quarta-feira, 18 de março de 2015

Lucía Topolansky, mulher de Mujica, disputa prefeitura de Montevidéu

A Frente Ampla, coalizão que reúne quase 30 partidos de esquerda no Uruguai, tem dois candidatos à prefeitura de Montevidéu: Daniel Martínez, apoiado pelos setores mais à esquerda do bloco, e a ex-senadora Lucía Topolanksy, mulher do ex-presidente e agora senador José Mujica.

As eleições municipais no Uruguai acontecem no próximo dia 10 de maio e a campanha eleitoral começa a se intensificar. Lucía conta com aliados de peso, como o vice-presidente Raúl Sendic e, claro, Mujica.

Mobilidade urbana

Em caminhada de campanha ontem no Parque Rodó, em Montevidéu, Topolanksy falou prioritariamente sobre temas de mobilidade urbana. Disse que o transporte público será prioridade em sua gestão. “Eu quero que as zonas ‘somente ônibus’ funcionem realmente como ‘somente ônibus’”, disse.

terça-feira, 17 de março de 2015

Argentina: Sergio Massa sofre primeira derrota e rejeita desistir da presidência

Sergio Massa
A campanha eleitoral nem bem começou e o candidato da terceira via à presidência da Argentina, Sergio Massa, já sofreu sua primeira derrota. No final de semana a União Cívica Radical decidiu apoiar o conservador Mauricio Macri.

A decisão, além de rachar o partido, levantou uma série de dúvidas sobre a capacidade política de Massa para continuar com sua postulação à presidência.

Massa falou na manhã desta terça-feira, assim como os outros dois pré-candidatos, e descartou a possibilidade de desistir da candidatura presidencial porque tem aparecido em terceiro nas pesquisas.

Ele negou a possibilidade de ser candidato à sucessão de Mauricio Macri, com apoio deste, no governo da província de Buenos Aires. “Vou ser presidente e vou ganhar no primeiro turno. Me sinto mais forte do que antes. Quando começamos éramos  9 prefeitos e tivemos que enfrentar todo o governo nacional, estadual e todos os prefeitos do Estado”, recordou.

Argentina não quer mudar tudo e voltar no tempo, diz candidato de CFK

Daniel Scioli
Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires e provável candidato da Frente Para La Victoria à sucessão de Cristina Kirchner, reagiu ao anúncio de aliança entre o PRO de Mauricio Macri e a União Cívica Radical. O candidato oficialista também criticou a promessa de Macri de eliminar imediatamente, caso eleito, as restrições cambiárias com relação ao dólar.

O kirchnerista disparou contra a gestão de Macri - que ele classifica como seu grande adversário - na prefeitura de Buenos Aires citando o endividamento da cidade e a pressão impositiva que, segundo ele, sofrem os cidadãos. Esses exemplos servem para ver a visão de governo que se projetaria no futuro, disse Scioli.

Ele também criticou a aliança do PRO, partido de Macri, com a União Cívica Radical. Para Scioli, trata-se de um acordo por conveniência já que nenhum dos dois partidos seria competitivo sozinho. “As alianças contra alguma coisa não têm se saído muito bem”, alfinetou.

Scioli deu o tom do que deve ser sua campanha eleitoral para as primárias obrigatórias do meio do ano. “Quando alguém vê como foi crescendo o respaldo à minha candidatura, nota que as pessoas não querem mudar tudo e voltar no tempo”, disse.

Argentina: Mauricio Macri diz que esquerda e direita não significam nada em política

Mauricio Macri
O candidato conservador à presidência da Argentina disse nesta terça-feira que, para ele, esquerda e direita não significam nada em política. A declaração de Mauricio Macri, chefe de governo de Buenos Aires e aclamado candidato pelo PRO, acontece logo após a confirmação de sua aliança com a União Cívica Radical.

"Não quero voltar aos anos 90 nem aos 2000. Para mim, esquerda e direita não significam nada em política. O metrô é de esquerda ou de direita? Economizar o tempo das pessoas no metrô é de que? Estar em dia com as dívidas, não dever a ninguém, não ser lento, não é de esquerda nem de direita", disse.

A decisão da União Cívica Radical, responsável pela eleição de Fernando de la Rúa em 1999, de apoiar o PRO causou polêmica. O partido preteriu o candidato da terceira via, Sergio Massa, e escolheu se unir ao conservador Macri.

Críticos da aliança dentro da UCR reclamaram duramente. “Macri está nos convidando para um churrasco onde nós levamos a carne, o vinho, a salada, o sorvete. E ele leva o pão e senta na cabeceira da mesa”, disse o senador Nito Artaza.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A mídia internacional ridicularizou os protestos?

A mídia internacional noticiou as manifestações de ontem no Brasil dando destaque para algo que a maioria dos que foram para a rua não queria. Os vários pedidos de intervenção militar, que apareceram em todos os protestos, foram criticados no exterior. Para alguns, o Brasil foi ridicularizado.

Cartazes agressivos contra a presidenta da República também foram alvo de críticas. A Forbes chamou o que se viu nas ruas de “festival do ódio”, o Guardian comparou com as manifestações de 2013 e viu um público mais velho, mais branco e mais rico.

Mas por que a mídia internacional decidiu destacar o lado “pitoresco” das manifestações em detrimento das motivações da maioria? Talvez a resposta seja um velho vício midiático original de países que se acham superiores.

O que a imprensa estrangeira fez em relação ao Brasil foi exatamente a mesma coisa que a imprensa brasileira faz, há anos, em relação aos países vizinhos da América Latina. Argentina e Venezuela só entram no noticiário brasileiro quando existe algo anormal. Os presidentes desses dois países são tratados como malucos nas páginas dos jornais.

O “pitoresco”, para um público que não está familiarizado com o assunto, vende mais jornal, rende mais cliques e dá mais audiência na televisão. O tratamento adotado pela mídia internacional em relação aos protestos não surpreende. Se incomoda, paciência... Desde criança aprendi a não fazer com os outros aquilo que não quero que façam comigo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Calendário eleitoral da América Latina 2015

Cristina Kirchner deixa a presidência da Argentina em dezembro.
O ano de 2015 será de poucas mudanças nos executivos da América Latina. Apenas Argentina, Guiana e Guatemala escolhem novos presidentes. No entanto, isso não significa que o cenário político será morno, pois eleições legislativas importantes no México e na Venezuela estarão no centro das atenções.

Veja o calendário completo de eleições:
29 de março - eleições departamentais, regionais e municipais na Bolívia
10 de maio - eleições municipais no Uruguai
11 de maio – eleições gerais na Guiana
7 de junho – eleições legislativas no México
13 de setembro – eleições gerais na Guatemala
Algum dia de setembro – eleições legislativas na Venezuela
18 de outubro – eleições presidenciais e legislativas na Argentina
25 de outubro – eleições municipais na Colômbia

Fonte: OEA

Maduro chama vice-presidente do Uruguai de covarde

Tabaré e Maduro.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se irritou com o vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic, e a troca de farpas públicas inaugurou a primeira crise diplomática do novo governo uruguaio. Em rede nacional de rádio e televisão, Maduro reclamou das declarações do vice de Tabaré Vázquez, que questionou a existência de “elementos” para sustentar que os Estados Unidos estão por trás da atual crise venezuelana.

“Às vezes Chávez me dizia ‘calma Maduro, que o mundo está cheio de covardes’. Quando por lá aparece um covarde tentando ganhar a indulgencia dos gringos...’, afirmou o presidente venezuelano em clara referência ao colega uruguaio.

“Um amigo do sul, um grande amigo, que tem um bom cargo, um importante cargo em um governo disse que não via interferências dos Estados Unidos na Venezuela. Que vergonha essa declaração. Estamos agredidos, ameaçados e ainda há gente que diga isso na América Latina”, disse Maduro.

O governo do Uruguai reagiu e pode ter aproveitado a crise para se distanciar um pouco de Maduro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores qualificou a fala de Maduro como “inamistosa” e chamou o embaixador venezuelano no Uruguai para esclarecimentos. Com a reação, Tabaré Vázquez ganhou elogios de líderes da oposição.


Cacerolazos que ganharam o mundo têm raízes na direita do Chile pré-Pinochet

Marcha das Panelas Vazias, Chile, 1971 (Foto: Jornal El Mercurio).
No início dos anos 70 foram as panelas batendo que anunciaram o futuro sombrio que aguardava o Chile com o posterior golpe de Estado de 1973 e a ditadura de Augusto Pinochet. Esses foram os primeiros registros do método de protesto conhecido como “cacerolazo”.

O ano era 1971 e Salvador Allende começava a expropriar terras para a reforma agrária, aumentava o poder do Estado na economia, tentava controlar os preços e aumentava os salários dos trabalhadores. As medidas “marxistas” desagradaram a classe média chilena e as primeiras batidas foram ouvidas no centro de Santiago. Qualquer semelhança com a atual “luta contra o comunismo” pregada por alguns no Brasil pode não ser apenas uma coincidência...

No início foi um movimento espontâneo combinado entre vizinhos e amigos no boca-a-boca, mas não demorou muito para a oposição notar que o protesto tinha futuro. Assim, em 1º de dezembro de 1971 foi organizado, com apoio dos movimentos de direita Partido Democrata Cristão, Partido Nacional e Pátria e Liberdade, o primeiro grande cacerolazo da história: a Marcha de las Ollas Vacias (marcha das panelas vazias). O protesto teve grande cobertura da imprensa.

É de 1972 a irônica canção “Las ollitas”, da banda Quilapayún, que diz: "La derecha tiene dos ollitas / una chiquitita, otra grandecita. / La chiquitita se la acaba de comprar, esa la usa tan sólo pa' golpear"


Pouco menos de três anos depois, o Palácio La Moneda foi bombardeado em um golpe militar cinematográfico e o general Augusto Pinochet assumia a presidência, de onde só saiu 17 anos, 3.065 mortos ou desaparecidos e 40 mil perseguidos depois. 

Capa do Jornal El Mercurio do dia 1º de dezembro de 1971.
Capa do jornal argentino Clarín em 20 de dezembro de 2001.
Se o barulho das panelas prenunciou a assunção de Pinochet, não foi diferente com sua queda. Os opositores chilenos adotaram o método de protesto e passaram a fazer cacerolazos das sacadas de casa para escapar da forte repressão do regime nas ruas. O mesmo acontecia no Uruguai, que também vivia sob um regime ditatorial.

A Argentina foi a responsável por popularizar esse tipo de protesto nascido no Chile. Partidos e movimentos de esquerda realizaram o primeiro grande cacerolazo contra Carlos Menem em setembro 1996. As panelas voltaram a bater mais forte na crise de 2001 e causaram a renúncia do presidente Fernando de la Rúa.

Nos anos seguintes, cacerolazos foram realizados em diversos países. No Uruguai, o som das panelas foi ouvido em 2002 contra o último presidente de direita do país, Jorge Batlle. Na Venezuela, a classe média protestava da mesma forma contra Hugo Chávez.

Os argentinos usaram as panelas para protestar contra a presidenta Cristina Kirchner várias vezes nos últimos anos. O método foi copiado na Islândia (2009), na Espanha em (2010, 2011, 2012), no Canadá (2012), na Colômbia (2012) e, como todos sabem, no Brasil (2015!).

sexta-feira, 6 de março de 2015

Triplo empate na disputa presidencial na Argentina

Todas as pesquisas eleitorais feitas até na Argentina mostram posições diferentes, mas um mesmo cenário de indefinição entre os três principais candidatos à presidência. Na última semana, dois levantamentos foram divulgados. Em um deles, Scioli, provável candidato oficialista, lidera e Macri, candidato conservador do PRO, fica fora do segundo turno. No outro - vejam só! – Macri lidera e venceria os dois oponentes no segundo turno...

A pesquisa da empresa Hugo Haime & Asociados divulgada no dia 3 de março mostra o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, na liderança com 29 pontos. Sergio Massa, do Frente Renovador, está em segundo com 25 pontos. O prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, fica em terceiro, com 22 pontos.

Sergio Massa
Segundo o responsável pela pesquisa, Scioli venceria Macri e Massa em um eventual segundo turno. Hugo Haime, que explicou que as pesquisas são feitas presencialmente e por telefone, afirma que “os três estão parelhos, mas hoje seriam Scioli e Massa”. Sobre a imagem de Cristina Kirchner, Haime diz que ela sofreu queda de apenas um ponto após a morte do fiscal Nisman. “Esse ponto foi recuperado em fevereiro”, afirma.

Mauricio Macri
No dia 4 de março, um dia depois, uma nova pesquisa foi divulgada. “Pela primeira vez Macri ganha em todos os cenários”, alardeia a manchete. A pesquisa da empresa Raúl Aragón & Asociados mostra Macri com 23, Massa com 19 e Scioli com 13.

Segundo esse levantamento, o candidato conservador venceria em todos os cenários, incluindo as eleições primárias de agosto, a eleição geral de outubro e um eventual segundo turno. “O novo cenário coloca Madri decolando do triplo empate que predominava nas pesquisas até agora”, diz a reportagem.

Daniel Scioli
Apesar das pequenas diferenças, todas as pesquisas mostraram até agora que ninguém tem a mínima ideia de quem será o próximo presidente da Argentina.