quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O dia do fico de Cristina Kirchner

Presidente argentina brinca com jovens que lotaram a Casa Rosada na noite de quarta-feira
Após mais de um mês longe dos holofotes, a presidenta da Argentina reapareceu na noite de quarta-feira. Cristina Kirchner conduziu um ato no Salão das Mulheres da Casa Rosada e surpreendeu até os mais acostumados com seu estilo midiático. Respondeu os boatos sobre sua saúde e possível renúncia e deixou claro que está de volta com tudo e não pretende abandonar o cargo.

Pela primeira vez desde a morte do marido, Néstor Kirchner, Cristina tirou o luto. Usou um vestido branco e distribuiu sorrisos. Antes do início da misteriosa cerimônia, um sentimento de tensão tomou conta da Argentina. Algo grande aconteceria em poucos minutos, ninguém tinha dúvidas. Os canais de televisão transmitiam imagens do salão vazio horas antes da cerimônia. 

Ao contrário do que parecia, a volta de Cristina foi um ato de afirmação e não uma jogada de toalha. Foi o dia do fico do kirchenerismo.

A presidenta fez três discursos. O primeiro, no Salão das Mulheres da Casa Rosada lotado pelas principais autoridades do país e jovens militantes da La Campora, foi transmitido em rede nacional. “Quero ver o que vão falar amanhã sobre essa rede nacional, depois de tanta demanda por presença”, alfinetou.

Anunciou a criação de um programa chamado Progres-AR (progredir), pelo qual jovens entre 18 e 24 anos que não trabalham nem estudam receberão uma bolsa de cerca de 200 reais para voltar aos estudos. Serão quase dois milhões de beneficiados. 

Irreverente e bem-humorada, Cristina disse que os jovens são o futuro da Nação e encorajou essa parcela da população a não perder as esperanças. Foi no mandato do kirchnerismo que os jovens a partir de 16 anos conquistaram o direito ao voto.


"Falo isso como uma sexagenária prestes a completar 61 anos no próximo dia 19 de fevereiro...", disse, ao ser interrompida por um grito de "linda". "Obrigado", ela respondeu.

Dólar, inflação, dividas... nada disso foi tema das três falas da presidenta. Ao final do ato oficial, Cristina se dirigiu a uma sacada interna da Casa Rosada para falar mais uma vez. Sob o olhar atento de centenas de jovens, desmentiu que a cúpula da Celac, marcada para o final deste mês em Cuba, tenha sido adiada por causa de sua saúde. "O que aconteceu foi um problema de agenda de um país que não vale a pena cita qual", disparou.

"Olá! Como estão?", gritou a presidenta. "Bem", responderam os jovens. "Não escutei! Mais alto: como estão?", animou. "Beeem", gritaram mais forte. "Eu também estou muito bem", respondeu, irônica.

Sobre o sumiço de mais de um mês, ela não deu qualquer explicação. Apenas criticou os boatos que surgiram nesse tempo sobre seu estado de saúde e as cobranças por sua ausência. 

Na sequência, foi até outra sacada interna da Casa Rosada. Lá, outras centenas de jovens a esperavam, alguns dentro da fonte do pátio do palácio. "É só hoje", justificou a própria presidenta. "Estou indo para o meu terceiro discurso... Deve ser a abstinência", brincou.

Fez outra fala forte, interrompida a todo o momento por cânticos da juventude kirchnerista. "Shh. Fiquem quietos, assim não preciso gritar... Se bem que eu gosto de gritar", disse, entre risos.

Depois de mais de um mês de um sumiço ainda não explicado, a presidenta argentina deixou o seu recado: entra em uma nova fase, mais incisiva, alfinetando a mídia e a oposição de forma mais direta, sem o luto e disposta a atropelar os problemas econômicos do país para deixar a Casa Rosada, em 2015, pela porta da frente.

A cobertura da imprensa foi um capítulo à parte. Um jornalista do canal de notícias do grupo Clarín chegou a questionar a sanidade mental da presidenta: "o tom de Cristina pode ser efeito de alguma medicação que está tomando". Nos outros canais de televisão, os apresentadores não conseguiram disfarçar a surpresa. Se esperava uma Cristina séria com um discurso duro e o que se viu foi o contrário.

Cristina anunciou que vai a Cuba no final do mês para a Cuba da Celac. Enquanto falava aos jovens na sacada da Casa Rosada, contou que o colega da Venezuela, Nicolás Maduro, vai propor a entrada de Porto Rico na cúpula. Quase ao mesmo tempo, o presidente venezuelano anunciava uma investida contra "as colônias da América Latina". Uma ação política provavelmente combinada e, do ponto de vista midiático, um sucesso. 

A volta de Cristina repercutiu nas redes sociais, inclusive no Brasil. Por aqui, o comentário foi que o tom da fala da presidenta foi de deboche contra os adversários – oposição e mídia -, com direito a um quase "beijinho no ombro" (ver gif aqui).

Cristina está de volta, mais impossível do que nunca. A presença da presidenta é a garantia de um ano agitado na Argentina.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Após reunião com Piñera, ministro chileno lê nota com voz embargada e vira piada

Quando o ministro do Interior do Chile (cargo equivalente ao ministro da Justiça do Brasil) começou a ler o informe sobre a reunião da qual acabara de sair no Palácio La Moneda, os jornalistas presentes trocaram olhares. Andrés Chadwick tinha acabado de sair de um encontro do presidente Sebastián Piñera com o Conselho Nacional de Segurança sobre a sentença que o Tribunal Internacional de Haia deve divulgar nos próximos dias a respeito da disputa entre Chile e Peru por uma extensa área do Pacífico.

A voz tremula do ministro chamou a atenção de todos. Nas redes sociais, o comentário foi geral. O que teria acontecido nessa reunião que deixou o funcionário do alto escalão do governo completamente descompensado? O fato virou a piada do dia no Chile: "agora os países vizinhos vão pensar que o Chile está com medo", escreveu um tuiteiro. "Não sei se foi choro de tristeza pela derrota ou de felicidade pela vitória", brincou outro.

Enquanto o ministro seguia a leitura, a chefe de imprensa do presidente Piñera perguntou se ele estava em condições de continuar. Ele não ouviu e continuou até o final.

Logo na primeira frase se ouve o murmurinho. Quando o ministro terminou a leitura da nota, alguém perguntou se ele estava emocionado. Chadwick pediu desculpas e se ofereceu para ler a nota novamente, caso a sua voz estranha tenha prejudicado o entendimento. "Não há um tom de voz diferente. Peço desculpas a todos se assim entenderam", disse.

Assessores do Palácio La Moneda disseram que a voz do ministro ficou alterada porque ele desceu as escadas correndo para ler a declaração. Pessoas próximas a Andrés Chadwick contaram ao portal Emol que ele só percebeu seu tom de voz diferente durante a leitura.

Costa Rica pode dar guinada histórica à esquerda nas eleições de fevereiro

José María Villalta, o deputado de esquerda que fez os colegas aprovarem o casamento gay sem querer.
O advogado e ambientalista José María Villalta tem grandes chances de ser o próximo presidente da Costa Rica. Único deputado do esquerdista Frente Amplio, José María faz uma campanha exitosa. Começou com apenas 4% das intenções de voto (na pesquisa de agosto) e, segundo o último levantamento (janeiro), aparece liderando a corrida presidencial com 29%.

O deputado esquerdista se destaca entre os demais candidatos. Faz parte de um partido novo (fundado em 2004) e que nunca governou o país. Não carrega nas costas o peso de um bipartidarismo que se repete na Costa Rica desde os anos 40, com os partidos Liberação Nacional (PLN) e Unidade Social Cristã (PUSC).

É opositor ferrenho da atual presidenta Laura Chinchilla em temas polêmicos como o aborto, a maconha e a união entre pessoas do mesmo sexo. Chinchilla é muito próxima da Igreja Católica e, inclusive, participou de marchas contra o aborto e se manifestou publicamente contrária à igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais. 

José María Villalta se posicionou sobre esses e outros temas controversos: como deputado, fez os colegas aprovarem o casamento gay sem saber em agosto passado. Ele incluiu, “de maneira criativa” (palavras dele), no projeto da Lei da Pessoa Jovem uma frase que dava aval às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e os colegas aprovaram o texto sem ler; 2) apoia o aborto em casos que oferecem risco para a mãe; 3) apoia o uso de maconha com fins medicinais.

Villalta é o diferente com cautela, pois depende de um eleitorado conservador para se eleger. Seu slogan de campanha já aponta nessa direção: “Sim, há em quem votar”. Além de jovem (36 anos), entrou na política a partir dos movimentos estudantis. Logo abraçou a causa do meio ambiente e tem se destacado como principal ativista do país nessa área.

Além de José María Villalta, outros dois candidatos têm chances de disputar o segundo turno: Otto Guevara, que apesar do sobrenome integra o neoliberal Movimento Libertário, um partido que sempre esteve na oposição. O próprio Guevara concorreu nas últimas três eleições e perdeu.

Laura Chinchilla apresenta como sucessor Johnny Araya, ex-prefeito de San José, a capital do país. Representante do Partido Liberação Nacional, Ayala tem a difícil missão de convencer o eleitor a votar em um projeto marcado por denúncias de corrupção e escândalos políticos. O engenheiro também enfrenta processos por suspeitas de irregularidades em sua administração de 22 anos na prefeitura de San José.

Dados da última pesquisa:
José María Villata (Frente Amplio, esquerda) – 29%
Johnny Ayala (PLN, situação) – 26%
Otto Guevara (ML, neoliberal) – 26%
Luis Guillermo Solís (PAC, socialdemocrata) – 7%
Rodolfo Piza (PUSC, democrata-cristão) – 5%

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sentença sobre área marítima disputada por Chile e Peru sai no dia 27

Os presidentes do Chile, Sebastián Piñera (esquerda), e do Peru, Ollanta Humala
Está perto do fim a disputa história entre Peru e Chile por uma área marítima de cerca de 37 mil quilômetros quadrados no Pacífico. A Corte Internacional de Haia dará a sentença final no próximo dia 27 de janeiro. Os dois países já disseram que vão acolher a decisão da justiça internacional.

O Peru pede o estabelecimento de uma nova fronteira marítima, enquanto o Chile diz que os tratados firmados nos anos de 1950 definem o paralelo Milestone número 1 como referência.  Para o Chile, a fronteira marítima foi marcada por atos de 1968 e 1969.

No mesmo dia 27 de janeiro, logo após a divulgação da sentença da corte de Haia, os presidentes Sebastián Piñera e Ollanta Humala devem se pronunciar. Ambos devem falar no mesmo horário para evitar a sensação de que um está respondendo ao outro. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crise, saúde e sumiço alimentam teoria sobre possível renúncia de Cristina Kirchner

Sem luto: imagem da presidenta argentina em novembro, quando voltou ao governo após licença médica
Coisas muito estranhas estão acontecendo na Argentina. Juntando os fatos, a conclusão é que algo grande está para acontecer a qualquer momento na política do país. Envolve a presidenta Cristina Kirchner. Com saúde física e política abaladas, ninguém duvida que ela não termine o mandato.

Relutei em falar sobre o assunto, pois não sou adepto da teoria do caos e nem tenho talento para advogado do diabo. No entanto, diante do silêncio de toda a mídia internacional sobre a situação “rara” dos hermanos, atrevo-me a palpitar.

Vamos aos fatos: há um ano, Cristina Kirchner anunciou que estava com câncer e precisava se submeter a uma cirurgia. Dias depois, os médicos descobriram que o problema na garganta da presidenta não era câncer.

Em outubro de 2013, CFK se licenciou da presidência por seis semanas. O motivo alegado: retirar um coágulo do cérebro, resultado de uma queda ocorrida meses antes. Em novembro, ela voltou à presidência e promoveu uma grande reforma, trocando nomes importantes do governo.

Dias depois, a presidenta saiu em férias. Mesmo em meio ao caos causado pela greve policial – que resultou em inúmeros saques e violência fora de controle – e aos problemas de geração de energia elétrica, CFK não interrompeu as férias para se dirigir à nação em uma usual cadeia nacional de rádio e televisão, como costumava fazer.

Na volta, abandonou parcialmente o luto pela morte do marido Néstor, ocorrida em 2010 (até então ela só vestia preto) e anunciou que não seria “candidata a nada” em 2015, quando o país passará por eleições presidenciais. Antes, chegou-se a cogitar que Cristina pretendia promover uma reforma na Constituição do país para poder concorrer a um terceiro mandato.

A presidenta argentina voltou ao trabalho na semana passada. Desde então, está mais reservada. A julgar pela agenda oficial, continuará assim - pelo menos dentro do país. Todos os anúncios importantes, como a compra de tomate brasileiro, por exemplo, foram feitos pelo novo chefe de gabinete, nomeado em novembro.

Nos bastidores, dizem que CFK está isolada dentro de um governo cheio de problemas. Este poderia ser o motivo do chá de sumiço: evitar associar sua imagem à crise iminente. Foi uma mudança muito brusca, pois antes da cirurgia para retirar o coágulo do cérebro, Cristina aparecia quase que semanalmente em rede nacional. Agora, dizem, só será vista uma vez por semana.

Pepe Mujica, presidente do Uruguai, está tentando, sem sucesso, falar pessoalmente com Cristina para reabrir o diálogo entre os dois países após a polêmica sobre a planta de celulose na fronteira. Ele espera encontrá-la ainda este mês na Venezuela ou em Cuba.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, adiou duas vezes a cúpula do Mercosul na qual passará a presidência para a Argentina. Primeiro, a reunião aconteceria em dezembro, quando Cristina ainda se recuperava, e passou para meados de janeiro. No início do ano, novo adiamento: desta vez a justificativa seria facilitar a vida da colega argentina, que faria apenas uma viagem para a reunião do Mercosul e para a cúpula da CELAC em Havana.

É impossível não fazer uma associação imediata com os meses que precederam a morte de Hugo Chávez. As informações desencontradas sobre a saúde do presidente, a continuidade do tratamento contra o câncer dias após a eleição (Cristina só resolveu operar o coágulo do cérebro depois das eleições legislativas no ano passado) e o sumiço são muito similares.

A saúde de Cristina é um capítulo à parte: sempre foi frágil. Não foram poucas as vezes que ela precisou ser atendida às pressas pelos médicos da Casa Rosada. Há alguns dias surgiu o boato que CFK estaria com problemas na fala. Nada confirmado. Nem desmentido.

Antes de me aventurar a fazer “previsões” sobre o futuro político da Argentina baseado em minhas impressões pessoais, conversei com algumas pessoas. Jornalistas, políticos e militantes próximos ao kirchnerismo. Para minha surpresa, todos compartilham a mesma preocupação. Sobre a possível renúncia, apenas um (jornalista) acha pouco provável.

Nos bastidores do kichnerismo fala-se em uma suposta mensagem secreta sobre a saúde da presidenta. As notícias não seriam nada animadoras. Não vou entrar em detalhes por se tratar de comentários sem confirmação oficial.

“A Argentina está no piloto automático”. Quem disse isso também pondera que janeiro e fevereiro são meses parados no país. Esse seria o álibi para Cristina reduzir o ritmo e cuidar mais da saúde. Depois, em março, tudo voltaria ao normal. É possível.

O certo é que não há nada certo. Quando a presidenta convocar a próxima cadeia nacional de rádio e televisão para um pronunciamento, tudo será esclarecido. Ou não.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tabaré Vázquez pagará do próprio bolso custos da campanha pela presidência do Uruguai

O ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, começa no próximo dia 20 de janeiro sua campanha para a primeira fase das eleições presidenciais. Ele participará de atos públicos no leste do país até o final do mês. É o início de uma jornada que, segundo o próprio candidato, terminará com quatro mil quilômetros percorridos.

O caminho até a sucessão de Mujica é longo, mas Tabaré parece disposto a percorrê-lo. Começará a campanha três dias depois de completar 74 anos, no dia 17 de janeiro. Ele é favorito em todas as pesquisas e não deve enfrentar dificuldades na eleição do dia 26 de outubro.

Antes disso, porém, o sistema eleitoral do Uruguai manda que os candidatos passem por uma peneira popular. As chamadas eleições internas acontecem no dia 1º de junho, antes do previsto por causa da Copa do Mundo no Brasil, e habilitam apenas um candidato por partido ou coalizão.

A Frente Ampla, do presidente Pepe Mujica, terá dois representantes: além de Tabaré, a senadora Constanza Moreira, do partido Espacio 609 (um dos quase 30 que integram a coalizão), também é candidata. Pesquisas dizem que Tabaré tem 71% dos votos dentro da frente. Constanza é a candidata do escritor Eduardo Galeano...

Como concorre contra uma companheira de coalizão, Tabaré anunciou que pagará sua campanha até as internas com dinheiro próprio. Segundo ele, para criar igualdade de condições entre os postulantes. Com isso, a outra pré-candidata não pode pedir dinheiro da Frente Ampla para sua campanha.

O ex-presidente fará, até as internas, uma agenda própria. Ele será seguido por caravanas organizadas por seus apoiadores dentro da Frente Ampla.

Para as eleições internas de 1º de junho, ainda estão inscritos seis candidatos do Partido Nacional, quatro do Partido Colorado e um independente. 

Merkel e o esqui


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NY: Primeira-dama ex-lésbica?

A nova primeira-dama de Nova York, Chirlane McGray, escreveu um artigo nos anos 70 no qual se declarava lésbica. A mulher do novo prefeito da maior cidade do mundo alegava, na época, que falar sobre o assunto daria coragem às mulheres lésbicas afroamericanas.

Chirlaine é casada com Bill de Blasio desde 1991. Questionada sobre sua sexualidade, ela respondeu que quando escreveu o artigo achava que nunca encontraria sua alma gêmea. "Estou casada e sou monogâmica, mas nem eu nem meu marido estamos mortos e rejeito rótulos".

Angela Merkel sofre acidente de esqui

Angela Merkel, 59 anos, sofreu um acidente sério quando esquiava na Suíça neste final de semana. A alemã sofreu uma "contusão grave associada a uma fratura incompleta no anel pélvico posterior esquerdo", segundo o porta-voz do governo. Por causa disso, ela cancelou sua agenda pelas próximas três semanas.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Venezuela muda data de reunião do Mercosul pela 2ª vez

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou no último sábado que a reunião do Mercosul, inicialmente marcada para dezembro, depois transferida para meados de janeiro, só acontecerá no dia 31 deste mês. Ele fez o anúncio durante um ato militar em La Guaira, perto de Caracas, mas não informou o motivo do novo adiamento.

Nos bastidores, o que se diz é que o governo da Argentina, para quem a Venezuela entregará a presidência do bloco nessa reunião, solicitou a mudança na data para que a presidenta Cristina Kirchner não tenha desgaste. Com a saúde frágil, Cristina faria só uma viagem, já que a cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) está prevista para 28 e 29 de janeiro em Havana.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Eleições presidenciais na América Latina em 2014

Dilma Rousseff (Brasil), Juan Manuel Santos (Colômbia), Evo Morales (Bolívia), Pepe Mujica (Uruguai), Laura Chinchila (Costa Rica), Maurício Funes (El Salvador), Ricardo Marinelli (Panamá)
O ano que começou promete ser agitado politicamente em 7 países da América Latina. Brasil, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Panamá, Bolívia e El Salvador terão eleições presidenciais. Pelo menos três presidentes devem ser reeleitos e quatro encerram seus mandatos deixando marcas históricas (negativas e positivas).

Quem fica
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, é favorito, assim como a presidenta Dilma Rousseff, em todas as pesquisas. Com um mandato marcado pelo início das conversas com as Farc e, ao mesmo tempo, pela manutenção dos ataques contra a guerrilha, Santos tem 36% das intenções de voto na pesquisa de dezembro. A eleição presidencial na Colômbia será no dia 25 de maio.

Na Bolívia, Evo Morales deve conquistar o terceiro mandato. Ao assumir, ele reformou a Constituição e teve um primeiro mandato de dois anos. Com isso, chega em 2014 com 8 anos de mandato e concorrerá à reeleição. Segundo as pesquisas, tem 43% das intenções de voto. Eleição: 5 de outubro.

Quem sai
Entre os quatro presidentes que encerram seus mandatos porque a legislação não permite a reeleição, a saída de Pepe Mujica da presidência do Uruguai deve ser a mais sentida. Considerado o presidente mais pobre do mundo, Mujica conquistou a simpatia de todo o mundo com seu jeito simples e com mudanças pioneiras, como a legalização do aborto, da maconha e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mujica ainda derrubou queixos com seu discurso na Assembleia da ONU. Com o nome garantido na história do Uruguai, Pepe deve dar lugar ao ex-presidente Tabaré Vázquez. Eleição: 26 de outubro.

Laura Chinchilla deixará a presidência da Costa Rica garantindo sua presença na história como primeira mulher a ocupar o cargo. Opositora do casamento gay e da legalização do aborto, ela governa com apenas 12% de aprovação – foi a pior da América Latina por dois anos consecutivos. Apesar disso, deve fazer sucessor: Johnny Araya, do mesmo partido, lidera as pesquisas para a eleição do próximo dia 2 de fevereiro.

Em El Salvador, Maurício Funes, o primeiro presidente de esquerda da história do país, encerra seu mandato. Casado com uma brasileira e muito próximo ao Partido dos Trabalhadores e ao ex-presidente Lula, Funes copiou os programais do governo brasileiro. Parece que aprendeu direitinho, pois é o governante mais popular da América Latina com 83% de aprovação. Segundo as pesquisas, Funes deve fazer sucessor: Salvador Sánchez Cerén, o vice-presidente, é o favorito para a eleição do próximo dia 2 de fevereiro.

No Panamá, Ricardo Martinelli deve passar o cargo para José Domingo Arias, da situação (direita). A eleição acontece no dia 4 de maio.