registrada.

Já a aprovação do casamento igualitário pautou as reuniões de família, confortou quem até então estava à margem desse direito e, de quebra, consolidou a imagem do Uruguai no exterior como um país “buena onda” e moderno.

No entanto, o objetivo central do processo de legalizar e estatizar a maconha era combater a violência. Parte dos casos tem relação com o narcotráfico, mas os resultados desse processo (que ainda não começou plenamente) só irão aparecer a longo prazo, como explicou o próprio presidente Mujica diversas vezes.

Diante desse cenário, a esquerda uruguaia comemora antecipadamente a oportunidade de consolidar um ciclo de mudanças com a eleição de Tabaré Vázquez. E se, nos próximos anos, a ideia de legalizar a maconha para quebrar o narcotráfico der certo e as taxas de violência começarem a cair, qual será próximo primeiro passo do Uruguai?


Bachelet enfrenta baixa aprovação no 1º ano de novo governo no Chile


No cargo desde março deste ano, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, enfrenta grandes dificuldades para manter a alta popularidade com a qual deixou a presidência em março de 2006 (84% aprovavam sua gestão) e conquistar a confiança dos 62% que votaram nela na eleição do ano passado. Uma pesquisa divulgada esta semana pelo jornal Nación mostra que a popularidade da presidenta está bem abaixo dos 60% no primeiro ano do governo anterior.

Segundo a pesquisa da Cadem, 37% aprovam Bachelet enquanto 48% desaprovam. O problema parece estar nas questões de segurança pública (o calcanhar de Aquiles de muitos governos de esquerda pelo mundo). Pesquisa específica sobre esse tema mostra que a desaprovação do governo Bachelet na área chega a 69%.

Oito em cada dez chilenos acreditam que a violência aumentou no último ano; 63% se sentem muito preocupados com a criminalidade; os Carabineros, polícia militar do Chile, são aprovados por 60% da população.

A preocupação com o nível de violência no Chile, as incertezas econômicas, a Reforma Tributária impopular e dúvidas sobre a reforma educacional proposta pela presidenta são apontados como motivos da queda de popularidade.

Na mesma época de 2006, primeiro ano de seu primeiro governo, Michelle Bachelet, chegou a ter 60% de aprovação e terminou o mandato, em 2010, com 84%.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Santos e Zuluaga devem ir para o segundo turno na Colômbia

No próximo domingo os eleitores colombianos escolherão o próximo presidente do país: o atual mandatário, Juan Manuel Santos, e o candidato do ex-presidente Álvaro Uribe, Óscar Iván Zuluaga, aparecem tecnicamente empatados nas últimas pesquisas. Santos e Zuluaga, centro-direita e direita, respectivamente, devem ir para o segundo turno em meio a uma guerra suja.

Sem conseguir deslanchar a única candidata de esquerda no pleito, a economista Clara López – responsável pela denúncia de ligação de altos escalões do governo Uribe com grupos de paramilitares que levou ao escândalo conhecido como “parapolítica” -, a esquerda está sem pai nem mãe. Os demais candidatos são a advogada conservadora Marta Lucía Ramírez (menos de 10% das intenções de voto) e o economista norte-americano do Partido Verde, Enrique Peñalosa. Este último, em algumas pesquisas, aparece em terceiro e até em segundo lugar.

Um bom termômetro sobre a situação política a esquerda colombiana é a ex-senadora Piedad Córdoba, cassada por acusações de ligações com as Farc (Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia), e seus milhares de seguidores. Eles não têm candidato para a disputa presidencial, mas dão sinais de um apoio discreto a Santos. Em suas redes sociais e no site oficial do movimento, os “avanços” do governo Santos no diálogo com as Farc (já concordaram em três dos cinco pontos fundamentais no diálogo que ocorre em Havana) ganham destaque e o papel do governo como agente negociador é reverenciado.

Pela lógica dos aliados de Piedad, se não está bom com Santos, pior com Uribe. Óscar Iván Zuluaga é fiel ao seu mentor político e não concorda em dialogar com a guerrilha. Se for eleito, as conversas de paz serão suspensas e não terão efeito.

A troca de acusações entre militantes dos dois principais candidatos é o elemento que mais chamou a atenção na campanha. Sobrou para Santos e também para Zuluaga. Um assessor do atual presidente foi demitido após denúncia de que teria recebido 12 milhões de dólares de traficantes de drogas. Ele nega e Santos diz que acredita.

Já o uribista Zuluaga tentou dar explicações após o surgimento de um vídeo no qual ele aparece ao lado de um hacker preso por grampear as comunicações entre os participantes dos diálogos de paz entre o governo e as Farc em Cuba. No vídeo, o hacker passa informações ao candidato opositor. Zuluaga alegou que o vídeo é uma montagem.

Documentário: como a mídia constrói a imagem da mulher brasileira

Excelente reportagem-documentário da revista espanhola Pueblos.

Sinopse: As mulheres brasileiras são constantemente usadas para a venda de produtos e para conquistar mais audiência. Um modelo de concentração dos meios brasileiros em seis famílias de grande poder, uma cultura machista e a maximização do benefício econômico são algumas das chaves para entender por que os grandes meios de comunicação apresentam um modelo único da mulher e ocultam a grande diversidade que há no Brasil. O vídeo conta com entrevistas com Terezinha Vicente e Rita Freire, da Rede Mulher e Midia; Jacira Melo, diretora do Intituto Patricia Galvao; Iris Miranda, psicóloga e ativista, e Melissa Miranda, jornalista e ativista.

 
Direção e roteiro: Laura Toledo Daudén, Andrea Gago Menor e Alba Onrubia García.
Produção: Pueblos-Revista de Información y Debate y Paz con Dignidad.
Apoio: Agencia Vasca de Cooperación al Desarrollo.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pesquisas mostram que Frente Ampla consolida vantagem no Uruguai

As últimas quatro pesquisas eleitorais no Uruguai apresentaram praticamente o mesmo cenário. Nelas, a Frente Ampla, coalizão de quase 30 partidos que governa o país, apa
rece com a mesma porcentagem de intenção de votos (43% em três pesquisas e 41% em uma delas).
Ao mesmo tempo em que a coalizão de esquerda parece estar consolidada, os partidos opositores, juntos, ficam com o resto do bolo. Outra curiosidade da pesquisa eleitoral uruguaia é que o número de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular é muito baixo: menos de 6%.
São quatro grandes frentes políticas que disputam o eleitor uruguaio: a coalizão Frente Ampla, que reúne quase 30 siglas de esquerda e chegou ao poder com Tabaré Vázquez, que está na disputa novamente (Uruguai não tem reeleição imediata); os blancos, do tradicional Partido Nacional, que hoje são a segunda força política; o Partido Colorado, também de direita, que estava acostumado – assim como os blancos – a governar o país antes do surgimento da Frente Ampla; e, por fim, o Partido Independente, movimento que surgiu já nos anos 2000 e busca se posicionar no centro do espectro político servindo de alternativa à esquerda frenteamplista e à direita blanca ou colorada.
A pesquisa da empresa Cifra aponta 43% para a Frente Ampla, 30% para o Partido Nacional, 18% para o Partido Colorado e 2% para o Partido Independentes. O levantamento da Mori mostra também 43% para a Frente Ampla, 28% para os blancos, 16% para os colorados e 2% para os independentes. O resultado da pesquisa da Factum foi bem similar: Frente Ampla 43%, blancos 27%, colorados 15% e independentes 4%. Na Interconsult, a Frente Ampla tem a preferência de 41% dos eleitores, o Partido Nacional fica com 28%, o Colorado com 14% e os independentes com 4%.

A presidenta da coalizão governista, a ex-senadora Mónica Xavier, vê a oposição “supervalorizada” nas pesquisas e acredita que a Frente Ampla “decolará” a partir de junho, assim como ocorreu em 2009, na eleição de Mujica (LaRed21, 12/05/2014). O grande desafio da esquerda uruguaia é conquistar maioria legislativa para governar mais quatro anos com possibilidade de implementar seus projetos.
Mujica conseguiu governar com relativa tranquilidade nesses últimos quatros anos “por uma cabeza”, literalmente. A Frente Ampla tem 16 das 30 cadeiras na Câmara Alta. Blancos e colorados dividem as outras 15 vagas. Nenhum senador frenteamplista tem o direito de ter uma indisposição estomacal em dias de votações importantes. Tabaré Vásquez quer manter essa vantagem ou, na melhor das hipóteses, ampliá-la. Para a sorte dos esquerdistas uruguaios, o cenário agora é muito parecido com o da eleição anterior.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Mujica diz que não vai dar bola para críticas da ONU sobre maconha: "vamos vencer o jogo e ensinar como se faz"

Mujica sobre críticas da ONU: "vamos dar tanta bola pra eles quanto as grandes potências"
O presidente do Uruguai, Pepe Mujica, reagiu às críticas da ONU sobre o seu novo método de enfrentamento do narcotráfico. “A legalização da maconha no Uruguai marca uma tendência perigosa”, disse a Comissão de Fiscalização de Entorpecentes da organização internacional na última terça-feira.  “Vamos vencer esse jogo e vamos ensinar como se faz”, respondeu Mujica.

O informe ainda questionou o governo do presidente uruguaio: “quando os governos pensam em adotar futuras políticas nesse tema, deveriam pensar primeiro na saúde e no bem-estar da população”.

Mas, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Mujica respondeu em tom duro que não vai dar bola para as preocupações da ONU. A resposta veio exatamente com essa expressão. E ainda cutucou a autoridade da ONU, tendo em vista as constantes desobediências de países como Estados Unidos e Rússia, que fazem pouco caso de suas recomendações.

“As Nações Unidas estão nos dando um puxão de orelhas. Vamos dar tanta bola pra eles quanto as grandes potências”, alfinetou Mujica. Tenho certeza que muitos presidentes gostariam de dar a mesma resposta para outras questões.  

Essa não foi a primeira vez que a legalização do cultivo, uso e venda de maconha no Uruguai foi alto de críticas das Nações Unidas.

A ONU defende a falida política internacional contra o narcotráfico criada pelos Estados Unidos lá nos tempos da lei seca. E, como você pode conferir na boca de fumo mais próxima, não está dando certo. Nem aqui, nem na China, na no Uruguai e muito menos nos Estados Unidos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O dia do fico de Cristina Kirchner

Presidente argentina brinca com jovens que lotaram a Casa Rosada na noite de quarta-feira
Após mais de um mês longe dos holofotes, a presidenta da Argentina reapareceu na noite de quarta-feira. Cristina Kirchner conduziu um ato no Salão das Mulheres da Casa Rosada e surpreendeu até os mais acostumados com seu estilo midiático. Respondeu os boatos sobre sua saúde e possível renúncia e deixou claro que está de volta com tudo e não pretende abandonar o cargo.

Pela primeira vez desde a morte do marido, Néstor Kirchner, Cristina tirou o luto. Usou um vestido branco e distribuiu sorrisos. Antes do início da misteriosa cerimônia, um sentimento de tensão tomou conta da Argentina. Algo grande aconteceria em poucos minutos, ninguém tinha dúvidas. Os canais de televisão transmitiam imagens do salão vazio horas antes da cerimônia. 

Ao contrário do que parecia, a volta de Cristina foi um ato de afirmação e não uma jogada de toalha. Foi o dia do fico do kirchenerismo.

A presidenta fez três discursos. O primeiro, no Salão das Mulheres da Casa Rosada lotado pelas principais autoridades do país e jovens militantes da La Campora, foi transmitido em rede nacional. “Quero ver o que vão falar amanhã sobre essa rede nacional, depois de tanta demanda por presença”, alfinetou.

Anunciou a criação de um programa chamado Progres-AR (progredir), pelo qual jovens entre 18 e 24 anos que não trabalham nem estudam receberão uma bolsa de cerca de 200 reais para voltar aos estudos. Serão quase dois milhões de beneficiados. 

Irreverente e bem-humorada, Cristina disse que os jovens são o futuro da Nação e encorajou essa parcela da população a não perder as esperanças. Foi no mandato do kirchnerismo que os jovens a partir de 16 anos conquistaram o direito ao voto.


"Falo isso como uma sexagenária prestes a completar 61 anos no próximo dia 19 de fevereiro...", disse, ao ser interrompida por um grito de "linda". "Obrigado", ela respondeu.

Dólar, inflação, dividas... nada disso foi tema das três falas da presidenta. Ao final do ato oficial, Cristina se dirigiu a uma sacada interna da Casa Rosada para falar mais uma vez. Sob o olhar atento de centenas de jovens, desmentiu que a cúpula da Celac, marcada para o final deste mês em Cuba, tenha sido adiada por causa de sua saúde. "O que aconteceu foi um problema de agenda de um país que não vale a pena cita qual", disparou.

"Olá! Como estão?", gritou a presidenta. "Bem", responderam os jovens. "Não escutei! Mais alto: como estão?", animou. "Beeem", gritaram mais forte. "Eu também estou muito bem", respondeu, irônica.

Sobre o sumiço de mais de um mês, ela não deu qualquer explicação. Apenas criticou os boatos que surgiram nesse tempo sobre seu estado de saúde e as cobranças por sua ausência. 

Na sequência, foi até outra sacada interna da Casa Rosada. Lá, outras centenas de jovens a esperavam, alguns dentro da fonte do pátio do palácio. "É só hoje", justificou a própria presidenta. "Estou indo para o meu terceiro discurso... Deve ser a abstinência", brincou.

Fez outra fala forte, interrompida a todo o momento por cânticos da juventude kirchnerista. "Shh. Fiquem quietos, assim não preciso gritar... Se bem que eu gosto de gritar", disse, entre risos.

Depois de mais de um mês de um sumiço ainda não explicado, a presidenta argentina deixou o seu recado: entra em uma nova fase, mais incisiva, alfinetando a mídia e a oposição de forma mais direta, sem o luto e disposta a atropelar os problemas econômicos do país para deixar a Casa Rosada, em 2015, pela porta da frente.

A cobertura da imprensa foi um capítulo à parte. Um jornalista do canal de notícias do grupo Clarín chegou a questionar a sanidade mental da presidenta: "o tom de Cristina pode ser efeito de alguma medicação que está tomando". Nos outros canais de televisão, os apresentadores não conseguiram disfarçar a surpresa. Se esperava uma Cristina séria com um discurso duro e o que se viu foi o contrário.

Cristina anunciou que vai a Cuba no final do mês para a Cuba da Celac. Enquanto falava aos jovens na sacada da Casa Rosada, contou que o colega da Venezuela, Nicolás Maduro, vai propor a entrada de Porto Rico na cúpula. Quase ao mesmo tempo, o presidente venezuelano anunciava uma investida contra "as colônias da América Latina". Uma ação política provavelmente combinada e, do ponto de vista midiático, um sucesso. 

A volta de Cristina repercutiu nas redes sociais, inclusive no Brasil. Por aqui, o comentário foi que o tom da fala da presidenta foi de deboche contra os adversários – oposição e mídia -, com direito a um quase "beijinho no ombro" (ver gif aqui).

Cristina está de volta, mais impossível do que nunca. A presença da presidenta é a garantia de um ano agitado na Argentina.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Após reunião com Piñera, ministro chileno lê nota com voz embargada e vira piada

Quando o ministro do Interior do Chile (cargo equivalente ao ministro da Justiça do Brasil) começou a ler o informe sobre a reunião da qual acabara de sair no Palácio La Moneda, os jornalistas presentes trocaram olhares. Andrés Chadwick tinha acabado de sair de um encontro do presidente Sebastián Piñera com o Conselho Nacional de Segurança sobre a sentença que o Tribunal Internacional de Haia deve divulgar nos próximos dias a respeito da disputa entre Chile e Peru por uma extensa área do Pacífico.

A voz tremula do ministro chamou a atenção de todos. Nas redes sociais, o comentário foi geral. O que teria acontecido nessa reunião que deixou o funcionário do alto escalão do governo completamente descompensado? O fato virou a piada do dia no Chile: "agora os países vizinhos vão pensar que o Chile está com medo", escreveu um tuiteiro. "Não sei se foi choro de tristeza pela derrota ou de felicidade pela vitória", brincou outro.

Enquanto o ministro seguia a leitura, a chefe de imprensa do presidente Piñera perguntou se ele estava em condições de continuar. Ele não ouviu e continuou até o final.

Logo na primeira frase se ouve o murmurinho. Quando o ministro terminou a leitura da nota, alguém perguntou se ele estava emocionado. Chadwick pediu desculpas e se ofereceu para ler a nota novamente, caso a sua voz estranha tenha prejudicado o entendimento. "Não há um tom de voz diferente. Peço desculpas a todos se assim entenderam", disse.

Assessores do Palácio La Moneda disseram que a voz do ministro ficou alterada porque ele desceu as escadas correndo para ler a declaração. Pessoas próximas a Andrés Chadwick contaram ao portal Emol que ele só percebeu seu tom de voz diferente durante a leitura.

Costa Rica pode dar guinada histórica à esquerda nas eleições de fevereiro

José María Villalta, o deputado de esquerda que fez os colegas aprovarem o casamento gay sem querer.
O advogado e ambientalista José María Villalta tem grandes chances de ser o próximo presidente da Costa Rica. Único deputado do esquerdista Frente Amplio, José María faz uma campanha exitosa. Começou com apenas 4% das intenções de voto (na pesquisa de agosto) e, segundo o último levantamento (janeiro), aparece liderando a corrida presidencial com 29%.

O deputado esquerdista se destaca entre os demais candidatos. Faz parte de um partido novo (fundado em 2004) e que nunca governou o país. Não carrega nas costas o peso de um bipartidarismo que se repete na Costa Rica desde os anos 40, com os partidos Liberação Nacional (PLN) e Unidade Social Cristã (PUSC).

É opositor ferrenho da atual presidenta Laura Chinchilla em temas polêmicos como o aborto, a maconha e a união entre pessoas do mesmo sexo. Chinchilla é muito próxima da Igreja Católica e, inclusive, participou de marchas contra o aborto e se manifestou publicamente contrária à igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais. 

José María Villalta se posicionou sobre esses e outros temas controversos: como deputado, fez os colegas aprovarem o casamento gay sem saber em agosto passado. Ele incluiu, “de maneira criativa” (palavras dele), no projeto da Lei da Pessoa Jovem uma frase que dava aval às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e os colegas aprovaram o texto sem ler; 2) apoia o aborto em casos que oferecem risco para a mãe; 3) apoia o uso de maconha com fins medicinais.

Villalta é o diferente com cautela, pois depende de um eleitorado conservador para se eleger. Seu slogan de campanha já aponta nessa direção: “Sim, há em quem votar”. Além de jovem (36 anos), entrou na política a partir dos movimentos estudantis. Logo abraçou a causa do meio ambiente e tem se destacado como principal ativista do país nessa área.

Além de José María Villalta, outros dois candidatos têm chances de disputar o segundo turno: Otto Guevara, que apesar do sobrenome integra o neoliberal Movimento Libertário, um partido que sempre esteve na oposição. O próprio Guevara concorreu nas últimas três eleições e perdeu.

Laura Chinchilla apresenta como sucessor Johnny Araya, ex-prefeito de San José, a capital do país. Representante do Partido Liberação Nacional, Ayala tem a difícil missão de convencer o eleitor a votar em um projeto marcado por denúncias de corrupção e escândalos políticos. O engenheiro também enfrenta processos por suspeitas de irregularidades em sua administração de 22 anos na prefeitura de San José.

Dados da última pesquisa:
José María Villata (Frente Amplio, esquerda) – 29%
Johnny Ayala (PLN, situação) – 26%
Otto Guevara (ML, neoliberal) – 26%
Luis Guillermo Solís (PAC, socialdemocrata) – 7%
Rodolfo Piza (PUSC, democrata-cristão) – 5%

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sentença sobre área marítima disputada por Chile e Peru sai no dia 27

Os presidentes do Chile, Sebastián Piñera (esquerda), e do Peru, Ollanta Humala
Está perto do fim a disputa história entre Peru e Chile por uma área marítima de cerca de 37 mil quilômetros quadrados no Pacífico. A Corte Internacional de Haia dará a sentença final no próximo dia 27 de janeiro. Os dois países já disseram que vão acolher a decisão da justiça internacional.

O Peru pede o estabelecimento de uma nova fronteira marítima, enquanto o Chile diz que os tratados firmados nos anos de 1950 definem o paralelo Milestone número 1 como referência.  Para o Chile, a fronteira marítima foi marcada por atos de 1968 e 1969.

No mesmo dia 27 de janeiro, logo após a divulgação da sentença da corte de Haia, os presidentes Sebastián Piñera e Ollanta Humala devem se pronunciar. Ambos devem falar no mesmo horário para evitar a sensação de que um está respondendo ao outro. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crise, saúde e sumiço alimentam teoria sobre possível renúncia de Cristina Kirchner

Sem luto: imagem da presidenta argentina em novembro, quando voltou ao governo após licença médica
Coisas muito estranhas estão acontecendo na Argentina. Juntando os fatos, a conclusão é que algo grande está para acontecer a qualquer momento na política do país. Envolve a presidenta Cristina Kirchner. Com saúde física e política abaladas, ninguém duvida que ela não termine o mandato.

Relutei em falar sobre o assunto, pois não sou adepto da teoria do caos e nem tenho talento para advogado do diabo. No entanto, diante do silêncio de toda a mídia internacional sobre a situação “rara” dos hermanos, atrevo-me a palpitar.

Vamos aos fatos: há um ano, Cristina Kirchner anunciou que estava com câncer e precisava se submeter a uma cirurgia. Dias depois, os médicos descobriram que o problema na garganta da presidenta não era câncer.

Em outubro de 2013, CFK se licenciou da presidência por seis semanas. O motivo alegado: retirar um coágulo do cérebro, resultado de uma queda ocorrida meses antes. Em novembro, ela voltou à presidência e promoveu uma grande reforma, trocando nomes importantes do governo.

Dias depois, a presidenta saiu em férias. Mesmo em meio ao caos causado pela greve policial – que resultou em inúmeros saques e violência fora de controle – e aos problemas de geração de energia elétrica, CFK não interrompeu as férias para se dirigir à nação em uma usual cadeia nacional de rádio e televisão, como costumava fazer.

Na volta, abandonou parcialmente o luto pela morte do marido Néstor, ocorrida em 2010 (até então ela só vestia preto) e anunciou que não seria “candidata a nada” em 2015, quando o país passará por eleições presidenciais. Antes, chegou-se a cogitar que Cristina pretendia promover uma reforma na Constituição do país para poder concorrer a um terceiro mandato.

A presidenta argentina voltou ao trabalho na semana passada. Desde então, está mais reservada. A julgar pela agenda oficial, continuará assim - pelo menos dentro do país. Todos os anúncios importantes, como a compra de tomate brasileiro, por exemplo, foram feitos pelo novo chefe de gabinete, nomeado em novembro.

Nos bastidores, dizem que CFK está isolada dentro de um governo cheio de problemas. Este poderia ser o motivo do chá de sumiço: evitar associar sua imagem à crise iminente. Foi uma mudança muito brusca, pois antes da cirurgia para retirar o coágulo do cérebro, Cristina aparecia quase que semanalmente em rede nacional. Agora, dizem, só será vista uma vez por semana.

Pepe Mujica, presidente do Uruguai, está tentando, sem sucesso, falar pessoalmente com Cristina para reabrir o diálogo entre os dois países após a polêmica sobre a planta de celulose na fronteira. Ele espera encontrá-la ainda este mês na Venezuela ou em Cuba.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, adiou duas vezes a cúpula do Mercosul na qual passará a presidência para a Argentina. Primeiro, a reunião aconteceria em dezembro, quando Cristina ainda se recuperava, e passou para meados de janeiro. No início do ano, novo adiamento: desta vez a justificativa seria facilitar a vida da colega argentina, que faria apenas uma viagem para a reunião do Mercosul e para a cúpula da CELAC em Havana.

É impossível não fazer uma associação imediata com os meses que precederam a morte de Hugo Chávez. As informações desencontradas sobre a saúde do presidente, a continuidade do tratamento contra o câncer dias após a eleição (Cristina só resolveu operar o coágulo do cérebro depois das eleições legislativas no ano passado) e o sumiço são muito similares.

A saúde de Cristina é um capítulo à parte: sempre foi frágil. Não foram poucas as vezes que ela precisou ser atendida às pressas pelos médicos da Casa Rosada. Há alguns dias surgiu o boato que CFK estaria com problemas na fala. Nada confirmado. Nem desmentido.

Antes de me aventurar a fazer “previsões” sobre o futuro político da Argentina baseado em minhas impressões pessoais, conversei com algumas pessoas. Jornalistas, políticos e militantes próximos ao kirchnerismo. Para minha surpresa, todos compartilham a mesma preocupação. Sobre a possível renúncia, apenas um (jornalista) acha pouco provável.

Nos bastidores do kichnerismo fala-se em uma suposta mensagem secreta sobre a saúde da presidenta. As notícias não seriam nada animadoras. Não vou entrar em detalhes por se tratar de comentários sem confirmação oficial.

“A Argentina está no piloto automático”. Quem disse isso também pondera que janeiro e fevereiro são meses parados no país. Esse seria o álibi para Cristina reduzir o ritmo e cuidar mais da saúde. Depois, em março, tudo voltaria ao normal. É possível.

O certo é que não há nada certo. Quando a presidenta convocar a próxima cadeia nacional de rádio e televisão para um pronunciamento, tudo será esclarecido. Ou não.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tabaré Vázquez pagará do próprio bolso custos da campanha pela presidência do Uruguai

O ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, começa no próximo dia 20 de janeiro sua campanha para a primeira fase das eleições presidenciais. Ele participará de atos públicos no leste do país até o final do mês. É o início de uma jornada que, segundo o próprio candidato, terminará com quatro mil quilômetros percorridos.

O caminho até a sucessão de Mujica é longo, mas Tabaré parece disposto a percorrê-lo. Começará a campanha três dias depois de completar 74 anos, no dia 17 de janeiro. Ele é favorito em todas as pesquisas e não deve enfrentar dificuldades na eleição do dia 26 de outubro.

Antes disso, porém, o sistema eleitoral do Uruguai manda que os candidatos passem por uma peneira popular. As chamadas eleições internas acontecem no dia 1º de junho, antes do previsto por causa da Copa do Mundo no Brasil, e habilitam apenas um candidato por partido ou coalizão.

A Frente Ampla, do presidente Pepe Mujica, terá dois representantes: além de Tabaré, a senadora Constanza Moreira, do partido Espacio 609 (um dos quase 30 que integram a coalizão), também é candidata. Pesquisas dizem que Tabaré tem 71% dos votos dentro da frente. Constanza é a candidata do escritor Eduardo Galeano...

Como concorre contra uma companheira de coalizão, Tabaré anunciou que pagará sua campanha até as internas com dinheiro próprio. Segundo ele, para criar igualdade de condições entre os postulantes. Com isso, a outra pré-candidata não pode pedir dinheiro da Frente Ampla para sua campanha.

O ex-presidente fará, até as internas, uma agenda própria. Ele será seguido por caravanas organizadas por seus apoiadores dentro da Frente Ampla.

Para as eleições internas de 1º de junho, ainda estão inscritos seis candidatos do Partido Nacional, quatro do Partido Colorado e um independente. 

Merkel e o esqui


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NY: Primeira-dama ex-lésbica?

A nova primeira-dama de Nova York, Chirlane McGray, escreveu um artigo nos anos 70 no qual se declarava lésbica. A mulher do novo prefeito da maior cidade do mundo alegava, na época, que falar sobre o assunto daria coragem às mulheres lésbicas afroamericanas.

Chirlaine é casada com Bill de Blasio desde 1991. Questionada sobre sua sexualidade, ela respondeu que quando escreveu o artigo achava que nunca encontraria sua alma gêmea. "Estou casada e sou monogâmica, mas nem eu nem meu marido estamos mortos e rejeito rótulos".

Angela Merkel sofre acidente de esqui

Angela Merkel, 59 anos, sofreu um acidente sério quando esquiava na Suíça neste final de semana. A alemã sofreu uma "contusão grave associada a uma fratura incompleta no anel pélvico posterior esquerdo", segundo o porta-voz do governo. Por causa disso, ela cancelou sua agenda pelas próximas três semanas.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Venezuela muda data de reunião do Mercosul pela 2ª vez

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou no último sábado que a reunião do Mercosul, inicialmente marcada para dezembro, depois transferida para meados de janeiro, só acontecerá no dia 31 deste mês. Ele fez o anúncio durante um ato militar em La Guaira, perto de Caracas, mas não informou o motivo do novo adiamento.

Nos bastidores, o que se diz é que o governo da Argentina, para quem a Venezuela entregará a presidência do bloco nessa reunião, solicitou a mudança na data para que a presidenta Cristina Kirchner não tenha desgaste. Com a saúde frágil, Cristina faria só uma viagem, já que a cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) está prevista para 28 e 29 de janeiro em Havana.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Eleições presidenciais na América Latina em 2014

Dilma Rousseff (Brasil), Juan Manuel Santos (Colômbia), Evo Morales (Bolívia), Pepe Mujica (Uruguai), Laura Chinchila (Costa Rica), Maurício Funes (El Salvador), Ricardo Marinelli (Panamá)
O ano que começou promete ser agitado politicamente em 7 países da América Latina. Brasil, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Panamá, Bolívia e El Salvador terão eleições presidenciais. Pelo menos três presidentes devem ser reeleitos e quatro encerram seus mandatos deixando marcas históricas (negativas e positivas).

Quem fica
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, é favorito, assim como a presidenta Dilma Rousseff, em todas as pesquisas. Com um mandato marcado pelo início das conversas com as Farc e, ao mesmo tempo, pela manutenção dos ataques contra a guerrilha, Santos tem 36% das intenções de voto na pesquisa de dezembro. A eleição presidencial na Colômbia será no dia 25 de maio.

Na Bolívia, Evo Morales deve conquistar o terceiro mandato. Ao assumir, ele reformou a Constituição e teve um primeiro mandato de dois anos. Com isso, chega em 2014 com 8 anos de mandato e concorrerá à reeleição. Segundo as pesquisas, tem 43% das intenções de voto. Eleição: 5 de outubro.

Quem sai
Entre os quatro presidentes que encerram seus mandatos porque a legislação não permite a reeleição, a saída de Pepe Mujica da presidência do Uruguai deve ser a mais sentida. Considerado o presidente mais pobre do mundo, Mujica conquistou a simpatia de todo o mundo com seu jeito simples e com mudanças pioneiras, como a legalização do aborto, da maconha e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mujica ainda derrubou queixos com seu discurso na Assembleia da ONU. Com o nome garantido na história do Uruguai, Pepe deve dar lugar ao ex-presidente Tabaré Vázquez. Eleição: 26 de outubro.

Laura Chinchilla deixará a presidência da Costa Rica garantindo sua presença na história como primeira mulher a ocupar o cargo. Opositora do casamento gay e da legalização do aborto, ela governa com apenas 12% de aprovação – foi a pior da América Latina por dois anos consecutivos. Apesar disso, deve fazer sucessor: Johnny Araya, do mesmo partido, lidera as pesquisas para a eleição do próximo dia 2 de fevereiro.

Em El Salvador, Maurício Funes, o primeiro presidente de esquerda da história do país, encerra seu mandato. Casado com uma brasileira e muito próximo ao Partido dos Trabalhadores e ao ex-presidente Lula, Funes copiou os programais do governo brasileiro. Parece que aprendeu direitinho, pois é o governante mais popular da América Latina com 83% de aprovação. Segundo as pesquisas, Funes deve fazer sucessor: Salvador Sánchez Cerén, o vice-presidente, é o favorito para a eleição do próximo dia 2 de fevereiro.

No Panamá, Ricardo Martinelli deve passar o cargo para José Domingo Arias, da situação (direita). A eleição acontece no dia 4 de maio.