segunda-feira, 19 de maio de 2014

Santos e Zuluaga devem ir para o segundo turno na Colômbia

No próximo domingo os eleitores colombianos escolherão o próximo presidente do país: o atual mandatário, Juan Manuel Santos, e o candidato do ex-presidente Álvaro Uribe, Óscar Iván Zuluaga, aparecem tecnicamente empatados nas últimas pesquisas. Santos e Zuluaga, centro-direita e direita, respectivamente, devem ir para o segundo turno em meio a uma guerra suja.

Sem conseguir deslanchar a única candidata de esquerda no pleito, a economista Clara López – responsável pela denúncia de ligação de altos escalões do governo Uribe com grupos de paramilitares que levou ao escândalo conhecido como “parapolítica” -, a esquerda está sem pai nem mãe. Os demais candidatos são a advogada conservadora Marta Lucía Ramírez (menos de 10% das intenções de voto) e o economista norte-americano do Partido Verde, Enrique Peñalosa. Este último, em algumas pesquisas, aparece em terceiro e até em segundo lugar.

Um bom termômetro sobre a situação política a esquerda colombiana é a ex-senadora Piedad Córdoba, cassada por acusações de ligações com as Farc (Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia), e seus milhares de seguidores. Eles não têm candidato para a disputa presidencial, mas dão sinais de um apoio discreto a Santos. Em suas redes sociais e no site oficial do movimento, os “avanços” do governo Santos no diálogo com as Farc (já concordaram em três dos cinco pontos fundamentais no diálogo que ocorre em Havana) ganham destaque e o papel do governo como agente negociador é reverenciado.

Pela lógica dos aliados de Piedad, se não está bom com Santos, pior com Uribe. Óscar Iván Zuluaga é fiel ao seu mentor político e não concorda em dialogar com a guerrilha. Se for eleito, as conversas de paz serão suspensas e não terão efeito.

A troca de acusações entre militantes dos dois principais candidatos é o elemento que mais chamou a atenção na campanha. Sobrou para Santos e também para Zuluaga. Um assessor do atual presidente foi demitido após denúncia de que teria recebido 12 milhões de dólares de traficantes de drogas. Ele nega e Santos diz que acredita.

Já o uribista Zuluaga tentou dar explicações após o surgimento de um vídeo no qual ele aparece ao lado de um hacker preso por grampear as comunicações entre os participantes dos diálogos de paz entre o governo e as Farc em Cuba. No vídeo, o hacker passa informações ao candidato opositor. Zuluaga alegou que o vídeo é uma montagem.

Documentário: como a mídia constrói a imagem da mulher brasileira

Excelente reportagem-documentário da revista espanhola Pueblos.

Sinopse: As mulheres brasileiras são constantemente usadas para a venda de produtos e para conquistar mais audiência. Um modelo de concentração dos meios brasileiros em seis famílias de grande poder, uma cultura machista e a maximização do benefício econômico são algumas das chaves para entender por que os grandes meios de comunicação apresentam um modelo único da mulher e ocultam a grande diversidade que há no Brasil. O vídeo conta com entrevistas com Terezinha Vicente e Rita Freire, da Rede Mulher e Midia; Jacira Melo, diretora do Intituto Patricia Galvao; Iris Miranda, psicóloga e ativista, e Melissa Miranda, jornalista e ativista.

 
Direção e roteiro: Laura Toledo Daudén, Andrea Gago Menor e Alba Onrubia García.
Produção: Pueblos-Revista de Información y Debate y Paz con Dignidad.
Apoio: Agencia Vasca de Cooperación al Desarrollo.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pesquisas mostram que Frente Ampla consolida vantagem no Uruguai

As últimas quatro pesquisas eleitorais no Uruguai apresentaram praticamente o mesmo cenário. Nelas, a Frente Ampla, coalizão de quase 30 partidos que governa o país, apa
rece com a mesma porcentagem de intenção de votos (43% em três pesquisas e 41% em uma delas).
Ao mesmo tempo em que a coalizão de esquerda parece estar consolidada, os partidos opositores, juntos, ficam com o resto do bolo. Outra curiosidade da pesquisa eleitoral uruguaia é que o número de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular é muito baixo: menos de 6%.
São quatro grandes frentes políticas que disputam o eleitor uruguaio: a coalizão Frente Ampla, que reúne quase 30 siglas de esquerda e chegou ao poder com Tabaré Vázquez, que está na disputa novamente (Uruguai não tem reeleição imediata); os blancos, do tradicional Partido Nacional, que hoje são a segunda força política; o Partido Colorado, também de direita, que estava acostumado – assim como os blancos – a governar o país antes do surgimento da Frente Ampla; e, por fim, o Partido Independente, movimento que surgiu já nos anos 2000 e busca se posicionar no centro do espectro político servindo de alternativa à esquerda frenteamplista e à direita blanca ou colorada.
A pesquisa da empresa Cifra aponta 43% para a Frente Ampla, 30% para o Partido Nacional, 18% para o Partido Colorado e 2% para o Partido Independentes. O levantamento da Mori mostra também 43% para a Frente Ampla, 28% para os blancos, 16% para os colorados e 2% para os independentes. O resultado da pesquisa da Factum foi bem similar: Frente Ampla 43%, blancos 27%, colorados 15% e independentes 4%. Na Interconsult, a Frente Ampla tem a preferência de 41% dos eleitores, o Partido Nacional fica com 28%, o Colorado com 14% e os independentes com 4%.

A presidenta da coalizão governista, a ex-senadora Mónica Xavier, vê a oposição “supervalorizada” nas pesquisas e acredita que a Frente Ampla “decolará” a partir de junho, assim como ocorreu em 2009, na eleição de Mujica (LaRed21, 12/05/2014). O grande desafio da esquerda uruguaia é conquistar maioria legislativa para governar mais quatro anos com possibilidade de implementar seus projetos.
Mujica conseguiu governar com relativa tranquilidade nesses últimos quatros anos “por uma cabeza”, literalmente. A Frente Ampla tem 16 das 30 cadeiras na Câmara Alta. Blancos e colorados dividem as outras 15 vagas. Nenhum senador frenteamplista tem o direito de ter uma indisposição estomacal em dias de votações importantes. Tabaré Vásquez quer manter essa vantagem ou, na melhor das hipóteses, ampliá-la. Para a sorte dos esquerdistas uruguaios, o cenário agora é muito parecido com o da eleição anterior.