segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O licor e o presidente tcheco

A linguagem de boteco do presidente Milos Zeman durante seu programa na emissora pública Radiozurnal está causando furor na República Tcheca. Famoso por protagonizar aparições públicas embaraçosas (veja o vídeo), o presidente tcheco é fã confesso do licor Becherovka.

Em uma overdose de sinceridade, Zeman criticou o próprio governo pela nova lei de administração pública, afirmando: “o governo fodeu a democracia”.

Comentado sobre presos políticos na Rússia, o presidente disse que Mijail Jodorkovski é um “aproveitador” e emendou: “lamento que o regime de Putin não prendeu mais oligarcas”.

O presidente tcheco ainda traduziu a primeira palavra do nome da banda russa Pussy Riot, usou a palavra diversas vezes na sua forma mais vulgar e chamou as três integrantes do grupo, que foram presas na Rússia, de “putas”.

A imprensa tcheca disse que o presidente perdeu o controle, enquanto alguns comentaristas arriscam dizer que ele estava bêbado. Não entendo nada que ele fala (só "pussy") e mesmo assim já é engraçado. Ouça o áudio aqui e veja o vídeo abaixo, de outro fogo.

Qual será o próximo primeiro passo do Uruguai?

EFE
Dizer que existe um Uruguai pré e outro pós-Mujica seria exagero, mas separar as últimas décadas da história uruguaia nos períodos pré-esquerda e pós-esquerda é perfeitamente aceitável para entender porque até hoje a coalizão Frente Ampla segue vencendo eleições. Formado por quase 30 partidos de esquerda, o blocão terminou com décadas de um bipartidarismo casual entre blancos e colorados com a vitória de Tabaré Vázquez em 2004.

Naquela feita, o candidato freteamplista venceu já no primeiro turno, com 50,4% dos votos. Depois, veio José Mujica, eleito em 2009 em segundo turno, que aprofundou as reformas cujas bases foram assentadas no primeiro governo Tabaré. Atualmente, o ex-presidente concorre para suceder Mujica e deve vencer o segundo turno no final de novembro, já que fez 47% no primeiro turno, mais que Partido Nacional e Partido Colorado juntos.

Com a terceira vitória da Frente Ampla a caminho, a pergunta que fica é como uma coalizão tão heterogênea conseguiu permanecer unida e manter a confiança de metade do eleitorado? Uma das respostas possíveis indica a consolidação da Frente Ampla como opção para o eleitorado construída a partir da ousadia de promover reformas importantes que afetam diretamente a vida das pessoas.

Muito além da figura pop na internet, José Mujica é o rosto memorizado pelos uruguaios como o presidente que teve coragem de enfrentar temas tabus. Aborto, maconha e casamento gay não são assuntos corriqueiros apenas na sua timeline do Twitter, são pauta do almoço de domingo e da conversa do bar. Todos os uruguaios têm opinião formada sobre esses três temas e, a partir de coincidências de opinião, elegem seus representantes.

Na eleição deste ano, a Frente Ampla manteve maioria no Congresso e na Câmara. Se eleger Tabaré novamente no dia 30 de novembro, voará em céu limpo – pelo menos em casa – pelos próximos anos. A Frente Ampla terá mais um período para concretizar seu processo de mudança história, começando pelas principais demandas caseiras: diminuir a pobreza, melhorar a educação e diminuir as já baixas taxas de violência.

A segurança pública deverá ser tema central do próximo período no Uruguai, país no qual o número de suicídios é o dobro do número de homicídios. Apesar das taxas de criminalidade muito baixas em comparação com os países vizinhos (era 7/100 mil habitantes em 2011), a população uruguaia apontou, durante o processo eleitoral, que a segurança pública precisa melhorar. Tabaré traçou um plano específico para a área e apresentou durante a campanha.

Das três principais mudanças – do ponto de vista internacional – implantadas pela Frente Ampla, duas já deram resultados positivos. Com a legalização do aborto, há cerca de dois anos, muitas mulheres procuraram os serviços de saúde pública e, até agora, nenhuma morte foi registrada.

Já a aprovação do casamento igualitário pautou as reuniões de família, confortou quem até então estava à margem desse direito e, de quebra, consolidou a imagem do Uruguai no exterior como um país “buena onda” e moderno.

No entanto, o objetivo central do processo de legalizar e estatizar a maconha era combater a violência. Parte dos casos tem relação com o narcotráfico, mas os resultados desse processo (que ainda não começou plenamente) só irão aparecer a longo prazo, como explicou o próprio presidente Mujica diversas vezes.

Diante desse cenário, a esquerda uruguaia comemora antecipadamente a oportunidade de consolidar um ciclo de mudanças com a eleição de Tabaré Vázquez. E se, nos próximos anos, a ideia de legalizar a maconha para quebrar o narcotráfico der certo e as taxas de violência começarem a cair, qual será próximo primeiro passo do Uruguai?


Bachelet enfrenta baixa aprovação no 1º ano de novo governo no Chile


No cargo desde março deste ano, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, enfrenta grandes dificuldades para manter a alta popularidade com a qual deixou a presidência em março de 2006 (84% aprovavam sua gestão) e conquistar a confiança dos 62% que votaram nela na eleição do ano passado. Uma pesquisa divulgada esta semana pelo jornal Nación mostra que a popularidade da presidenta está bem abaixo dos 60% no primeiro ano do governo anterior.

Segundo a pesquisa da Cadem, 37% aprovam Bachelet enquanto 48% desaprovam. O problema parece estar nas questões de segurança pública (o calcanhar de Aquiles de muitos governos de esquerda pelo mundo). Pesquisa específica sobre esse tema mostra que a desaprovação do governo Bachelet na área chega a 69%.

Oito em cada dez chilenos acreditam que a violência aumentou no último ano; 63% se sentem muito preocupados com a criminalidade; os Carabineros, polícia militar do Chile, são aprovados por 60% da população.

A preocupação com o nível de violência no Chile, as incertezas econômicas, a Reforma Tributária impopular e dúvidas sobre a reforma educacional proposta pela presidenta são apontados como motivos da queda de popularidade.

Na mesma época de 2006, primeiro ano de seu primeiro governo, Michelle Bachelet, chegou a ter 60% de aprovação e terminou o mandato, em 2010, com 84%.